Apostila_CPC_Comentado
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nota de rodapé nº 128, assevera que: 
A at ividade legisla t i va consiste em expressão de um 
poder pol í t ico consisten te em inovar a ordem jur ídica, a 
part ir de cr i tér ios de conven iência legisla tiva , fixando 
normas cogen tes de compor tamento (pr incípio da legal idade), 
de natureza geral e abst r a ta, as quais serão cumpr i das 
mediante o uso da força do Estado. 
Enfim, a at ividade legis lat iva é a at ividade estatal , que tem como 
função precípua fazer as leis, corr igir as que não estão em consonância 
com a Const ituição ou, ainda, ab-rogar as que estão feitas. A at ividade 
legislat iva é a at ividade estatal vo ltada às funções t ípicas de legislar (na 
feitura e elaboração de le is e de regras de conduta) e fiscalizar 
( fiscalização contábil e operacional do Poder Execut ivo) , conforme 
ensinamento de ALEXANDRE DE MORAES 78. Todavia, a at iv idade 
legislat iva também possui at r ibutos ou funções at ípicas: administ rar e de 
julgar. 
Toda e qualquer at ividade legis lat iva tem como teto ou limite o 
que está previsto na Const ituição. Logo, deve ser realizada ao abr igo 
 
cr imes ou julgar os dissídi os da ordem civi l\u201d (BONAVIDES, Paulo. Ciência 
pol í t ica . 7 .ed. Rio de Janeiro: Forense, 1988, p.151). 
76 CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e competência . 13. ed. São Paulo: 
Saraiva , 2004, p. 20. 
77 APPIO, Eduardo. Controle judicial das pol í t icas públicas no Brasi l . Curi t iba: 
Juruá, 2005, p.79. 
78. Ensina ALEXANDRE DE MORAES que: \u201cAs funções t ípicas do Poder Legisla t ivo 
são l egislar e fiscal izar , tendo ambas o m esm o g rau de impor tância e merecedoras de 
maior deta lhamento. Dessa forma, se por um lado a Const i tuição prevê r egras de 
processo l egisla t ivo, para que o Congresso Naci onal elabore as normas jur ídicas, de 
outro, det ermina que a ele compet e a fiscal ização con tábi l , financeira, orçamentár ia, 
operacional e pa tr imonial do Poder Execut i vo (CF, ar t. 70). As funções a t ípicas 
const i tuem-se em admin istr ar e julgar . A primeira ocor re, exemplificat ivamente, 
quando o Legi sla t ivo dispõe sobre sua organização e operacional idade interna, 
provimen to de cargos, promoções de seus ser vidores; enquanto a segunda ocor rerá, 
por exemplo, no processo e julgamento do Presiden te da Repúbl ica por cr ime de 
r esponsabi l idade\u201d (MORAES, Al exandre de. Direito Consti tuci onal . Sã o Paul o: 
At las, 2003, p.375). 
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daquilo que prevê a Carta Magna. Acertadamente, aduz EDUARDO 
APPIO 79, ao dispor sobre a at ividade legis lat iva e seus limites, que : 
Contudo, esta discr icionar iedade pol í t ica na escolha 
dos mei os a t r avés dos quais i r á a tuar esbarra em l imi tações 
impostas pelo próprio const i tuinte , o qual in fundiu ao Poder 
Legisla t ivo determinados deveres, em fa ce dos quais a 
omissã o poderá ser r eputada como con trária à Const i tuição, 
autor izando a in tervenção judicia l ( . . . ) (gr i fo nosso) . 
Portanto, os limites ao exercício da at ividade legis lat iva são 
impostos pela supremacia da Const ituição. Aliás, à guisa de bem ilust rar 
o que aqui defendemos, sobre a supremacia da Carta Magna Brasileira de 
1988, t raz-se o magistér io de ARAKEN DE ASSIS 80, o qual enfat iza que: 
E, sendo assim, sobranceira à con trovér sia acerca dos 
mér i tos da natureza flexí vel e somente materia l das 
Const i tuições, a Car ta de 1988 caracter iza um a lei suprema, 
impondo-se a todas as outras leis que vigorem ou tendam a 
vigorar na soci edade pol í t ica por ela r egida. 
Pois bem, a questão de a jur isdição const itucional ser vista como 
uma at ividade legislat iva diz respeito , especificamente, ao controle 
abstrato de const itucionalidade , no que tange às ações diretas de 
inconst itucionalidade e às ações declaratórias de const itucionalidade, 
uma vez que o exercício do controle de const itucionalidade abstrato não 
está vinculado a um determinado caso concreto. 
PIERO CALAMANDREI 81 entende que a at ividade desenvo lvida 
pelo Poder Judiciár io , ao examinar a questão da (in)const itucionalidade 
no controle abstrato de const itucionalidade, é at ividade legis lat iva, uma 
vez que a decisão pro fer ida tem eficácia geral de lei, com efeitos erga 
omnes: 
A verdade é que o r ecur so à Cor te Const i tucional para 
obter a declaração de i legi t imidade de uma lei não se di r ige a 
obter um ato jur isdicional , senão, que tende a obter um ato 
substancia lmen te legisla t ivo: ist o é, um ato que, mesm o 
quando se chame de decisã o ou sen tença, terá os mesmos 
efei t os de um ato legisla t ivo; não um ato que diga com o deve 
ser apl icada ao caso concreto a lei que pe rmanece em si , 
como norma geral, sem modificaçã o, senão um ato que 
modifique a lei em geral , para todos os possíveis casos a os 
quais será apl icada no porvir . 
 
79 APPIO, Eduardo. Controle judicial das pol í t icas públicas no Brasi l . Curi t iba: 
Juruá, 2005, p. 81. 
80 ASSIS, Araken de. \u201cEficácia das normas const i tucionais\u201d . In : Revista da 
Associação dos Juizes do Rio Grande do Sul , n . 50, 1990, pp. 34 -5. 
81 CALAMANDREI, Pi ero. Direito pr ocessual c ivi l . Tradução de Luiz Abezia e 
Sandra Drina Fernandez Barbery. Campinas: Booksel ler , 1999, v.3, p.83. 
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De outra banda, fr isa-se que essa visão da jur isdição 
const itucional sob o enfoque de at ividade le gis lat iva fo i preconizada por 
KELSEN, na obra Teoria Geral do Direito e do Estado . Para o autor, a 
função de declarar inválidos determinados atos normat ivos 
inconst itucionais é equiparada à função de um \u201clegis lador negat ivo\u201d 82. 
Declara KELSEN
83
 que a anulação de uma le i é ato legislat ivo, de 
legislação negat iva, ao preceituar que : \u201cA anu lação de uma lei é uma 
função legislat iva, um ato \u2013 por assim dizer \u2013 de legis lação negat iva. Um 
tribunal que é competente para abo lir le is \u2013 de modo individual ou geral 
\u2013 funciona como legislador negat ivo\u201d. 
Aliás, sob este enfoque, pert inente t razer à ba ila jur íd ica a lição 
de ATHOS CARNEIRO 84, o qual enfat iza que: 
Em duas hipóteses, t odavia , a Const i tuição Federal 
a tr ibui ao Poder Judiciár io, mais especifi camente ao Suprem o 
Tribunal Federal e aos Tr ibunais de Just iça , o exercíci o, 
embora sob vestes jur isdici onais, de uma at ividade 
legisla t iva , porque não vinculada à aplicação do direi to a um 
caso concret o [ . . . ] Refer imo-nos, em pr imeiro lugar à ação 
direta de inconst i tucional id ade [ . . . ] em segundo lugar [ . . . ] a 
ação declara tór ia de const i tucional idade de lei ou a to 
normat ivo federal (. . . ) . 
No tópico, EDUARDO APPIO 85, ao enfocar o tema telado em 
níve l do que preconiza o dire ito brasile iro, proclama que: 
As decisões judi cia is, quan do amparadas em valores 
da Const i tuição, passam a desempenhar o papel 
t radicionalmen te dest inado à lei . O espaço de t omada de 
decisões pol í t icas passa a ser compart i lhado en tre o 
Legisla t ivo e o Judiciár io. Esta at ividade legisla t iva do Poder 
Judiciár io não se r evela incompat ível com a Const i tuição 
Federal , na medida em que o pr ópr io leg islador está 
vinculado à lei e à Car ta de 1988. 
Em verdade, não apenas no direito brasile