04-Aristóteles-v.1-Coleção-Os-Pensadores-1987
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mais inteligível do que o seu 
sujeito, mas também deve ser algo cuja atribuição a esse sujeito particular seja mais 
inteligível. Com efeito, quem não sabe em absoluto se esse é um atributo do sujeito 
particular, não saberá tampouco se pertence exclusivamente a ele, de modo que, 
num caso como no outro, o seu caráter como propriedade é obscuro. Assim, por 
exemplo, quem afirma que é uma propriedade do fogo o ser "o elemento primário 
em que se encontra naturalmente a alma" introduz uma questão que é menos 
inteligível do que "fogo", a saber: se a alma se encontra nele, e se aí se encontra 
primariamente; e, por conseguinte, ser "o elemento primário em que se encontra 
naturalmente a alma" não pode ser a expressão correta de uma propriedade do 
fogo. 
Para fins construtivos, ao contrário, veja-se se os termos, com que se 
expressa a propriedade são mais inteligíveis, e se o são de cada um dos modos 
mencionados acima. Porque então a propriedade terá sido corretamente expressa a 
esse respeito: pois dos argumentos construtivos corretamente formulados, alguns 
se mostrarão corretos apenas a esse respeito, enquanto outros o serão de maneira 
absoluta e sem qualificação. Assim, por exemplo, o homem que disse que a "posse 
da sensação" é uma propriedade de "animal" não só usou termos mais inteligíveis 
como também tornou a propriedade mais inteligível em cada um dos sentidos 
apontados acima; de modo que "possuir sensação" seria, a esse respeito, a 
expressão correta de uma propriedade de "animal". 
A seguir, para fins de refutação, veja-se se algum dos termos empregados na 
formulação da propriedade se usa em mais de um sentido, ou se a expressão inteira 
significa mais de uma coisa. Porque, se assim for, a propriedade não terá sido 
formulada corretamente. Assim, por exemplo, visto que a expressão "ser senciente" 
tem mais de um significado, a saber: (1) possuir sensação, e (2) fazer uso da 
sensação, "ser naturalmente senciente" não poderia ser a formulação correta de 
uma propriedade de "animal". A razão pela qual o termo usado, ou a expressão 
inteira que significa a propriedade, não deve comportar mais de um sentido é que 
uma expressão ambígua torna obscuro o objeto descrito, e o homem que procura 
argumentar fica em dúvida sobre qual dos vários sentidos possíveis corresponde à 
expressão, e isso não se pode admitir, já que o fim da formulação da propriedade é 
que possa entender-se. Além disso, os que formulam uma propriedade dessa 
maneira serão inevitavelmente refutados sempre que alguém dirigir o seu silogismo 
àquele dos vários significados do termo que não for consentâneo. 
Para fins construtivos, por outro lado, veja-se se todos os termos e também a 
expressão tomada como um todo não comportam mais de um sentido; pois, se 
assim for, a propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. Por 
exemplo: visto que "corpo" não tem vários significados, nem "o mais rápido em 
mover-se para cima no espaço", nem tampouco a expressão inteira obtida pela 
união destas duas coisas, seria correto, a este respeito, dizer que é uma propriedade 
do fogo o ser o "corpo mais rápido em mover-se para cima no espaço". 
A seguir, com propósitos destrutivos veja-se se o sujeito a que o adversário 
atribui a propriedade se usa em mais de um sentido e não se fez nenhuma distinção 
com respeito a qual desses sentidos se atribui a propriedade: pois nesse caso a 
propriedade não terá sido corretamente formulada. As razões disto são 
perfeitamente claras pelo que ficou dito acima20, já que forçosamente se chegará às 
 
20
 129 b 7. (N. de W. A. P.) 
mesmas conseqüências. Assim, por exemplo, visto que "o conhecimento disto" 
significa muitas coisas \u2014 a saber, (1) a posse de conhecimento pela coisa em 
apreço, (2) o uso de seu conhecimento por ela, (3) a existência de conhecimento a 
seu respeito, (4) o uso do conhecimento a seu respeito \u2014, nenhuma propriedade 
do "conhecimento disto" seria formulada corretamente a não ser que o adversário 
declarasse a respeito de qual destes significados está formulando a propriedade. 
Para fins construtivos, devemos ver se o termo de que estamos formulando a 
propriedade não comporta vários sentidos e é uno e simples: pois então a 
propriedade terá sido corretamente formulada a esse respeito. Assim, por exemplo, 
visto que "homem" é usado num sentido só, "animal naturalmente civilizado" seria 
corretamente formulado como uma propriedade de homem. 
A seguir, a fim de rebater ou destruir uma asserção, veja-se se o mesmo 
termo foi repetido na propriedade. Pois os argumentadores muitas vezes fazem isso 
sem o perceber, tanto ao formular "propriedades" como ao estabelecer 
"definições"; mas uma propriedade em que aconteceu tal coisa não foi formulada 
corretamente, pois a repetição confunde o ouvinte, e assim inevitavelmente o 
significado se torna obscuro, além de se pensar que tais pessoas não sabem o que 
dizem. A repetição do mesmo termo sói acontecer de duas maneiras: uma delas é 
quando alguém usa repetidamente a mesma palavra, como sucederia se ele 
propusesse, como propriedade do fogo, "o corpo que é o mais rarefeito de todos 
os corpos" (pois aqui repetiu a palavra "corpo"); a segunda é quando se substituem 
palavras pelas suas definições, como aconteceria se alguém apresentasse como uma 
propriedade da terra "a substância que, por sua natureza, é de todos os corpos 
aquele que mais facilmente é levado para baixo no espaço", e depois substituísse a 
palavra "corpos" por "substâncias de tal e tal espécie": porquanto "corpo" e "uma 
substância de tal e tal espécie" significam uma só e a mesma coisa. Assim, o nosso 
homem teria repetido a palavra "substância" e, por conseguinte, nenhuma das 
propriedades seria corretamente formulada. Para fins construtivos, ao contrário, é 
preciso evitar sempre a repetição do mesmo termo, pois então a propriedade terá 
sido corretamente formulada a esse respeito. Assim, por exemplo, como quem 
propôs "animal capaz de receber conhecimento" como uma propriedade do 
homem evitou repetir várias vezes o mesmo termo, a esse respeito a propriedade 
terá sido corretamente formulada. 
Depois disso, para fins de refutação, veja-se se o adversário incluiu na 
enunciação da propriedade algum termo que seja um atributo essencial. Porque um 
termo que não distingue o seu sujeito de outras coisas é inútil, e distinguir é ofício 
próprio da linguagem das "propriedades", como também o é da linguagem das 
"definições". No caso em apreço, portanto, a propriedade não terá sido 
corretamente formulada. Por exemplo, quem diz que é uma propriedade do 
conhecimento o ser uma "concepção incontrovertível por via de argumentação, 
devido à sua unidade", usa na enunciação da propriedade um termo dessa espécie, a 
saber: "unidade", que é um atributo universal; e por isso mesmo a propriedade do 
conhecimento não pode ter sido corretamente formulada. Para fins construtivos, 
pelo contrário, trate-se de evitar qualquer termo que seja comum a tudo e de usar 
um termo que distinga o sujeito de alguma coisa: pois nesse caso a propriedade terá 
sido, a esse respeito, corretamente formulada. Assim, por exemplo, como quem diz 
que é uma propriedade da "criatura vivente" o "possuir uma alma" não usa nenhum 
termo que seja comum a todas as coisas, é, a esse respeito, correto formular a 
"posse de uma alma" como sendo uma propriedade da "criatura vivente". 
A seguir, a fim de refutar ou demolir uma opinião, veja-se se ele propõe mais 
de uma propriedade da mesma coisa sem advertência prévia de que o está fazendo; 
pois nesse caso a propriedade não terá sido corretamente formulada. Com efeito, 
assim como no