Apostila_CPC_Comentado
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DisciplinaDireito Processual Civil II7.505 materiais138.212 seguidores
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alt itude l imit e de 600km); o mar 
territorial (200 milhas contadas a part ir da ba ixa -mar) ; os navios e 
aviões em alto -mar ; os navios e aviões de guerra em qualquer parte do 
globo terrest re; as embaixadas e as Co lônias. 
O Código de Processo Civil aplica-se em todo o território 
nacional. Juiz brasile iro aplica Direito material est range iro , nos casos de 
que t rata o Direito Internacional Pr ivado. Mas a legis l ação processual é 
sempre local. 
 
 
III \u2013 COMENTÁRIO AO ARTIGO 2º 
 
 Art. 2º . Nenhum juiz prestará a 
tutela jurisdicional senão quando 
a parte ou o interessado a 
requerer, nos casos e forma 
legais. 
 
 
TUTELA JURISDICIONAL 
 
\u201cTutela jur isdic ional\u201d, no art igo 2º, é a resposta do Estado -juiz ao 
pedido do autor, quer o acolha, quer o rejeite. Há entrega da prestação 
jur isdicional também nos casos de sentença meramente processual e nos 
de carência de ação, em que o juiz afirma a impossibilidade de julgar, no 
 
142 RODRIGUES, Dirceu A. Vict or . Dicionário de Brocardos Jurídicos. 6 .ed. São 
Paulo: Sugest ões Li t erár ias, 1970, p.341. 
 63 
mér ito , o pedido do autor. Nesse sent ido, diz MITIDIERO que: \u201cA sorte 
da resposta ao ped ido de tutela jur isdicional é indiferente à função 
judicante; o que sobreleva é o dever de prestar: aos ju ízes é vedado 
eximir-se de decidir, de prestar tutela jur isdiciona\u201d 143. 
A ênfase na \u201cinstrumentalidade do processo\u201d tem levado alguns 
autores a empregar a expressão \u201ctutela jur isdicional\u201d num sent ido mais 
rest r ito , limit ado aos casos de aco lhimento do pedido do autor 144. Nesse 
sent ido, só tem direito à tutela jur isdic ional aquele que é t itular de uma 
posição jur ídica de vantagem. O Estado só presta tutela jur isdiciona l 
para proteger direito mater ial lesado ou ameaçado. 
 
REQUERIMENTO DA PARTE OU DO INTERESSADO 
 
A jur isdição é, de regra, uma at ividade provocada. Chama -se 
\u201cação\u201d o direito de provocar o exercício da jur isdição. Não há jur isdição 
sem ação. Dois brocardos expressam essa idéia: 
Nemo judex sine actore \u2013 \u201cninguém é juiz sem autor\u201d. 
Ne procedat judex ex of f icio \u2013 \u201cnão proceda o juiz de ofício\u201d. 
Essa idéia está fundamentada no Pr incípio do Disposit ivo, o qua l 
regula as ações de ofíc io do juiz, tanto no momento de dar iníc io à ação 
quanto nas fases do decorrer do processo (inst rutória e decisór ia). É 
garant ia de segurança da imparcia lidade do juiz e preza pe lo equilíbr io e 
pela par idade de armas das partes. Nesse sent ido, ensina OVÍDIO 
BAPTISTA DA SILVA 145: 
Com o LIE BMAN observou (Fondamento Del pr incipio 
disposi t i vo, Problemi Del processo c iv i le , p .15), a r azão 
fundamental que legi t ima o pr incípio do disposi t i vo é a 
preservaçã o da imparcial idade do juiz , pressuposto l ógico d o 
própr io concei t o de jur isdiçã o. 
 
143 MITIDIERO, Dan iel Francisco. Comentários ao Código de Processo Civi l . São 
Paulo: Memór ia Jur ídica , 2004, t. I , p.62. 
144 Sobre este debate, r emete-se o lei t or ao l ivro Polêmica da Ação , organ izado por 
FÁBIO CARDOSO MACHADO e GUILHE RME RIZZO AMARAL, em que di ver sos 
processual istas gaúchos conhecidos, en tre eles Ovídi o Araújo Bapt ista da Si lva , 
Dan iel Francisco Mit idero e Car los Al ber to Alvaro de Oliveira , discor rem sobre o 
assun to. 
145 BAPTISTA DA SILVA, Ovídi o Araújo. Curso de processo c i vi l . 5 .ed. São Paulo: 
Revista dos Tr ibunais, 2000, v.1, p.63. 
 64 
Contudo, o art igo 989 do Código de Processo Civil autoriza o juiz 
a iniciar, de ofício, processo de inventár io, no caso de omissão das 
pessoas legit imadas a requerê- lo. 
 
CASOS E FORMAS LEGAIS 
 
A referência a \u201ccasos e formas legais\u201d consagra o P r incípio da 
Legalidade das Formas, segundo lição de CELSO AGRÍCOLA BARBI 146. 
Trata-se, segundo MITIDIERO , de \u201cpr incípio que deve ser dosado 
em sua vigilância sistêmica sempre em conta com o pr incípio da 
inst rumentalidade das formas, que funciona como verdadeiro equali zador 
dos valores em jogo nas mais diversas situações processuais 
concretas\u201d 147. 
COMENTÁRIOS AO ARTIGO 3º DO CÓDIGO DE PROCESSO 
CIVIL 
Araken de Assis
148
 
DA AÇÃO 
 
Art. 3.° Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e 
legitimidade. 
1. Evolução histórica da ideia de ação 
 
É tradicional a controvérsia acerca da natureza do direito de 
provocar a at ividade jur isd icional. De acordo com c lássico ensaio, 
imbuído de vigorosa carga negat iva, a imensa var iedade das doutrinas 
tornou a noção inacessível à compr eensão do homem de ciência (Luís 
Eulálio Bueno de Vidigal, \u201cExiste o direito de ação\u201d?, n. ° 1, p. 6). 
 
146 BARBI, Celso Agr ícola . Comentári os ao Códi go de Pr ocesso Ci vi l . 11.ed. Ri o 
de Janeiro: Forense, 2002, v. I , p.16. 
147 MITIDIERO, Dan iel Francisco. Comentários ao Código de Processo Civi l . São 
Paulo: Memór ia Jur ídica , 2004, t. I , p.65. 
 
148 Professor Ti tular (aposen tado) da PUC/RS, Professor no PPGD (Mestrado e 
Dout orado) da Faculdade Aut ônoma de Direi to \u2013 FADISP (Sã o Paul o), Dout or em 
Direi to pela PUC/SP, Desembargador (aposen tado) do Tr ibunal de Just iça do Ri o 
Grande do Sul e Advogado. 
 
 65 
Chegou-se a repudiar a ut ilidade da reprodução das linhas gerais das 
teses (Juan Montero Aroca, Introducción al derecho procesal , p. 133), 
ante a babélica confusão que reinar ia a respeito (Alessandro Pekelis, 
\u201cAzione\u201d, n. ° 3, p. 32). A tendência negat ivista at ingiu seu ápice no 
ensa io Piero Calamandrei (\u201cLa relat ivit à del concet to d\u2019azione\u201d, p. 439), 
que reje itou, firmemente, a universalidade do conceito . Sem embargo, 
mostra-se út il e necessár io reconstruir a evo lução histór ica conceito de 
ação. 
 
1.1 Conceito civilista de ação \u2013 Segundo Chiovenda (\u201cLa acción en 
el sistema de los derechos\u201d, n. ° 2, p. 6) , até o início do século vinte, em 
que pesem as aparentes divergências, adotou-se conceito unitár io ou 
\u201cimpuro\u201d de ação. A afirmat iva não se aplica à doutrina alemã, mas à 
ita liana e à francesa. De fato, ident ifica -se o poder de agir em juízo 
como uma qualidade do direito mater ial alegado pelo autor, expres sa na 
célebre metáfora de Demolombe (Cours de Code Napoleón \u2013 Traité de la 
distinction des biens, v. 9, n. ° 338, p. 189 ): a ação representar ia \u201co 
direito em estado de guerra, em vez do estado de paz\u201d. 
 
A esta idéia opõem-se duas objeções convincentes: em pr imeiro 
lugar, relacionando-se a ação com a existência do próprio direito 
mater ial, não se compreende por que, a posteriori , eventualmente o juiz 
a julgará improcedente, ou seja, declarará a inexistência do direito na 
qual se baseou; ademais, o processo talvez se forme para declarar, a 
pedido do autor, a inexistência de relação jur ídica entre as partes e, nesta 
hipótese, alega não ser t itular de qualquer direito subjet ivo. 
Inversamente, não se pode desprezar ou ignorar os dire ito subjet ivos 
antes de o juiz declarar sua existência no âmbito processual, como quer 
Salvatore Satta (Diritto processuale civile , n.° 73, pp. 123-129). E m 
geral, os direitos se realizam sem se tornarem lit igiosos e, necessitando 
de apreciação judicia l, nem sempre ela conduzirá ao re conhecimento, de 
modo que subsistem aquelas objeções à tese oposta (Artur
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