Apostila Damasio - inadimplemento das obrigaçoes
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Apostila Damasio - inadimplemento das obrigaçoes


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obrigação por culpa do devedor e interpelação judicial ou extrajudicial 
do devedor. 
 
Ainda, os professores Nelson Rosenvald e Cristiano de Farias (2013, 
p. 594 e 595) apontam que a mora do devedor ocorrerá na 
imperfeição do cumprimento da obrigação e por sua própria culpa. 
 
Por sua vez, a mora do credor carece de pressupostos de existência 
de dívida positiva, líquida e vencida; estado de solvência do devedor; 
oferta real e regular da prestação devida; recusa injustificada e 
constituição do credor em mora (DINIZ, 2011, p. 148/150) 
 
Para Washington de Barros Monteiro, (2013, p. 265), se tanto o 
devedor quanto o credor se constituírem em mora simultaneamente, 
haverá compensação, encerrando-se ambas as moras, liberando-se, 
consequentemente, a pena pecuniária eventualmente convencionada. 
 
Purga-se a mora, conforme os ensinamentos da doutrinadora Maria 
Helena Diniz (2011, p. 151), mediante ato espontâneo do contratante 
moroso que visa a remediar a situação que deu causa, evitando os 
efeitos decorrentes do inadimplemento. 
 
Consoante entendimento de Neslon Rosenvald e Cristiano de Farias 
(2013, p. 609), a mora poderá ser purgada, não apenas até o 
ajuizamento da demanda pelo credor, mas também no curso do 
 
 
 
processo, desde que o juiz observe a permanência da utilidade da 
prestação primária em proveito do credor. 
 
Acerca das conseqüências pelo inadimplemento das obrigações Maria 
Helena Diniz (2011, p. 151) ensina, baseada nos ensinamentos do 
professor Yussef Said Cahali, que sobre o devedor inadimplente e 
moroso, recaem as perdas e danos suportados pelo credor, ou seja, o 
devedor será responsabilizado pelo equivalente do prejuízo ou do 
dano suportado pelo credor, em virtude do inadimplemento, e que se 
expressa pecuniariamente. 
 
Nelson Rosenvald e Cristiano de Farias (2013, p. 621) acerca das 
perdas e danos assim discorrem: 
 
[...] quando a conduta praticada for contrária a uma relação 
obrigacional particularizada e preexistente, ofendendo-se um dever 
positivo de dar, fazer ou não fazer, ingressamos na seara da 
responsabilidade negocial, que será imputada àquele que gerou 
danos à parte de relação jurídica. A obrigação de ressarcir decorre 
tanto da inexecução total do vínculo obrigacional \u2013 inadimplemento 
absoluto \u2013 como parcial \u2013 mora. 
 
Complementam o raciocino afirmando que a expressão perdas e 
danos compreende apenas danos emergentes (p. 623). 
 
Maria Helena Diniz, divide o dano como positivo ou emergente (art. 
404, CC), negativo ou lucro cessante (art. 402, CC) e, também, 
aponta que a incidência das perdas e danos depende da existência do 
nexo causal entre o prejuízo sofrido pelo devedor e a inexecução 
culposa ou dolosa da obrigação pelo devedor (art. 403, CC). (2011, 
p. 152/153). 
 
No tocante à Cláusula Penal, tem-se que vem a ser um pacto 
acessório, na qual credor e devedor estipulam uma pecuniária que 
incidirá no caso de inadimplemento, e pode, como reforço do vínculo 
obrigacional, punir a parte inadimplente e já proceder a liquidação 
 
 
 
antecipada de perdas e danos, o que lhe atribui uma \u201cfunção 
ambivalente\u201d (DINIZ, 2011, p.153). 
 
A jurista também indica que a Cláusula Penal possui características 
específicas como a Acessoriedade, Condicionalidade, 
Compulsoriedade, Subsidiariedade, Ressarcibilidade, por constituir 
prévia liquidação das perdas e danos e Imutabilidade relativa; e 
manifesta-se sobre duas modalidades: Compensatória e Moratória. 
 
Por fim, indica que para a sua plena exigibilidade, imprescindíveis são 
tais requisitos: Existência de uma obrigação principal, inexecução 
total da obrigação, constituição em mora e imputabilidade de culpa 
ao inadimplente. (2011, 154/155). 
 
Nos casos em que ocorrido o inadimplemento e o cumprimento da 
obrigação depender de intervenção jurisdicional do Estado, por 
intermédio do Poder Judiciário, existe a possibilidade de concessão de 
liminar ou de antecipação de tutela para aplicação de multa diária ao 
devedor, como tentativa de coibir a inadimplência, conforme dispõem 
os arts. 287 e 461, do Código de Processo Civil. 
 
c. Legislação 
 
O Código Civil, dentro do Livro I da parte especial, dispõe de um 
título acerca do inadimplemento das obrigações, dispostos pelos 
artigos 389 à 420, com disposições gerais (art. 389 à 393) 
disposições sobre a mora (art. 394 à 401), sobre perdas e danos (art. 
402 à 405), sobre os juros art. 406 e 407), sobre a cláusula penal 
(art. 408 à 416) e sobre arras ou sinal (art. 417 à 420). 
 
Por sua vez, em se tratando da parte processual dos direitos das 
obrigações, tem-se que os artigos 287, 461 e 461-A do CPC, 
conduzem à idéia de cominação de multa diária ao inadimplente, 
como forma de inibir a prática inadimplente. 
 
Certo é que os efeitos do inadimplemento das obrigações, bem como 
a possibilidade de aplicação de multa diária ao inadimplente até a 
satisfação da obrigação, embora previstos pelo Código Civil, também 
 
 
 
se aplicam a outras áreas d Direito, como o Direito Empresarial, por 
exemplo na aplicação da Lei 9.276/96 (Lei de Propriedade Industrial). 
 
d. Julgados/Informativos 
 
A aplicação de multa diária em face do inadimplemento de 
determinada obrigação pode recair sobre qualquer pessoa, inclusive 
sobre o ente público. 
 
Como exemplo da afirmação, tem-se que a Sexta Turma do Tribunal 
Regional Federal da 1ª Região, através do julgamento do Recurso de 
Apelação nº 0010323-61.2003.4.01.3600, tacitamente reconheceu a 
possibilidade de aplicação de multa diária ao ente público, até que 
satisfaça a obrigação, desde que a inadimplência tenha ocorrido 
voluntária e injustificadamente, e não por entraves burocráticos que 
fogem à sua alçada: 
 
PROCESSUAL CIVIL. ASTREINT. CUMPRIMENTO DA 
SENTENÇA. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE 
PROVA DE RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA. MULTA DIÁRIA 
INDEVIDA. 
1. Somente se legitima a cominação de multa diária, como 
mecanismo indireto de forçar à pessoa jurídica executada ao 
adimplemento, se houver indícios de resistência injustificada, 
hipótese inocorrente no caso em exame, na qual os óbices 
para o cumprimento da sentença foram provocados pela 
burocracia cartorária extrajudicial e pela falta de 
apresentação de documentos por parte da própria autora. 
2. Apelação a que se nega provimento. 
(Relator: Desembargador Carlos Moreira Alves, publicado no 
e-DJF em 4.6.12). 
 
No tocante aos efeitos da inadimplência da obrigação, o STJ, 
atualmente, tem adotado o entendimento de que a cláusula penal 
prevista no contrato que prevê determinada obrigação, é aplicável a 
ambas as partes, justamente pelo caráter bilateral da contratação. 
 
Mais especificamente, o STJ, exarou este entendimento, quando 
analisou matéria acerca da obrigação das construtoras em cumprir o 
prazo estabelecido para entrega dos imóveis, conforme ementas 
abaixo: 
 
 
 
 
RECURSO ESPECIAL - CONTRATO BILATERAL, ONEROSO E 
COMUTATIVO - CLÁUSULA PENAL - EFEITOS PERANTE 
TODOS OS CONTRATANTES - REDIMENSIONAMENTO DO 
QUANTUM DEBEATOR -NECESSIDADE \u2013 RECURSO PROVIDO. 
1. A cláusula penal inserta em contratos bilaterais, onerosos 
e comutativos deve voltar-se aos contratantes 
indistintamente, ainda que redigida apenas em favor de uma 
das partes. 
2. A cláusula penal não pode ultrapassar o conteúdo 
econômico da obrigação principal, cabendo ao magistrado, 
quando ela se tornar exorbitante, adequar o quantum 
debeatur. 
3. Recurso provido. 
(REsp 1119740/RJ. Relator Ministro Massami Uyeda. Terceira 
Turma. Publicado no D.J.E em 13.10.2011). 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO 
ESPECIAL. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA 
DE IMÓVEL.