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Historia da comunicação humana

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os vários tipos de sinais usados pelas diferentes polis. 
In http://victorian.fortunecity.com/vangogh/555/Spell/Gk-alph2.gif]. 
Em paralelo à evolução das formas escritas, o desenvolvimento de outras 
técnicas também foi fundamental nesse processo de emancipação. Podemos 
resumir esse longo período histórico parafraseando Ésquilo, em Prometeu 
acorrentado: os “seres indefesos chamados humanos”, agora dotados de lucidez 
e razão, aprenderam também a construir casas com tijolos endurecidos pelo sol 
e a usar a madeira, foram instruídos sobre a ciência básica da elevação e do 
crepúsculo dos astros e sobre a ciência dos números e das letras, aprenderam a 
subjugar as bestas e a atrelar os carros aos cavalos, a construir navios e a usar 
as folhas e frutos que serviriam como alimentos, remédios e bálsamos e 
adquiriram conhecimento sobre as artes divinatórias, os presságios e sobre os 
sonhos. (SAIBA MAIS – Ésquilo é um dos maiores autores trágicos da Grécia antiga e 
é considerado o fundador da tragédia. Os historiadores acreditam que ele tenha escrito 
entre 79 e 90 tragédias, das quais sobreviveram apenas sete: Os persas, Os sete 
contra Tebas, As suplicantes, Prometeu acorrentado e a trilogia que compõe a Oréstia – 
Agamêmnon, Coéforas e Eumênides.).
Descobriram também que era sua capacidade de produzir, armazenar e 
fazer circular a informação a força motriz de sua evolução e sobrevivência como 
espécie humana. 
As informações começam a circular.
Os primeiros registros de um serviço postal datam de aproximadamente 
2000 a.C., e foi utilizado primeiro pelos egípcios. Eram basicamente despachos 
governamentais levados por cavaleiros de uma região a outra. Os persas, os 
chineses e os gregos usavam o mesmo sistema e, em casos de longa distância, 
utilizavam-se de um sistema de revezamento. A cada número de quilômetros, o 
mensageiro parava em uma casa postal para trocar de cavalo ou para passar a 
correspondência a outro emissário que a levaria adiante.
Foram os romanos que desenvolveram o mais eficiente, seguro e 
duradouro serviço postal da antiguidade, o cursus publicus. Seus mensageiros 
chegavam a percorrer, por dia, 70 quilômetros a pé ou 200 quilômetros a cavalo
 Havia, ainda, um sistema de inspeção constante para prevenir seu uso 
abusivo pra propósitos privados.
Breton e Proulx defendem a idéia de que Roma, tanto na República 
quanto no Império, foi, por excelência, uma sociedade de comunicação e nela 
tudo se organizava em torno da vontade de fazer da comunicação social uma 
das figuras centrais da vida cotidiana. Tanto assim que difundiram e 
universalizaram, no tempo e no espaço, a cultura latina e foi o pragmatismo de 
sua língua que permitiu o nascimento da idéia de informação, ou seja, de um 
conhecimento que se pode elaborar, sustentar, e, sobretudo, de um 
conhecimento transmissível, notadamente por meio do ensino.
A palavra latina informatio designa, de um lado, a ação de moldar, de dar 
forma. De outro, significa, de acordo com o contexto, ensino e instrução, ou 
idéia, noção, representação. A coexistência desses dois sentidos, segundo os 
autores, indica que, ao contrário da cultura grega, a cultura romana não 
dissociava a técnica do conhecimento.
Por essa altura, o rolo de papiro já havia sido substituído pelo 
pergaminho, produto feito geralmente com peles de gado, antílopes, cabras e 
ovelhas, especialmente animais recém-nascidos, por este ser mais flexível 
possibilitando a dobra de suas folhas para a montagem de cadernos, conhecidos 
como códices ou manuscritos. Os primeiros livros foram escritos em 
pergaminho, como, por exemplo, os livros do antigo testamento, a Ilíada e a 
Odisséia e as primeiras tragédias gregas. Embora o papel tenha sido inventado 
na China, no ano 105, por Ts'ai Lun, um alto funcionário da corte do imperador 
Chien-Ch'u, da dinastia Han (206 a.C. a 202 da era cristă) contemporânea do 
reinado de Trajano em Roma, só em 1150, através dos árabes, chegou à 
Espanha, onde foi criada a primeira indústria de papel da Europa.
Ainda como códice o livro começou a ser um suporte de comunicação e, 
segundo Pierre Grimal, “Em Roma, as livrarias, como as salas de declamação, 
eram o ponto de encontro dos connaisseurs, que debatiam problemas literários: 
os jovens escutavam, os antigos clientes peroravam, em meio aos livros cujos 
rolos, cuidadosamente reproduzidos, alinhavam-se acima deles. A porta da loja 
era coberta de inscrições que anunciavam as obras à venda. (...) A publicidade 
estendia-se nos pilares vizinhos. Essas lojas de livreiros situavam-se, 
naturalmente, nas vizinhanças do fórum”4.
4 Apud BRETO, Philippe & Prouxl, Serge. 
Foi em Roma, também, que surgiu o primeiro verdadeiro jornal, os Acta 
diurna, uma publicação gravada em tábuas de pedra e afixada nos espaços 
públicos, criada em 59 a.C. por ordem de Júlio César, que registrava trabalhos 
do Senado, fatos administrativos, notícias militares, obituários, crônicas 
esportivas, e vários outros assuntos.
No final do Império Romano, e antes do advento da imprensa, já haviam 
sido estabelecidos pelo menos quatro tipos de redes de comunicação, segundo 
estima John B. Thompson [1998]: A primeira era a estabelecida e controlada 
pela Igreja Católica; a segunda, aquelas mantidas pelas autoridades políticas 
dos estados e principados, que operavam tanto dentro dos territórios particulares 
de cada estado quanto entre os estados que mantinham relações diplomáticas; 
a terceira rede estava ligada à expansão da atividade comercial; e, finalmente, a 
constituída por comerciantes, mascates e entretenedores ambulantes. Esses 
disseminavam as informações nas reuniões em mercados ou em encontros nas 
tabernas.
Segundo Thompson, ao longo dos séculos XV, XVI e XVII, essas redes de 
comunicação foram submetidas a dois desenvolvimentos-chave. Em primeiro 
lugar, alguns estados começaram a estabelecer serviços postais regulares que 
rapidamente cresceram em disponibilidade para uso geral, e, em segundo, foi o 
uso da imprensa na produção e disseminação de notícias.
Dos incunábulos ao Le Journal de Paris.
[Imagem. 5 - Summa de vitiis et virtutibus – 1270 - Guilelmus Peraldus. In 
www.dartmouth.edu/~speccoll/westmss/003104.shtml]
[Imagem 6 - Book of hours, use of Paris. Paris: Phillippe Pigouchet for Simon Vostre, 25 April 1500. Printed 
on vellum. In http://www.grolierclub.org/incunabula.htm] 
Os códices, tal como os rolos de papiro e pergaminho, eram, 
naturalmente, escritos à mão, daí serem denominados manuscritos, e sua 
confecção, principalmente na Idade Média, entre os séculos VII a XIII, tornou-se 
uma atividade essencialmente monástica, principalmente pelo alto custo do 
suporte e da cópia, pela lentidão em sua confecção – um bom copista trabalhava 
em média duas folhas e meia por dia – e para evitar a disseminação do 
conhecimento entre os homens comuns. 
		No capítulo 1 do Gênesis, que, como vocês sabem, significa Origem, Nascimento, lemos que no princípio de tudo a terra era sem forma e vazia e, nesse momento, Deus cria o mundo falando. “Deus disse: haja luz. E houve luz. Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas”. Por ser a linguagem um atributo da divindade, ao mesmo tempo em que Deus vai fazendo as coisas, vai também nomeando-as: “E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhă, o dia primeiro”. (SAIBA MAIS - Caso vocês se interessem pela leitura da Bíblia, e não a tenham impressa, sugerimos dois endereços na rede Internet que têm a edição do Antigo e do Novo Testamento on-line. O Bíblia Católica Online, em www.bibliacatolica.com.br e o Bíblia Sagrada - Introdução e comentários - tradução protestante, em 
	http://protestantes.renascebrasil.com.br/bibliaonline/)