organizacao_juridica_da_pequena_empresa_2015-2
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DisciplinaDireito Empresarial I27.103 materiais116.051 seguidores
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DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. O redirecio-
namento da execução fiscal contra os sócios da empresa executada, motivado pela 
dissolução irregular da sociedade, justifica-se apenas em relação àqueles que 
nela permaneceram até o seu encerramento. Precedentes. Recurso especial 
provido\u201d. (STJ \u2014 REsp: 1429281 SC 2014/0005531-1, Relator: Ministro 
ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 11/03/2014, T1 \u2014 PRIMEIRA 
TURMA, Data de Publicação: DJe 19/03/2014)
\u201cEXECUÇÃO FISCAL \u2014 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. \u2014 
ENCERRAMENTO IRREGULAR POSTERIOR À SAÍDA DO SÓCIO DA 
EMPRESA. \u2014 NÃO CARACTERIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE. 1. 
A despeito de constar o nome do sócio na Certidão de Dívida Ativa, o Tribunal 
local foi categórico ao afirmar que não restou demonstrado que o sócio realizou 
ato contrário à lei ou ao estatuto, mesmo porque, conforme constatado, o ato tido 
por ilegal (encerramento da empresa) ocorreu após a saída do sócio da empresa. 2. 
Não é porque o nome do sócio consta da Certidão de Dívida Ativa que resta jus-
tificado todo e qualquer redirecionamento da execução fiscal em nome dele. Exis-
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FGV DIREITO RIO 81
tem casos, como o presente, em que o Tribunal de origem afirma, categoricamente, 
que o sócio não realizou o ato ensejador da responsabilização. Agravo regimental 
improvido\u201d. (STJ \u2014 AgRg no REsp: 1123335 SC 2009/0027221-9, Relator: 
Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 18/05/2010, T2 
\u2014 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 25/05/2010)
\u201cAPELAÇÃO CÍVEL. FALÊNCIA E CONCORDATA. AÇÃO DE RES-
PONSABILIDADE DOS SÓCIOS DA FALIDA. MÁ-GESTÃO. CABI-
MENTO. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR. 
COMPROVADA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. USO DOS ATIVOS DA 
FALIDA EM BENEFÍCIO DOS SÓCIOS E DE TERCEIROS. 1. Respon-
sabilidade solidária e ilimitadamente dos sócios da empresa falida pelo 
passivo desta, quando da quebra, devido a não apresentação dos livros 
contábeis, o que caracteriza má-gestão, pois a inexistência de lançamen-
tos contábeis faz presumir o a confusão patrimonial e uso indevido dos 
ativos desta por aqueles. 2. A existência de atos praticados pelos réus que re-
sultaram nos danos noticiados na exordial estão suficientemente comprovados, na 
medida em que os demandados agiram de forma ruinosa na condução do objetivo 
social da empresa falida, frustrando a arrecadação dos bens e conseqüentemente o 
pagamento dos credores, ficando prejudicada a localização de outros bens diante 
da inexistência de escrituração contábil regular por parte daquela. 3. Portanto, é 
insofismável o dano causado à falida, pois as manobras administrativas dos sócios 
desta ocasionaram a sua derrocada econômica, visto que praticaram atos mani-
festamente irregulares, contrárias ao objetivo social da falida e à própria lei, como 
por exemplo, a não escrituração e apresentação dos livros contábeis, incluindo-se 
aqui os Livros Razão e Diário entre 2007 e 2009 e do primeiro também em 
2006, conforme atestado pela perícia contábil. 4. Assim, a melhor forma de repa-
rar o dano causado é obrigar os sócios demandados a satisfazer a integralidade do 
passivo a descoberto, resultante de seus atos, reparação esta que entendo equâni-
me, atendendo ao disposto no art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, mo-
tivo pelo qual deve ser mantida a sentença de primeiro grau. Negado provimento 
ao apelo\u201d. (TJ-RS, Apelação Cível Nº 70056463003, Quinta Câmara Cível, 
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Luiz Lopes do Canto, Julgado em 
18/12/2013)
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AULA 12 \u2014 ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL
EMENTA
Conceito. Alienação do Estabelecimento. Penhora de Estabelecimento. 
Proibição do Restabelecimento. Estabelecimento Virtual. Caso gerador.
CONCEITO
É sabido que os empresários e as sociedades empresárias, ao exercerem a 
atividade empresarial, organizam um conjunto de bens instrumentais volta-
dos à obtenção de bens destinados à satisfação de necessidades alheias, e este 
conjunto de bens instrumentais, por sua orientação teleológica, assume um 
significado técnico e econômico distinto dos bens individuais que o com-
põem. Desta forma, o art. 1.142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento 
empresarial como sendo «todo complexo de bens organizados, para o exercí-
cio da empresa, por empresário ou sociedade empresária.»
ALIENAÇÃO DO ESTABELECIMENTO
O estabelecimento, entendido como uma coisa diversa autônoma, pode 
ser objeto unitário de negócios jurídicos, como de alienação, arrendamento, 
ou usufruto. Assim, o Código Civil estabelece normas que regulam estes ne-
gócios que podem ter por objeto o estabelecimento, uma vez que a alienação 
do estabelecimento acaba, muitas vezes, por retirar a garantia dos credores 
do alienante, cujo crédito surgiu em razão do estabelecimento. Nesse mesmo 
sentido, o Código Civil tutela o próprio alienante do estabelecimento, pois a 
garantia do pagamento de seu crédito, muitas vezes, resulta do próprio esta-
belecimento alienado, o qual pode ser facilmente alienado pelo adquirente. 
Por outro lado, o adquirente muitas vezes assume o passivo do estabelecimen-
to cujo alcance dificilmente pode avaliar, e que freqüentemente resulta em 
valor superior àquele registrado na escrituração.
Para que o negócio de alienação, usufruto ou arrendamento do estabeleci-
mento seja eficaz em relação a terceiros, o art. 1.144 do Código estabelece a 
necessidade de averbação da alienação na inscrição do empresário e da publica-
ção de aviso da alienação na imprensa oficial. Será a contar da data da aliena-
ção, vincada pela publicidade efetivamente realizada, que o negócio que recaiu 
sobre o estabelecimento será eficaz perante terceiros e, portanto, iniciar-se-á a 
contagem do prazo prescricional mencionado nos arts. 1.146,1.147 e 1.148.126
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FGV DIREITO RIO 83
Caso ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, 
dispõe o art. 1.145 do Código a eficácia da alienação do estabelecimento 
ficará a depender do pagamento de todos os credores ou de seu consenti-
mento, que se dará de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de 
sua notificação. Caso haja o pagamento de todos os credores do alienante do 
estabelecimento, todas as suas obrigações estarão solvidas, de forma que não 
existiriam mais credores interessados em declarar a ineficácia do ato de alie-
nação do estabelecimento. Bastaria ao Código mencionar que a eficácia da 
alienação, caso haja credores do estabelecimento, depende do consentimento 
destes. A forma do consentimento será expressa ou tácita. Nesta última hi-
pótese, haverá consentimento tácito se os credores não se manifestarem em 
trinta dias da notificação da alienação.
PENHORA DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL
Conquanto pareça ser de clara intelecção a noção de penhora de univer-
salidade, na realidade prática encontrada nos foros há séria dificuldade em 
afirmar-se claramente em que consiste a penhora sobre estabelecimento, por 
conta da própria dificuldade que há em traçar-se uma clara linha divisória 
entre os bens integrantes do estabelecimento e o próprio estabelecimento 
enquanto bem. Para caracterizar-se penhora de estabelecimento, deve restar 
claro que o bem penhorado foi a universalidade, e não os esparsos bens que 
podem, eventualmente, contribuir para a formação desta universalidade.
Ademais, frequentemente apresenta-se o problema de que um único bem 
apenas assume um papel decisivo para a universalidade, de modo que a sua 
alienação ou constrição acaba sendo disciplinada como se alienação ou cons-
trição de universalidade fosse.
A penhora de imóvel onde se encontra a sede da empresa, foi autorizada 
pela Súmula 451 do Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência tende 
a afirmar que, quanto maior for a importância do bem penhorado para a 
empresa,