Apostila_CPC_Comentado
187 pág.

Apostila_CPC_Comentado


DisciplinaDireito Processual Civil II7.511 materiais138.279 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Pública \u2013 Lei 7.347/1985 
\u2013 15 anos . 2 .ed. São Paulo: Revista dos Tr ibunais, 2002, p.496. 
 
 49 
MANDADO DE SEGURANÇA 2006/0194834 -1. Data do 
Julgamento: 08/11/2006 \u2013 Minist ra El iana Calmon 
EMENTA: ADMINISTRATIVO . MANDADO DE 
SEGURANÇA. MEDICAMENTOS. FIXAÇÃO DE PREÇOS. 
DELEGAÇÃO. CÂMARA DE REGULAÇÃO DO MERCADO 
DE MEDICAMENTOS-CMED. CONSTITUCIONALIDADE. 
CRITÉRIOS. 1. O ar t igo 7º da Lei n . º 10.724/03 delega 
expressamente à Câmara de Regulação do Mercado d e 
Medicamentos \u2013 CMED o estabelecimen to dos cr i tér ios para a 
afer ição dos preços dos pr odutos novos que venham a ser 
incluídos na l ista de produtos comercia l izados pela empresa 
produtora de medi camentos. 2. Por seu turno, o ar t igo 4 º 
desse diploma legal estabel ece as l inhas gerais para a CMED 
fixar os preços dos m edicamentos. Nã o se vislum bra 
inconst i tucional idade na delegação a essa Câmara para a 
fixaçã o dos preços, an te a complexidade da matéria . 3. 
Impetração con tra a to admin istr a tivo que estabeleceu preço d e 
medicamento em valor in fer ior àquele autor izado para 
concor ren te. 4. Cr i tér ios do preço, sua composição química do 
produto e seu enquadramento pela ANVISA. Valores 
determinados com base no mercado in ternacional , espanhol , 
para um deles; i ta l iano e fr ancês, para outro. 5. Inexistência 
de vulneração aos pr incípios da is onomia, l ivre concor rência , 
r azoabi l idade e proporcional idade. 6. Segurança denegada. 
MS 11706/DF; MANDADO DE SEGURANÇA 2006/0075344 -
0. Data do Julgamento: 08/11/2006 \u2013 Min istro Castro Meira. 
Pois bem, em que a pese a orientação maciça da jur isprudência 
pátria hodierna, no sent ido de apreciação do mér ito do ato administ rat ivo 
pelo Poder Judiciár io, a matér ia ainda é extremamente controvert ida . 
SEABRA FAGUNDES 110, fazendo coro com HELLY LOPES 
MEIRELLES, JOSÉ CRETELLA JÚNIOR e CELSO ANTÔNIO 
BANDEIRA DE MELLO, acentua que: \u201cO mér ito é at ribu ição exclusiva 
do Poder Execut ivo, e o Poder Judic iár io, nele penetrando, far ia obra do 
Administ rador, vio lando, dessarte, o pr incípio da separação e 
independênc ia dos poderes\u201d . 
LÍDIA HELENA FERREIRA DA COSTA PASSOS 111, por sua vez, 
faz uma leit ura mais moderna da problemática, mas, mesmo assim, ainda 
entende que a atuação do Poder Judiciár io : 
( . . . ) limita -se à ver i ficaçã o da adequaçã o formal do 
procedimen to admin istr at ivo subja cen te a o a to quest i onado, 
abstendo-se, r igorosamen te, do exame da r azoabi l idade, 
van tagem para o interesse públ ico, just iça ut i l idade, ou 
perniciosidade socia is das medidas implementadas. Enfim, o 
 
110 FAGUNDES, Sea bra . O controle dos atos administrati vos pelo Poder 
Judiciário . Rio de Janeiro: Forense, 1967, p.150. 
111 PASSOS, Lídia Hel ena Ferrei ra da Costa . In: MILARÉ, Edis (Coord. ) . Ação Civi l 
Pública \u2013 Lei 7.347/1985 \u2013 15 anos . 2 .ed. São Paulo: Revista dos Tr ibunais, 2002, 
p.496. 
 50 
que t r adicionalmen te vem sendo en tendido por \u201cconven iência 
e opor tun idade\u201d da opção admin istr a tiva discr icion ária . 
Ora, na atual conjectura social e jur íd ica, esses argumentos não 
podem prosperar. A r ígida t r ipart ição de poderes 112 preconizada por 
Montesquieu e seguida pela Const ituição de 1988 não mais existe, eis 
que todos os poderes se apresentam inter ligados e compromet idos co m 
finalidades anômalas às suas at r ibuições inic iais. A int er -relação entre os 
poderes t raz consigo maior efet ividade e credibilidade às funções 
públicas. 
Portanto, existem funções t ípicas e funções at ípicas correlatas a 
cada um dos t rês Poderes. Tanto é assim que, conforme asseverado 
anter iormente e ora exemplificando, o Poder Execut ivo ju lga no processo 
de impeachment ; o Poder Jud iciár io legisla nas ações diretas de 
inconst itucionalidade e nas ações declaratórias de const itucionalidade , 
ao ret irar determinada le i ou determinado ato normat ivo em vigor do 
ordenamento jur ídico. Citando TESHEINER 113, esclarecemos: \u201cTemos, 
assim, ao lado da jur isdição , em sent ido clássico, a jur isdição -
administ ração e a jur isdição - legis lação.\u201d 
 
7 \u2013 JURISDIÇÃO E DIREITOS FUNDAMENTAIS 
 
O adjet ivo fundamental, quando empregado na expressão \u201cdireito 
fundamental\u201d , vai significar o que é necessár io e pr imacial, como são os 
direitos. Po is bem, como produtos culturais que são os direitos humanos 
e os direitos fundamentais , aco lhidos os primeiros e inscr itos os 
segundos, nas Const ituições modernas, respondem a um peculiar 
 
112 Em ensaio bastan te conhecido, PAULO SALVADOR FRONTINI colaci ona 
diver sos julgados em que o STJ en tende que ex iste invasão do Poder Judiciár io em 
atr ibuições que ser iam de cunho exclusi vo do Pode r Execut ivo. E, ao final, diz o 
autor : \u201cÉ inquest ionável o acer to dessa pruden te postura jur isprudencia l , que em 
nada é incompat ível com si tuações concretas em que, mediante abuso de poder ou 
desvi o de final idade, a discr icionar iedade admin istr at iva apenas serve de mei o para 
fr audar -se a cor reta apl icação da lei\u201d (FRONTINI, Paulo Sal vador . Açã o Ci vi l 
Públ ica e Separação dos Poderes do Estado. In: MILARÉ, Edis (Coord. ) . Ação Ci vi l 
Pública \u2013 Lei 7.347/1985 \u2013 15 anos . 2 .ed. São Paulo: Revista dos Tr ibunais, 20 02, 
p.496). 
113
 TESHEINER, José Mar ia Rosa. Ação c ivi l públ ica \u2013 Tutela de direitos difusos \u2013 
Jurisdição ou administração? Dispon ível em: <www.tex.pro.br >. Acesso em: 22 
out . 2006. 
 51 
sintagma 114: a dignidade da pessoa humana e a pretensão de segurança, ou 
garant ia, at r ibuída ao ordenamento jur ídico. 
Nesse passo, ensina REINHOLD ZIPPELIUS 115 que \u201ca função 
pr incipal dos direitos fundamentais consiste em proteger um espaço de 
liberdade individual contra a ingerência do poder do Estado e contra a 
sua expansão totalitár ia\u201d. 
INGO WOLFGANG SARLET 116 afirma que tanto a const ituição 
quanto os direitos fundamentais compõem \u201ccondição de existência e 
medida da legit imidade de um autênt ico Estado Democrát ico e Social de 
Dire ito , tal qual como consagrado também em nosso dire ito 
const itucional posit ivo e vigente\u201d . 
Pois bem, é desde o pr incípio da dignidade humana 117 que 
podemos discorrer sobre os direitos fundamentais e mais, sobre os 
direitos humanos, núcleo essencia l de ambos. 
 
114 Ut i l iza-se a expressão sin tagma no sen t ido grego tardio de \u3c3\u3cd\u3bd\u3c4\u3b1\u3b3\u3bc\u3b1 , do verbo 
\u3c3\u3c5\u3bd\u3c4\u3ac\u3c3\u3c3\u3c9 , i sto é, coisa a l inhada com outra , ou um con jun to de expressões 
l ingüíst icas em que um termo-represen tação funciona como un idade. 
115 ZIPPELIUS, Reinhold. Teoria Geral do Estado . 3 .ed. Lisboa: Fundação Cal ou ste 
Gulbenkian , 1997, p.419. 
116 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos di reitos fundamentais . 4.ed. Por to 
Alegre: Livraria do Advogado, 2004, p.72. 
117Sobre a dign idade da pessoa humana aduzem CARLOS ALBE RTO MOLINARO e 
MARIÂNGELA GUE RREIRO MILHORANZA: \u201cMais qu e per sonal idades individuais, 
os seres humanos incorporam iden t idades cole t ivas em permanen te mudança, em 
permanentes con tatos, con tratos, que se definem quot idianamente numa dinâmica de 
acer tos e con tradições. A dign idade é qual idade que mira mais o valor de uso (a 
capacidade de fazer ) que o val or de t roca (capacidade
Carregar mais