organizacao_juridica_da_pequena_empresa_2015-2
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em caso de remissão, isto é, não 
integralização de suas quotas no prazo avençado e na hipótese de incapacida-
de superveniente, como previsto no artigo 1.030 do Código Civil.
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FGV DIREITO RIO 112
LEITURA COMPLEMENTAR
ADAMEK, Marcelo Vieira von. Anotações sobre a exclusão de sócios por 
falta grave no regime do código civil. Revista de Direito Mercantil-158. p. 
111-134.
GUIMARÃES, Leonardo. Exclusão de sócio em sociedades limitadas no 
novo código civil. Revista de Direito Mercantil-129. p. 108-120.
Legislação
Código Civil
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode 
o sócio ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais 
sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por 
incapacidade superveniente.
Parágrafo único. Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado 
falido, ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único 
do art. 1.026.
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a um sócio, o 
valor da sua quota, considerada pelo montante efetivamente realizado, liquidar-
-se-á, salvo disposição contratual em contrário, com base na situação patrimonial 
da sociedade, à data da resolução, verificada em balanço especialmente levantado.
§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os demais 
sócios suprirem o valor da quota.
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa dias, 
a partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação contratual em contrário. 
(Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus her-
deiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após 
averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores 
e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação.
Art. 1.058. Não integralizada a quota de sócio remisso, os outros sócios po-
dem, sem prejuízo do disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, tomá-la para 
si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que 
houver pago, deduzidos os juros da mora, as prestações estabelecidas no contrato 
mais as despesas.
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Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios, 
representativa de mais da metade do capital social, entender que um ou mais 
sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de ine-
gável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato 
social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa.
Parágrafo único. A exclusão somente poderá ser determinada em reunião ou 
assembléia especialmente convocada para esse fim, ciente o acusado em tempo 
hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de defesa.
Art. 1.086. Efetuado o registro da alteração contratual, aplicar-se-á o disposto 
nos arts. 1.031 e 1.032.
Enunciados CJF
I Jornada
62 \u2014 Art. 1.031: com a exclusão do sócio remisso, a forma de reembolso das 
suas quotas, em regra, deve-se dar com base em balanço especial, realizado na 
data da exclusão.
CASO GERADOR
Caso Bibi Sucos
\u201cTrata-se de ação sob o rito ordinário, com pedido de tutela antecipada, pro-
posta por André Leite Berger em face de Bili Bali Sucos Ltda. e outros, na qual 
objetiva que: a) seja garantido ao autor o livre acesso aos documentos fiscais e con-
tábeis, bem como aos seus computadores; b) seja declarada a inexistência de justa 
causa para a exclusão do autor da sociedade ré; c) sejam condenados os réus ao 
pagamento dos dividendos retidos e de indenização por danos morais e materiais; 
e d) em caso de extinção da sociedade em relação ao autor, seja realizada a apura-
ção de haveres. Informa o autor ser sócio de várias sociedades no ramo de lanches e 
sucos, dentre os quais a sociedade-ré Bili Bali Sucos Ltda. Sustenta que seus sócios, 
que aqui figuram como réus, guiados pelos réus Sérgio Couto Rodrigues e Afonso 
Guedes Ribeiro, vêm exercendo pressões ilegais para que saia da sociedade e venda 
suas cotas. Aduz que os réus inseriram cláusulas novas e ilegais no contrato social 
da sociedade ré, que afastaram o autor da administração da referida sociedade 
e que cercearam seu acesso a documentos contábeis e controles de caixa, sendo 
o autor o único a não receber dividendos há cerca de um ano e meio. Informa 
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que recebeu notificação extrajudicial ameaçando excluí-lo da sociedade ré após a 
propositura de demanda judicial, bem como que foi excluído de outra socieda-
de, também após a propositura de demanda judicial. Esclarece, ainda, que foi 
iniciada obra em outra sociedade, da qual tanto o autor como os réus são sócios, 
contribuindo o autor com os valores referentes a sua participação. Contudo, por 
não ter acesso aos documentos referentes à sociedade ré, antes de efetuar o último 
repasse, solicitou que lhe fossem apresentados os comprovantes de despesas da obra, 
o que foi negado. Sustenta que, após a negativa citada, não mais contribuiu para 
a realização da obra, momento a partir do qual suas retiradas relativas a todas 
as sociedades foram suspensas, sob o argumento de que seriam utilizadas para o 
pagamento da obra. Sustenta, ainda, que não existe concorrência desleal feita 
pela sociedade Boomerang Mix, da qual é sócio, em relação à sociedade ré e que 
os réus José Maria Couto Araújo, Mário Pereira Rodrigues e Manuel Alves Dias 
também são sócios de sociedades com objeto similar. A inicial veio instruída com 
os documentos de fls. 59?221. Em contestação apresentada às fls. 276?314, os réus 
afirmam que tentaram a retirada amigável do autor, o que foi por este recusado 
e que a sua destituição do cargo de administrador foi feita regularmente e com o 
propósito de evitar que conhecesse os ´ pontos estratégicos´ da sociedade, em virtude 
de concorrência desleal praticada. Sustentam que não houve nenhuma violação 
ao direito de fiscalizar documentos contábeis e que durante dois anos o autor não 
manifestou sua contrariedade com relação à suposta violação. Aduzem que tanto 
o autor como os réus não receberam dividendos porque não houve apuração de 
lucro no período citado, sendo esta comprovada pela contribuição dos sócios para 
a obra realizada na sociedade Louco Sabor (Bibi Sucos Barra). Informam que a 
apuração de haveres já foi realizada, tendo o valor referente às cotas do autor sido 
regularmente depositadas em conta corrente. Argúem que o pedido de reparação 
por danos morais e por danos materiais apenas irá enriquecer ilicitamente o au-
tor, pois já houve a apuração de haveres, além de sua exclusão da sociedade não 
gerar qualquer dano à honra. Sustentam, por fim, que não há prova nos autos 
referentes às alegações trazidas na inicial. A contestação veio instruída com os do-
cumentos de fls. 315?416. Em réplica, apresentada às fls. 419?434, o autor argui 
ser descabida a preliminar de perda do objeto da demanda, uma vez que os réus 
teriam lhe mantido em desconhecimento acerca da sociedade ré, bem como utili-
zaram seus dividendos a fim de custear obra em outra sociedade. Sustenta, ainda, 
que sua exclusão foi realizada sem a existência de justa causa e que discordou o 
valor apurado quando de sua exclusão, por não lhe ter sido apresentada a forma 
pela qual se chegou a tal valor. A réplica veio instruída com os documentos de fls. 
435?446. Audiência preliminar realizada conforme ata de fls. 529 na qual foi 
reiterado, pelo autor, os pedidos de realização de prova pericial juntamente com a 
utilização de prova emprestada, tendo o juízo determinado que os autos viessem 
conclusos. É O RELATÓRIO. DECIDO. Considerando que a causa