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Potenciais Evocados Auditivos de Tronco encefálico Prof. Dra Renata Sales 2020 Delineamento 1. Orelha interna 2. Sistema auditivo central 3. Potencial evocado auditivo 4. PEA curta latência PEATE Sistema auditivo Orelha interna Labirinto anterior - cóclea Sistema auditivo central Vias auditivas centrais A transmissão de sinais do sistema nervoso se dá por meio de Potenciais de Ação (PA) Sistema auditivo central Potencial de ação Sequencia de alterações rápidas no potencial de membrana em decorrência de qualquer agente elétrico, químico ou físico, que permite o estado normal de repouso da fibra nervosa. Sistema auditivo central Sistema auditivo central A despolarização celular por meio de estímulo sonoro desencadeia os PAs que liberam neurotransmissores na sua base Sistema auditivo central Sistema auditivo central 1. n. auditivo (distal) 2. n. auditivo (proximal) 3. Núcleo coclear 4. Complexo olivar 5. Lemnisco lateral 6. Colículo inferior 7. Corpo geniculado medial Vias auditivas centrais Potencial evocado auditivo Registro da atividade elétrica que ocorre no sistema auditivo, da orelha interna até o córtex encefálico em resposta a um estímulo acústico. Figueiredo; Castro Junior, 2003 Potencial evocado auditivo “Representa a atividade neuroelétrica na via auditiva, desde o nervo auditivo até o córtex encefálico, em resposta a um estímulo acústico ou evento acústico”. Junqueira e Frizzo, 2002 Potencial evocado auditivo Classificação: Curta latência – PEATE e EcoG Média latência – ML Longa latência – P300 Sistema de registro dos PEA Sinal: atividade elétrica gerada pelo sistema auditivo Ruído: atividade elétrica captada pelos eletrodos gerada por atividade muscular, eletricidade e atividade encefálica Transdutores Tipos: Fone de superfície – supra aural Fone de inserção Vibrador (vo) Transdutor Eletrodos Capta atividade bioelétrica evocada Mínimo de 3 eletrodos colocados na pele do paciente e conectados ao pré – amplificador do equipamento Eletrodos Limpeza da pele com álcool + pasta abrasiva Impedância individual do eletrodo deve estar abaixo de 5KOhms (mais próximo de zero) Eletrodos Impedância inter-eletrodos não deve ultrapassar 2KOhms Pasta eletrolítica entre pele e eletrodo Micropore para aderir Janela Corresponde ao tempo de análise: Período em ms no qual a resposta será promediada após a apresentação do estímulo (10 a 20ms) em que haverá o registro elétrico das atividades captadas pelos eletrodos Amplificação Os potenciais (sinal) apresentam minúscula quantidade de energia elétrica O ruído apresenta maior quantidade de energia elétrica Para se ter resposta é necessária amplificação do sinal sobre o ruído Filtros do amplificador Função: Minimizar a interferência de ruído elétrico nas respostas captadas pelos eletrodos Filtros do amplificador passagem de altas passagem de baixas Tipos de filtro: Passa alto: permite frequencias no sinal Passa baixo: permite frequencias no sinal Características do estímulo para gerar potenciais evocados Tipos: Tone burst Clique Ce-chirp Tone burst PEA de Da audiometria tonal liminar Na eletrofisiologia: somente para longa latência e Potencial estável Ocorre entre 10 e 15ms após o início da estimulação sonora Cliques Sons de curta duração Ideal para produzir respostas de curta latência todo , não Estimula a cóclea como um diferenciando frequencias Estimula a região de 2000 a 4000Hz Sincronia das respostas Intensidade Alta: 80dBNPA Polaridade Condensada (fase positiva) Rarefeita (fase negativa) Alternada Polaridade Interfere na morfologia e latência das ondas a serem registradas Define-se a polaridade de acordo com o padrão definido pelo fabricante do equipamento Taxa de apresentação Número de apresentações do estímulo em um tempo determinado; Curta latência – 21,1 cliques/seg POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE CURTA LATÊNCIA POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE TRONCO ENCEFÁLICO (PEATE) PEATE Atividade eletrofisiológica do sistema auditivo ao nível do tronco encefálico, mapeando as sinapses das vias auditivas desde o n. coclear até o córtex auditivo Avalia integridade das vias auditivas do Tronco encefálico e identifica limiares auditivos (estimativa auditiva) PEATE Principal evocado de curta latência o avaliação eletrofisiológica respostas precisas objetivo técnica não invasiva PEATE detecção e diagnóstico sensível e específico detecta alteração uni ou bilateral quanto ao tipo e grau da perda auditiva (estimativa) Aplicações clínicas do PEATE Identificação de anormalidades neurológicas do nervo coclear e das vias auditivas do TE Estimativa da sensibilidade auditiva baseada na presença de respostas nos vários níveis de intensidade Aplicações clínicas do PEATE Anormalidades neurológicas do nervo coclear e das vias auditivas do TE : Detecção e tumores do nervo acústico Detecção de lesões do tronco encefálico (ex.: processos degenerativos, anormalidades funcionais) Aplicações clínicas do PEATE Neuropatia auditiva Avaliação da maturação do sistema auditivo central em neonatos Diagnóstico do tipo e grau da perda auditiva Aplicações clínicas do PEATE Lesões do tronco encefálico: Tumores intra e extra-axiais 1. Intra-axiais surgem do próprio tecido (ex. glioma) 2. Extra-axiais Atingem o TE por deslocamentos e/ou compressão (ex. Schwannoma vestibular) Aplicações clínicas do PEATE Schwannoma vestibular/ tumor do nervo acústico originário das células de Shwann que acomete a porção vestibular do VIII nervo craniano Aplicações clínicas do PEATE Pode acometer a região coclear do nervo craniano, prejudicando sua função OI ---- ângulo ponto-cerebelar, onde encontra mais espaço para expansão. Ocasionalmente pode originar do n. facial Aplicações clínicas do PEATE PEATE apresenta alta sensibilidade para tumores de tamanho acima de 2,5 cm Quando acomete o ângulo ponto-cerebelar a sensibilidade é ainda maior Aplicações clínicas do PEATE Esclerose múltipla Processo degenerativo ou desmielinizante que atinge o TE, causada pela destruição da bainha de mielina por autoanticorpos, ocorrendo placas escleróticas ao longo do SNC Aplicações clínicas do PEATE Monitorização cirúrgica: Cirurgia de base de crânio/ cardíaca Monitorar o funcionamento do TE durante a cirurgia – PEATE antes, durante e depois Aplicações clínicas do PEATE Grau do coma e diagnóstico de morte encefálica: Morte encefálica = ausência de função do TE – ausência de todas as ondas registradas no PEATE Aplicações clínicas do PEATE Neuropatia auditiva Função normal das CCE e alteração na sincronia neural alteração da sincronia neural e não A alteração do PEATE é decorrente da do comprometimento da cóclea Geralmente bilateral Etiologia: hereditária (40%), metabólica, imunológica, infecciosa ou de causa idiopática (20%) e não definida (40%) Maturação do sistema auditivo central em neonatos Fases de maturação do sistema auditivo central: até o sexto mês de gestação - periferia nascimento até 18 meses de idade – mielinização central Ordem da maturação: Freqüências médias --- altas --- baixas Maturação do sistema auditivo central em neonatos Na imaturidade: PEATE com registros alterados (poucos picos, ondas atrasadas e amplitudes baixas) 2 anos de idade respostas do PEATE idem ao adulto Prematuros considerar idade corrigida Maturação SAC neonatos Prematuros apresentam intervalosinterpicos aumentados se comparado aos nascidos a termo Sleifer, Costa et al, 2007 Tipo da perda auditiva condutiva neurossensorial O tipo de perda pode ser identificado pela análise do tempo de latência das ondas registradas no PEATE Grau da perda auditiva Pesquisa do limiar eletrofisiológico - estimativa Modo objetivo Vantagens do PEATE Método não-invasivo Apropriado para qualquer idade Permite a avaliação das orelhas em separado Presente durante o sono e com uso de sedativo Detecta perdas auditivas cocleares e retrococleares Casos indicativos para PEATE Pacientes de baixa idade e/ou que não conseguem realizar a audiometria convencional Tontura e zumbido sem dificuldade auditiva Casos indicativos para PEATE Perda auditiva progressiva e/ou unilateral inexplicada Elevação ou ausência inexplicada dos reflexos acústicos IRF rebaixado Componentes do equipamento Aquisição do PEATE ELETRODOS: Interface entre pele e sistema de registro. Materiais, formatos diferentes e tipos: prata, ouro, platina, discos autocolantes; Descartáveis ou não Aquisição do PEATE ELETRODOS: Impedância – resistência da pele a um fluxo de corrente elétrica – expressa em KΩ (Kohms) Impedância – 0,3ms Lesões retrococleares Ausência de todas ondas com limiar psicoacústico melhor que 60dBNA (2000 à 4000Hz) Diferença das Latências absolutas das ondas interaurais > 0,2ms Lesões retrococleares Diversos traçados indicam afecção retrococlear PESQUISA DO LIMIAR NO PEATE Procedimento que avalia a função auditiva em populações difíceis de se testar, como por exemplo recém-nascidos, lactentes, pessoas com deficiências múltiplas e outras que sejam incapazes ou não desejem responder adequadamente a testes comportamentais e/ou audiometria convencional. PESQUISA DO LIMIAR NO PEATE Método natureza facilitador em função de sua objetiva; Estimativa do limiar psico-acústico; Detecção e identificação precoce da deficiência auditiva, podendo a criança ser encaminhada o mais cedo possível para uma possível adaptação de aparelho auditivo. PESQUISA DO LIMIAR NO PEATE “Sedação” --- paciente imóvel e relaxado Artifício da mamada - sono natural; PESQUISA DO LIMIAR NO PEATE --- integridade das vias Procedimento: 80dBNA replicado auditivas Baixar de 10 em 10dBNA até ainda aparecer a onda V Subir 5dBNA para buscar o limiar PESQUISA DO LIMIAR NO PEATE Limiar eletrofisiológico- intensidade mínima sonoro a onda com o qual V. Última ainda é onda a do estímulo visualizada desaparecer Replicabilidade do limiar eletrofisiológico Estimativa limiar eletrofisiológico Renata Sales renata.sales@unifran.edu.br Especialização Audiologia Clínica e Ocupacional UNIFRAN 2020