Tecnicas de Contrucoes
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Tecnicas de Contrucoes


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mínimo superior à abertura da malha da 
gaiola (figura 3.18). Suas principais características são a flexibilidade (acomodam-se 
bem a recalques diferenciais) e a permeabilidade. O preenchimento com pedras é feito 
mecanicamente no local, após a disposição da gaiola. 
 
Figura 3.18 - Muro de gabiões 
Crib-wall: também chamadas de \u201cparedes de engradados\u201d, são estruturas formadas 
por elementos pré-moldados de concreto armado, madeira ou aço, montados no local 
justapostos e interligados longitudinalmente (figura 3.19), cujo espaço interno é 
preenchido de preferência com material granular graúdo (brita grossa ou pedra de 
mão). 
 
Figura 3.19 - Crib-wall 
3.2.3.2 Muros atirantados 
São estruturas mistas em concreto e alvenaria (de blocos de concreto ou 
tijolos) atirantadas ao maciço de solo que contêm, por meio de barras ou vigas de 
concreto armado ligando o muro a blocos, vigas longitudinais ou estacas implantadas 
no maciço. Os muros assim descritos são estruturas de baixo custo, para pequenas 
alturas de contenção (até 3 metros), executados sempre que os tirantes não possam 
vir a tornar-se obstáculos para obras futuras. Dependendo das condições do solo de 
fundação e da altura do arrimo, podem apoiar-se em sapata corrida, em estacas ou 
mesmo em brocas (vide capítulo 5 da apostila). 
3.2.3.3 Muros de flexão 
São estruturas mais esbeltas, com seção transversal em forma de L (figura 
3.20) que resistem aos empuxos por flexão. O peso do solo sobre a base do L auxilia 
na manutenção do equilíbrio. Na grande maioria dos casos, são construídos em 
concreto armado, tornando-se em geral antieconômicos para alturas acima de 5 a 7 
metros. Os muros de flexão, quando de estrutura massiva, também auxiliam a manter 
o equilíbrio pelo seu peso próprio, sendo um misto de funcionamento entre os muros 
de gravidade e os de flexão. 
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Figura 3.20 - Muro de flexão 
3.2.3.4 Muros de contrafortes 
Como ilustra a figura 3.21, possuem elementos verticais de maior porte 
(contrafortes ou gigantes) espaçados de alguns metros, e destinados a suportar os 
esforços de flexão pelo engastamento na fundação. Nesse caso, a parede do muro 
constitui-se de lajes verticais apoiadas nesses contrafortes. 
 
Figura 3.21 - Muro de flexão com contrafortes 
Como nos muros de flexão, o equilíbrio é alcançado pelo peso do maciço de solo 
sobre a base do muro (sapata corrida ou laje de fundação). A diferença entre esse 
tipo de muro e o muro de flexão é essencialmente estrutural. 
Os gigantes ou contrafortes podem ser construídos para o lado externo do muro 
ou embutidos no maciço. Os muros de contrafortes, assim como os de flexão, 
destinam-se a conter solos ou aterros que devem ser compactados adequadamente 
sobre a base, cuja largura é em média da ordem de 40% da altura do solo a ser 
contido, exigindo assim esse espaço para execução. 
Se apoiados em fundações diretas (sapata corrida), a condição crítica de 
equilíbrio é relativa à translação, o que pode exigir a construção de um dente vertical 
na fundação para dificultar tal deslocamento. Podem ser apoiados em estacas verticais 
e/ou inclinadas, dependendo das características do solo no local. 
3.3 ASPECTOS IMPORTANTES RELATIVOS ÀS OBRAS DE CONTENÇÃO 
A influência da água é marcante na estabilidade dos muros de arrimo, já que o 
acúmulo de água por deficiência de drenagem pode duplicar o empuxo atuante sobre 
o muro. Assim, a execução de um sistema eficaz de drenagem é imprescindível. 
A drenagem pode ser feita de diversas maneiras. Alguns tipos de contenção, 
como os muros de pedras secas, gabiões e crib-walls, são autodrenantes, tendo em 
vista o material que empregam. Entretanto, mesmo nesses muros, é indicada a 
execução de canaletas no topo e na base do talude, para captar águas superficiais e 
evitar o rompimento das fundações do muro. Também é indicada a execução de dreno 
de areia entre o solo e a estrutura para a coleta de água subterrânea, podendo ser 
acrescentada uma camada de manta geotêxtil para evitar o carreamento do solo. Em 
estruturas impermeáveis, como muros de concreto, pedra argamassada, concreto 
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ciclópico, cortinas atirantadas ou mesmo muros de solo-cimento, devem ser 
acrescentados a esse conjunto de medidas os barbacãs. Esses elementos são tubos 
horizontais curtos instalados na parte inferior da estrutura de contenção para evitar o 
acúmulo de água junto à base. O número e diâmetro dos barbacãs variam de acordo 
com a dimensão da estrutura de contenção. A durabilidade da obra depende ainda da 
manutenção para evitar colmatação (entupimento) dos drenos. 
As valas escoradas com pranchas, sejam elas metálicas, de madeira ou de 
concreto, não são estanques, provocando o rebaixamento do lençol freático no local. 
Isso pode gerar um fluxo de água para dentro da escavação, dificultando os trabalhos 
dentro da vala e podendo causar o carreamento de solos finos, o que seria 
extremamente danoso para edificações vizinhas. Assim, a necessidade ou não de se 
prever um sistema de rebaixamento controlado do nível do lençol freático deve ser 
avaliada. 
Também relativamente aos escoramentos, a demora na instalação das 
contenções e a deficiência no encunhamento das estroncas e pranchas levam a 
maiores deslocamentos horizontal e vertical do solo vizinho ao da escavação. Os 
deslocamentos verticais ocorrem com maior intensidade numa faixa de terreno 
adjacente à escavação igual à metade da altura escavada, diminuindo de intensidade 
para pontos mais afastados do bordo da escavação. Isso gera distorções em 
edificações vizinhas, como foi ilustrado na figura 3.8. 
Uma das principais dificuldades comuns aos diversos tipos de escoramento de 
escavações é a possibilidade de não ser atingida a \u201cficha\u201d necessária à contenção. 
Entende-se por \u201cficha\u201d o comprimento do escoramento existente abaixo do nível da 
escavação, como ilustra a figura 3.22. Isso leva à necessidade de se criar um ou mais 
planos horizontais de escoramento (estroncas provisórias) para suporte aos empuxos 
atuantes nas várias frentes de execução. 
 
Figura 3.22- Ficha em escoramentos 
Com relação às escavações, em solos moles pode ocorrer a ruptura do fundo da 
escavação quando for atingida a profundidade crítica, sendo que essa ruptura se 
assemelha à ruptura do solo sob fundações diretas (por cisalhamento). Além do efeito 
imediato de recalque acentuado da superfície lateral do terreno, há o perigo de 
deslocamento das estroncas inferiores pela elevação do solo mole no fundo da vala. 
Aliás, essa elevação pode ocorrer mesmo que não haja a ruptura do fundo, porém em 
menor intensidade. 
Em locais onde existir camada de argila mole subterrânea, e quando o nível da 
escavação estiver abaixo do nível do lençol freático (figura 3.23), pode ocorrer 
ruptura súbita do fundo da escavação. Para evitar o problema, basta o uso de poços 
de alívio internos à vala, não havendo a necessidade de instalação e operação de um 
sistema de rebaixamento do lençol freático. 
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Figura 3.23 - Condição para ruptura do fundo de escavações 
 
 
 
 
 
 
 
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4. LOCAÇÃO DA OBRA 
A locação da obra corresponde à operação de transferir para o terreno, na 
escala NATURAL, as medidas em planta baixa de um projeto elaborado em escala 
reduzida. Marcar ou locar a obra consiste em medir e assinalar no terreno a posição 
das fundações, paredes, colunas e outros detalhes fornecidos pelo projeto de 
arquitetura, marcando os principais pontos com piquetes. A locação é feita tomando-
se como base as plantas de situação e localização, de locação de pilares e 
fundações e planta baixa do pavimento térreo (ou do subsolo, quando houver). 
O terreno onde será feita a obra deve ser identificado, localizado e delimitado 
com precisão, e seus limites devem ser conferidos com a escritura pública de compra 
e venda. Para a locação