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Língua Portuguesa: 
Morfologia 
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Nelci Vieira de Lima 
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Silvia Augusta de Barros Albert 
Morfologia: Conceitos Fundantes
Morfologia: Conceitos Fundantes
 
 
• Construir novos conhecimentos e refletir sobre os conceitos fundantes da morfologia da Lín-
gua Portuguesa;
• Construir novos conhecimentos e refletir sobre as diferentes perspectivas teórico-metodoló-
gicas de estudo da Morfologia;
• Realizar análises mórficas, refletindo tanto sobre a estrutura formal da palavra quanto sobre 
seus constituintes.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• Conceitos Principais;
• Exemplos de Análise Mórfica;
• Diferentes Perspectivas Teórico-Metodológicas;
• O Estudo Científico da Língua;
UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
Introdução
Sabemos que a Morfologia, enquanto disciplina linguística, ocupa-se da forma interna 
das palavras, ou seja, da estrutura das palavras da língua. No decorrer de nosso estudo, 
nesta disciplina, no entanto, chamamos sua atenção para o fato de que estudar a língua 
não se resume a trabalhar com sua forma, mas também engloba o trabalho conjunto 
com a forma, a função e o significado. 
Vimos que para uma palavra na língua ser classificada como substantivo, deve ter seu 
contexto de uso explorado, levando em conta não só critérios mórficos, mas também 
critérios sintáticos, os quais envolvem sua colocação na sentença. Esses critérios pos-
sibilitam que qualquer palavra da língua possa ser substantivada, desde que aceite ser 
antecedida na oração por um determinante (artigo ou pronome possessivo ou pronome 
demonstrativo, por exemplo). 
Observamos, ainda, que substantivos e adjetivos têm uma estreita relação e que não 
basta classificá-los isoladamente, utilizando apenas critérios semânticos, e que os advér-
bios são uma classe complexa de palavras, de difícil classificação. 
Além desses elementos que ressaltamos, outro ponto a ser abordado na introdução 
desta unidade é o fato de que, morficamente falando, certos sufixos da língua são sele-
cionados pelos falantes e combinados a radicais, independente da recomentação feita 
pela norma, a fim de produzir efeitos de sentidos diversos por eles pretendidos, entre os 
quais, efeitos pejorativos. É o caso do sufixo –aço que vem formando na língua palavras 
como: vomitaço e panelaço, criando sentidos bem diversos do que podemos observar 
nas palavras inchaço e cansaço, não é? Nos novos casos há uma intenção pejorativa 
(no caso de vomitaço) e de movimento conjunto, coletivo, retumbante, marcante, em 
“panelaço”. Já em inchaço e cansaço, há apenas a transformação de verbos (inchar e 
cansar) em substantivos.
Bem, o que importa mesmo, então, é pensar que na língua há um princípio básico 
que guia a todos os falantes: nada funciona sozinho! Sendo assim, morfemas se juntam 
a morfemas para formar palavras; palavras se juntam a palavras para formar sentenças; 
sentenças se juntam a sentenças para formar períodos e períodos se juntam a períodos 
para formar textos, dos mais diversos gêneros do discurso. O importante é pensar que 
cada parte forma o todo significativo. E um bom exercício para a compreensão da estru-
tura da língua usada para formar esse todo é decompor essas partes, até o entendimento 
da forma mínima significativa na língua, o morfema. 
Convidamos você, nesta unidade, a realizar esse exercício de compreensão de como 
se decompõe uma palavra, de como são denominados os principais conceitos da mor-
fologia e, ainda, a conhecer as várias perspectivas a partir das quais a morfologia pode 
ser estudada. 
Afinal de contas, como estudante do curso de Letras, você precisa transitar do co-
nhecimento epilinguístico – aquele conhecimento que todo falante tem de sua língua 
materna mesmo sem se dar conta de que o tem – para o conhecimento metalinguístico, 
ou seja, um conhecimento reflexivo e investigativo sobre a língua. Vamos lá?
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Começaremos apresentando, na próxima seção, uma espécie de glossário, com a 
definição dos conceitos fundantes da morfologia. Essa seção poderá ser útil a você em 
muitos momentos, para que você tire dúvidas sobre termos teóricos, tendo em vista que 
a morfologia possui muitos conceitos assim, até com nomes um pouco complicados, 
para aqueles que estão iniciando seus estudos acadêmicos da língua portuguesa. 
Conceitos Principais 
Muita atenção, agora! Nesta seção você vai encontrar termos teóricos e suas defini-
ções. Talvez alguns deles já sejam de seu conhecimento, mas aproveite para relembrar! 
Outros podem não ter sido ainda explorados no curso, mas aproveite também, pois 
nossa intenção é deixar à sua disposição um material de consulta, inclusive para quem 
sentir necessidade se aprofundar no tema, posteriormente. Esperamos que você faça 
bom uso deste glossário. 
Ah, em tempo! Não organizamos este glossário por ordem alfabética, propositalmen-
te, pois nossa intenção é guiá-los na leitura, de forma significativa. Assim, começamos 
pela definição do nome de nossa disciplina: Morfologia e seguimos sempre com uma 
definição puxando a outra. Além disso, nosso breve glossário tem a seguinte organiza-
ção: no primeiro momento, apresentamos conceitos gerais relativos à mofossintaxe, ou 
seja, às áreas da Morfologia e da Sintaxe (itens 1.1 a 1.8). Já a partir do item 1.9, apre-
sentamos conceitos ligados, exclusivamente, à estrutura interna das palavras, ou seja, 
pertencentes à Morfologia. Vamos a ele?
Glossário de Conceitos e Termos Teóricos
1.1 Morfologia
Morfo (forma) + logia (estudo) = estudo da forma ® disciplina que estuda a estrutura 
interna das palavras. 
1.2 Palavra
A definição de palavra traz em si uma certa complexidade. Alguns estudiosos dis-
tinguem palavra de vocábulo, definindo palavra como o lexema, que carrega em si a 
significação, e vocábulo como gramema, ou seja, não carrega significação extralinguís-
tica. Tomamos aqui a definição de palavra dada pelo linguista Bloomfield: é considerada 
palavra toda forma livre, mínima, que sozinha pode constituir um enunciado (BASILIO, 
2004; MACAMBIRA, 1999). 
1.3 Forma livre
Todo vocábulo ou palavra que pode aparecer sozinha em um enunciado. Ocorre em 
oposição às formas presas e formas dependentes. 
1.4 Forma Presa
São formas que só funcionam ligadas a outras formas, como os sufixos, prefixos 
e desinências. 
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
1.5 Forma Dependente
Vocábulos que não possuem significado próprio, mas que no discurso acompanham 
outras palavras. É o caso das preposições, artigos, pronomes, conjunções, etc. 
Você Sabia?
Você sabia que os conceitos de forma livre e forma presa foram elaborados pelo lin-
guista americano Leonardo Bloomfield, considerado o fundador da linguística estrutural 
norte-americana? Sabia também que o conceito de forma dependente foi proposto 
por um importante linguista brasileiro chamado Joaquim Mattoso Câmara Júnior, mas 
mais conhecido como Mattoso Câmara? 
Pois é, para Bloomfield as formas livres seriam aquelas capazes de ocorrer sozinhas em 
um enunciado. Já as formas presas seriam aquelas que não ocorrem sozinhas mas acom-
panham outras no enunciado, como é o caso das preposições, por exemplo, ou ainda 
aquelas que se ligam à estrutura de uma palavra, como os afixos e as desinências. 
A partir dos conceitos dados por Bloomfield, Mattoso Câmara propôs um terceiro con-
ceito, o de forma dependente, que para ele, corresponde às palavras que na língua não 
possuem significado extralinguístico, mas que no discurso servem para estabelecer um 
elo significativo, como os pronomes, artigos e preposições. Para Mattoso Câmara, as 
formas presas são os sufixos, prefixos e desinências.
1.5 Lexemas
Palavras que remetem a uma ideia mental, ou seja, que possuem uma carga semânti-
ca que aponta para o mundo biossocial/antropocultural. Os lexemas compõem o inven-
tário aberto da língua, são também chamados de morfemas lexicais. 
1.6 Gramemas
Palavras que não remetem auma ideia mental, ou seja, cuja carga semântica é zero ou 
quase zero, mas que remetem à realidade linguística ou gramatical. Os gramemas com-
põem o inventário fechado da língua, são também chamados de morfemas gramaticais. 
1.7 Inventário Aberto
Diz respeito ao grupo de palavras da língua que nos remetem a uma ideia mental, 
ou seja, são palavras que carregam uma carga semântica que aponta para o mundo 
extralinguístico/mundo biossocial e antropocultural. Esse grupo de palavras é chamado 
de inventário aberto por estar em constante renovação, uma vez que sempre criamos 
palavras novas ou deixamos de usar outras. Exemplo: verbos, adjetivos e substantivos. 
1.8. Inventário fechado
Diz respeito ao grupo de palavras da língua que não nos remetem a uma ideia mental, 
por se tratar de palavras com carga semântica zero ou quase zero. As palavras desse 
grupo apontam para a realidade linguística apenas e exercem grande importância no 
eixo sintagmático, ou seja, o eixo da combinação das palvras na construção oracional. 
Exemplos: pronomes, conjunções, preposições, artigos.
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Para saber mais sobre as palavras do inventário aberto e palavras do inventário fechado, 
você pode consultar duas obras, à disposição em nossa biblioteca digital. 
• ILARI, R. (Org.). Gramática do português culto falado no Brasil. Volume III: 
Palavras de Classe Aberta. São Paulo: Contexto, 2014. 
• ILARI, R. (Org.). Gramática do português culto falado no Brasil. Volume III: Palavras 
de Classe Fechada. São Paulo: Contexto, 2015. 
A partir de agora vamos nos ater a conceitos que dizem respeito à estrutura interna das 
palavras. Como dissemos anteriormente, a intenção de preparar esse glossário é oferecer 
a você um material de consulta e incentivá-lo(a) a desenvolver uma postura investigativa 
a respeito da língua e de seus fenômenos. Vamos começar com a definição de morfema 
que, provavelmente, você já conhece, mas sempre vale a pena relembrar, não é mesmo? 
1.9 Morfema
Unidade mínima de significação na língua, que pode constituir palavras ou partes de 
palavras. Trata-se de uma unidade abstrata, que se concretiza na estrutura da palavra, 
por meio do morfe.
1.10 Morfe
Diz respeito à realização concreta de um morfema, ou em outras palavras, trata-se de 
uma sequência fonêmica mínima dotada de significação, que compõe estruturalmente 
uma palavra. Quando ocorre uma variação ou mudança na forma de um morfema, no 
morfe, dizemos que ocorre alomorfia. Um exemplo: “vida”(substantivo) e “vital”(adjetivo 
correspondente, relativo à locução “de vida”) – em que /vid/ e /vit/ são realizações di-
ferentes de um mesmo morfema.
1.11 Alomorfia
Diz respeito à mudança na forma de um morfema. A alomorfia pode ocorrer em um 
prefixo, como em “infeliz” e “ilegal”, por exemplo, em que as duas formas /i/ e /in/ têm a 
mesma significação, de negação de algo. Pode ocorrer também na raiz, como vimos acima: 
“orelha” (substantivo) e “auricular” (adjetivo correspondente, relativo à locução “de/para ore-
lha”); ou ainda, como em “cabelo” (substantivo) e “capilar” (adjetivo correspondente, relativo 
à locução “de/para cabelo”). Nesses dois últimos casos, temos uma raiz erudita( de origem 
no português antigo) ao lado de uma raiz mais comum (relativa ao português mais atual). 
1.12 Morfema Zero
Ocorre quando um morfe deixa de estar presente na palavra, o que se constitui em 
uma ausência significativa. O morfema zero é representado pelo símbolo Ø. Vejamos 
alguns exemplos: 
a) português + Ø (masculino) e português + a (feminino);
b) livro + Ø (singular) e livro + s (plural). 
Nesses exemplos temos o morfema Ø para o masculino em a) e o morfema Ø para 
o singular em b).
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
1.13 Morfema Cumulativo
Ocorre quando há na construção da palavra, o acúmulo de dois morfemas. Em Lín-
gua Portuguesa é comum essa ocorrência na construção das formas verbais em que há 
a presença de um morfema representado pela desinência modo-temporal e um morfema 
representado pela desinência número-pessoa. Veja o exemplo:
a) cantemos: cant (radical) + e (desinência modo-temporal = presente do subjun-
tivo) + mos (desinência número-pessoa = 1ª pessoa do plural);
Agora é sua vez! Crie mais um exemplo, ou vários, seguindo o modelo que 
propusemos a você, na letra a)
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.14 Morfema Derivacional
Corresponde aos afixos (prefixos e sufixos), a partir dos quais é possível construir 
novas palavras. Exemplos:
a) descuidado: prefixo “des- ” que agrega um valor de negação: “não cuidado”;
b) padeiro: sufixo “-eiro” que indica aquele quem trabalha com pão.
Agora é sua vez! Crie exemplos, seguindo o modelo que propusemos a você, nas 
letras a) e b) e deixamos um desafio: dê exemplos de palavras formadas por prefixo e 
sufixo, ao mesmo tempo.
c) ___________________________________________________________________;
d) ___________________________________________________________________;
e) ___________________________________________________________________.
etc.
1.15 Afixos
Morfemas derivacionais, sufixos e prefixos que se acoplam à raiz para formar novas 
palavras. Esses já vimos até exemplos no item anterior, não é mesmo?
1.16 Raiz
Elemento irredutível e comum a todas as palavras de uma mesma família; morfema que 
carrega a significação da palavra, corresponde ao radical primário ou semantema. Exemplos:
a) Cantarei: radical cant-, de onde podemos criar todas as outras formas conjuga-
das do verbo: cantamos, cantassem, cantaram etc;
b) Meninos: radical menin-, de onde podemos criar uma família de palavras, adi-
cionando outros afixos: meninada; menina; meninote; menininho; menina etc;
c) Sol: radical sol-, de onde podemos criar uma família de palavras, adicionando 
outros afixos: solar; ensolarado; solzinho; solzão etc;
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Reparou nesse último exemplo (c) como o radical pode abarcar toda a palavra? 
Desafio: Encontre outros exemplos na língua em que isso ocorre! E crie novos exem-
plos, seguindo o modelo de a) e b) ok?
d) ___________________________________________________________________;
e) ___________________________________________________________________;
f) ___________________________________________________________________.
etc.
1.17 Semantema
É a parte da palavra que carrega o significado lexical básico, ou seja, é o núcleo fun-
damental, sendo chamado também de raiz. 
1.18 Radical Primário 
Parte da palavra formada somente pela raiz, sem estar acompanhada de morfemas 
derivacionais (afixos). 
1.19 Radical Secundário
Parte da palavra formada pela raiz e um morfema derivacional. Caso haja acoplado à 
raiz dois morfemas derivacionais, o radical é chamado de radical terciário. 
Exemplos adaptados de Monteiro (2002, p. 46):
Quadro 1
a) Juramento Raiz ou radical primário: jur-
Radical secundário: jurament-
b) descobrimento
Raiz ou radical primário: cobr-
Radical secundário: descobr-
Radical terciário: descobriment-
Desafio: Encontre outros exemplos de palavras com radicais secundários e terciários:
c) ___________________________________________________________________;
d) ___________________________________________________________________.
etc.
1.20 Tema
Corresponde à soma do radical à vogal temática. 
a) Cantaremos: cant(radical) + a (vogal temática) + re (desinência modo-tempo-
ral) + mos (desinência número-pessoa).
tema- (cant+a) 
Observe que a vogal temática define as conjugações verbais:
• 1ª conjugação: - ar cantar, nadar, voltar, andar etc.
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
• 2ª conjugação: - er perder; estender, valer, sofrer etc.
• 3ª conjugação: - ir sentir, sorrir, divertir, dormir etc.
Desafio: Escolha verbos de outras conjugações, selecione algumas formas conjuga-
das e siga o modelo que indicamos na letra a)
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.etc.
1.21 Vogal Temática
Vogal que se acopla ao radical, antes das desinências (átona quando acompanha o ra-
dical de um nome e tônica quando acompanha o radical de um verbo), formando o tema. 
Nas formas verbais se agrupam em três tipos: /a/, /e/ e /i/ e em nomes, geralmente, 
também se agrupam em /a/, /e/ e /o/. 
Exemplos adaptados de Monteiro (2002, p. 47):
Observe a ocorrência das vogais temáticas em nomes:
a) /a/ – vida, terra, beleza;
b) /e/ – triste, decente, pedestre;
c) /o/ – feio, cachorro, mosaico.
Observe a ocorrência das vogais temáticas em verbos:
a) /a/ – canta, dança, fala;
b) /e/ – perde, corre, sabe;
c) /i/ – fugimos, abrirei, partimos.
Observação: Conforme Monteiro (2002, p. 49): “se antes da vogal temática for 
acrescentado um sufixo derivacional iniciado por uma consoante, a vogal permanece 
mais deixa de vir antes das flexões. Por isso, não será mais vogal temática. Deverá ser 
interpretada como vogal de ligação ou interfixo.” 
Exemplos dados pelo autor: “[decent] + e + [mente]; [pa] + i + [zinho]; [flor] + e + 
[zinhas] – as vogais em destaque são pré-sufixais e funcionam, pois, como interfixos ou 
vogais de ligação” (MONTEIRO, 2002, p. 49).
1.22 Consoante de Ligação
Fonema que serve para ligar o radical à desinência, ocorre do mesmo modo que 
a vogal de ligação. As vogais e consoantes de ligação não constituem morfemas, pois 
são considerados elementos eufônicos, relacionados apenas aos aspectos fonológicos da 
língua. Exemplos: 
a) Cafeteira: cafe (tema [radical – caf + vogal temática – e) + t (consoante de ligação) 
+ eira (sufixo);
b) Brasiliense: Brasil (radical) + i (vogal de ligação) + ense (sufixo). 
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1.21 Derivação
Processo de formação de palavras em português, por meio do qual novas palavras 
são formadas a partir do acréscimo de morfemas derivacionais (afixos) ao radical. 
1.22 Derivação Imprópria
Ocorre quando determinada palavra passa por uma mudança de classe gramatical, 
sem que ocorra qualquer mudança estrutural. É o que acontece, por exemplo quando 
uma palavra é substantivada, por se deixar anteceder por um determinante. Exemplos: 
a) Um não é duro de se ouvir;
Veja que a palavra “não”, advérbio, nessa frase funciona como um substantivo. 
Percebeu? A substantivação é, pois, uma derivação imprópria! 
Vamos achar novos exemplos?
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.23 Derivação Prefixal
Ocorre quando um morfema derivacional se acopla anteriormente à raiz ou radical. 
A nova palavra é formada, então, por prefixo + radical. 
Essa é fácil! Dê os exemplos, para variar!
a) ___________________________________________________________________;
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.24. Derivação Sufixal 
Ocorre quando um morfema derivacional se acopla posteriormente à raiz ou radical. 
A nova palavra é formada, então, por radical + sufixo.
Essa também é fácil! Dê os exemplos, para variar!
a) ___________________________________________________________________;
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.25 Derivação Parassintética
Ocorre quando a um radical acoplam-se, simultaneamente, um prefixo e um sufixo. 
Nesse processo, caso se retire um dos afixos, a forma restante fica sem sentido, ou seja, 
não forma por si só uma palavra. Veja o exemplo: 
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
a) Entristecer: en (prefixo) + trist (radical) + ecer (sufixo);
Que tal encontrar outros exemplos?
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.26 Derivação regressiva
E o processo de formação de palavras no qual se abrevia uma palavra, ocasionando 
em perda fonética em relação à palavra primitiva. Exemplo: 
O portuga estava em casa quando a polícia chegou. (“portuga” sendo usado no lugar 
de português, em derivação regressiva).
Segundo Cunha e Cintra (2008, p. 117) “a derivação regressiva tem importância 
maior na criação dos substantivos deverbais ou pós-verbais, formados pela junção de 
uma das vogais -o, -a e -e ao radical do verbo.” 
Exemplos dados pelos autores:
a) Abalar: abalo;
b) Amostrar: amostra;
c) Alcançar: alcance;
d) Sustentar: sustento;
e) Trocar: troco; troca ( alguns debervais possuem forma masculina e feminina).
1.27 Flexão
Ccorresponde ao processo de acréscimo de morfema aditivo sufixal ao radical, oca-
sionando oposições ou alternâncias gramaticais. A flexão pode ser nominal (nomes e 
pronomes) ou verbal (verbos).
Exemplos adaptados de Monteiro (2002, p. 82):
a) autor + a: autora;
b) juiz + a: juíza;
Em a) e b) a regra flexional se deu pelo acréscimo da desinência [a] à forma mas-
culina. Observe que para a formação do masculino nos dois exemplos temos o 
morfema zero: autor + Ø e juiz + Ø. 
c) justo + a: justoa ® justa;
d) jarro + a: jarroa ® jarra;
Em c) e d) a formação do feminino ocorre com o acréscimo da desinência [a], mas 
também com a supressão da vogal temática [o] presente na forma masculina. 
e) todo + a: todoa ® toda (flexão pronominal com supressão da vogal temática e 
acréscimo da desinância [a];
f) meu – minha (flexão com alomorfia na raíz);
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Observação: Em avô e avó ocorre um processo de alomorfia da desinência (o morfe 
/ô/ e /ó/) para a formação das oposições masculino e feminino;
g) mesa + s: mesas;
h) vítima + s: vítimas;
Em g) e h) temos a flexão de número, que consiste na regra básica de acréscimo 
do [s] ao singular. 
i) comprei – compramos (flexão verbal com acréscimo de desinência de número/
pessoa).
1.28 Composição
Corresponde à junção de duas palavras (ou dois radicais) que formam uma unidade 
nova de significado único. Exemplos:
a) beija-flor;
b) guarda-chuva;
c) planalto.
Agora é a sua vez:
d) ___________________________________________________________________;
e) ___________________________________________________________________;
f) ___________________________________________________________________.
etc.
1.29 Composição por Justaposição
É a ocorrência do processo de composição, ou seja, junção de duas palavras ou dois 
radicais sem alteração dos elementos que compõem um único significado (os elementos 
não perdem sua identidade morfológica e fonológica).
Desafio: Quais dos exemplos do item 1.28 poderiam ser exemplos desse item 1.29?
Agora, encontre novos exemplos de composição por justaposição e coloque aqui!
a) ___________________________________________________________________;
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.30 Composição por Aglutinação 
É a ocorrência do processo de composição, ou seja, junção de duas palavras ou dois 
radicais com alteração de ao menos um dos elementos, que perde sua identidade mor-
fológica e fonológica. 
Desafio: Quais dos exemplos do item 1.28 poderiam ser exemplos desse item 1.30?
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
Agora, encontre novos exemplos de composição por aglutinação e coloque aqui!
a) ___________________________________________________________________;
b) ___________________________________________________________________;
c) ___________________________________________________________________.
etc.
1.31 Lexia 
Corresponde a uma formação lexical, de natureza sintática, com significado unifica-
do. Exemplos dados por Bechara (2009, p. 352): “negócio da China (transação comer-
cial vantajosa) , pé de chinelo (diz-se de pessoas de poucos recursos)”. A Lexia muitas 
vezes é confundida com o processo de formação de palavras por composição. 
E então? Que tal procurar por novos exemplos de Lexia no português?
________________________________________________________________________1.32. Paradigma 
Conjunto de unidades ausentes, mas que poderiam ocupar determinado ponto da 
cadeia sintagmática. Ou seja, são possibilidades de preencher um lugar no sintagma. 
A determinação desse conjunto se faz pelo processo de comutação. 
Exemplos:
a) 
Menin-
o
a
inha
b) 
Cas-
o
ebre
arão
Em a) e b) temos a seta na horizontal ® indicando o eixo sintagmático, no qual é 
possível a ocorrência de qualquer uma das três possiblidades de construção vocabular 
composta por: 
a) ® morfema lexical (menin-) + morfema gramatical (-o; -a; -inha); 
e em
b) ® morfema lexical (cas-) + morfema gramatical (-a; -ebre; -arão). 
No eixo paradigmático, indicado pela seta na vertical ↓ temos as possibilidades para 
a ocupação do espaço na cadeia sintagmática, que ocorre por meio do processo de 
comutação e por escolha. Assim, na formação de cas- + a = casa temos a ausência 
dos morfemas gramaticais -ebre e -ão, que ficam como possibilidades, mas não como 
realização. Do mesmo modo, na formação de menin- + -o = menino, temos a ausência 
de -inho e -a. 
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1.33. Sintagma
Conjunto de unidades articuladas, formando uma cadeia sintagmática, em que [mor-
fema + morfema] forma palavra; e [palavra + palavra] forma frase; e assim por diante, 
até chegarmos aos textos que realizam os diferentes gêneros do discurso.
Exemplos:
Assim como nos exemplos dados em 1.32, observamos que morfema + morfema 
forma palavra na cadeia sintagmática, representada pela seta na horizontal,
Cas-
a
ebre
arão
O mesmo ocorre com a formação da frase, que se dá por meio da articulação de 
palavra + palavra, na cadeia sintagmática. Observe a tabela a seguir:
Tabela 1
a) O menino quebrou a vidraça.
b) O moleque quebrou a vidraça.
c) Um rapaz quebrou a janela.
d) Aquele
e) consertou
Na tabela anterior, temos no eixo paradigmático as possibilidades de ocupação em 
cada ponto da cadeia sintagmática, em cada espaço a escolha de um item elimina o outro. 
Assim, “O” e “Um” um não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, por exemplo. 
Desafio: Complete a cadeia sintagmática das linhas d) e e) usando palavras que pos-
sam ocupar as lacunas deixadas, de forma coerente. Anote as frases que construiu.Esse 
exercício auxilia bastante ao entendimento dos conceitos de sintagma e paradigma, não 
é mesmo?
1.34. Comutação
Processo por meio do qual é permitida a troca de um segmento no plano da expres-
são, resultando alteração no plano do conteúdo. Observe os exemplos, em que a cada 
comutação, altera-se o significado, mas mantém-se a estrutura do significante. 
Pato 
Bato
ou
Lar
Mar
Bar
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
O princípio de comutação parte do princípio de que tudo no sistema linguístico é 
oposição, assim, em pato e bato o que se opõe são os fonemas p e b. Assim como em 
lar, mar e bar, a comutação está em l, m e b. Essa técnica – usada a princípio na fono-
logia, a fim de ver se a permuta de um elemento fônico em uma palavra segmentada 
modifica ou não o conteúdo – também se aplica à análise mórfica. 
Então? Agora que você está afinado com o vocabulário básico da morfologia e com 
alguns processos de formação de palavras, que tal treinarmos um pouco mais a análise 
mórfica? Na próxima seção, apresentamos alguns exemplos de análise mórfica e uma 
série de exercícios para você treinar.
Exemplos de Análise Mórfica
Antes de iniciarmos esta seção, na qual apresentamos exemplos de análise mórfica e 
exercícios para você treinar, lembramos que a decomposição proposta é possível apenas 
a partir de um olhar investigativo, com fins científicos ou pedagógicos, uma vez que sa-
bemos que a língua é um conjunto de unidades – morfológicas, fonológicas e sintáticas 
– que articuladas, formam um todo significativo, dentro de um contexto de uso. 
Só para lembrar, as unidades morfológicas dizem respeito à forma, as unidades fono-
lógicas dizem respeito aos sons e as unidades sintáticas dizem respeito à combinação das 
unidades morfológicas, para a construção de frases, orações e períodos. 
O trabalho de análise mórfica consiste em desmontar a palavra, de forma a perceber 
as partes significativas que a compõem e a técnica que vamos usar para isso se chama 
comutação. Você já estudou na seção anterior, no glossário, que a comutação se faz 
pelo princípio de oposição, característica determinante do sistema linguístico, não é? 
Vamos, então, aplicar essa técnica para fazer a análise mórfica de algumas palavras?
Propomos, então, os seguintes exercícios: 
Leia em voz alta a sequência de palavras e efetue os recortes nelas, de modo que cada uma 
delas seja segmentada em unidades menores, significativas. Lembre-se do que vimos, an-
teriormente, no glossário, nos exemplos de radical e afixos. Depois de separá-las, nomeie 
as unidades mórficas e disponha as palavras em uma coluna, de modo que se perceba as 
unidades que comutam no eixo paradigmático. As palavras são as seguintes:
Livro – livrinho – livrão – livreiro – livraria 
A resposta? Só ao final da seção! E nada de olhar antes! É muito importante que você 
se coloque à prova e autoavalie seus conhecimentos. Essa é uma maneira eficiente de 
estudar e de também se responsabilizar por sua aprendizagem. Vamos lá!
Segmente as palavras a seguir, destacando o radical (a raiz) de cada uma delas e observe se 
algumas delas pertencem à mesma família, reunindo-as.
Árvore
Demente
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Rouxinol
Ventilador
Vento
Velhaco
Velho
Retrato
Mortalha
Morte
A resposta? Só ao final da seção! E nada de olhar antes! É muito importante que você 
se coloque à prova e autoavalie seus conhecimentos. Essa é uma maneira eficiente de 
estudar e de também se responsabilizar por sua aprendizagem. Vamos lá!
E para terminar essa seção, vamos realizar mais um exercício de análise mórfica, 
tomando como base agora a estrutura verbal? 
Responda o que os verbos abaixo têm em comum em relação à estrutura mórfica?
Amortizar
Apedrejar
Emporcalhar
Afugentar
Exercício adaptado de MONTEIRO, 2002, p. 156
E aí? Descobriu o que há de comum no processo de construção desses verbos em 
português? A resposta? Só ao final da seção! E nada de olhar antes! É muito importan-
te que você se coloque à prova e autoavalie seus conhecimentos. Essa é uma maneira 
eficiente de estudar e de também se responsabilizar por sua aprendizagem. Vamos lá!
Respostas Comentadas
Exercício 1
Livr – o
Livr – inho
Livr – ão
Livr – eiro
Livr – aria
Livr – raiz – carrega a significação da palavra – é um morfema lexical
o – vogal temática
inho – sufixo diminutivo – morfema gramatical
ão – sufixo aumentativo – morfema gramatical
eiro – sufixo – morfema gramatical
aria – sufixo – morfema gramatical
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
Observou que todos os morfemas derivacionais, no caso, sufixos, funcionam em 
oposição, no sistema linguístico? Agora, que tal fazer uma nova lista de palavras, com 
a mesma raiz, à qual os morfemas derivacionais possam se acoplar? Será uma ótima 
maneira de treinar a análise mórfica, e a aplicação do princípio de comutação. 
Exercício 2
A seguir, cada palavra aparece com seu radical (sua raiz) destacado/a e você confere 
se acertou:
Árvore
Demente
Rouxinol
Ventilador
Vento
Velhaco
Velho
Retrato
Mortalha
Morte
Famílias de palavras: aquelas que possuem o mesmo radical. Há apenas uma! E você 
pode completar essa família com outras palavras. Que tal?
Vento; ventilador
Ficou com dúvidas?
Veja todas as explicações a seguir:
Você deve ter notado que ventilador e vento são palavras da mesma família, não é? 
Afinal, ambas possuem o mesmo radical/mesma raiz: vent-: vento e ventilador. Mas 
por que o mesmo não ocorre com velho/velhaco; e morto/mortalha? Vamos entender 
melhor isso? 
Em velhaco e velho temos raízes diferentes, sendo velhac- e velh-, respectivamente, 
porque velhaco não deriva de velho, não são palavras da mesma família. E para enten-
dermos melhor, precisaremos recorrer a um olhar diacrônico, ou seja, compreender o 
processo histórico do adjetivo velhaco(pessoa que usa de astúcia ou manha para en-
ganar; traiçoeiro; fingido) que adentrou no português por meio do castelhano bellaco. 
O mesmo ocorre com morto e mortalha, palavras oriundas do latim, mas com entra-
das diferentes na língua. No século XIII, do latim mors ou mortis deu origem à palavra 
morte e, no mesmo século, do Latim, mortualia (tecido que envolve o morto) deu ori-
gem a mortalha, que deriva do verbo amortalhar, de mesma origem, e significa envolver 
na mortalha. 
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Ah, mas você ainda deve estar se perguntando sobre a decomposição da palavra 
rouxinol, não é? Como assim, ela se constitui de um único morfema lexical? Sim! É isso 
mesmo! A palavra rouxinol sozinha constitui um morfema lexical e, mais uma vez, para 
compreender temos que recorrer a um dicionário etimológico. Rouxinol, palavra do sé-
culo XVI, tem origem no século XIV, no vocábulo provençal ruiseñor, que por sua vez 
se originou do latim vulgar lusciniolus. E assim por diante, foi se transformando, até 
chegar ao nosso “rouxinol”, atual. Não é incrível esse processo?
Se você quiser se interessou por buscar a origem das palavras e quiser se divertir e aprender, 
siga nossa dica e acesse em nossa biblioteca digital, a obra: CUNHA, A. G. da. Dicionário 
etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010. 
É importante lembrar que quando dissemos que é no radical/na raiz da palavra que 
se encontra sua carga semântica, não podemos deixar de notar que algumas palavras 
apresentam raiz erudita, ou seja, do latim ou do grego, e sozinhas essas raízes não nos 
trazem referência nenhuma ao mundo extralinguístico. 
É o caso de cabelo e capilar, orelha e auricular, em que os segundos vocábulos de 
cada par trazem raízes eruditas. Mas, na verdade, esse conhecimento não é essencial 
para a descrição sincrônica da estrutura morfológica da língua. Afinal, quando pensa-
mos no significado de uma palavra, não recorremos a um dicionário etimológico, não 
é? Além disso, o conhecimento linguístico que permite a qualquer falante da língua se 
expressar, não depende de seu conhecimento sobre a história e evolução dessa língua. 
E se você quiser, pode a qualquer momento consultar uma lista de radicais de origem 
grega ou latina, pois elas são comuns em gramáticas e em sites na Internet. 
No link a seguir, você pode consultar uma lista de radicais de origem grega ou latina. 
Disponível em: https://bit.ly/38pJWSA
Lembre-se que o mais importante sempre, é ter sobre a língua um olhar investigativo e 
reflexivo. Como estudante do curso de Letras, é esperado que você aprenda a aprender e 
consulte sempre obras de referência. E se você se interessou pelo estudo da língua na pers-
pectiva diacrônica, é provável que você tenha um perfil acadêmico! Se esse é seu caso, 
invista em uma iniciação científica ou em uma pós-graduação lato ou strictu sensu! 
A Iniciação Científica é uma modalidade de pesquisa acadêmcia desenvolvida na graduação, 
tendo, geralmente, duração de um ano. É uma ótima oportunidade para os graduandos se 
iniciarem no mundo da pesquisa! Fique atento aos avisos de seleção para Iniciação Científica 
na EaD, na Cruzeiro do Sul Virtual!
Pós-graduação Lato sensu é uma modalidade de aperfeiçoamento profissional e pes-
quisa, com uma carga horária menor do que a strictu sensu. Em Latim, lato sensu 
significa “sentido amplo”, e como o próprio nome sugere, nessa modalidade de pós, os 
23
UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
estudos se dão de forma geral. Veja as ofertas de cursos de Lato sensu Ead, na Cruzeiro 
do Sul Virtual! Há cursos na nossa área de Letras e áreas afins.
Já na Pós-graduação Strictu sensu, termo que significa “sentido especifico” em Latim, 
a carga horária é maior, sendo de 2 anos no Mestrado e 4 anos no Doutorado. O estudan-
te obterá um título de mestre ou doutor, ao concluir, e durante seu percurso acadêmico se 
dedicará ao aprofundamento de um tema específico. Enquanto os cursos de Lato sensu 
possuem uma carga horária mínima de 400 horas, os de Strictu sensu podem variar de 
24 a 48 meses. 
Exercício 3
Todos os verbos da lista foram formados por meio do mesmo processo: a parassíntese.
Para comprovar, observe a análise mórfica de cada um deles e a palavra de qual derivam:
• Morte – [a [mort (e)] iz (ar)];
• Pedra – [a [pedr (a) ej (ar)];
• Fuga – [a [fug (a)] ent (ar)];
• Porco – [em [porc (o) alh (ar)].
Cabe lembrar que no processo de derivação parassintética ocorre a junção de afixos 
(sufixo e prefixo) a um substantivo ou adjetivo para formação de um verbo.
Antes de encerrar essa seção, vamos fazer um combinado? A seção se encerra aqui, 
mas o estudo não! Por isso, continue praticando a análise mórfica, até ficar craque! 
Na próxima seção, apresentamos a você algumas perspectivas teórico-metodológicas 
do estudo da Morfologia, na Linguística Moderna. 
Diferentes Perspectivas Teórico-Metodológicas
Nesta seção, vamos refletir, brevemente, a respeito de três perspectivas teórico-me-
tológicas de estudo da Morfologia da Língua Portuguesa: Morfologia e Estruturalismo, 
Morfologia baseada em palavras na Gramática Gerativa e Morfologia Distribuída. 
Morfologia e Estruturalismo
O Estruturalismo, corrente teórica fundada por Ferdinand de Saussure, no início do 
século XX, é o responsável pelo surgimento da própria ciência Linguística, e suas con-
tribuições aos estudos linguísticos permanecem até os nossos dias. 
A principal contribuição do Estruturaralismo para os estudos linguísticos, no entanto, é 
a possibilidade de se estudar a língua como um sistema em funcionamento, em um dado 
recorte temporal pré-estabelecido. Além disso, os estudos estruturalistas não têm preten-
sões normativas, ou seja, não visam a estabelecer e determinar padrões de usos linguís-
ticos, muito pelo contrário. Esses estudos visam a estudar e a descrever sincronicamente 
os padrões existentes nas línguas naturais. No Brasil, um grante estruturalista foi Joaquim 
Mattoso Camara Jr. e é em sua obra que vamos nos basear para a escrita deste tópico.
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Mattoso Camara Jr. (1984, p. 22) chama a atenção para dupla articulação da lin-
guagem apontada pelo linguista francês André Martinet. A primeira articulação diz res-
peito à decomposição de um vocábulo em unidades mínimas indivisíveis. Já a segunda 
articulação diz respeito às “sequências vocais consideradas em si mesmas” (CAMARA 
JR., 1984, p. 23). Para você compreender melhor a primeira e a segunda articulações, 
vamos apresentar o mesmo exemplo dado pelo autor,em sua obra, no qual o vocábulo 
“estrela” é analisado conforme a primeira e segunda articulação:
• Primeira articulação: estrel- + -a (morfema lexical ou radical, responsável por 
carregar a significação do vocábulo “corpo celeste = estrel + vogal temática = a);
• Segunda articulação: es + tre + la ou e/ s/ t/ r/ e/ l/ a – decomposição em síla-
bas ou consoantes e vogais que compõem a palavra. 
Ficou mais claro? Acreditamos que sim!
Observe que na primeira articulação temos a decomposição do vocábulo em duas 
partes, ou dois constituintes: o primeiro morfema lexical é aquele que carrega a carga 
semântica, que aponta para o mundo biossocial e cultural (estrel-). O segundo constituin-
te aponta para uma realidade gramatical, pois é a vogal temática (-a), que faz com que o 
vocábulo estrela seja enquadrado na classe gramatical dos nomes: substantivo feminino. 
Na vertente estruturalista, a Morfologia tem como principal papel o de estudar os 
vocábulos, de modo a compreender sua constituição ou seja, depreendendo seus consti-
tuintes imediatos (ou os morfemas que o compõem) de modo a descrever os padrões de 
construção de palavras na língua. 
Além disso, para a morfologia estruturalista a constituição dos vocábulos se dá de 
maneira concatenativa, isto é, por meio de um arranjo em que os morfemas constituin-
tes da palavra são justapostos para formá-la. 
E você, o que acha? Será que a formação dos vocábulos de maneira concatenativa prevale-
ce sempre, ou melhor, será que as regrasde formação de palavras são sempre regulares? Será 
que a concepção tradicional de morfema apresenta algum problema? Isso é o que vamos des-
cobrir ao estudar a Morfologia, da perspectiva da Gramática Gerativa, na próxima subseção. 
Morfologia baseada em palavras – Gramática Gerativa
Para compreender a Morfologia baseada em palavras é preciso primeiro entender 
seu contexto, e é por esse caminho que vamos guiá-lo(a). Venha conosco!
Agora que você já sabe um pouco sobre o Estruturalismo, ficará mais fácil situá-lo 
temporalmente na linha histórica da Línguística Moderna, não é? Se com o estruturalismo 
saussuriano a língua, entendida como sistema que pertence ao mundo social, pôde ser 
analisada em diferentes níveis (fonológico, morfológico e sintático), a corrente do Gerati-
vismo, inaugurada por volta de 1957, com o lançamento do livro Syntactic Structures, do 
linguista Noam Chomsky, privilegia a análise linguística baseada na sintaxe, colocando-a 
no foco da descrição linguística. 
Além disso, Chomsky reconhece o caráter social da língua, mas não o coloca em pri-
meiro plano, uma vez que para ele o aspecto fundamental de uma língua natural, que re-
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
quer maior interesse por parte dos estudiosos da Linguística, está na capacidade humana 
de produzir linguagem, o que difere o homem dos outros animais. Essa corrente coloca em 
pauta o seguinte questionamento: como a mente humana é capaz de produzir e processar 
a linguagem? O avanço científico que o Gerativismo proporcionou e proporciona ainda à 
Linguística se deve, então, à inclusão dos aspectos cognitivos ao estudo da língua. 
Em relação à Morfologia, uma oposição do Gerativismo ao Estruturalismo, está na 
definição de morfema como unidade mínima significativa. Vejamos na citação abaixo, os 
exemplos dados por Silvia e Medeiros (2016, p. 70), que tão bem ilustram essa questão:
Ademais, é comum encontrarmos formas para as quais não há um sig-
nificado constante nos diversos contextos em que ocorrem (ou não há 
significado nenhum). Por exemplo, a forma presa -ceb- em “conceber” 
e “perceber” pode ser comutada com -vert- em “converter” e “perver-
ter”, mas qual é o significado de -ceb-? De fato, quais são os significa-
dos de per- e com- nos quatro exemplos? E de -vert- nos dois últimos? 
Os próprios estruturalistas reconheceram a dificuldade dessas questões, 
mas não ofereceram boas saídas. Além disso, mesmo quando identifica-
mos todos os morfemas de uma palavra e conhecemos seus significados 
regulares, é comum que o significado final da palavra não seja o resultado 
da combinação das contribuições dos morfemas que a compõem. 
A partir dessa problemática da abordagem da construção de palavras baseada na depre-
ensão dos morfemas, o Gerativismo propõe uma Morfologia baseada na hipótese lexicalista, 
ou seja, baseada em palavras, que estabelece regras de formação de palavras. Essas regras 
podem ser de dois tipos: Regras de redundância lexical e regras de formação de palavras. 
As regras de redundância propõem que palavras não sejam derivadas de outras, 
como em “destruir” e “destruição”, uma vez que se defende que não haja relação entre 
as partes que formam ambas as palavras. Além disso, as redundâncias podem ser mor-
fológicas ou semânticas (como por exemplo “matar” e “morrer”, em que ocorre redun-
dância semântica e não morfológica), (SILVA; MEDEIROS, 2016, p. 74). 
Já as regras de formação de palavras pressupõem que as palavras sejam formadas 
não a partir da junção de morfemas, como na visão estruturalista, mas que palavras 
novas sejam geradas a partir de palavras já existentes. Segundo Silva e Medeiros (2016, 
p. 76) o trabalho da Profa. Margarida Basílio, de 1980, é bastante representativo dessa 
teoria e, como exemplo, os autores citam a regra de nominalização, em que um verbo 
como “destruir” passa a ser nominalizado, 
Gerando a palavra “destruição”, o que pressupõe “a forma resultante de um significa-
do regular, algo como ‘ato ou efeito de X’, no exemplo, ato ou efeito de destruir”. 
E aí? O que você achou das regras de formação de palavras e das regras de redundân-
cia? Lembre-se de que são outras formas de explicar a constituição do léxico da língua e 
o surgimento de palavras novas na língua. Para saber mais sobre essas teorias de forma-
ção de palavras e se aprofundar no assunto, não deixe de consultar as indicações feitas 
na seção Material Complementar, certo? Nesta seção, trouxemos apenas uma amostra, 
para que você conheça outras perspectivas de estudo da Morfologia. 
Ah, espere aí! Agora falta pouco! Antes de encerrarmos essa seção, sobre novas 
perspectivas de estudo, precisamos ainda abordar a Morfologia Distribuída. Vamos lá?
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Morfologia Distribuída
A Morfologia Distribuída, perspectiva teórica ligada ao gerativismo chomskyano, pro-
põe que as palavras e as sentenças de uma língua sejam formadas pelos mesmos mecanis-
mos sintáticos que a compõem, colocando, assim, a sintaxe no centro do sistema gerativo.
De acordo com Silva e Medeiros (2016, p. 107), essa linha teórica considera de forma 
separada “as propriedades formais, fonológicas e semânticas das palavras”, estabelecendo 
três linhas: o léxico estrito, o vocabulário e a enciclopédia. Vejamos a seguir do que trata 
cada uma dessas linhas, nas palavras desses autores:
[...] o léxico estrito, que fornece traços morfossintáticos e feixes de traços 
para serem combinados pelas regras ou operações sintáticas;
[...] o vocabulário, que fornece regras de correspondência entre traços 
fonológicos e traços ou feixes de traços morfossintáticos;
[...] a enciclopédia, que lista os significados, necessariamente não grama-
ticais, das raízes das palavras, mas que levam em conta contextos sintáti-
cos específicos. (SILVA; MEDEIROS, 2016, p. 107-108)
Ao léxico estrito pertencem os traços morfossintáticos como o de gênero e número, 
por exemplo. Mas o mais importante é saber que na Morfologia Distribuída os traços 
morfossintáticos servem como elementos para uma combinação sintática. 
Outro ponto importante é saber que essa teoria propõe uma nova arquitetura grama-
tical e que ainda está em desenvolvimento. Além disso, está ligada ao Programa Mini-
malista, atual abordangem de Noam Chomsky, para o estudo da estrutura das línguas. 
Interessante, não é mesmo? 
O Estudo Científico da Língua
Como você deve ter notado, nossa proposta nessa unidade foi ampliar seu conhe-
cimento sobre as diversas perspectivas de estudo da Morfologia. Sendo assim, nesta 
seção, queremos reforçar o potencial investigativo que o campo da morfologia detém. 
É preciso compreender que a gramática é uma disciplina científica e estudá-la implica 
estudar a estrutura e o funcionamento de uma língua. Nesse sentido, é preciso ter pe-
rante a língua uma postura reflexiva e investigativa. 
O estudo científico da língua vai além do estudo normativo, ou seja, da determinação 
do certo e do errado, pois a língua é viva e está em constante movimento. 
As perspectivas de estudo da língua são diversas e cada uma delas pode ser aprofun-
dada, a depender sempre do interesse de quem estuda. 
Agora que você descobriu um pouco mais sobre as perspectivas de estudo da morfologia 
e sabe os caminhos para estudar cientificamente a língua, aproveite para aprofundar mais 
ainda seus conhecimentos já construídos, lendo os materiais que indicamos na seção Mate-
rial Complementar. Quem sabe assim você já vai pensando em qual será o tema dos estudos 
da Morfologia ou dos estudos da língua como objeto científico que pretende pesquisar?
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UNIDADE Morfologia: Conceitos Fundantes
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Para conhecer a Morfologia
Para saber mais sobre a Morfologia e Estruturalismo, Morfologia baseada em pala-
vras e Morfologia Distribuída, convidamos você a ler o e-book “Para conhecer a 
Morfologia”, de Maria Cristina Figueiredo Silva e Alessandro Boechat de Medeiros, 
publicadopela Editora Contexto, em 2016 e disponível em nossa biblioteca digital.
 Leitura
A Morfologia Distribuída no Brasil: duas décadas de existência
Um grupo de pesquisadores brasileiros se dedicam aos estudos da língua da pers-
pectiva da Morfologia Distribuída e relatam um pouco mais sobre sua dedicação 
à essa área. Convidamos você a ler esse artigo, na íntegra, para responder ao se-
guinte questionamento: Qual foi a característica da Morfologia Distribuída que levou 
você a gostar dessa versão da gramática gerativa? 
https://bit.ly/3osz6RB
Breve apresentação histórica dos estudos Morfológicos e suas correntes linguísticas
Para saber mais sobre os estudos morfológicos dentro das diversas perspectivas da 
ciência Linguística ao longo da história.
https://bit.ly/3YzI00X
Diacronia e sincronia do sufixo -aço: desenvolvimento dos valores semânticos e frequência de uso
Que tal conhecer um pouco mais sobre a produtividade do sufixo -aço em nossa 
língua? O seguinte artigo apresenta um estudo que engloba uma visão diacrônica e 
sincrônica dos usos desse sufixo na Língua Portuguesa.
https://bit.ly/35lo6xE
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Referências
BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. 
CUNHA, C.; CINTRA, L. F. L. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio 
de Janeiro: Lexikon, 2008. 
MONTEIRO, J. L. Morfologia Portuguesa. Campinas: Pontes, 2002.
SILVA, M. C. F.; MEDEIROS, A. B. de. Para conhecer: Morfologia. São Paulo: Con-
texto, 2016. 
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