jurisdicao_voluntaria
167 pág.

jurisdicao_voluntaria


DisciplinaDireito Civil I76.411 materiais933.026 seguidores
Pré-visualização32 páginas
na habilitação, que assim pratica atos de jurisdição 
voluntária: 4 1) Julgamento da irnpugnação do Ministério Público. 
"Se o órgão do Ministério Público impugnar o pedido ou 
a documentação, os autos serão encaminhados ao juiz, 
que decidirá sem recurso" (art. 67,s 29; 
2) Julgamento da oposição fundada emimpedimento. 
"Se houver apresentação de impedimento, o oficial dará 
ciência do fato aos nubentes, para que indiquem em tres 
dias prova que pretendam produzir, e remeterá os autos 
a juizo; produzidas as provas pelo oponente e pelos 
nubentes, no prazo de dez dias, com ciência do Ministério. 
Público e ouvidos os interessados e o órgão do Ministério 
Público em cinco dias, decidirá o juiz em igual prazo." 
(art. 67,O 59; 
3) Produção de provas em processo de justificação. 
"Se o interessado quiser justificar fato necessário à. habi- 
litação para o casamento, deduzirá sua intenção perante 
o juiz competente, em petição circunstanciada, indicando 
testemunhas e apresentando documentos que compro- 
vem as alega@es." (art. 68); 
4) Dispensa de proclamas. "Para a dispensa de 
proclamas, nos casos previstos em lei, os contraentes, em 
petição dirigida ao juiz, deduzirão os motivos daurgência 
do casamento, provando-a, desde logo, com documentos 
ou indicando outras provas para demonstração do 
alegado. Produzidas as provas dentro de cinco dias, com 
a ciencia do 6rgão do Ministério Público, que poderá 
manifestar-se, a seguir, em vinte e quatro horas, o juiz 
decidirá emigual prazo, sem recurso, remetendo os autos 
para serem anexados ao processo de habilitação matri- 
monial." (art. 69 e 9 29. 
5) Nomeação de médicos para o exame de colaterais 
de terceiro grau. Não podem casar-se, sob pena de 
nulidade absoluta, os irmãos, legítimos ou ilegítimos, 
germanos ou não e os colaterais, até o segundo grau 
(Código Civil, arts. 183 e 207). O casamento de colaterais 
do terceiro grau (tios e sobrinhos) é permitido, nos ter- 
mos do Decreto-lei nQ3.200, de 19.04.41, mas os interes- 
sados devem requerer ao juiz competente para a 
habilitação que nomeie dois médicos, para examiná-los 
e atestar-lhes a sanidade, afirmando não haver incon- 
veniente sob o ponto de vista da saúde de qualquer deles 
e da prole, na realização do matrimhio. Com esse ates- 
tado, podem os interessados promover o processo de 
habilitação, apresentando-o com o requerimento inicial. 
O casamento C ato dos nubentes, presidido pelo Juiz 
de Paz (Constituição, art. 98,II), que os declara casados 
e certifica a realizaçao do ato. 
Mais relevante é a atividade desenvolvida pelo Juiz 
de Direito, na hipótese de casamento em iminente risco 
de vida (casamento nuncupativo). "Ocorrendo iminente 
ris-co de vida de algum dos contraentes, e não sendo 
possível apresença da autoridade competente parapresi- 
dir o ato, o casamento poderá realizar-se na presença de 
seis teste-munhas, que comparecerão, dentro de cinco 
dias, perante a autoridade judiciária mais próxima, a fim 
de que sejam reduzidas a termo suas declarações. 
Ouvidos dentro em 5 (cinco) dias os interessados que o 
requerem e o órgão do Ministério Público, o juiz decidirá 
em igual prazo. Transitada em julgado a sentença, o juiz 
mandará registrá-la no Livro de Casamento." (Lei dos 
Registros Públicos, art. 76, $0 3P e 5Q). Asentença do juiz, 
declarando cele-brado o casamento e mandando que se 
registre o ato, documenta, certifica e torna público o 
casamento cele-brado pelos contraentes, na presença das 
testemunhas. 
E DE BENS DOTAIS 
Estando o marido em lugar remoto, ou não sabido, ou 
em cárcere por mais de dois anos, ou declarado interdito, 
à mulher compete a direção e a administração do casal, 
podendo, com autorização especial do juiz, alienar não 
só os imóveis comuns como os do marido (Código Civil, 
art. 251). Tem-se, aí, jurisdição voluntária, por inter- 
venção do juiz em negócio jurídico privado (compra e 
venda). Não se trata de assegurar o exercício de direito 
formativo da mulher, em face do marido e o interesse de 
agir se compõe independentemente de qualquer alega- 
ção de oposição do c8njuge varão à vontade da mulher. 
Caso de jurisdição volunt<Aria é também a alienação 
de bens dotais. 
Bens dotais são os que alguém (Código Civil, art. 279) 
entrega ao marido, em função do casamento, a fim de 
atender às necessidades do casal e da prole, com seus 
frutos e rendimentos, devendo ser restituídos ao dotador 
(art. 283) ou h mulher (art 300), umavez dissolvida a 
sociedade conjugal. 
No regime dotal, a mulher pode ter, além dos dotais, 
administrados pelo marido, bens seus, por ela própria 
administrados: os pardemais (art. 310). 
O regime dotal,observa ShVI0 RODRIGUES, não 
teve a menor aceitação entre nós, sendo nula sua reper- 
cussão na vida brasileira (Direito Civil. Direito de Famaia. 
14%d., São Paulo, Saraiva, 1988, p. 206). O interesse que 
possa despertar é apenas de índole histórica. 
Pois tempo houve em que os homens tinham de rap- 
tar as mulheres. Depois tiveram de comprá-las e, assim 
fazendo, as transfo&avam em instrumentos econômi- 
cos, de que tiravam o maior proveito. Mais tarde, mudan- 
do as condições sociais, as mulheres deixaram de ser 
avaliadas por seus talentos de servas, suscetíveis de 
exploração econômica, deixando, por isso, de ter valor 
venal. Contudo, os homens nunca deixaram de desejar as 
mulheres. Pelo menos as belas. Para as feias inventou-se 
o sistema do dote: o chamariz de uma doação feita ao 
noivo pelos pais da noiva, com a condição de realizar-se 
o casamento. Certamente aos pais se afigurava de melhor 
alvitre ceder a filha com uma parcela de sua fazenda, do 
que mantê-la, indefinidamente, sob seu teto e deixá-la, 
após a morte, sem um arrimo seguro para a vida. 
&quot;A pouco e pouco77, observa CLÓVIS, &quot;o dote foi-se 
destacando do acervo marital, para constituir-se à parte. 
É em Roma que podemos apreciar melhor essa fase 
evolucional do instituto, porque foi justamente aí que ele 
recebeu sua consistência vital e os traços característicos 
de sua morfologia. É por esses motivos que se pode 
chamar o dote uma instituição essencialmente romana. 
Com os casamentos livres, o dote se generalizou e se 
tornou obrigatbrio, podendo ser até constituído pela 
própria mulher que era, quando sui jurLiF, proprietária 
com direitos equivalentes aos do homem. Sacudindo o 
pesado e ferrenho jugo da manus, adquirindo direitos de 
proprietária, deixando, portanto, de ser instrumento de 
aquisição nas mãos do marido, era preciso que a mulher 
trouxesse compensação, senão completa, ao menos capaz 
de abafar as revoltas de sua cobiça de senhoraço in- 
dolente. Essa compensação outra não podia ser senão a 
obrigatoriedade, para o pai, de presentear o esposo de 
sua filha com certa porção de bens, mediante os quais o 
homem se dava por indenizado dos direitos perdidos e 
consentia em tomar sobre si o custeio da vida doméstica. 
Nessa época, o dote não passava de uma doação 
simples pela qual o marido se tornava proprietário dos 
bens doados. Algumas vezes, porém, estipulou-se a 
restituição do dote. 
Com o aumento progressivo dos div6rcios, esta conven- 
ção adminicular da restituição, que, até então, aparecera 
acidentalmente, pussou a ser uma concomitância obrigada, 
uma condição necessária, condição que deu ao instituto 
dotal seu caráter próprio&quot;. 
Prossegue cLÓVIS: &quot;Como todo pacto antenupcial 
deve o dote ser constituído antes do casamento, toman- 
do-se irrevogável com a realização deste. 
Além da anterioridade ao casamento e da escritura 
pública, é formalidade necessária ao dote a estimação. O 
Código Civil, art. 278, a exige, de modo absoluto. 
Estimação é a fixação do valor do dote, para deter- 
minar, seguramente, o que ou quanto deverá restituir o 
marido. Pode ser feita pura e simplesmente para que seja 
conhecido o montante