Nguyen Quoc Ding, Patrick Daillier e Alain Pellet - Direito Internacional Público
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tanto exaure se. e a sua unidade c tortemente ameaçada pelas disparidades cada voz mais 
evidentes entre o s Estados do Terceiro Mundo: enquanto a África se afunda no subdesen- 
volvimento. a A nkricu Latina conhece uma renovarão dem ocrática sem q je as suas difi­
culdades económ icis sejam resolvidas, ao passo que o desenvolvimento da Ásia ou. pelo 
menos de cettos Estados asiáticos, c uma realidade tangível.
33. E sforços de lr.stitucionaUz.ação I Organização inii nun umul c uipt'rrMutulimo 
A ideia de organizar politicamente a sociedade internacional nasceu como reacção a 
anarquia que resulta dos conflitos internacionais c a insuficiência da doutrina do equilíbrio 
Tem por ambição iitcgrar num sistema unitário todos os Estados do inundu. sistema que 
compreenda um certo número <le instituições capa/cs dc prevenir e resolver os conflitos de 
interesses entre os vcus inembro.%. à imagem das estrutures da sociedade estatal
Para que haja, realm ente, superação do intcrcstatalism o. c necessária, pelo menos. 
uma organizaçào política ccntrali/ada que disponha dc m eios dc coacçâo ou dc persuasão 
sobre os Estados e dc um poder dc coordenação das instituições técnicas c regionais
Dc tacto . todi*. os esforços realizados ate ao momento nào permitiraai uma aptoxi 
mação sensível a este esquema teórico. Todas as escolhas decisivas marcam a vontade dos 
Estados em manter o sistem a interestatal. É certo que se criaram numerosas organizações, 
mas a sua própria multiplicidade traduz a preocupação de as colocar numa posição de 
inferioridade em rebçao às grandes potências. A dispersão das responsabilidades, a sobre­
posição dos donnnos de acção das organizações torna mais difícil a sua courdcnaçâo c 
justifica u recuou e ri reconhcccr-lhcs um puder de decisão autoritário, lislii utitude nega­
tiva por parte dos Estados tem cxcepçoes. designadamente ao nível regionil. cm que us 
solidanedadcs sflo n a is visíveis
Contudo, apesar de recuos temporários, a tendência geral e para uma coerência c uma 
eficácia acrescidas das organizações internacionais As crises e as tensões da sociedadc 
internacional, ao demonstrarem as insuficiências d» coopcreçào intcicstatol. obrigatn a icfor- 
çar a rede das organi/açikrs c a confiar-lhes a solução de problemas cada ve/ mai* agudos
2 \u201c Antes da Scgutula Guerra Mundial - O s apelos a lavor dc uma organização 
estiuturada das relações internacionais mantiveram-se durante muito tempo no domínio da 
doutrina ou da propaganda O tnuufo do intcrestatismo parecia, aos hom eis dc Estado, 
incompatível com qja lqucr sacrifício da soberania Por isso as primeiras m ciativas visa­
ram. simplesmente, iw lhorar os processovtradicionais dc cooperação.
62 INTtOOUÇAO GERAI
A» grandes voze» <U «dissidência» <1- Cavaré) sào inicialmente as dc William Peitn e do abade 
dc Samt-Pierrc. com <» seu* projcitm dc -paz perpétua-, depoi* u dos filósofos, Kant. Bentham. 
tinalmcnte a dc Saint-Simon que da a nua obra um título que é um programa !)t la réorgmtisatian de 
Ia uKiêté tutttpérme nu de la nérnsité et des movem de rouenMer le.% p*uplr% d< I Lurope en ttn 
trul corpf poiin^ue en coruerWHI \u201c chaeuu stm mdtpen.hnue Ao longo do scculo XIX. a opinião 
publico será chairuda a pronunciar sc a favor da pa/ universal pclav tendências pclíticax mais divrrvav 
imiia-se possível organiza/. rcgulaiinentc. congressos uitcmariooms destinados 1 provar a força desta 
concntc dc opinião.
Os governes nBo sc deixam convencer senão com grande* reocénctas. quando os progressos 
itaiiMH! «\u25a0 3 intcMkpcndência econômica (ornam i-vidrni,-. «* von«a£«nr. do n n t ccrtn conccrlaçSo 
In ternationa l São. enffo. criados embriões de «serviço* públicos inteniaciona*». dotados dc uma 
c*inituni rudimentar.a paitir da segunda metade do século XIX: duas amtissfiet figvia ü irilcmactotuis. 
a do Reno c a Jo Danúbio, catorze uni fie \ adminhlrativni. com competências estritamente técnicas, 
são enadas iinto do primeiro conflito mundial As tentativa* mais ambiciosas, mrsmo ao nível regio­
nal. não têm futuro: a Conferência .te Washington de 1889 v i dá origem a um «exritóno comercial»: 
a IJnilo pan americana. criada cm l\u2018>|0. nfto passa dc uma unito administnitiva
O choque da Pnmcira Guerra Mundial permite encarar uma verdadeira rcvoluçúo 
através da construção dc um poder internacional dc direito superior aos Estados: a Socte 
dade dns Nações (SjdJM.) é criada pela Conferência de P a/ dc Versalhes cm 28 de Abril dc 
I\u2018)I9 . com o objectivo de manter, em tempo de p a /. a solidariedade dos povos dem ocrá­
ticos e impedir ama nova -guerra civil internacional» (G. Scelle). A S^I.N. é . com efeito, 
a primciru organização com vocação universal - em 1938 conta com cinqucnla e quatro 
listados membros cuja função é simultaneamente política e técnica
A tfmlo político, esta organização tem com o objectivo essencial a manutenção da paz. 
Com o nào lhe foram atribuídos |>odcrcs suficientes para sancionar a agressão. a S.d.N. s<\ 
pode contar c o n as virtudes da democracia internacional. designadamente a discussão 
pública entre dirgen tes responsáveis Todavia, a saída dos F.stados autoritários (Alemanha. 
Japfio) e a ausência de certas grandes potências (Bstados Unidos. URSS antes de 1934 c 
depois de 1939) fa/cm com que perca uma grande parte da sua cretlibilidadc e acentuam a sua dim ensão europeia.
A título técnico, a S.d.N e a pnm eira tentativa de «federalismo» administrativo: ela
favorecer c reagrupamentn e a coordenação do conjunto das uniões administrativas 
pirexistentes. Sd muito imperfeitamente o conseguirá.
O mesmo período conhece uma experiência mais convincente de irstitucionalizaçáo 
JunÃdicH»nal - com a criação do Tribunnl Permanente dc Justiça Internacional 
< .1 J .I .) - e da função social confiada à O rganização Internacional do Trabalho (O.I.T.). 
criada ao abrigo Ja parte XIII do T iatado de Versalhes.
3. Depths de /W 5 . As esperanças c as iniciativas do período entre as duas guerras
a > aram . po is. ;m parte c. na verdade, não conseguiram substituir o si»tema interestatal
por um novo sistema. C om a experiência do fracasso, os governos ficaram convencidos de
oronn' l*?011.\u201d ca P** cx\u20188*a a correcçío dos erros cometidos por jm aumento de
rgani/açao internacional. uma dem ocratização acrescida, e nào pelo abandono da fórmulac pelo regresso ao interestatismo clássico
£ * * * . rfc \u201cm&quot; rcncxâo sobre as causas do segundo conflito mund al. a nova tenta- 
fmr |*uer' s< uni' crsaI \u2022 pnvilegia a dim ensão polftica e faz questão em con-
realism o \u2022 ^ dcc,sSo c dc acÇão instituiçòes criadas. A preocupação dc»c cia leva os governos vencedores a reconhecerem uma posição privile-
HISTÓRIA DO DIREITO INTERNACIONAL 63
giada às grandes potências c n admitirem a interdependência dos problemas econômicos, 
técnicos c da manutenção da paz.
A guerra fria c ; descolonização enfraquecerão a coerência do sistema projcctado e 
obrigarão a orientá-lo num sentido imprevisto: a questão da «democratização» das estru­
turas institucionais c i do desenvolvimento econômico virão a ter uma importância enes* 
ccntc Mas estes fenômenos também favorecerão o estabelecim ento dc organizações regio­
nais que. sob muitos aspectos, parecerão traduzir, melhor do que a organização universal,
o desenvolvimento das solidariedade* transnacionais.
Seja com o for. «Mias organizações pcrnionccem o sím bolo c uma prime iu muuciiu dc 
encarar uma comum<la<ic política institucionalizada. Agora que a quase uvalidade dos 
Estados são membros da O.N.U. c . aí. se podem exprim ir num pé de igualdade, os cento e 
setenta e nove Estados representados na Assembléia G eral podem exprim ir a «vontade 
geral» dos povos [ m esforço de racionalização pennite um a repartição dc tarrfas técnicas 
e culturais no seio do -sistem a das Nações Unidas», que reúne as instituições
Liliana
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livro 3 D
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Iliane
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incompleto
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