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Historia da comunicação humana

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especialistas 
como Vênus Esteatopígeas (SAIBA MAIS – Esteatopigia é o acúmulo excessivo de 
gordura nas nádegas). (ATIVIDADE: Seria interessante que vocês procurassem em 
livros de História da Arte ou na Internet imagens dessas estatuetas). Essas estatuetas, 
utensílios domésticos e sítios de arte rupestre, ou parietal, por representarem a 
referência mais antiga da atividade humana, de seu cotidiano, de suas crenças, 
de sua sensibilidade, são patrimônios cultural da humanidade, não apenas em 
seu valor histórico, mas também em seu valor estético. 
Esses primeiros acontecimentos datam do período denominado 
paleolítico. No final dessa era, passando pelo período mesolítico, e chegando ao 
neolítico, que significa Idade da Pedra Polida, a terra atravessou o fim da última 
era glacial, provocando mudanças profundas, tanto climáticas quanto em relação 
à fauna e à flora. A alteração climática, a escassez de alimentos e as hordas que 
chegavam à Europa e Ásia modificaram de maneira intensa o modo de viver dos 
vários grupos espalhados por várias regiões. De caçadores nômades e 
coletores, começaram a construir habitações de junco, peles de animais, 
madeira e barro e dedicar-se ao cultivo de cereais, tubérculos, frutas e 
hortaliças, à domesticação de animais e ao pastoreio, que lhes propiciava leite e 
carne, vestuário e a possibilidade de puxar objetos pesados e arar a terra. Esse 
período é historicamente designado como revolução neolítica.
Com o sedentarismo, a produção e aperfeiçoamento de artefatos e o 
desenvolvimento da agricultura e do pastoreio é natural o processo de 
acumulação de bens e, logo, a comercialização dos mesmos entre os vários 
grupos agora espalhados pela Europa, Oriente Médio, África e Ásia. Mas, vocês 
devem estar se perguntando, se esses povos estavam vivendo em regiões tão 
distintas e distantes, como eles se comunicavam na hora de comercializar seus 
produtos? Seria possível que todos falassem uma mesma e única língua? Aqui 
existe, ainda hoje, uma grande interrogação.
Como os lingüistas ou cientistas da linguagem trabalham com 
documentos, escritos e/ou falados, considera-se que não passa de mera 
especulação a defesa de um monogenismo lingüístico, ou seja, a existência de 
uma língua original comum a todos os povos, já que não existem quaisquer 
registros de como os homens pré-históricos falavam. Por outro lado, se 
ousarmos ingressar na área da narrativa mítica, única maneira que todas as 
sociedades possuem para explicar a origem da linguagem e a diversidade das 
línguas, segundo o lingüista José Luiz Fiorin [2002], descobriremos que tudo não 
passou de um castigo de Deus. 
Para Fiorin, “As línguas e a linguagem inscrevem-se num espaço real, 
num tempo histórico e são faladas por seres situados nesse espaço e nesse 
tempo. No entanto suas origens se dão num tempo mítico, num mundo 
desaparecido e os protagonistas de seu aparecimento são os heróis 
fundadores”. No caso das civilizações judaicas-cristãs encontramos seus 
protagonistas nos relatos de Moisés sobre a Criação, o Dilúvio e sobre o 
Começo das Nações e dos Idiomas, eventos citados no livro do Gênesis, o 
primeiro dos cinco livros bíblicos que compõem o Pentateuco. 
No capítulo 1 do Gênesis, que, como vocês sabem, significa Origem, 
Nascimento, lemos que no princípio de tudo a terra era sem forma e vazia e, 
nesse momento, Deus cria o mundo falando. “Deus disse: haja luz. E houve luz. 
Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas”. Por ser a 
linguagem um atributo da divindade, ao mesmo tempo em que Deus vai fazendo 
as coisas, vai também nomeando-as: “E Deus chamou à luz dia, e às trevas 
noite. E foi a tarde e a manhă, o dia primeiro”. (SAIBA MAIS - Caso vocês se 
interessem pela leitura da Bíblia, e não a tenham impressa, sugerimos dois endereços 
na rede Internet que têm a edição do Antigo e do Novo Testamento on-line. O Bíblia 
Católica Online, em www.bibliacatolica.com.br e o Bíblia Sagrada - Introdução e 
comentários - tradução protestante, em 
http://protestantes.renascebrasil.com.br/bibliaonline/)
Nos capítulos seguintes vamos entendendo a criação do primeiro homem, 
Adão, e de seus descendentes, a procedência das nações e das línguas. Tudo 
começou no sexto dia. Depois de criar os animais e os répteis, Deus disse: 
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. E o 
homem foi feito, modelado com o pó da terra e com o sopro divino, que o 
transformou numa alma vivente. Deus atribui ao homem o dom da linguagem, já 
que é ele quem nomeará todas as coisas viventes, inclusive a mulher que havia 
sido feita de sua costela: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha 
carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada”.
Expulsos do Jardim do Éden por terem comido o fruto da árvore do 
conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva foram lavrar a terra e, de seus 
descendentes, nascerão Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé, que depois do dilúvio, 
gerarão suas famílias que serão responsáveis pelo povoamento da terra, dando 
origem às nações e às línguas, finalizando o predomínio da linguagem 
primordial, a língua adâmica. 
No capítulo 11 Moisés narra que até então a terra tinha uma só língua e 
um só idioma e que os descendentes de Sem haviam se deslocado para a 
região de Sinar, no extremo sul da Mesopotâmia, nome dado pela Bíblia à 
Suméria. Ali eles começaram a edificar uma cidade e uma torre “cujo cume 
toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre 
a face de toda a terra”.
Ao ver a cidade e a torre Deus entendeu que, se os filhos do homem 
continuassem, não haveria restrições para suas pretensões. Decidiu ali mesmo 
chamar a cidade de Babel e confundir aquela linguagem até então única. Deus 
disse “Que sejam confundidos”. A partir desse instante os homens deixaram de 
se entender e, espalhando-se pelo mundo, deram origem às primeiras famílias 
lingüísticas, que foram denominadas a partir dos nomes dos três filhos de Noé. A 
família de Sem suscitou as línguas semíticas, da linhagem de Cam nasceram as 
línguas camíticas, enquanto os descendentes de Jafé fomentaram as línguas 
jaféticas. 
Precisamos lembrar que estamos aqui falando de um dos infinitos mitos 
que envolvem a história humana, ou seja, da palavra que narra a origem dos 
deuses, do mundo, dos homens, das técnicas, como o fogo e a agricultura, e da 
vida do grupo social ou da comunidade. Para a filósofa Marilena Chauí [2000: 
137-138], “pronunciados em momentos especiais – os momentos sagrados ou 
de relação com o sagrado – os mitos são mais do que uma simples narrativa; 
são a maneira pela qual, através das palavras, os seres humanos organizam a 
realidade e a interpretam. O mito tem o poder de fazer com que as coisas sejam 
tais como são ditas ou pronunciadas”.
Falamos a pouco sobre a criação das famílias lingüísticas, mas, o que 
vem a ser isso? Uma família lingüística é um grupo de línguas que derivam de 
um ancestral comum, a proto-língua, como, por exemplo, a família indo-
européia, a sino-tibetana e a afro-asiática. Hoje em dia existem centenas de 
famílias lingüísticas, sendo que os maiores grupos são os das famílias Níger-
Congo, Austronésia, Trans-Nova Guineense, Indo-européia, Sino-tibetana e Afro-
asiática, conforme dados coletados por Raymond Gordon Jr, editor do 
Ethnologue: Languages of the World2, em 2005.(SAIBA MAIS - Existem línguas que 
não possuem parentesco com nenhuma língua conhecida, como, por exemplo, a língua 
basca e a língua suméria. Essas línguas são denominadas como línguas isoladas. 
Existem também as línguas planejadas, como o esperanto, e as línguas artificiais, 
conhecidas como