E-book STF Teses e Fundamentos separados por matéria (2014)
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E-book STF Teses e Fundamentos separados por matéria (2014)


DisciplinaIntrodução ao Direito I92.949 materiais690.137 seguidores
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não há razão para que o Supremo 
Tribunal Federal se sobreponha à valoração feita pelos agentes políticos.
Por conseguinte, foi declarada a constitucionalidade dos arts. 23, 37 a 47 e 53, 
todos da Lei 12.663/2012 (Lei Geral da Copa), que tratam, respectivamente, da res-
ponsabilidade civil da União perante a Fifa por danos em incidentes ou acidentes de 
segurança; da concessão de prêmio em dinheiro e de auxílio especial mensal para jo-
gadores das seleções brasileiras campeãs em 1958, 1962 e 1970; e da isenção de custas 
processuais concedida à Fifa perante a Justiça Federal.
ADI 4.976/DF, rel. min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7-5-2014, acórdão pu-
blicado no DJE de 30-10-2014. 
(Informativo 745, Plenário)
 Assim, em circunstâncias específicas, o Estado adotou a teoria do risco integral, como o fez no to-
cante à responsabilidade civil por danos atômicos, à responsabilidade por dano ambiental ou, ainda, 
à responsabilidade civil da União perante terceiros no caso de atentado terrorista, ato de guerra ou 
eventos correlatos, contra aeronaves de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de 
transporte aéreo, excluídas as empresas de táxi aéreo.
 \u201cArt. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da 
cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 1º 
O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de 
outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.\u201d
 \u201cArt. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, to-
mados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória 
dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:\u201d
direito constitucional - controle de constitucionalidade
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 \u201cArt. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito 
de cada um, observados: (...) IV \u2013 a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de cria-
ção nacional.\u201d
direito constitucional - controle de constitucionalidade
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Telecomunicações: Lei 9.295/1996 
Alterações legislativas posteriores à propositura de ação direta de inconsti-
tucionalidade somadas ao longo período de vigência do dispositivo impug-
nado e ao fato de este não divergir do entendimento firmado pelo Supremo 
Tribunal Federal (STF) demonstram a conveniência de serem mantidos os 
efeitos do preceito questionado.
Buscou-se com o dispositivo impugnado tão somente conferir as características 
de regime peculiar, contratual, na prestação do serviço de transporte de sinais de 
telecomunicação por satélite no momento em que lhe foi reconhecida autonomia, 
garantindo-se, com isso, a sua regularidade, continuidade, eficiência e segurança 
durante o processo de desestatização do setor de telecomunicações.
Embora o preceito em comento tenha afastado a exigência de licitação contida no 
art. 175, caput, da Constituição, mostram-se razoáveis os motivos para tanto. 
Apenas com a entrada em vigor da atual Lei Geral de Telecomunicações (Lei 
9.472/1997) \u2013 que revogou o caput do art. 8º da Lei 9.295/1996 \u2013, atribuiu-se ao ser-
viço de transporte de sinais de telecomunicações a condição de serviço autônomo, 
passível, portanto, de concessão pelo poder público. 
Além disso, a própria Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informa 
em seu sítio da internet que a exploração de satélite não é serviço de telecomunica-
ções, o que afasta a necessidade de concessão para a sua prestação. 
O dispositivo em tela não diverge da orientação firmada pelo STF no julgamento 
da ADI 1.582/DF (DJ de 6-9-2002) e da ADI 1.863/DF (DJE de 15-2-2008).
Por conseguinte, até o julgamento definitivo da ação direta de inconstitucionali-
dade, foi mantida a eficácia do § 2º do art. 8º da Lei 9.295/1996, o qual dispõe que 
\u201cas entidades que, na data de vigência desta Lei, estejam explorando o Serviço de 
Transporte de Sinais de Telecomunicações por Satélite, mediante o uso de satélites 
que ocupem posições orbitais notificadas pelo Brasil, têm assegurado o direito à con-
cessão desta exploração\u201d. 
ADI 1.491 MC/DF, rel. orig. min. Carlos Velloso, rel. p/ o ac. Ricardo Lewandowski, 
julgado em 8-5-2014, acórdão publicado no DJE de 30-10-2014. 
(Informativo 745, Plenário)
direito constitucional - controle de constitucionalidade
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ADI: chefia do Poder Executivo estadual e autorização para viagem1 
Afronta os princípios da separação dos Poderes e da simetria disposição 
de Constituição estadual que exija prévia licença da Assembleia Legisla-
tiva para que o governador e o vice-governador se ausentem do País por 
qualquer prazo.
A referência temporal contida na Constituição gaúcha não encontra parâmetro 
na Constituição Federal2, que apenas dispõe, em seus arts. 49, III, e 83, ser da 
competência do Congresso Nacional autorizar o presidente e o vice-presidente da 
República a se ausentarem do País quando a ausência for por período superior a 
quinze dias.
Por conseguinte, foi declarada a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 53 e do 
art. 81 da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul3 e 4, que dispunham sobre a 
necessidade de a Assembleia Legislativa autorizar o governador e o vice-governador 
a se afastarem do Estado por mais de quinze dias, ou do País por qualquer tempo.
ADI 775/RS, rel. min. Dias Toffoli, julgado em 3-4-2014, acórdão publicado no DJE 
de 26-5-2014. 
(Informativo 741, Plenário)
 Entendimento aplicado também na ADI 2.453/PR, Pleno, rel. min. Marco Aurélio, DJE de 2-5-2014 
(Informativo 741).
 \u201cArt. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...) III \u2013 autorizar o Presidente e o 
Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias.\u201d
 \u201cArt. 53. Compete exclusivamente à Assembleia Legislativa, além de outras atribuições previstas 
nesta Constituição: (...) IV \u2013 autorizar o Governador e o Vice-Governador a afastar-se do Estado por 
mais de quinze dias, ou do País por qualquer tempo;\u201d
 \u201cArt. 81. O Governador e o Vice-Governador não poderão, sem licença da Assembleia Legislativa, 
ausentarem-se do País, por qualquer tempo, nem do Estado, por mais de quinze dias, sob pena de 
perda do cargo.\u201d
direito constitucional - controle de constitucionalidade
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ADI: prioridade em tramitação e competência processual 
A fixação do regime de tramitação de feitos e das correspondentes priorida-
des é matéria eminentemente processual, de competência privativa da União.
A definição de regras sobre a tramitação das demandas judiciais e sua priori-
zação, na medida em que reflete parte importante da prestação da atividade 
jurisdicional pelo Estado, é matéria processual, cuja positivação foi atribuída pela 
Constituição Federal privativamente à União (art. 22, I).
Por conseguinte, foi declarada a inconstitucionalidade da Lei 7.716/2001 do 
Estado do Maranhão, que estabelecia prioridade na tramitação processual, em 
qualquer instância, para as causas que tivessem, como parte, mulher vítima de 
violência doméstica.
ADI 3.483/MA, rel. min. Dias Toffoli, julgado em 3-4-2014, acórdão publicado no 
DJE de 14-5-2014. 
(Informativo 741, Plenário)
direito constitucional - controle de constitucionalidade
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ADI: recebimento direto de inquérito policial e requisição de 
informações pelo Ministério Público 
A legislação que disciplina o inquérito policial não se inclui no âmbito es-
trito do processo penal, cuja competência privativa pertence à União (CF, 
art. 22, I), mas, sim, nos limites da competência legislativa concorrente 
(CF, art. 24, XI).
O preceito impugnado padece de vício formal de inconstitucionalidade, pois ex-
trapola a competência suplementar conferida