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Apostila de Direito Constitucional (resumão)

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a CF adotou a unicidade, conforme o art. 8º, 
II. 
Direito de greve: 
A Constituição assegurou o direito de greve, por si própria (art. 9º); não o 
subordinou a eventual previsão em lei; greve é o exercício de um poder de fato 
dos trabalhadores com o fim de realizar uma abstenção coletiva do trabalho 
subordinado. 
*Greve, Lei 7783/89. Vide art.37,VII da CF. 
Direito de substituição processual: 
 
 
Consiste no poder que a Constituição conferiu aos sindicatos de ingressar em 
juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria. 
(art.8º, III) 
Direito de participação laboral: 
É direito coletivo de natureza social (art. 10), segundo o qual é assegurada a 
participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos 
públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto 
de discussão. 
Direito de representação na empresa: 
Está consubstanciado na art. 11, segundo o qual, nas empresas de mais de 
200 empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a 
finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os 
empregadores. 
ANALISE: 
 
1-Os sindicatos têm legitimidade para atuar na defesa dos direitos coletivos 
dos integrantes da categoria por eles representada, mas não na defesa dos 
direitos subjetivos individuais destes. 
2-Na condição de direitos fundamentais, os direitos sociais são autoaplicáveis 
e suscetíveis de defesa mediante ajuizamento de mandado de injunção sempre 
que a omissão do poder público inviabilize seu exercício. 
III - DIREITO DE NACIONALIDADE 
Conceito de Nacionalidade: 
Segundo Pontes de Miranda, nacionalidade é o vínculo jurídico-político de 
Direito Público interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da 
dimensão pessoal do Estado; no Direito Constitucional vigente, os termos 
nacionalidade e cidadania, ou nacional e cidadão, têm sentido distinto; 
 
 
nacional é o brasileiro nato ou naturalizado; cidadão qualifica o nacional no 
gozo dos direitos políticos e os participantes da vida do Estado. 
Nacionalidade primária e nacionalidade secundária: 
 A primária resulta de fato natural – o nascimento; 
 A secundária é a que se adquire por fato voluntário, depois do 
nascimento. 
Modos de aquisição de nacionalidade: 
Nacionalidade primária: 
 Critério de sangue (JUS SANGUINIS) se confere a nacionalidade em 
função do vínculo de sangue reputando-se os nacionais ou dependentes 
de nacionais; 
 O critério de origem territorial (JUS SOLIS), pelo qual se atribui a 
nacionalidade a quem nasce no território do Estado de que se trata. 
Nacionalidade secundária: 
Depende da vontade: 
 Do indivíduo; 
 Do Estado (ato discricionário). 
O polipátrida e os ―heimatlos (apátridas)‖. 
Idealmente, para evitar conflitos jurídicos, cada pessoa deveria ter apenas uma 
nacionalidade, sendo, portanto súdito de apenas um Estado. Na prática, 
porém, podem ocorrer (e frequentemente ocorrem) casos de indivíduos com 
mais de uma nacionalidade ("polipatrida") Tais casos surgem quando há uma 
concorrência positiva dos critérios de ius sanguinis e ius soli. Um exemplo 
hipotético é o nascimento, no Brasil (a lei brasileira adota o critério do ius soli 
como regra geral) do filho de um casal de italianos (a Itália adota o ius 
sanguinis); o filho será brasileiro, porque nasceu no Brasil, e ao mesmo tempo 
italiano, porque descende de pais italianos. Outro exemplo: o nascimento, no 
 
 
Brasil, de um filho de pai italiano e mãe alemã; o filho será brasileiro (ius soli), 
italiano e alemão (ius sanguinis). Convém esclarecer que os exemplos acima 
são hipotéticos e que outras regras, estabelecidas por cada um daqueles 
Estados, podem aplicar-se aos casos. 
O outro extremo é a apátrida: a concorrência negativa dos critérios de ius 
sanguinis e ius soli. Por exemplo, sejam, por hipótese, as regras atribuidoras 
de nacionalidade do Uruguai e da Itália apenas o ius soli e o ius sanguinis, 
respectivamente. O filho de uruguaios nascido em território italiano não teria 
nem a nacionalidade uruguaia (pois não nasceu no Uruguai) nem a italiana (não 
é descendente de italianos). Seria, neste caso hipotético, apátrida, ou seja, sem 
nacionalidade. A Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas, de 1954, 
representa um esforço da comunidade internacional no sentido de evitar ou 
mitigar a apátrida, ao estipular que os Estados-membros devem conferir aos 
apátridas os mesmos direitos outorgados aos estrangeiros. 
DIREITO DE NACIONALIDADE BRASILEIRA 
A Constituição Federal de 1988 adota, para a concessão da nacionalidade 
brasileira originária, critérios que mesclam aspectos de ius soli e ius sanguinis. 
Seu artigo 12 define que são brasileiros: 
I-natos: 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais 
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que 
qualquer destes esteja a serviço da República Federativa do Brasil; 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que 
sejam registrados em repartição brasileira competente(Embaixada ou 
Consulado) ou venham a residir na República Federativa Brasileira e optem, em 
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade 
brasileira. 
 
 
Por "território brasileiro", deverá entender-se 
a) espaço terrestre delimitado pelas fronteiras geográficas; 
b) mar territorial; 
c) espaço aéreo; 
d) navios e aeronaves de guerra brasileiros; 
e) embarcações comerciais brasileiras, ainda que em alto mar ou em mar 
territorial estrangeiro, 
f) aeronaves civis brasileiras, ainda que em voo sobre espaço aéreo 
internacional ou estrangeiro. 
II-naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos 
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano 
ininterrupto e idoneidade moral; (Naturalização ordinária). 
Caso o estrangeiro tenha interesse em se tornar um cidadão brasileiro deverá 
preencher os requisitos descritos no artigo 112 da Lei 6.815/80, e requerer 
esta modalidade junto ao Departamento de Polícia Federal mais próximo do 
local de residência, o qual, além de outras providências, certificará se o 
interessado sabe ler e escrever a língua portuguesa, considerada a sua 
condição. 
Nos termos do art. 115 do Estatuto dos Estrangeiros (Lei 6.815/80), aquele 
que pretender a naturalização deverá requerê-la ao Ministro da Justiça. 
De acordo com o art. 111 da Lei 6.815/80, a concessão da naturalização será 
faculdade exclusiva do Poder Executivo, e far-se-á mediante portaria do 
Ministro da Justiça. 
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República 
Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação 
 
 
penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. (Naturalização 
extraordinária ou quinzenária). 
§ 1ºAos portugueses com residência permanente no País, se houver 
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao 
brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e 
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição. 
Hipóteses taxativas de exceção à regra geral: 
• Extradição: De acordo com o art. 5º, LI, o brasileiro nato nunca será 
extraditado. Já o naturalizado poderá ser extraditado em duas situações: 
1. Crime comum praticado antes da naturalização; 
2. Tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, não importando o 
momento da prática do fato