Nguyen Quoc Ding, Patrick Daillier e Alain Pellet - Direito Internacional Público
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A transformação da norma social cm norma jundica realio-se quando a massa dos indivíduos 
que compõem o corpo «ocial tem ctmsctínem de que ela <* de tal modo importante para a vida social, 
dc tnl modo essencial para a defesa da *olidapedade social, que a intervenção da coocção para 
sancionar a sua violaçü» se toma socialmente necessária; nasceu o direito. A esse dirtito que deriva
TH O RIA D O O IREITO IVO-IRN A CIO N AI 9 5
96 INTKODUÇAO CEXAt.
dirccumcnic d*» necessidades - m i lmi». Duguit chama dimio oà/nrnn po que c obrigatório pura iodo> 
c »e lorms utdtitrnáenirintiiit da vontade estauü.
A fim de icspondcr d cena.» critica». Duguit introduzirá na su i explicação a noçio de juíllça , 
O direito usccra quando a sanção «reialmcnte or^am/ada da violação dc unia norma social se revelar 
à massa das codwténcia» individuais não só necessária. nuu também ju«ta. Trata-»c. bem entendido 
no seu peisaracnto e no» »cus escritos. nio dc unia justiça dc curitcfck» inuUvcl. mas dc uma justiça 
objectiva. .uja» manifcstaçócs variam no tempo c no espaço
Passando ao direito inteniac HHial. Duguit aplica o mesmo processo «formação da notma jurídica 
intersocial baseada nas necessidade» intetsociai»
Parece difkil acusar a leona sociológica dc ler confundi» t> fario <\u2022 u .««n» x> <Wnvu 
direitamente a nornia do facto. Bem intercalou a teona um juízo dc valor erirr o» doi». Por outro lado. o 
pnKcsso «constituído por Duguit. que alguns consideram obscuro, na» i diferauc do processo dc 
ítvmaçào npuniàneada rcgni consuciudinária positiva que. hoje. só os positivista» voluntária» rejeiiam 
(v. infra, n * 210i. Todavia, no desejo de eliminar qualquer intervenção estatal. reconheceu ao» indivíduo» 
um popel excessivo c exclusivo, o que náo deixa de comportar riscos e crcitradiçòes tanto com o »cu 
wKiologisrao coino com o lugar e o papel dos Estados nu ordem internacional positiva.
Adoptando o raciocínio dc Duguit. Gcorges Scellc acentua-o ao sustentur que o res­
peito pela solidariedade vocial. com o fundamento do direito, c un u necessidade biológica, * 
pois m ngicni pode compromete -la sem prejudicar a vida da socicdtde e a sua própria vida 
Assim , define o direito, direito interno ou direilo internacional, com o «um imperativo 
social que traduz uma necessidade nascida da solidariedade natural» . Ao %eu determinismo 
biológico falta totalmente um idcui? C om o Duguit. ele nunca afaslou das nuas reflexões a 
justiça e a moral. Coloca, tão-só. o respeito por estes valores cnlrc as restantes necessida­
des sociais.
Em 1948. Gcorgcs Scclle escreve
«Donde vim a» regras do direito? Do próprio facto social c da conjugação da ética c do poder 
produtos da solidariedade social \u2022 [Mtuiurl Ur dnni utlernaiunutl/mNu. D:mial Monkhrcsticn. p 6)
Ao introduzir o elem ento «poder», a sua tese surge com o mai» «realista» do que a de 
Duguit. Para deixar bem claro que nào se tom ou, por isso. nem «estatista». nem «volun- 
tarista». G íorges Scclle insiste particularm ente numa outra dualidade, direito objectivo c 
direito positivo, que liga estreitamente à distinção entre fontes materiais e fontes formais 
do direito.
Só as fontes materiais sào fontes criadoras de direito. As fortes formais são apenas 
pio icssos de «captação» das lontes materiais. Por conseguinte, se é por meio das fontes 
formais, as quais podem com ponar a intervenção do puder, que sào «formuladas» as normas 
do direito pofcitivo. a obrigatoriedade deste nào se baseia no facto de provir dessas fontes 
tormais. mas nu conformidade com o direito objectivo (logo. com b s necessidades sociais) 
que constitui as suas fontes malenais Isso não impede que se suponha ã partida tal 
conformidade (hipótese do bem legislado). Sc esta não se verificar, x a norma positiva for 
«antijurídica». enquanto contrária ao direito objectivo. poderá provocar revoluções legítimas
Por st só. a legitimação da rebelião contra a regra «antijurídica» (ele evita a expressão 
«regra injio ta». cara aos autores jusnaturalistas) basta para confirmar o aspecto idealista da 
teoria de Gcorgcs Scclle Sujeita-o também às severas críticas de todos aqueles que. 
mesmo enite os idealistas puros, preferem a segurança e a submissão à desordem
Numa perspectiva realista, que no entanto ele reivindica, i d ifkil aderu plenamente às 
teses de G . Scelle: a sua recusa do conceito dc soberania está em contradição com a obser­
TEORIA DO DIREITO INTERNACIONAL
vação d* v,da uitcnaeionaJ e . portanto. o seu sistema surge com o uma cooslrjçâo intelectual, 
sedutora, premonitória sobre certos pontos (penetração do indivíduo na eslera du direito 
internacional). ma» afastada das realidades que pretende descrever Da resulta que .. 
ifcordagcm sociológica lem o grande mérito dc evitar fazer du direito um sistema fechado c 
jp|uandc>-o no seu contexto social, permite compreender m elhor«» meios e os fins
57. C ontribu ição nu trx ista - O s «pais fundadores» do m arxism o nik> te interessaram 
pelo direito internacional. A doutrina posterior, mesmo a ortodoxa, pôde dispor de uma 
fcdiu liberdade dc intctytctuváo dentro do esquema tom ecido por Lenine
i Os postulado» dc base s&o bastante ambíguos para autorizar várias abordagens
O direito intemaciofial. enquiuito elem ento da superestrutura sociaJ. está certamente 
dependente da estnitura econômica da sociedade in tem acio iu I.de acordo ccm uma das leis 
gerais do desenvolvimento das sociedades humanas segundo o mutenalismo histórico 
Mas isso não significa que o direito internacional se ja .cm todas as suas componentes, um 
simples reflexo das relações econômicas, do sistema econôm ico m undial. O nso an tc insis­
tem numa ou noutia proposição. os autores marxistas chegam a duas conclusões untuio 
micas. Para uns nâo existe direito internacional geral, pois u sociedade enrontni-sc divi 
dida entre duas concepções sócio-econômicas opostas: dois grupos dc princípios e de 
normas internacionais coexistem a título transitório. Segundo a tendência hoje dominante 
a existência ilc um direito internacional geral é incontestável e assenta num fundamento 
O b jc c tiv o . uma «lei social» de acordo com os ensinamentos do materialisino histórico: o 
crescimento das forças produtivas c os progressos da divisão internacional do trabalho 
f a v o r e c e r a m a multiplicação das relações c dos laços entre «*s Estados. a ponto de se ter 
Cornado possível c rccessária a sua regulamentação mediante normas jurídicas 
> Admitindo issu. com o sc efectiva a influência da estrutura econômica sobio u super 
estrutura, no caso sujeito sobre o desenvolvimento do direito internacional? Tambom aqui 
as respostas divergem. Uma parte da doutrina marxista, considerando a sociedade interna­
cional tom o um conjunto especifico, estabelece uma relação directa e principal entre as 
l i ç õ e s econômicas internacionais e o direito intemaciorui; Outros au to ro . Tunkin. poi 
exemplo, para queir a sociedade internacional parece não ser mais do que « coexistência 
dc dois sistemas econômicos dominantes, consideram que são os sistemas nacionais e as 
(CSpcctivas superestruturas que exercem ainda a influência determinante.
Na realidade. por muito tem po preocupada exclusivam ente com os interesse» da 
U.R.S.S.. a doutrina marxista dummuntc udcrc a tcscs m uno próximas do voluntarismo 
mais clássico (v. utpru. n.&quot; 37 c 52) c é bastante paradoxal que autores proclamando-se 
marxistas cheguem i aderir a teorias tão afastadas das realidades concretas
Mais fiéis à metodologia marxista, outros autores aplicam o raciocínio dialético a* 
realidades intem aciaiais e vêem nas regras de direito internacional a solução encontrada 
num dado momento para as contradições que marcam a sociedade internacional <cf. cm 
especial, os debates dos -encontios de Kcims- sobre as -realidades d<i direito internacio­
nal contemporâneo»
Liliana
Liliana fez um comentário
livro 3 D
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Iliane
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incompleto
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