Apostila_CPC_Comentado
187 pág.

Apostila_CPC_Comentado


DisciplinaDireito Civil I76.329 materiais930.785 seguidores
Pré-visualização50 páginas
endereço profiss iona l do advogado, deve o ju iz 
determinar prazo para a regular ização do feito , sob pena de declarar o 
réu revel, nos termos do art. 13, II do CPC.\u201d 216 
\u201cA int imação pessoal do procurador somente será inva lidada 
quando, em caso de mudança de endereço devidamente informada por 
pet ição ao cartório, o serventuár io extraviar ou não regist rar no sistema 
tal a lteração.\u201d217 
Art. 40 - O advogado tem direito de: I - examinar, em cartório de 
justiça e secretaria de tribunal, autos de qualquer processo, salvo o 
disposto no artigo 155; II - requerer, como procurador, vista dos 
autos de qualquer processo pelo prazo de 5 (cinco) dias; III - retirar 
os autos do cartório ou secretaria, pelo prazo legal, sempre que lhe 
competir falar neles por determinação do juiz, nos casos previstos em 
lei. § 1º Ao receber os autos, o advogado assinará carga no livro 
competente. § 2º Sendo comum às partes o prazo, só em conjunto ou 
mediante prévio ajuste por petição nos autos poderão os seus 
procuradores retirar os autos. 
\u201cCom exceção dos processos que correm em segred o de just iça, é 
ilegal qualquer portaria judic ial que empeça o advogado de analisar, em 
cartório, qualquer processo judicia l, uma vez que, possui tal 
prerrogat iva.\u201d 218 
\u201cEm relação à carga dos autos, encontramos uma situação 
excepciona l: a impossibilidade de carga dos autos nos processos dos 
Juizados Especia is Cíve is e Cr iminais. Na just iça comum, também, há 
essa impossibilidade quando o prazo for disponibilizado a ambas as 
partes, contudo, pode haver acordo - que deverá ser juntado aos autos - 
entre os procuradores estabelecendo a ret irada dos autos do cartório.A 
 
215 MIGLIAVACCA, Carol ina . Comentári os ao artigo 39 do CPC . Dispon ível em 
www.t ex.pro.br 
216 MIGLIAVACCA, Carol ina . Comentári os ao artigo 39 do CPC . Dispon ível em 
www.t ex.pro.br 
217 MIGLIAVACCA, Carol ina . Comentári os ao artigo 39 do CPC . Dispon ível em 
www.t ex.pro.br 
218 MIGLIAVACCA, Carol ina . Comentári os ao artigo 40 do CPC . Dispon ível em 
www.t ex.pro.br 
 119 
impossibilidade de carga firma-se na evocação dos pr inc ípios de 
economia processual, celer idade e informalidade, determinando que os 
autos somente possam ser vistor iados em cartório e ret irados para c ópia, 
independentemente de prazo. Quando autorizada a saída dos autos do 
cartório (carga), deverá o procurador responsável devo lvê - lo no prazo 
estabelecido. A não observação do prazo autoriza a expedição de 
mandado de busca e apreensão a ser determinado de o fício pelo juiz ou a 
requer imento da parte interessada; sem prejuízo das sanções 
disciplinares. Outro ponto importante a ser ressaltado quanto à carga dos 
autos por parte do advogado habilitado no processo é o fato de que, caso 
o processo esteja aguardando a juntada de mandado citatório ou de 
int imação (endereçado à parte ou ao procurador), o prazo processua l 
referente ao objeto da int imação (seja para responder à pet ição inic ial, 
para cumprir ato determinado pelo juiz ou apresentar eventual recurso) 
passa a fluir a part ir da data da realização da carga, tornando -se 
irrelevante que o mandado (ou a publicação) se dê após a ret irada dos 
autos. Isso porque os princípios da economia processual e da celer idade 
ensinam que ser ia inócuo o aguardo da juntada de ma ndado quando não 
restam dúvidas de que o procurador da parte tomou abso luta ciência do 
ato processual. Em conclusão, temos que a representação das partes em 
juízo recebe r igorosa regulamentação a part ir dos art igos 36 a 40, do 
Código de Processo Civil. Ainda assim, entendemos que esses 
disposit ivos hão de ser interpretados em respeito aos limites 
estabelecidos pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil.\u201d 219 
2.3. Da Substituição das Partes e dos Procuradores (arts. 41 a 45 do 
CPC) 
Art. 41 - Só é permitida, no curso do processo, a substituição 
voluntária das partes nos casos expressos em lei. 
 
\u201cO que o art . 41 do CPC procura assegurar é o pr incípio da 
estabilidade da instância ou estabilidade subjet iva da lide (perpetuat io 
legit imat ionis) segundo entendiment o de Nelson Nery Júnior, ao proibir 
a subst ituição vo luntár ia das partes, a não ser em casos que a le i 
expressamente permit e. A regra é aplicável a todos os t ipos de processo 
(de conhecimento, de execução e cautelar), não sendo permit ida a 
alteração nem das partes, nem dos int ervenientes durante o curso do 
processo.\u201d220 
 
Art. 42 - A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título 
particular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes. 
§ 1º O adquirente ou a cessionário não poderá ingressar em juízo, 
substituindo o alienante, ou o cedente, sem que o consinta a parte 
contrária. § 2º O adquirente ou o cessionário poderá, no entanto, 
intervir no processo, assistindo o alienante ou o cedente. § 3º A 
 
219 MIGLIAVACCA, Carol ina . Comentári os ao artigo 40 do CPC . Dispon ível em 
www.t ex.pro.br 
220 PARIZOTTO, Gabr iela Fel ippi ; PORT, Mar l i Eulál ia. Comentários ao artigo 41 
do CPC . Dispon ível em www.t ex.pro.br 
 120 
sentença, proferida entre as partes originária s, estende os seus 
efeitos ao adquirente ou ao cessionário. 
 
\u201cO caput do art . 42 do CPC reforça a idéia da autonomia do 
direito processual em relação ao direito mater ial. Assim, eventuais 
alterações no direito mater ial em nada inter ferem a relação jur ídica 
processual, que permanecerá ina lterada. Todavia, é inegável que, embora 
não haja relevância para o processo, a alienação da co isa ou direito 
lit igioso será negócio válido, existente e eficaz, tanto que a sentença 
at ingirá o adquirente (parágrafo 3º do art . 42 do CPC), não apenas como 
co isa julgada, mas também por seus efe itos const itut ivos ou execut ivos. 
Há de se fazer ressalva, contudo, quando a parte aliena a mera 
expectat iva de vir a ser reconhecida t itular do direito subjet ivo mater ial, 
como no caso da parte que vem a juízo dizendo -se propr ietár ia de alguma 
co isa e, ao fina l, a ação vem a ser julgada improcedente. Nesses casos, a 
alienação não tem como objeto direito algum, caso a sentença não 
confira a t itular idade ao autor, no nosso exemplo, alienante . Importante 
fr isar, que o disposit ivo refere -se ao termo da condição de lit igiosidade 
de uma co isa ou direito , ao refer ir -se a "curso do processo", isto é, 
somente enquanto houver lit ispendência é que as alienações submetem -se 
à regra deste art igo. Com a ext inção da relação processual, com ou sem 
reso lução de mér ito , finda a lit igiosidade. Os momentos da ocorrência da 
lit igiosidade para as partes não é o mesmo. Enquanto que, para o autor 
da ação, a lit igiosidade inicia a part ir do ajuizamento da ação, para o 
réu, inic ial somente após a sua citação válida. Nesse passo, o art . 42 
aplica-se também aos casos em que a coisa ou o direito que se busca 
assegurar são submet idos a uma constr ição cautelar (arresto, seqüestro, 
ou not ificação de protesto), pois tais med idas jur isdicionais acabam por 
torná- los lit igiosos, até mesmo porque o disposit ivo não diz que somente 
no curso de uma determinada causa ocorrerá a lit igiosidade. É de bo m 
alvit re c itar que essa questão não é pacífica na doutrina, po is parte dela 
entende pela inexistência de co isa lit igiosa no processo cautelar, sob o 
enfoque de que tal processo não se dest ina a so lucionar a cr ise de direito