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SOCIEDADE EDUCACIONAL LEONARDO DA VINCI - UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE NUTRIÇÃO RELATÓRIO FINAL ESTÁGIO III: NUTRIÇÃO CLÍNICA MAILLA ENTER ITUPORANGA – OUTUBRO/2024 SOCIEDADE EDUCACIONAL LEONARDO DA VINCI - UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE NUTRIÇÃO MAILLA ENTER INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS - ABRIGO MÃO AMIGA- AMA 13:00- 18:00 Relatório Final de Estágio Curricular Supervisionado, apresentado a Uniasselvi-SC, como requisito para obtenção do diploma. Orientador: GLEICE BOLFE RUBERT ITUPORANGA – OUTUBRO/2024 DADOS DO ESTÁGIÁRIO ALUNO: Mailla Enter DATA DE NASCIMENTO: 05/01/1987 CONCLUSÃO DO CURSO: 2025 ENDEREÇO: PETROLÂNDIA-SC FONE: (47) 996573695 CURSO: Nutrição ENDEREÇO: Centro, Ituporanga - SC BAIRRO: Rua Ten. Costa, 123 CIDADE: Ituporanga CEP: 88400-000 FONE: (47) 3533-1343 DADOS DO ESTÁGIO RAZÃO SOCIAL: AMA- ABRIGO MÃO AMIGA. ENDEREÇO: RUA EMÍLIO ALTEMBURG, Nº23 BAIRRO: SC-350 CIDADE: ITUPORANGA-SC FONE: 047 3533-3745 DATA DE FUNDAÇÃO: 2008 NATUREZA: Casa de repouso, asilo ÁREA DE ATUAÇÃO DA EMPRESA: Instituição de longa permanência para idosos (ILPI) NÚMERO DE EMPREGADOS: 18 PERÍODO DE ESTÁGIO: 07.08.2024 A 07.12.2024 REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA: Roberta Rosar SUMÁRIO INTRODUÇÃO.....................................................................................................................05 OBJETIVOS 08 OBJETIVO GERAL 08 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 10 DESENVOLVIMENTO 12 3.1 HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS DO ESTABELECIMENTO.……………….....….12 PERFIL DOS PACIENTES.………………………………....….…………………...…...15 DESCRIÇÃO DA ROTINA DIÁRIA DO NUTRICIONISTA DO SERVIÇO...…...........15 CASO CLÍNICO..................................................................................................................19 DEMAIS PACIENTES ATENDIDOS................................................................................19 ATIVIDADES E MATERIAIS DESENVOLVIDOS.........................................................20 RELATÓRIO DE DÚVIDAS E COMO FORAM SANADAS..........................................21 CONCLUSÃO.....................................................................................................................23 REFERÊNCIAS .. 24 ANEXOS .25 1 INTRODUÇÃO A atuação do nutricionista na área clínica é de extrema relevância para a promoção da saúde e tratamento de diversas patologias. O nutricionista clínico é responsável pela avaliação do estado nutricional do paciente, elaboração de diagnósticos nutricionais e prescrição de intervenções dietéticas individualizadas, de acordo com as condições de saúde apresentadas (PHILIPPI et al., 2014). Conforme a Resolução CFN nº 600/2018, o nutricionista é o único profissional legalmente capacitado para prescrever dietas, atuando na prevenção e tratamento de doenças, além de promover a educação alimentar e nutricional. A importância desse profissional na área clínica se justifica pela necessidade de um acompanhamento nutricional adequado para a melhora do prognóstico de diversas doenças, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e desordens gastrointestinais. Segundo Castro et al. (2016), o manejo nutricional adequado pode reduzir a mortalidade em pacientes hospitalizados, uma vez que a desnutrição é um fator de risco para o aumento de complicações clínicas e do tempo de internação hospitalar. Para fundamentar a atuação do nutricionista na área clínica, faz-se necessário o embasamento em diretrizes científicas, como as recomendações do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de sociedades especializadas em Nutrição. Por exemplo, a Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) fornece guidelines que orientam a prática do nutricionista no manejo nutricional de pacientes críticos. Além disso, o uso da Avaliação Subjetiva Global (ASG) e outros instrumentos validados de avaliação nutricional são essenciais para a identificação precoce de desnutrição e sobrepeso (FURTADO et al., 2019). O relacionamento do nutricionista com o paciente, em termos de conduta e vínculo, é outro aspecto crucial da prática clínica. A construção de uma relação de confiança entre profissional e paciente favorece a adesão ao tratamento nutricional. Segundo Silva e Almeida (2015), a humanização do atendimento e a escuta ativa promovem maior engajamento do paciente, que passa a participar ativamente do processo de reeducação alimentar. Além disso, o Código de Ética do Nutricionista (CFN, 2018) destaca a importância da conduta ética e do respeito à autonomia do paciente, enfatizando a necessidade de estratégias personalizadas que considerem o contexto socioeconômico e cultural de cada indivíduo. A atuação do nutricionista clínico ocorre em conjunto com uma equipe multiprofissional, especialmente em ambientes hospitalares e ambulatoriais. A colaboração com médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais da saúde é indispensável para o planejamento e implementação de um cuidado integral ao paciente. Segundo Fontes et al. (2020), a comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é fundamental para garantir que as necessidades nutricionais sejam atendidas de forma eficiente, principalmente em casos de pacientes críticos. O nutricionista, ao integrar a equipe, contribui com seu conhecimento especializado, otimizando as intervenções terapêuticas. Dessa forma, o nutricionista clínico desempenha um papel central no cuidado à saúde do paciente, utilizando-se de um embasamento científico robusto, estabelecendo uma relação de confiança e ética com o paciente, e colaborando de forma integrada com outros profissionais da saúde, assegurando um tratamento eficaz e humanizado. 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Integrar os conhecimentos teóricos com a prática nas áreas de assistência nutricional internação hospitalar, internação domiciliar (Home care), SPA e assistência ambulatorial a partir do acompanhamento diário e/ou conforme calendário de visita domiciliar e consulta e individual do paciente para desenvolver a sua capacidade e habilidade em investigar, diagnosticar, planejar, supervisionar e avaliar as atividades de terapia nutricional direcionando a conduta a recuperação baseada nos fatores clínicos, fisiológicos, patológicos, sociais, culturais e psicológicos de cada paciente. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Avaliar, diagnosticar e acompanhar pacientes sadios e enfermos, no intuito de promover, manter ou recuperar o estado nutricional; • Planejar, prescrever, analisar, supervisionar e avaliar dietas e suplementos dietéticos para indivíduos sadios e enfermos • Atuar em equipes multiprofissionais de assistência a pacientes. • Ter domínio sobre aplicação de técnicas de avaliação nutricional, tais como circunferências e dobras cutâneas, na avaliação da composição corporal de indivíduos sadios e enfermos; • Aplicar conhecimentos sobre a composição, propriedades e transformações dos alimentos e seu aproveitamento pelo organismo humano, na atenção dietética; • Estimar as necessidades nutricionais nas diversas faixas etárias e situações clínicas; • Elaborar a orientação nutricional e o planejamento alimentar e nutricional, incluindo prescrição dietética e suplementação; • Atuar em equipes multiprofissionais destinadas a planejar, coordenar, supervisionar, implementar, executar e avaliar atividades na área de alimentação e nutrição e de saúde. 3 DESENVOLVIMENTO 3.1 HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS DO ESTABELECIMENTO Fundação: O AMA (Abrigo Mão Amiga) foi fundado em 2008 por voluntarios incentivados e liderados pelo Pe Pedro Paulo Wiggers, com o intuito de oferecer abrigo e cuidados para idosos em situação de vulnerabilidade. Desde sua criação, a instituição tem desempenhado um papel crucial na assistência à população idosa, proporcionando não apenas um lugar seguro, mas também atendimento especializado de saúde e bem-estar. IMAGEM 1: FOTO LOCAL ABRIGO MÃO AMIGA (AMA) FONTE: GOOGLE MAPS.SET.2024Localização Geográfica: Situado em uma área afastada da BR-350, o abrigo é acessível por estrada de chão, o que garante um ambiente tranquilo e distante da movimentação urbana. Essa localização favorece um ambiente calmo e acolhedor, ideal para a recuperação e o bem-estar dos pacientes. IMAGEM 1: LOCALIZAÇÃO LOCAL ABRIGO MÃO AMIGA (AMA) FONTE: GOOGLE MAPS.SET.2024 Composição da Equipe: O AMA conta com uma equipe dedicada de 10 funcionários, distribuídos da seguinte forma: · 1 nutricionista, responsável pela alimentação equilibrada e adequada às necessidades dos idosos; · 5 enfermeiros, que garantem cuidados contínuos e acompanhamento médico; · 2 gerentes, encarregados da administração do abrigo e do bem-estar geral dos residentes; · 4 faxineiros, que mantêm a limpeza e a higiene do local. Setores de Atendimento: O abrigo é organizado de forma a atender de maneira eficiente e humanizada, dividindo os serviços em setores de alimentação, cuidados médicos e acompanhamento social, com foco em manter a qualidade de vida dos residentes. Capacidade e Atendimento: Número de leitos: 20 Número de pacientes atendidos mensalmente: 53 O AMA está preparado para oferecer atendimento de longa permanência e curto prazo, com capacidade para 20 leitos e realizando uma média de 53 atendimentos mensais. Serviços de Saúde Oferecidos: O abrigo oferece serviços de saúde como monitoramento médico regular, administração de medicamentos, acompanhamento nutricional e atividades voltadas ao bem-estar físico e mental dos idosos. Horário de Funcionamento: O AMA funciona de segunda a sexta-feira, com atendimento dividido em dois períodos: Manhã: 08:00 às 12:00 Tarde: 13:00 às 18:00 Esse conjunto de características faz do Abrigo Mão Amiga um local essencial para o cuidado da população idosa da região. 3.2 PERFIL DOS PACIENTES Objetivos do Atendimento Nutricional: O atendimento nutricional no AMA visa garantir a saúde e o bem-estar dos idosos, prevenindo e tratando doenças associadas à alimentação inadequada. Os principais objetivos são: · Manter o estado nutricional adequado, promovendo a ingestão de alimentos balanceados e ajustados às necessidades individuais; · Prevenir e tratar condições de saúde como desnutrição, obesidade, hipertensão, diabetes e dislipidemias; · Melhorar a qualidade de vida dos residentes através de planos alimentares personalizados, que considerem suas preferências e condições de saúde; · Promover a educação alimentar para incentivar hábitos saudáveis e reduzir o risco de complicações decorrentes de má alimentação. Perfil da População Atendida: A população atendida no AMA é composta por idosos em situação de vulnerabilidade social e econômica. Os principais aspectos do perfil dos pacientes são: · Classe Socioeconômica: A maioria dos residentes pertence a uma classe socioeconômica baixa, com dificuldades de acesso a recursos financeiros e serviços de saúde de qualidade. · Escolaridade: Grande parte dos idosos possui baixa escolaridade, muitos com apenas o ensino fundamental incompleto. Isso reflete na limitação do acesso a informações sobre saúde e alimentação. · Idade: A faixa etária predominante é de 70 a 90 anos, com alguns residentes acima dos 90 anos. · Gênero: O abrigo atende tanto homens quanto mulheres, sendo que as mulheres representam cerca de 60% da população. · Perfil de Saúde: Muitos idosos apresentam comorbidades comuns à terceira idade, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose, e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e demência. · Perfil Nutricional: O estado nutricional varia entre pacientes com desnutrição, excesso de peso e aqueles com condições como dislipidemia e diabetes. Grande parte dos residentes requer dietas específicas, como dietas hipossódicas (baixo teor de sódio) ou hipocalóricas. · Hábitos de Vida: A maioria dos idosos tem uma vida sedentária, e muitos dependem de cuidados de enfermagem para atividades diárias. Há pouca interação com atividades físicas regulares, o que também afeta suas condições de saúde e nutrição. Modalidade de Atendimento: Os atendimentos no AMA são majoritariamente realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a principal modalidade de cobertura para os residentes. Além disso, alguns pacientes recebem suporte por meio de convênios assistenciais e doações, já que não possuem condições financeiras de arcar com tratamentos particulares. Em termos de qualidade de atendimento, não há diferenciação nos cuidados nutricionais entre as modalidades de cobertura. Todos os pacientes recebem o mesmo nível de atenção e os mesmos recursos disponíveis, visando à equidade no tratamento e à promoção de um ambiente de cuidados humanizados para todos. 3.3 DESCRIÇÃO DA ROTINA DIÁRIA DO NUTRICIONISTA DO SERVIÇO Formação Técnica do Profissional e Atualizações: O nutricionista do AMA (Abrigo Mão Amiga) deve ter formação em Nutrição, com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), e registro ativo no Conselho Regional de Nutrição (CRN). Além disso, o profissional precisa estar em constante atualização, participando de cursos de educação continuada e congressos de nutrição geriátrica, uma vez que o atendimento a idosos exige conhecimentos específicos relacionados ao envelhecimento e suas comorbidades . Estudos atualizados sobre alimentação saudável para idosos e práticas baseadas em evidências científicas são fundamentais para garantir a qualidade do atendimento nutricional. Horários de Trabalho O nutricionista segue uma jornada de trabalho regular de segunda a sexta-feira, das 08h às 18h, com intervalo de uma hora para almoço. Eventualmente, o profissional pode participar de reuniões ou plantões em horários alternativos, dependendo da demanda de atendimento ou de eventos relacionados à saúde dos residentes. Além das consultas e acompanhamentos clínicos, há períodos dedicados à gestão de cardápios e planejamento das refeições da instituição. Atribuições e Responsabilidades As principais atribuições do nutricionista incluem: · Avaliação nutricional inicial e periódica dos pacientes, incluindo a identificação de necessidades dietéticas específicas e comorbidades; · Planejamento e supervisão dos cardápios diários, considerando restrições alimentares como diabetes, hipertensão e dislipidemias ; · Monitoramento contínuo do estado nutricional dos residentes, realizando ajustes nas dietas conforme necessário; · Educação nutricional voltada para pacientes e cuidadores, promovendo hábitos alimentares saudáveis ; · Participação em equipes multidisciplinares de saúde, colaborando com médicos, enfermeiros e outros profissionais da área de cuidados geriátricos. Equipamentos Utilizados no Dia a Dia No acompanhamento nutricional, o profissional utiliza diversos equipamentos essenciais para a avaliação do estado nutricional, tais como: · Balança para medir o peso dos pacientes; · Estadiômetro para medir a altura e, em conjunto com o peso, calcular o IMC (Índice de Massa Corporal); · Fita métrica para aferir circunferências corporais (cintura, quadril, etc.); · Adipômetro para medir as dobras cutâneas e estimar a composição corporal; · Bioimpedância (se disponível) para avaliação mais detalhada da composição corporal, como massa magra e percentual de gordura . Base Científica para Subárea Utilizada pelo Profissional O nutricionista baseia suas práticas em evidências científicas relacionadas à nutrição geriátrica e à terapia nutricional para o idoso. As diretrizes de entidades como a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e o Ministério da Saúde são consultadas para a formulação de dietas que promovam a longevidade e previnam o agravamento de doenças crônicas . Além disso, a Guia Alimentar para a População Brasileira serve como um recurso básico para orientações gerais sobre alimentação saudável . Estratégias Nutricionais Utilizadas pelo Profissional Entre as estratégias nutricionais adotadas pelo nutricionista, destacam-se: · Dietas individualizadas para atender às condições de saúde dos pacientes (hipossódicaspara hipertensos, hipoglicídicas para diabéticos, hipoproteicas para doenças renais, etc.); · Suplementação alimentar em casos de desnutrição ou perda significativa de massa muscular (com o uso de suplementos de proteínas ou vitaminas, conforme necessidade); · Incentivo à hidratação adequada para prevenir desidratação, comum entre idosos; · Promoção de refeições equilibradas, ricas em fibras, proteínas e micronutrientes essenciais para a terceira idade . Questões Burocráticas Além da assistência nutricional, o nutricionista é responsável por cumprir uma série de procedimentos burocráticos: · Responsabilidade técnica sobre o serviço de alimentação do abrigo, garantindo que as refeições sigam as normas sanitárias e nutricionais vigentes; · Controle de alvarás e licenciamentos necessários para o funcionamento do serviço de alimentação, conforme as exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); · Gestão financeira e administrativa do setor, como controle de custos e compras de alimentos, mantendo a qualidade e segurança alimentar para os residentes . Diferenciais do Atendimento/Acompanhamento O diferencial do atendimento nutricional no AMA está na abordagem humanizada e multidisciplinar, em que o nutricionista trabalha diretamente com outros profissionais de saúde para garantir o bem-estar integral dos idosos. Além disso, há um foco em educação alimentar contínua, tanto para os residentes quanto para os cuidadores e funcionários do abrigo. A atenção individualizada e o acompanhamento regular possibilitam um monitoramento eficaz das necessidades de cada paciente . 3.4 CASO CLÍNICO (A ESCOLHER PELO ACADÊMICO COM AUXÍLIO DO SUPERVISOR/TUTOR) Caso Clínico 1: Paciente com Desnutrição e Sarcopenia Anamnese: Paciente: M. A., 78 anos, sexo feminino. Motivo da internação: Paciente admitida no abrigo AMA por abandono familiar. Apresenta dificuldades na alimentação e perda significativa de peso nos últimos seis meses. Relata cansaço extremo, dificuldade para se locomover e falta de apetite. Histórico de saúde: Hipertensa há 20 anos, com histórico de artrite e osteopenia. Medicamentos: Losartana (antihipertensivo), Ácido fólico e cálcio (suplementação). Atividade física: Muito limitada, usa andador para se locomover curtas distâncias. Hábito alimentar: Relato de consumo inadequado de calorias, prefere líquidos, como sopas e chás, e evita alimentos sólidos. Avaliação Nutricional NRS 2022 (Nutritional Risk Screening): Score 4 – Risco nutricional elevado, necessitando de intervenção. ASG (Avaliação Subjetiva Global): Classificada como desnutrição moderada. Antropometria: Peso atual: 46 kg Altura: 1,58 m IMC: 18,4 kg/m² (baixo peso) Circunferência da panturrilha: 27 cm (sugere sarcopenia) Medicamentos e Classe Terapêutica: Losartana (antihipertensivo) Ácido fólico e cálcio (suplementação vitamínica e mineral) Exames laboratoriais: Hemoglobina: 10,2 g/dL (anemia leve) Albumina: 2,9 g/dL (baixo) – Sugerindo inflamação crônica e desnutrição. Vitamina D: 20 ng/mL (deficiência) Exame físico: Pele ressecada, queda de cabelo, fraqueza muscular, edema leve nos membros inferiores. Necessidades nutricionais: Macronutrientes: 30-35 kcal/kg/dia, 1,2-1,5 g de proteína/kg/dia. Micronutrientes: Suplementação de vitamina D, cálcio e ferro. Conduta Nutricional Diretrizes utilizadas: Baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira e diretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Plano dietético: Dieta hipercalórica e hiperproteica com suplementação oral (ex. suplementos proteicos líquidos). Inclusão de refeições mais calóricas e palatáveis, como mingaus, cremes, e purês. 5 a 6 refeições diárias, com lanches proteicos entre as principais refeições. Orientação alimentar e nutricional: Foco na ingestão de proteínas (carnes magras, ovos, leguminosas) e calorias (óleos vegetais e alimentos ricos em carboidratos complexos). Reforço sobre a importância de manter a hidratação adequada. Demais materiais entregues: Informações sobre alimentos ricos em proteínas e calorias. Continuidade do atendimento: Acompanhamento semanal com antropometria e reavaliação clínica mensal. Ajustes no plano dietético conforme evolução do estado nutricional. Caso Clínico 2: Paciente com Diabetes Tipo 2 e Dislipidemia Anamnese Paciente: J. P., 82 anos, sexo masculino. Motivo da internação: Admitido no abrigo AMA por incapacidade de morar sozinho. Diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 mal controlada e dislipidemia. Relata fadiga, visão turva e aumento da sede. Histórico de saúde: Diagnóstico de diabetes há 15 anos, além de hipertensão e colesterol alto. Usa insulina e estatinas. Atividade física: Sedentário, passa a maior parte do tempo sentado ou deitado. Hábito alimentar: Consome grande quantidade de carboidratos refinados e gorduras saturadas, com baixo consumo de fibras. Avaliação Nutricional NRS 2022 (Nutritional Risk Screening): Score 3 – Risco nutricional moderado. ASG: Classificado como bem nutrido, mas com necessidade de ajustes dietéticos para controle de comorbidades. Antropometria: Peso atual: 88 kg Altura: 1,70 m IMC: 30,4 kg/m² (obesidade grau 1) Circunferência abdominal: 108 cm (aumentado, sugerindo risco cardiovascular). Medicamentos e Classe Terapêutica: Insulina (antidiabético) Atorvastatina (estatinas para controle de colesterol) Enalapril (antihipertensivo) Exames laboratoriais: Glicemia de jejum: 160 mg/dL (acima do recomendado) Hemoglobina glicada (HbA1c): 8,5% (descontrole glicêmico) Colesterol total: 250 mg/dL (elevado) LDL-C: 170 mg/dL (muito elevado) HDL-C: 38 mg/dL (baixo) Exame físico: Pele seca, sinais de neuropatia periférica (diminuição da sensibilidade nos pés), obesidade abdominal. Necessidades nutricionais: Macronutrientes: 25-30 kcal/kg/dia, 0,8-1,0 g de proteína/kg/dia. Micronutrientes: Aumentar fibras dietéticas e ômega-3 para melhorar o perfil lipídico. Conduta Nutricional Diretrizes utilizadas: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação Americana do Coração. Plano dietético: Dieta hipocalórica com restrição de carboidratos simples, visando controle glicêmico e perda de peso. Inclusão de alimentos ricos em fibras (vegetais, leguminosas, grãos integrais) e gorduras saudáveis (óleos vegetais, peixes ricos em ômega-3). Fracionamento das refeições em 6 pequenas porções ao longo do dia. Orientação alimentar e nutricional: Evitar alimentos ultraprocessados, doces, refrigerantes e frituras. Incentivar o consumo de hortaliças, frutas com baixo índice glicêmico e grãos integrais. Demais materiais entregues: Folhetos sobre alimentação para controle de diabetes e dislipidemia. Continuidade do atendimento: Acompanhamento quinzenal com reavaliação dos exames laboratoriais a cada três meses. Reajuste na medicação em conjunto com a equipe médica conforme necessário. 3.5 DEMAIS PACIENTES ATENDIDOS Fonte: Autoria Própria, 2024. 3.6 ATIVIDADES E MATERIAIS DESENVOLVIDOS Durante o estágio no abrigo AMA, foram realizadas diversas atividades para melhorar a saúde nutricional dos residentes: Elaboração de Cardápios: Criação de dietas personalizadas conforme as necessidades e preferências dos residentes. Monitoramento Nutricional: Avaliações periódicas e ajustes nos planos alimentares baseados nas medições e condições de saúde. Educação Nutricional: Oficinas e palestras sobre alimentação saudável e manejo de condições crônicas. Materiais Informativos: Desenvolvimento de folhetos e guias sobre dietas e práticas alimentares saudáveis. Ajuste de Protocolos: Revisão e atualização dos protocolos nutricionais conforme novas evidências e melhores práticas. 3.7 RELATÓRIOS DE DÚVIDAS E COMO FORAM SANADAS Não houve dúvidas durante o estágio no abrigo AMA. Todas as questões foram resolvidas conforme surgiram, sem necessidade de esclarecimentos adicionais. 4 CONCLUSÃO O estágio no abrigo AMA proporcionou uma valiosa oportunidade de aprendizado e desenvolvimento profissional. Durante o período, foram adquiridos conhecimentos significativos sobre a prática nutricional voltada paraa população idosa, incluindo a elaboração de dietas personalizadas e a importância do monitoramento contínuo do estado nutricional. Aprendizados e Contribuições: Conhecimento Prático: A experiência prática no atendimento a idosos com diversas condições de saúde ampliou a compreensão sobre as necessidades nutricionais específicas dessa faixa etária. A elaboração de cardápios e a implementação de estratégias nutricionais ajustadas foram essenciais para melhorar a saúde e a qualidade de vida dos residentes. Educação e Orientação: A condução de palestras e oficinas sobre alimentação saudável destacou a importância da educação nutricional para cuidadores e residentes, contribuindo para a promoção de hábitos alimentares saudáveis e manejo adequado de doenças crônicas. Dificuldades Encontradas: Adaptação às Necessidades Individuais: A personalização das dietas para atender às necessidades específicas de cada residente apresentou desafios, especialmente no caso de condições complexas e múltiplas restrições alimentares. Recursos Limitados: A falta de alguns equipamentos e materiais específicos pode ter limitado a realização de avaliações mais detalhadas e a implementação completa de certos planos nutricionais. Sugestões Futuras: Investimento em Recursos: É recomendável a aquisição de equipamentos adicionais, como balanças mais precisas e ferramentas para avaliação mais detalhada da composição corporal, para melhorar a qualidade do acompanhamento nutricional. Expansão da Educação Nutricional: Aumentar a frequência e a abrangência das oficinas e materiais informativos pode potencializar o impacto positivo na saúde dos residentes e na formação dos cuidadores. Importância da Atuação do Nutricionista: O papel do nutricionista é crucial no ambiente de um abrigo para idosos. Profissionais de nutrição não apenas garantem a adequação das dietas e a gestão de condições de saúde através da alimentação, mas também desempenham um papel educacional fundamental. A atuação do nutricionista contribui significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos residentes, promovendo uma alimentação que respeita suas necessidades e preferências, além de apoiar o gerenciamento de doenças crônicas e a prevenção de complicações nutricionais. O estágio no AMA reforçou a importância da atuação nutricional dedicada e adaptada às necessidades individuais dos pacientes, evidenciando a relevância contínua da profissão na promoção da saúde e bem-estar dos idosos. REFERÊNCIAS CASTRO, M. G.; PEREIRA, P. B.; SILVA, C. R. F. A importância do nutricionista clínico no tratamento de pacientes hospitalizados. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, v. 31, n. 4, p. 240-245, 2016. CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS. Resolução CFN nº 600, de 25 de fevereiro de 2018. Dispõe sobre a regulamentação da prescrição dietética pelo nutricionista. Disponível em: http://www.cfn.org.br. Acesso em: 16 set. 2024. FURTADO, R. C. M.; VIEIRA, T. M.; GUIMARÃES, A. L. S. Avaliação nutricional de pacientes hospitalizados: um guia prático para o nutricionista. Revista de Nutrição Clínica e Experimental, v. 2, n. 1, p. 35-44, 2019. PHILIPPI, S. T.; SONATI, J. G.; DE SÁ, R. A. O papel do nutricionista na prevenção e tratamento de doenças crônicas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 6, p. 1837-1848, 2014. SILVA, M. J.; ALMEIDA, L. F. Humanização no atendimento nutricional: relação entre nutricionista e paciente. Revista Brasileira de Nutrição Humana, v. 10, n. 3, p. 147-156, 2015. FONTES, W. D.; OLIVEIRA, G. S.; SILVA, A. B. O nutricionista na equipe multiprofissional de saúde: desafios e perspectivas. Revista Interdisciplinar de Ciências da Saúde, v. 11, n. 2, p. 195-202, 2020. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Nutrição. BRASIL. Resolução CFN nº 600/2018 - Código de Ética e Conduta do Nutricionista. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Alimentação Saudável para o Idoso. Cuppari, L. Nutrição Clínica no Idoso. Manole, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Heymsfield, S.B., et al. Human Body Composition. Human Kinetics, 2017. Lukaski, H.C. Bioelectrical Impedance Analysis: A Practical Guide. 3rd ed. CRC Press, 2017. BRASIL. Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição, 2014. Sposito, A.C., et al. Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose: Diretrizes Brasileiras. 2017. Allen, L.H., et al. Nutritional Interventions in Aging Populations. Springer, 2018. BRASIL. Anvisa. RDC 216/2004 – Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. BRASIL. Conselho Federal de Nutrição. Responsabilidade Técnica. BRASIL. Resolução CFN nº 380/2005 - Suplementação Nutricional. ANEXOS Fotos do Local de estágio no Asilo AMA. APÊNDICE Documentos usados no estágio não elaborados pelo autor/acadêmico image5.png image6.png image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image1.png image2.png image3.png image4.png