Apostila - DIREITO CIVIL III
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Apostila - DIREITO CIVIL III


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mas não a do credor, seja ele o contratante, seja terceiro\u201d.
Assim o contrato deve ser convencionado por tempo certo ou incerto, isto é, enquanto viver o instituidor ou o beneficiário, caso em que se terá renda vitalícia, que cessará com o falecimento do credor da renda, não se transmitindo a seus herdeiros.
Assim, observa-se que quando a constituição de renda é vitalícia, o negócio se revela aleatório, pois a prestação do censuário será maior ou menor, conforme a vida do beneficiário se prolongue mais ou menos.
Formal ou Informal
O art. 807, do Código Civil traz, in verbis: \u201cO contrato de constituição de renda requer escritura pública\u201d. 
MODOS DE CONSTITUIÇÃO DA RENDA
A renda poderá ser constituída por ato \u201cinter vivos\u201d , gratuito ou oneroso e somente pode ser instituída em favor de pessoa viva, ficando sem efeito se, dentro do prazo de 30 dias após a constituição dessa renda, o credor vier a falecer de moléstia de que já sofria, quando celebrado o contrato. Trata-se de um caso de \u201cnulidade\u201d do contrato de constituição de renda.
O legislador comina, pois, pena de nulidade absoluta para a constituição de renda em benefício de pessoa já falecida, porque, em tal hipótese, o contrato não tem sujeito, visto faltar o favorecido, a quem deveriam ser pagas as prestações periódicas. O instituidor tem direito, nesse caso, à repetição do capital entregue ao rendeiro. Pouco importa que os contratantes desconhecessem o evento da morte do credor da renda; não é o vício da vontade que anula o contrato mas sim a sua falta de objeto.
A constituição de renda pode também ser constituída por ato \u201ccausa mortis\u201d, ou seja, via testamento. Tal hipótese ocorre quando o testador, ao transferir bens a um herdeiro, condiciona a validade da disposição a que o sucessor forneça, a terceira pessoa, determinada renda. Ou seja, quando o testador legar a um herdeiro determinado bem desde que com o encargo de pagar, durante certo tempo, uma determinada renda a uma pessoa certa. 
Relevante lembrar ainda que, se a renda for constituída em favor de várias pessoas, uma das quais morta ou que venha falecer dentro daqueles 30 dias exposto no art. 808, o negócio ainda será válido quanto aos demais beneficiários, porque não se impediu o ajuste do contrato, visto haver o \u201csujeito\u201d. Assim, morrendo um credor no caso de ser a renda constituída a favor de vários, o contrato não irá caducar em relação aos sobreviventes.
A renda poderá ser constitua por sentença judicial. É o caso de uma ação de responsabilidade civil em que se condene o réu a prestar alimentos ao ofendido (arts. 948, II e 950).
Efeitos do Contrato de Constituição de Renda
Quanto à forma de pagamento, quando não for estipulado se antecipado, a renda deverá ser paga pontualmente, sendo seu caráter de fruto civil. A obrigação fundamental do devedor é efetuar o pagamento das prestações nas épocas convencionadas.
Pelo art. 811: \u201cO credor adquire o direito à renda dia a dia, se a prestação não houver de ser paga adiantada, no começo de cada um dos períodos prefixos\u201d. 
Nesse sentido, se não for estipulado o adiantamento, deve se cumprir o pagamento no começo de cada período, conforme expõe o artigo referenciado; no entanto, se não for assim efetuado, adquire o credor o direito à percepção dia a dia. Se no caso, o devedor pagar antecipadamente de maneira espontânea, e o credor vier a falecer, cabe repetição do pagamento.
Logo, as prestações periódicas são verdadeiros frutos civis. 
Poderá se iniciar o cumprimento da obrigação estabelecida contratualmente na data de formação desta, em dia pré-fixado ou quando ocorrer a morte do instituidor, e esta determinar o início do cumprimento contratual. Se deixada renda a título de alimentos, o pagamento deverá ser adiantado, salvo se o testador se manifestar de modo divergente.
Por sua vez, deixado de cumprir com a obrigação o art. 810 prevê que: \u201cSe o rendeiro, ou censuário, deixar de cumprir a obrigação estipulada, poderá o credor da renda aciona-lo, tanto para que lhe pague as prestações atrasadas como para que lhe dê garantias futuras, sob pena de rescisão do contrato\u201d.
Desta forma, o rendeiro inadimplente poderá ser obrigado ao pagamento de parcelas atrasadas e garantir o pagamento das demais, sob pena de rescisão contratual. Também poderá ser exigida garantia de cumprimento da obrigação quando a situação financeira do rendeiro gerar dúvidas.
Assim, três são os casos que poderão dar ensejo à rescisão do contrato, a saber:
a)	se o rendeiro se atrasa, deixando de pagar as prestações vencidas;
b)	se, acionado para pagar essas prestações e garantir o pagamento das futuras, não satisfaz o julgado;
c)	se as suas condições econômicas tornam duvidoso o pagamento da renda e ele não oferece a segurança reclamada.
Importante lembrar, neste momento, o art. 809 manteve na íntegra o dispositivo revogado do antigo código de 1916, art. 1426: \u201cOs bens dados em compensação da renda caem, desde a tradição, no domínio da pessoa que por aquele se obrigou\u201d. Logo, é essencial a aquisição pelo rendeiro do capital entregue pelo instituidor, quer se constitua de dinheiro ou de bens de raiz. Tornando-se proprietário (do dinheiro ou do imóvel), o rendeiro suportará os seus riscos; ainda que o capital venha a perecer, nem por isso ele se libertará do pagamento das prestações periódicas. Por seu turno, o instituidor é que responderá pela evicção.
Isso significa dizer que o rendeiro deve arcar com eventual perecimento do objeto transferido, seja ele dinheiro ou imóvel, por serem seus os riscos da coisa. Já a evicção será sempre de responsabilidade do instituidor, conforme expôs o autor acima citado.
Traz o art. 812 que quando a renda for constituída em benefício de duas ou mais pessoas, sem determinação da parte de cada uma, entende-se que os seus direitos são iguais; e, salvo estipulação diversa, não adquirirão os sobrevivos direito à parte dos que morrerem. 
Ora, se a renda for instituída para mais de uma pessoa sem determinação da quantia a ser paga a cada uma, presumir-se-ão equivalentes às cotas devidas. Não cabe aumento de cota dos sobreviventes em função de falecimento dos demais, assim como não é justificada a extinção contratual por esse motivo, salvo se os contraentes estipularam tal beneficiamento, ou quando os beneficiários forem cônjuges há de se observar alteração contratual.
A este respeito se cumpre verificar se os beneficiários são simultâneos ou sucessivos: Serão simultâneos, quando todos, ao mesmo tempo, se beneficiam das rendas.
Ainda a este respeito, não há diferença entre a pluralidade de credores simultâneos ou sucessivos, sendo que na instituição sucessiva se dá quando se estatui a substituição de uns pelos outros, segundo a ordem em que vêm mencionados, quer pela morte, quer em razão de um fato previsto, como a maioridade.
No que se refere à renda por título gratuito, importante analisar a menção especial prevista no art. 813, in verbis: \u201cA renda constituída por título gratuito pode, por ato do instituidor, ficar isenta de todas as execuções pendentes e futuras. 
Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo prevalece de pleno direito em favor dos montepios e pensões alimentícias\u201d.
Este artigo, refere-se à questão da inalienabilidade e impenhorabilidade. 
Desta forma, a renda constituída a título gratuito pode, por ato do instituidor, vir gravada com a cláusula de inalienabilidade e impenhorabilidade, porque, tratando-se de liberalidade, em que o estipulante visa garantir a sobrevivência do beneficiário, a intenção daquele será frustrada, se possibilitasse a alienação da renda ou sua penhora pelos credores de seu titular.
Ou seja, o Código Civil terminou o Capítulo XVI, fazendo referência a execuções futuras e pendentes, ou seja, alienação e penhor. Se determinado pelo instituidor, a renda constituída a título gratuito não poderá ser alienada ou penhorada, e isso não implica prejuízo
Priscilla
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karine
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Alisson
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