Apostila_CPC_Comentado
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DisciplinaDireito Processual Civil II7.505 materiais138.212 seguidores
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fato que poderia 
opor ao seu aco lhimento, como a alegação de prescr ição (suposto que se 
entenda imprescr it íve l ped ido de declaração, ainda que vinculado a uma 
obr igação). 
Em sent ido diverso e com boa argumentação, Car los Alberto Álvaro de 
Oliveira nega que se possa executar sentença declaratória, por força do 
art igo 475-N do CPC, admit indo apenas que o ju iz desconside re equívoco 
do autor, que haja usado a expressão \u201cdeclarar\u201d, em vez de \u201ccondenar\u201d. 
\u201cHabit a aí\u201d, diz, \u201co grande benefíc io que se poderá extrair da nova 
redação, pois permite ao juiz at r ibuir à sentença condenatória, 
mandamental ou execut iva a força que lhe é própr ia, mesmo que o autor 
tenha por equívoco denominado a demanda de declaratór ia e tenha nela 
formulado pedido declaratór io, desde que conste como causa de pedir 
também a vio lação do direito , o ato ilíc ito , o inadimplemento, a 
t ransgressão. 
 
Art. 5. - Se no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica, de cuja 
existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das 
partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença. 
 
No sistema do Código de Processo Civil , a coisa julg ada é rest r ita ao 
disposit ivo da sentença, ou seja, à sua conclusão, aco lhendo ou 
rejeitando o pedido do autor. Por isso mesmo, não fazem co isa julgada os 
mot ivos, nem os fatos nela afirmados, nem \u201ca apreciação da questão 
prejudicia l, decidida incidentemen te no processo\u201d (art . 469, III). 
Questão prejudicia l é espécie do gênero \u201cpreliminar\u201d. É aquela cuja 
reso lução, implicando valoração jur ídica de fato, subordina a de outra 
questão, dita \u201cpr inc ipal\u201d ou subordinada, de modo a predeterminar - lhe, 
no todo ou em parte, o conteúdo, sendo, por outro lado, apta 
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virtualmente a const ituir objeto principal de outro processo (Adroaldo 
Furtado Fabr ício). 
A prejudic ial é interna, se a questão deve ser apreciada no mesmo 
processo em que se discute a prejudicada. É externa, se a reso lução deve 
ocorrer em outro processo. 
 Numa ação de alimentos, por exemplo, pode o réu opor, como defesa, a 
negat iva da paternidade. Tem-se, aí, uma questão prejudic ial, porque 
implica valoração jur ídica de fatos (o juiz afirmará ou negará a 
paternidade, com base nos fatos alegados e provados nos autos); 
predetermina, em parte, o conteúdo da ação de alimentos (negando a 
paternidade, o juiz negará os alimentos); é apta a const ituir objeto de 
outro processo (de invest igação de paternidade). 
No sistema do Código ( já se observou) a questão prejud icial, decidida 
inc identemente, não produz coisa julgada, de modo que o pedido de 
alimentos poderá ser aco lhido e, não obstante, negada por sentença a 
paternidade, em outro processo. 
A ação declaratória inc idental, a que se refere o art igo ora comentado, 
nada mais é do que um pedido, expressamente formulado pelo autor ou 
pelo réu, dest inado à at r ibu ição de força de co isa ju lgada também à 
decisão relat iva à questão prejudicia l. 
Proposta, por exemplo, uma ação de cobrança de aluguéis, pode o réu 
alegar, como defesa, que a relação jur ídica entre as partes não é de 
locação, mas de comodato. A afirmação judicial da exist ência de contrato 
de locação, feita numa pr imeira ação, não impede que, em outra ação, 
para a cobrança de outros alugueres, venha o juiz a afirmar que se t rata 
de comodato, porque não faz co isa julgada a apreciação da questão 
prejudicia l, decidida incidentemente no processo. 
Para que se pro fira decisão, com força de co isa ju lgada, sobre natureza 
desse contrato, pode então, o autor ou o réu, propor, no curso do 
processo, a chamada ação declaratória incidental. 
\u201cO pedido de declaração inc idental\u201d, diz Adroaldo Furtado Fabr íc io, \u201cé 
pedido novo, veiculado por outra ação, esta de natureza declaratória, em 
pr incípio proponível separadamente, mas que se vem a processar nos 
mesmos autos da anter iormente ajuizada\u201d. 
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Diz mais: se o pedido é formulado pelo autor, há cumulação sucessiva de 
ações; se é o réu que pede a declaração incidente, fica claro o caráter 
reconvencional desse pedido. 
O art igo 265, IV, c, que determina a suspensão do processo, quando a 
sentença de mér ito \u201ct iver por pressuposto o julgamento de questão de 
estado, requer ido como declaração incidente, const itui \u201cuma das mais 
infelizes disposições do Código\u201d (Adroaldo Furtado Fabr íc io). Exige 
reexame, \u201cseja para pura e simples derrogação, seja para dar - lhe o 
sent ido de se suspenderem apenas outros processos que não aquele em 
que fo i proposta a ação declaratória incidental, nos quais o julgamento 
também dependa da reso lução da mesma questão prejudicia l\u201d, já que 
\u201cnenhuma just ificação teórica ou prát ica existe para a suspensão do 
processo em razão de prejudicialidade interna. 
Efet ivamente, o pedido de declaração inc idental não deve em nada 
alterar o procedimento da ação \u201cpr incipal\u201d. Diferença haverá somente 
quanto à força do julgamento da questão prejudicia l, que produzirá ou 
não coisa ju lgada mater ial, conforme seja ou não proposta a ação 
declaratór ia incidental. 
 
Art. 6º Ninguém poderá pleitear em nome próprio, direito alheio, salvo 
quando autorizado por lei. 
 
De regra, são legit imados para a causa, nas ações individuais, de um 
lado, aquele se afirma t itular de um direito e, de outro, quem apontado 
como devedor, obr igado ou simplesmente suje ito passivo da relação de 
direito mater ial. É a chamada \u201clegit imação ordinár ia\u201d, em oposição à 
\u201clegit imação extraordinár ia\u201d. 
 
Tem-se \u201csubst ituição processual\u201d, nos casos em que se admit e que 
alguém esteja em juízo, em nome própr io, em defesa de outrem. Tem -se, 
então, de um lado, o subst ituto processual, que é parte no processo (parte 
em sent ido processual ou formal) e, de outro, o subst ituído, que não é 
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parte no processo, mas so fre os efeitos da sentença (parte em sent ido 
mater ial). 
 
Tem-se, no habeas corpus impetrado em favor de outrem, claro exemplo 
de subst ituição processual. O impetrante é subst ituto processua l do 
paciente. 
 
O subst ituto processual é parte, definindo -se como tal quem pede a tutela 
jur isdicional, assim como aquele em face do qual é formulado o pedid o. 
Em outras palavras, são partes o autor e o réu. 
 
Nesse sent ido, o subst ituído não é parte. Contudo, ele so fre os efe itos da 
sentença. Não está no processo, mas so fre os seus efeitos. A sentença faz 
co isa julgada tanto para o subst ituto quanto para o sub st ituído. Út il para 
definir a sit uação do subst ituído o conceito de parte em sent ido mater ia l 
ou de sujeito da lide. 
Tem-se cr it icado o conceito de parte em sent ido mater ial, por evocar a 
idéia da existência de alguma relação de direito mater ial, integrada pelo 
subst ituído. Como a sentença pode precisamente declarar a inexistência 
da relação jur ídica de direito mater ial afirmada pe lo subst ituto, somente 
caber ia falar-se de parte em sent ido processual (ou formal). Pode -se, por 
isso, prefer ir a expressão suje ito da lide. Muda-se o nome, mas o 
fenômeno permanece. 
 
O subst ituído pode ou não ser sujeito do processo, na qualidade de 
assistente. Tratando da alienação de coisa lit igiosa, estabelecem os 
parágrafos do art igo 42: 
 
§ 1º O adquirente ou cessionár io não poderá 
ingressar em juízo, subst ituindo o alienando, ou o 
cedente, sem que o consinta a parte contrár ia. 
§ 2º O adquirente ou o cessionár io poderá, no 
entanto,
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