Nguyen Quoc Ding, Patrick Daillier e Alain Pellet - Direito Internacional Público
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de direito internacional - nuitucionaU contribuem pani aproximar este do direito interne: 0 juiz nflo é 
desconhecido e í instituída a itistiça obrigatória em certos quadro* regionais; numeroci* orgnniznçõc* 
interoaciotuii* receberam um poder de sançAes contra os seus membro* e utilizam-no ctectivamentr 
(ninda que. em geral, con prudência): etc
Mais geralmente, c evídeute que. se n sociedade internacional pratica relativanvnte pouco a 
«sanção-repressAn». conu qualquer sociedade conhece a sanção difundida no corpo sotial. que con 
siytc na reprovução ou condenação pelos pare* oti pelu opinião pública, cuja eficácia eslí longe dc ser 
preteri vet
3.\u201c Mas há mais. Podemos com efeito interrogar-nos sobre a pertinência tio problema 
da sançào para resolver o da existência do direito internacional.
A aplicação da sinçào ó a condição da eficácia do direito e não da sua existência 
Alguns ramos do dirciio interno, e antes dc mais o direito constitucional, sâo. a maior parte 
das vezes, desprovido* de sanções quando ninguém mesmo contesta o seu caricter verda­
deiramente jurídico. S-iccde o mesmo com o direito das gentes Contrariamente ao que se 
afirma por vezes, não r a sanção-repressão que c a marca do direito, mas o scutinienta tia 
pbrigaçfla que têm os destinatários das regras, independentemente de qualquer ju ízo dc 
valor sobre o acu fundnmcnio.
Esta análise c Ireqicntcmente recusada - nomeadamente por Kelsen que opina que não cxi*tc 
direito sem coacçflo orgaii/ada. Partindo deste postulado, ma» cv idenremente desejoso c t estabelecei 
a exivtíncta do direito internacional, o chefr da liseol* dc Viena c levado a multiplicar a. absiricçôe* 
para chegar aos seu» fins: vendo o mundo de normas o mundo do que -deve ser» (Strilcit) (por oposição 
ao que «é*. M l) basto que a regra dc direito prescreva que a sun violação deve ser sancionada paro 
que seja «jurídtca-
Quanto \u25a0 Georges Scelle. lendo enunciado o principio do montvmo inlcrsocia! e dt unidade do 
direito, procede 00 vemicb inverso c. partindo da hip&eve de que as u ís funçóex saciai* esseneisi» a 
lodo a sociedade política - as de criação do direito, de jurisdição e de execução - existem a todo» o» 
níveis da hierarquia social, conclui que devemos, ntttssariamrntr. encontra Io» na sociedade interna­
cional - devendo contude constatar que e*tüo aí assegurada* <íe mnneira imperfeita
84 IN-! KOÜUÇÃO (jtKAL
5 2 \u201c - R M a (/>KS BNTKR AS OKDfcNS J( K ID ICAS IN T U tN A l XJNAI. fc INTERNA
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46. Posição d » probfem a - A i relações entre os dois sistemas ju'ídici>s podem ser enca­
radas »ob u ângulo material, a propósito da repartição das matérias entre as duas ordens 
jurídicas (ver a noção dc «dom ínio reservado», infra, n.\u201c 285 e ss.).
Sc prelcrentcmemc a» encararmos numa perspectiva form al.as dilerenças evidentes 
nos pnKBMK. de elaboração e de aplicação das normas internacionais, por um lado. das 
normas internas pelo outn». levam a iuterrogarmo-nos sobre a existência dc uma eventual 
hierarquia entre estas norm as, sobre a possibilidade dc uma auloridadc dependente dc outra 
ordem juriJica ou sobre a sua obrigação de a aplicar É esta abordagem - formal» que deve 
ser privilegiada aqui na medida cm que as soluções aduzidas tem uma incidência directa 
sobre o redime das fonto. do direito internacional (tratados, costumes), sobre as moda­
lidades do processo contencioso internacional, sobre o regime da responsabilidade interna­
c ional. Iodas elas questões fundamentais de um ponto dc vista teórico.
Através das respostas dadas pela doutrina a estes problemas, desenha-sc o sentido dc 
uma evolução progressiva para um direito dc subordinação, a lavor de uma certa hicrai 
qui/açüo do direito internacional c dos direitos nacionais, mas também para uma ordem 
jurídica nuus institucionalizada mais «.snneionudn-
C) paru.loxo é que as imperfeições aciiuis do dueitü inicraatsoiud levam a duvidar da sua <(uaii 
dade de nnkm jurídica, mas que subindo que estas imperfeições venliam a ik-saparcccr tompleiii- 
mente - já nl»> «e deveria falar de um direito intemaCHinal cspeciruo e disiioin dos direilus internos, 
já nio cxixtma senio um direito «mundial», direito intento de uma comunidade internacional e perfei­
tamente integrada
Podem » aderir a estas duas proposições aparentemente antinômieas í considerar com Lauter- 
pacht. que «3esde que estas imperfeições sej«m consideradas como permanentes, o direito internacio­
nal desaparece completamente do honzonte do direuo>. sc se aceitar a fórmula acima citada dc Anzi 
lotü (supru. d \u2022 38).
Na situação aclual. u subordinação das ordens jurídicas nacionais no direito interna­
cional não só nào pode deixar de ser imperfeita, mas permanece coalestada no seu princí-
r t ü K I A D O D IR E IT O I.V ÍbM N A CIO N A I. 85
ptu por todos aqicles que recusam o sentido de tal evolução. N ão é entáo surpreendente 
que ;is posições dv irjam sobre este pomo em relação directa com as posições contrastadas 
dos autores sobre a natureza e o fundamento do direito internacional
Com efeito, t doutrina que tecusa admitir a unidade das diversas ordens jurídicas em 
presença poderá azer prova dc uma grande indiferença ao problema d i hierarquia das 
normas internas e internacionais, recusando a existência do problema c a utilidade da ques 
tão. Inversamente o sucesso da abordagem monista esteve ligado & preocupação de asvr 
gurai o primado do direito internacional, solução que náo podia ser defendida scnào pres­
supondo a uuidaik* fundamental das diversas ordens jurídicas.
A - Unidade ou diudtdude dat ordens jurídicas
47. Nlonivmo e dualism o \u25a0 Para alguns, o djreito internacional é da mesiiu natureza que o 
direito interno: só existe entre eles uma diferença de grau indiscutível, tâo evidentes são as 
imperfeições técnicas do direito internacional em relação aos direitos dos Estados. O mundo 
jurídico é forçosamente unitário porque o direito é uiio. u n u dupla definirão de direito c 
inconcebível ()s putkfcbios desta tese são qualificados tradii tonalmente dc monistas
Liliana
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livro 3 D
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Iliane
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incompleto
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