pressupostos_processuais
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sob n. 9, como segue: 
- 'Vale a publicação que, apesar de deficiências não substanciais, 
atinge a sua finalidade' (STF - 'JTACSP' , vol. 551145). A respeito, 
confira-se ainda: - 'Estando o número do processo e o nome das 
partes corretamente publicados, pequeno erro de grafia no nome do 
advogado, em nada dificultaria a identificação da causa, tornando a 
publicação perfeita'. Outro julgado no mesmo sentido, inclusive in- 
vocando decisão do Colendo Supremo Tribunal Federal, mostra que 
não é motivo de nulidade diferença de grafia como 'Allegretto' e 
'Ailegretti'. Também o Pleno desta Casa manifestou-se sobre o tema, 
quando na intimação foi publicado o nome sem o sobrenome do 
advogado, situação muito mais séria. Desse julgado, destaca-se - 
'A propósito, Moniz Aragão, ensina ser essencial que a publicação 
seja apta a autorizar a identificação, mesmo que a referência não 
estampe todos os prenomes e o sobrenome completo. O erro de im- 
prensa, que não tome irreconhecível o nome divulgado nem cause 
confusão entre dois nomes distintos, não constitui causa para a inva- 
lidade da publicação' ('Comentários ao Código de Processo Civil', 
1%d., Forense, vol. II/253)"220. 
A hipótese é de nulidade cominada. Entretanto, o próprio art. 
236, $ lQ, ao se referir a dados "suficientes para identificação", dei- 
xa claro que não se decreta a nulidade se o ato atingiu sua finalidade. 
O acórdão confirma, pois, a doutrina de Aroldo Gonçalves, na parte 
em que sustenta que não se decreta a nulidade, ainda que cominada, 
se o ato alcançar a finalidade ou dele não resultar prejuízo. E desau- 
toriza a doutrina de Teresa Wambier, segundo a qual o juiz deve 
decretar a nulidade de forma sempre que prescrita em lei, sob pena 
de nulidade. 
2.9.2. Intimação - Juntada de documento aos autos 
No caso a seguir, tendo-se juntado documento aos autos, expe- 
diu-se intimação para "ciência da parte contrária", não para "mani- 
festar-se sobre o documento junto aos autos". Não se decretou a 
nulidade por falta de prejuízo concreto: 
"Pelo seu caráter prejudicial, examina-se a arguição de cercea- 
mento de defesa. 
220. IQTACSP, 3a Câm., Agi 498.383-1, Rel. Sílvio Marques, j. 10-3-1992, 
JTACSP, 137129. 
Rejeita-se a invocativa. O despacho proferido às fls. 358 foi o 
de 'ciência à parte contrária e ao Ministério Público', e não abertura 
de prazo para manifestação. 
Os autos permaneceram em cartório por três dias, entre a data 
da intimação, 12.4.94 e da conclusão, 15.4.94, tempo suficiente para 
a simples ciência da petição juntada. 
Os documentos ali juntados, contratos de 1983, 1984, 1985, 
1986 e 1987, certidão de processo-crime em andamento contra o 
autor e jurisprudência do Tribunal de Ética da Ordem dos Advoga- 
dos do Brasil, em nada influíram na respeitável sentença e, tampouco, 
alegou o apelante prejuízo concreto decorrente. 
Sem prejuízo, não há nulidade, e esse prejuízo deve ser real, 
não, simplesmente, formal"221. 
O art. 398 do CPC estabelece: "Sempre que uma das partes 
requerer a juntada de documento aos autos, o juiz ouvirá, a seu res- 
peito, a outra, no prazo de 5 (cinco) dias". O correto, pois, é intimar- 
se a parte para falar sobre documento junto aos autos. Não tendo, 
porém, havido prejuízo, não era mesmo de se pronunciar a nulidade. 
A rigor, o prejuízo a considerar seria quanto à prática do ato. 
Cumpre, porém, admitir que também não há prejuízo quando a parte 
não pode se pronunciar sobre documento que de modo algum in- 
fluiu na decisão. O Superior Tribunal de Justiça decidiu: 
Documento exibido sem audiência da parte contrária. Cercea- 
mento de defesa. Não se reconhece a nulidade arguida, se a juntada 
do documento nenhum gravame acarretou ao litigante222. 
E, em outro caso: 
"O especial se faz pelas alíneas a e c do autorizativo constitu- 
cional. Duas são as razões recursais. Comecemos pela alegada vio- 
lação do princípio do contraditório, pela não-oitiva da parte com a 
juntada de documento (CPC, art. 398). 
221. TJSP, 8' Câm. de Dir. Públ., AC 2390.171 - 1, Rel. Walter Theodósio, j. 
27-3-1996, JTJ, 1841147. 
222. STJ, 4' 'hrma, REsp 34.152-1, Rel. Min. Barros Monteiro, j. 20-10- 
1993, RSTJ, 551225, março de 1994, ano 6. 
Senhor Presidente, a jurisprudência se orienta no sentido de 
que só haverá violação do due process no caso de o documento jun- 
tado influir diretamente na decisão: 
'Nula se apresenta a decisão, proferida sem audiência da parte 
contrária sobre documento juntado aos autos, se dela resulta prejuízo, 
caracterizando-se, em tal contexto, ofensa à norma federal e ao prin- 
cípio do contraditório, um dos pilares do devido processo legal' (REsp 
ne 6.08 lRJ, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, DJU de 25/05/92, p. 7398). 
'Processual Civil. Documento. Juntada. 
A circunstância de não se ter dado vista à parte contrária para 
se pronunciar sobre documento, consistente em cópia de acódão, 
não acarreta nulidade, posto que em nada influenciou no julgamen- 
to' (REsp nQ 3.758-RJ, publicado no DJU de 09/10/90, p. 10895, 
relato pelo Min. Eduardo Ribeiro). 
Examinemos, agora, o caso concreto. 
Após a contestação por parte do ora recorrente especial (loca- 
tário), a então autora (locadora), ora recorrida, atravessou petição, 
pedindo a juntada de dois documentos. O primeiro (fls. 28/30), uma 
cópia de ação consignatória em desfavor dela, onde o consignante 
(terceiro) diz que tentava pagar condomínio referente ao imóvel, uma 
vez que o locatário lhe havia vendido o ponto comercial. O segundo 
documento (fls. 3 1/33), a contestação à consignatória. 
O juiz monocrático não deu vista ao locatário, ora recorrente 
especial, dos documentos. Em sua sentença, é certo, se referiu a eles: 
'É de ser ressaltado nesta oportunidade que o locatário transfe- 
riu o ponto comercial ao Sr. José Manoel Fernandes Soares, confor- 
me se comprova às fls. 28/30 dos autos, sem a devida autorização 
escrita do locatário (rectius: locador), infringindo o contrato exis- 
tente' etc. 
Senhor Presidente, não obstante tudo isso, tenho para mim que 
mesmo tendo a sentença se reportado à documentação da qual o 
recorrente especial não teve vista, não se tem como anular a senten- 
ça. É que na petição inicial tal fato já havia sido denunciado: 
'... tomou conhecimento, através de ação de indenização, que 
José Manoel Femandes Soares move contra o requerido e outros, 
que o mesmo vendera o seu fundo de comércio e transferira, sem a 
anuência da requerente, a locação, infringindo, inclusive, a cláusula 
38 do contrato de locação firmado'. 
Não se pode, pois, falar que a documentação tenha influído 
diretamente no decisum, pois o fato já havia sido deduzido na inicial 
e não fora arrostado na contestação"223. 
Em outro caso, tendo-se juntado aos autos documento, sem 
intimação da ré, abriu-se posteriormente vista às partes (5 dias para 
cada uma), para fins de razões finais. Embora não houvesse o de- 
mandado retirado os autos do cartório, para esse fim, entendeu o 
tribunal ter ocorrido preclusão. 
"A segunda preliminar é a de nulidade do processo, por viola- 
ção ao art. 398 do Código de Processo Civil. 
A doutrina e a jurisprudência sustentam a tese de que haverá 
nulidade da sentença se a parte contrária não foi ouvida sobre docu- 
mento juntado após a fase postulatória. 
Moacyr Amara1 Santos leciona que: 
'Uma das finalidades da audiência da parte contrária é dar-lhe 
oportunidade de conhecer o mérito do documento, em face dos fatos 
controvertidos e da relação jurídica litigiosa, propiciando-lhe oca- 
sião para oferecer prova contrária, seja documental ou de outra es- 
pécie, esta se em tempo de ser produzida' (Comentários ao Código 
de Processo Civil, vol. IV, p. 253). 
Na espécie dos autos, os documentos de fls. 50 usque 57 foram 
carreados ao processo antes da designação da audiência de