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Teoria das Organizações Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Brena Bezerra Silva Revisão Textual: Prof. Me. Claudio Brites Abordagem Neoclássica Abordagem Neoclássica • Apresentar a Abordagem Neoclássica de Administração; • Conceituar eficiência e eficácia; • Apresentar os níveis administrativos; • Conceituar o processo administrativo; • Apresentar a Administração por Objetivos. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Princípios da Teoria Neoclássica. UNIDADE Abordagem Neoclássica Introdução No início da década de 1950, a teoria administrativa passou por um período de intensa remodelação. Considerado o contexto de reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial, houve um desenvolvimento industrial e econômico sem precedentes (CHIAVENATO, 2014). Para citar alguns, houve o surgimento da televisão, do motor a jato e do esboço das telecomunica- ções, acontecimentos que obviamente impactaram com mudanças o mundo organizacional. No que se refere ao campo da administração, apesar da influência do desenvolvi- mento das ciências do comportamento sobre a teoria administrativa, os pontos de vista dos autores clássicos nunca deixaram de subsistir. Mesmo diante de todas as críticas aos postulados clássicos, os conceitos como princípios de administração, departamentaliza- ção, racionalização do trabalho, estrutura linear ou funcional nunca foram totalmente substituídos por uma outra abordagem. Todas as teorias administrativas posteriores se assentaram na Teoria Clássica, seja como ponto de partida, seja como crítica para tentar uma posição diferente (CHIAVENATO, 2014). A abordagem neoclássica, apresentada adiante, nada mais é do que a abordagem clássica devidamente atualizada e redimensionada aos problemas administrativos atuais e ao tamanho das organizações contemporâneas. A Teoria Neoclássica é a teoria clássi- ca colocada em um novo figurino e dentro de um ecletismo que aproveita a contribuição de todas as demais teorias administrativas para aplicação às novas realidades que exi- giam soluções e diferentes alternativas (CHIAVENATO, 2014). A Teoria Neoclássica surge da necessidade de reduzir o mecanicismo e a rigidez da Teoria Clássica, que carecia de ideias inovadoras para um mundo em transição. Adiante, são apresentadas algumas das características principais da abordagem neoclássica (CHIAVENATO, 2014): • A Administração é um processo operacional composto de funções, como planeja- mento, organização, direção e controle; • Por envolver uma variedade de situações organizacionais, a Administração precisa fun- damentar-se em princípios básicos que tenham razoável valor preditivo. Ela precisa se apoiar em princípios universais que possam orientar a conduta dos administradores; • Os princípios de Administração, a exemplo dos princípios das ciências lógicas e físicas, são necessários e verdadeiros; • A cultura e o universo físico afetam o meio-ambiente do administrador. As principais características da Teoria Neoclássica são (CHIAVENATO, 2014): • Ênfase na prática e aplicação da administração: os autores neoclássicos procuram desenvolver os seus conceitos de forma prática, com foco sobre a ação administrativa. A teoria somente tem valor quando operacionalizada na prática; • Reafirmação e atualização dos postulados clássicos: » A teoria neoclássica é uma reação à enorme influência das ciências do compor- tamento no campo da Administração em detrimento dos aspectos econômicos e concretos que envolvem o comportamento das organizações; » Os neoclássicos redimensionam e reestruturam a teoria clássica de acordo com as con- tingências da época, dando uma configuração mais ampla e flexível à teoria clássica; 8 9 » Os conceitos de estrutura organizacional linear, relações de linha e assessoria, pro- blema de autoridade e responsabilidade, departamentalização e outros conceitos são realinhados e atualizados dentro da nova abordagem neoclássica. • Ênfase nos princípios gerais de administração como receituário para o trabalho do administrador: » Os neoclássicos procuram estabelecer normas de comportamento administrativo; » Os princípios de administração que os clássicos utilizavam como leis científicas são retomados pelos neoclássicos como critérios de conduta elásticos para a busca de soluções administrativas práticas; » Os administradores são essenciais a toda organização dinâmica e bem-sucedida, pois devem planejar, organizar, dirigir e controlar as operações do negócio de acordo com certos princípios gerais. Autores como Koontz baseiam-se na apresentação e discussão de princípios gerais como PODC (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar); » Os princípios têm um papel na Administração equivalente ao das leis nas ciências físicas, pois visam demonstrar uma relação de causa e efeito. • Ênfase nos objetivos e nos resultados a serem definidos e alcançados: » Toda organização não existe para si mesma, mas sim para alcançar objetivos e pro- duzir resultados; » Os objetivos justificam a existência e operação da organização; » A organização deve ser dimensionada, estruturada e orientada em função dos objetivos e resultados a serem alcançados. Daí a ênfase colocada nos objetivos organizacionais e nos resultados pretendidos como meio de avaliar o desempenho das organizações; » Enquanto a Administração Científica enfatizava os métodos e a racionalização do tra- balho e a Teoria Clássica enfatizava os princípios gerais da Administração, a Teoria Neoclássica considera os meios na busca da eficiência ao mesmo tempo em que enfati- za os fins e resultados, na busca de eficácia. Há um enfoque nos objetivos e resultados. Princípios da Teoria Neoclássica A Teoria Neoclássica propõe um receituário de técnicas e princípios de gestão que até hoje são utilizados. Adiante, esses princípios e técnicas serão apresentados e, na sequência, analisaremos cada um deles. São eles (CHIAVENATO, 2014): • Administração como Técnica Social; • Aspectos administrativos comuns às organizações; • Eficiência e Eficácia; • Divisão do Trabalho; • Especialização; • Hierarquia; • Amplitude Administrativa; • Processo Administrativo; • Departamentalização; • Administração por Objetivos. 9 UNIDADE Abordagem Neoclássica Administração como Técnica Social Para os neoclássicos, a administração consiste em orientar, dirigir e controlar os esfor- ços de um grupo de indivíduos para um objetivo comum (CHIAVENATO, 2014). O bom administrador é aquele que possibilita ao grupo alcançar seus objetivos com o mínimo de dispêndio de recursos e de esforço e com menos atributos com outras atividades úteis. O ser humano necessita cada vez mais cooperar com outras pessoas para atingir seus objetivos: nesse sentido, a Administração é basicamente a coordenação de atividades grupais, e funciona como uma técnica social. Aspectos Administrativos Comuns às Organizações Todas as instituições são organizações e têm aspectos administrativos comuns. A te- oria das organizações, segundo a abordagem neoclássica, salienta que há três aspectos principais nas organizações (CHIAVENATO, 2014): • Quanto aos objetivos: as organizações não vivem para si próprias, mas são meios, isto é, são órgãos sociais que visam à realização de uma tarefa social. A sobrevivência – objetivo típico da espécie biológica – não é um objetivo adequado à organização. O objetivo da organização está fora dela, e é sempre uma contribuição es- pecífica para o indivíduo e para sociedade. Se a organização não definir claramente seus objetivos, não haverá possibilidade alguma de avaliar os seus resultados ou a sua eficiência. • Quanto à administração: todas as organizações são diferentes em seus objeti- vos, em seus propósitos, mas são essencialmente semelhantes em sua composição administrativa. Todas elas exigem uma reunião de muitas pessoas que devem atuar em conjunto e se integrarem em um empreendimento comum. Assim, todas as organizações têm o mesmo problema de equilibrar objetivos da instituiçãocom os desejos e necessidades das pessoas. • Quanto ao desempenho individual: são as pessoas que fazem, decidem e plane- jam, enquanto as organizações são ficções legais, pois, por si, nada fazem, nada decidem, nada planejam. As organizações só atuam à medida que seus administradores agem, sendo cada vez maior o número de pessoas que têm de ser eficientes para que a organização funcione, de um lado, e para que se autorrealizem e satisfaçam suas próprias necessidades, de outro lado. Eficiência e Eficácia Cada organização deve ser considerada sob o ponto de vista da eficácia e de eficiência, simultaneamente (CHIAVENATO, 2014). Importante! A Eficácia é uma medida do alcance de resultados, enquanto a eficiência é uma medida da utilização dos recursos nesse processo. 10 11 Em termos econômicos, a eficácia de uma empresa refere-se à sua capacidade de satisfazer a uma necessidade da sociedade por meio do suprimento de seus produtos, enquanto a eficiência é uma relação técnica entre entradas e saídas. Nesses termos, a eficiência é uma relação entre custos e benefícios, ou seja, uma relação entre os recursos aplicados e o produto final obtido, é a razão entre o esforço e o resultado. Está voltada para a melhor maneira pela qual as coisas devem ser feitas ou executadas, a fim de que os recursos sejam aplicados da forma mais racional possível. A eficiência preocupa-se com os meios, com os métodos e procedimentos mais indi- cados, que precisam ser devidamente planejados e organizados, a fim de assegurar a otimização da utilização dos recursos disponíveis. O alcance dos objetivos visados não entra na esfera de competência da eficiência, é um assunto ligado à eficácia. Quando o administrador utiliza os instrumentos fornecidos por aqueles que executam para avaliar o alcance de resultados, isto é, para verificar se as coisas bem-feitas são as coisas que realmente deveriam ser feitas, então ele estará se voltando para a eficácia (alcance dos objetivos por meio dos recursos disponíveis) (CHIAVENATO, 2014). Contudo, nem sempre a eficiência e a eficácia andam de mãos dadas. Uma empresa pode ser eficiente e pode não ser eficaz, ou vice-versa. Pode ser ineficiente e, apesar disso, eficaz. Pode também não ser nem eficiente e nem eficaz, muito embora a eficácia fosse bem melhor quando acompanhada da eficiência. O Quadro 1 a seguir apresenta de forma sucinta um comparativo entre os conceitos de eficiência e eficácia. Quadro 1 – Comparativo entre os conceitos de efi ciência e efi cácia Efi ciência • Ênfase nos meios; • Fazer corretamente as coisas; • Resolver problemas; • Salvaguardar os recursos; • Cumprir tarefas e obrigações; • Treinar os subordinados; • Manter as máquinas. Efi cácia • Ênfase nos resultados; • Fazer as coisas certas; • Atingir objetivos; • Otimizar a utilização dos recursos; • Obter resultados; • Dar eficácia aos subordinados; • Máquinas em bom funcionamento. Fonte: Adaptado de CHIAVENATO, 2014 Os autores neoclássicos dão algumas pinceladas adicionais no conceito de organização formal. A organização consiste em um conjunto de posições funcionais e hierárquicas orientado para o objetivo econômico de produzir bens ou serviços. Os princípios fun- damentais da organização formal são: divisão do trabalho, especialização, hierarquia e amplitude administrativa. Divisão do Trabalho Para ser eficiente, a produção deve se basear na divisão do trabalho, que nada mais é do que a maneira pela qual um processo complexo pode ser decomposto em uma série de pequenas tarefas que o constituem (MAXIMIANO, 2018). 11 UNIDADE Abordagem Neoclássica Com a divisão do trabalho, a organização passa a desdobrar-se em três níveis admi- nistrativos que compõem o aparato administrativo necessário para dirigir a execução das tarefas e operações (CHIAVENATO, 2014; MAXIMIANO, 2018): • Nível institucional: comumente chamado de nível estratégico, composto de diri- gentes e diretores da organização; • Nível intermediário: comumente chamado nível tático ou gerencial, é o nível do meio do campo, composto de gerentes; • Nível operacional: comumente chamado de nível técnico, é composto dos supervi- sores que administram diretamente a execução das tarefas e operações da empresa. Especialização Como consequência do princípio da divisão do trabalho, surge a especialização: cada órgão ou cargo passa a ter funções e tarefas específicas e especializadas. A lógica é elemen- tar: simplificando as tarefas, atribuindo a cada posto de trabalho tarefas simples e repetitivas que requeiram pouca experiência do executor, reduzem-se os períodos de aprendizagem, facilitando-se as substituições de indivíduos, proporcionando melhorias de métodos e incen- tivos no trabalho e aumenta-se o rendimento da produção (MAXIMIANO, 2018). Os neoclássicos assumem esses pressupostos e passam a se preocupar com a espe- cialização dos órgãos que compõem a estrutura organizacional. Hierarquia Outra consequência do princípio de divisão do trabalho é a intensa diversificação fun- cional dentro da organização (CHIAVENATO, 2014). A pluralidade de funções imposta pela especialização exige inevitavelmente o desdobramento da função de comando, cuja missão é dirigir todas as atividades para que essas cumpram harmoniosamente as suas respectivas missões. A especialização horizontal conduz necessariamente à especialização vertical. Além de uma estrutura de funções especializadas, a organização precisa também de uma es- trutura hierárquica para dirigir as operações nos níveis que lhe estão subordinados. Daí o princípio da hierarquia, que recebe também o nome de princípio escalar. A hierarquia divide a organização em diferentes camadas ou níveis de autoridade. Na medida em que se sobe na escala hierárquica, aumenta o volume de autoridade do administrador. Para os autores clássicos e neoclássicos, a autoridade é o direito formal e legítimo de tomar decisões, transmitir ordens e alocar recursos para alcançar os objetivos desejados pela organização. A responsabilidade é o outro lado da moeda. Significa o dever de desempenhar a tarefa ou atividade para qual a pessoa foi designada. O grau de autoridade deve ser proporcional ao grau de responsabilidade assumida pela pessoa (MAXIMIANO, 2018). Já a delegação é o processo de transferir autoridade e responsabilidade para posições inferiores na hierarquia (MAXIMIANO, 2018). 12 13 Quanto maior a organização, maior tende a ser o número de níveis hierárquicos de sua estrutura. A estrutura formal representa uma cadeia de níveis hierárquicos sobrepostos – a cadeia escalar descrita por Fayol – formando uma pirâmide, tendo a direção (Nível Institucional) no topo, os executores na base (administrados pelo Nível Operacional) e, no Nível Intermediário, as camadas hierárquicas gerenciais, conforme a Figura 1. Nível Institucional Nível Intermediário Nível Operacional Execução Operação Administração Presidentes Diretores Gerentes Supervisores Funcionários e Operários (pessoal não-administrativo) Figura 1 – Níveis hierárquicos na pirâmide organizacional Fonte: Adaptada de CHIAVENATO, 2014 Amplitude Administrativa Em decorrência do princípio da distribuição de autoridade e responsabilidade, surge o conceito de amplitude administrativa (CHIAVENATO, 2014). A amplitude adminis- trativa (ou amplitude de comando) significa o número de subordinados que um admi- nistrador pode supervisionar. Quando um administrador tem muitos subordinados, sua amplitude de comando é ampla. Na prática, a amplitude média estreita e um maior número de níveis hierárquicos produzem uma estrutura organizacional alta e alongada, conforme a Figura 2. Figura 2 – Estrutura organizacional alta e alongada Fonte: Adaptada de MAXIMIANO, 2018 13 UNIDADE Abordagem Neoclássica Já uma amplitude média larga e poucos níveis hierárquicos produzem uma estrutura organizacional achatada e dispersa horizontalmente, conforme a Figura 3. Figura 3 – Estrutura organizacional achatada Fonte: Adaptadade CHIAVENATO, 2014 Cabe também a discussão sobre a centralização versus a descentralização da autori- dade. A centralização significa que a autoridade, para tomar decisões, está alocada pró- ximo ao topo da organização, enquanto, na descentralização, a autoridade de tomar decisões é deslocada e delegada para níveis mais baixos da organização. Processo Administrativo: as funções do Administrador Neoclássico Para a Teoria Neoclássica, as funções do administrador correspondem aos elementos da Administração, que Fayol definira no seu tempo (prever, organizar, comandar, coor- denar e controlar), mas sob uma nova perspectiva. Dentro da linha proposta por Fayol, os autores neoclássicos, de um modo geral, aceitam o planejamento, a organização, a direção e o controle como as funções básicas do administrador. Essas quatro funções básicas – planejar, organizar, dirigir e controlar – constituem o chamado processo admi- nistrativo. Agora analisaremos cada uma dessas funções (CHIAVENATO, 2014). Planejamento Partimos do pressuposto de que as organizações não trabalham na base da impro- visação. No nível organizacional, quase tudo é planejado antecipadamente. O planeja- mento aparece como a primeira função administrativa, por ser aquela que serve de base para as demais funções. Importante! O planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos a serem atingidos e como se deve fazer para alcançá-los. Trata-se, pois, de um modelo teórico para a ação futura. Começa com a determinação dos objetivos e detalha os planos necessários para atingi-los da melhor maneira possível. Planejar é definir os objetivos e escolher antecipadamente o melhor curso de ação para alcançá-los. O planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e em que sequência. Há uma hierarquia de objetivos para conciliar os diferentes objetivos simultâneos em uma organização, cobrindo os objetivos organiza- cionais, as políticas, diretrizes, metas, programas, procedimentos e normas. A Figura 4 apresenta essa hierarquia. 14 15 OBJETIVOS ORGANIZADOS Estabelecimento dos objetivos da organização POLÍTICAS colocação dos objetivos como guias para a ação DIRETRIZES Linhas mestras e genéricas de ação METAS Alvos a atingir a curto prazo em cada órgão PROGRAMAS Atividades necessárias para cada meta PROCEDIMENTOS Modos de execução de cada programa MÉTODOS Planos para execução de tarefas NORMAS Regras para cada procedimento Maior Maior Amplitude Detalhamento Menor Menor Figura 4 Fonte: Adaptada de CHIAVENATO, 2014 Além da hierarquia de objetivos, existe também uma hierarquia do planejamento. Nesse sentido, existem três níveis distintos de planejamento: o planejamento estratégico, o tático e o operacional. Adiante, abordaremos cada um deles. Planejamento Estratégico É o planejamento mais amplo e abrange toda a organização. Suas características são (MAXIMIANO, 2018): • É projetado no longo prazo, tendo seus efeitos e as consequências estendidos a vários anos pela frente; • Envolve a empresa como uma totalidade, abrange todos os recursos e áreas de ati- vidade, e preocupa-se em atingir os objetivos em nível organizacional; • É definido pela cúpula da organização (no nível institucional) e corresponde ao pla- no maior ao qual todos os demais estão subordinados. Planejamento Tático É o planejamento que abrange cada departamento ou unidade da organização. Suas características são (MAXIMIANO, 2018): • É projetado para o médio prazo, geralmente para o exercício anual; • Envolve cada departamento, abrange seus recursos específicos e preocupa-se em atingir os objetivos departamentais; • É definido no nível intermediário, em cada departamento da empresa. Planejamento Operacional É o planejamento que abrange cada tarefa ou atividade específica. Suas característi- cas são (MAXIMIANO, 2018): • É projetado para o curto prazo, para o imediato; • Envolve cada tarefa ou atividade isoladamente e preocupa-se com o alcance de metas específicas; • É definido no nível operacional, para cada tarefa ou atividade. 15 UNIDADE Abordagem Neoclássica A Tabela 1 sintetiza uma comparação entre os três tipos de planejamento. Tabela 1 Planejamento Conteúdo Extensão de tempo Amplitude Estratégico Genérico, sintético e abrangente. Longo prazo Orientação macro. Aborda a empresa como uma totalidade. Tático Menos genérico e mais detalhado. Médio prazo Aborda cada unidade da em- presa separadamente. Operacional Detalhado, específico e analítico. Curto prazo Orientação micro. Aborda cada tarefa ou operação apenas. Fonte: Adaptada de CHIAVENATO, 2014 Em Síntese O planejamento consiste na tomada antecipada de decisões sobre o que fazer, antes de a ação ser necessária. Sob o aspecto formal, planejar consiste em simular o futuro desejado e estabelecer previamente os cursos de ação necessários e os meios adequados para atingir os objetivos. Organização A organização é a função administrativa que consiste no agrupamento das atividades necessárias para realizar o que foi planejado. É o ato de organizar, estruturar e integrar os recursos e os órgãos incumbidos de sua administração, bem como estabelecer rela- ções entre eles e as atribuições de cada um deles. A Figura 5 situa a função de organizar dentro do processo administrativo. PLANEJAR DIRIGIR - Dividir o trabalho; - Agrupar atividades em uma estrutura lógica; - Designar as pessoas para sua execução; - Alocar os recursos; Coordenar os esforços. ORGANIZAR CONTROLAR Figura 5 Fonte: Adaptada de CHIAVENATO, 2014 Quanto à sua abrangência, a organização pode ocorrer em três níveis: global (desenho organizacional), departamental (desenho departamental) e nível de tarefas e operações (de- senho de cargos e tarefas). Envolve também a elaboração de organogramas e fluxogramas. Direção Dirigir significa interpretar os planos para as pessoas e proporcionar a orientação sobre como executá-los em direção aos objetivos. Os diretores dirigem os gerentes, os gerentes dirigem os supervisores e os supervisores dirigem os funcionários ou operários. 16 17 A direção é a função administrativa que orienta e guia o comportamento das pes- soas na direção dos objetivos a serem alcançados. É uma atividade de comunicação, motivação e liderança, pois se refere a pessoas. Quanto à sua abrangência, a direção pode ocorrer em três níveis: global (direção), departamental (gerência) e nível operacio- nal (supervisão). Controle O controle é a função administrativa que visa assegurar se o que foi planejado, orga- nizado e dirigido realmente cumpriu com os objetivos pretendidos. O controle é consti- tuído por quatro fases: • Estabelecimento de critérios ou padrões; • Observação do desempenho; • Comparação do desempenho com o padrão estabelecido; • Ação corretiva para eliminar os desvios ou variações. Quanto à sua abrangência, ele pode ocorrer em três níveis: estratégico, tático e ope- racional. O Quadro 2 sintetiza as funções do processo administrativo neoclássico. Quadro 2 Planejar • Definir objetivos; • Desenvolver premissas sobre condições futuras; • Identificar meios para alcançar os objetivos; • Implementar os planos de ação necessário. Organizar • Dividir o tranalho; • Agrupar as atividades em uma estrutura lógica; • Designar as pessoas para sua execução; • Alocar os recursos; • Coordenar os esforços. Dirigir • Dirigir os esforços para um propósito comum; • Comunicar; • Liderar; • Motivar. Controlar • Definir os padrões de desempenho; • Monitorar o desempenho; • Comparar o desempenho com os padrões; • Tomar a ação corretiva para assegurar os objetivos desejados. Fonte: Adaptado de CHIAVENATO, 2014 Departamentalização Para a abordagem clássica, a base fundamental da organização é a divisão do trabalho. À medida que uma organização cresce, ela tende a se diferenciar e a especializar cada vez mais as unidades que compõem sua estrutura organizacional (CHIAVENATO, 2014). Enquanto os engenheirosda Administração Científica preocupavam-se com a espe- cialização do trabalho no nível do operário, com os métodos e processos de trabalho 17 UNIDADE Abordagem Neoclássica (ênfase nas tarefas), os autores clássicos voltavam-se para a estruturação dos órgãos (ênfase na estrutura organizacional). A Teoria Neoclássica complementa essas duas con- tribuições anteriores com novas abordagens sobre a departamentalização. A especialização na organização pode dar-se em dois sentidos: vertical e horizontal. A especialização vertical ocorre quando se verifica a necessidade de aumentar a quali- dade da supervisão ou chefia acrescentando mais níveis hierárquicos na estrutura. Ela se faz à custa de um aumento de níveis hierárquicos (MAXIMIANO, 2018). É um desdobramento da autoridade e por isso denominada processo escalar, pois refere-se ao crescimento da cadeia de comando, e caracteriza-se sempre pelo crescimento vertical do organograma, isto é, pelo aumento do número de níveis hierárquicos. Por outro lado, a especialização horizontal ocorre quando se verifica a necessidade de aumentar a perícia, a eficiência e a melhor qualidade do trabalho em si (MAXIMIANO, 2018). Corresponde a uma especialização de atividade e de conhecimentos e se faz à custa de um número maior de órgãos especializados, no mesmo nível hierárquico, cada qual em sua tarefa. A especialização horizontal é também denominada processo funcional e se caracteriza sempre pelo crescimento horizontal do organograma. É mais conhecida pelo nome de departamentalização, pela sua tendência incrível de criar departamentos. A departamentalização ocorre a fim de responder a exigências internas e externas. A organização pode desenvolver uma especialização vertical (proporcionando maior número de níveis hierárquicos) e uma especialização horizontal (proporcionando maior número de órgãos especializados, ou seja, departamentalização). A departamentalização constitui a combinação e/ou agrupamento adequados das atividades necessárias à orga- nização em departamentos específicos. Assim, a departamentalização pode apresentar vários tipos: por funções, produtos ou serviços, localização geográfica, clientes, fases do processo ou por projeto. Cada tipo de departamentalização apresenta características, vantagens e limitações que influirão nas decisões quanto às escolhas de alternativas de departamentalização a se adotar em cada organização. Administração por objetivos (APO) A Administração por Objetivos (APO) é um processo pelo qual os gerentes e subor- dinados identificam objetivos comuns, definem as áreas de responsabilidade de cada um em termos de resultados esperados e utilizam esses objetivos como guias para a operação dos negócios. Analisando o resultado, o desempenho dos gerentes e dos subordinados pode ser objetivamente avaliado e os resultados alcançados são comparados com os resultados esperados (CHIAVENATO, 2014). A ênfase em fazer corretamente o trabalho (the best way de Taylor) para alcançar eficiência passou à ênfase em fazer o trabalho mais relevante aos objetivos da or- ganização para alcançar eficácia. O desempenho esperado de um gerente deve ser o reflexo do que se espera quanto à realização dos objetivos da empresa. Seus resultados devem ser medidos pela contribuição que dão para o êxito do negócio. 18 19 A APO é um método no qual as metas são definidas em conjunto pelo gerente e seus subordinados, as responsabilidades são especificadas para cada um em função dos re- sultados esperados, que passam a constituir os indicadores ou padrões de desempenho sob os quais ambos serão avaliados. Embora tenha um passado autocrático, a APO funciona hoje com uma abordagem amigável, democrática e participativa. Ela serve de base para os novos esquemas de avaliação do desempenho humano, remuneração flexível e, sobretudo, para a compati- bilização entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais das pessoas. A partir dos objetivos traçados, o gerente e o subordinado passam a elaborar os planos táticos adequados para alcançá-los da melhor maneira. Os planos táticos são os meios capazes de alcançar os objetivos departamentais. Na sequência, os planos táticos são desdobrados e detalhados em planos operacionais. Em todos os planos táticos e operacionais, a APO enfatiza a quantificação, a mensu- ração e o controle. Torna-se necessário mensurar os resultados atingidos e compará-los com os resultados planejados. Se um objetivo não pode ser medido, seus resultados não podem ser conhecidos. A mensuração e o controle são os elementos que causam as maiores dificuldades de implantação da APO. As características da APO, apesar das diferenças de enfoque dos autores podem ser definidas genericamente: • Estabelecimento de um conjunto de objetivos para cada departamento, entre o executivo e seu superior; • Interligação dos objetivos departamentais; • Elaboração dos planos táticos e planos operacionais, com ênfase na mensuração e no controle; • Sistema contínuo de avaliação, revisão e reciclagem dos planos; • Participação atuante da chefia; • Interação entre Superior-Subordinado; • Superior e Subordinado negociam entre si e fixam objetivos a alcançar; • Superior e Subordinado determinam critérios de avaliação do desempenho; • Ênfase no presente e no futuro; • Ênfase nos resultados, não nos meios; • Feedback frequente e contínuo; • Redefinição periódica de objetivos; • Redefinição periódica de critérios de avaliação do desempenho; • Objetivos relacionados com o trabalho atual e com a carreira futura do subordinado; • Ênfase na mensuração e no controle. A Teoria Neoclássica marca a mais forte ênfase no planejamento estratégico. Escolhi- dos e fixados os objetivos organizacionais, isto é, os objetivos globais da empresa a serem alcançados, o próximo passo é saber como alcançá-los, ou seja, estabelecer a estratégia empresarial a ser utilizada para alcançar de forma eficiente aqueles objetivos e escolher as táticas e operações que melhor implementem a estratégia adotada (CHIAVENATO, 2014). 19 UNIDADE Abordagem Neoclássica O modelo prescritivo de planejamento estratégico dos neoclássicos segue cinco es- tágios, a saber: 1. Formulação dos objetivos organizacionais; 2. Análise externa do ambiente ou auditoria externa; 3. Análise interna da empresa ou auditoria interna; 4. Formulação das alternativas estratégicas e escolha da estratégia a ser utilizada; e 5. Desenvolvimento de planos táticos e operacionalização da estratégia. Na década de 1980, a atenção dos neoclássicos voltou-se para a análise da indústria ou dos concorrentes adotando o modelo de Porter. A partir do planejamento estratégico, desenvolve-se o conjunto de planejamentos táticos. Melhor dizendo, o planejamento estratégico passa a ser desdobrado em planos táticos que precisam ser integrados e coordenados. Esses planos referem-se às principais áreas de atuação departamental. Por sua vez, os planos táticos são desdobrados em planos operacionais específicos. Enquanto o planejamento tático se refere ao médio prazo, o plano operacional é mais detalhado e se refere ao curto prazo. Com todos esses elementos – objetivos organiza- cionais, análise das condições internas, análise das condições externas e alternativas es- tratégicas –, a organização tem condições para preparar e implementar seu planejamen- to estratégico. O Planejamento estratégico deve, assim, especificar onde a organização pretende chegar no futuro e como se propõe a fazê-lo a partir do presente; ou seja, o planejamento estratégico deve comportar decisões sobre o futuro da organização. Vimos nesta unidade alguns dos elementos mais relevantes do modelo neoclássico de administração. Pudemos observar a nova perspectiva sob a qual a administração foi vista segundo os autores neoclássicos e sua evolução em relação às abordagens clássica e humanística. Por fim, a Tabela 2 realiza um comparativo entre as abordagens clássica, humanística e neoclássica. Tabela2 Aspectos Teoria Clássica Teoria das Relações Humanas Teorias Neoclássicas Abordagem da organização Organização formal exclusivamente Organização informal exclusivamente Organização formal e informal Conceito de organização Estrutura formal como conjunto de órgãos, cargos e tarefas Sistema social como conjunto de papéis sociais Sistema social com obje- tivos a serem alcançados racionalmente Concepção do homem Homo Economicus Homem Social Homam organizacional e administrativo Comportamento organizacional do indivíduo Ser isolado que reage como indivíduo (atomismo taylorista) Ser social que reage como membro de grupo Ser racional e social voltado para o alcance de objetivos organizacionais e individuais Tipos de incentivos Incentivos materiais e salariais Incentivos sociais e simbólicos Incentivos mistos Relação entre objetivos organi- zacionais e objeti- vos individuais Identidade de interesses. Não há conflitos Identidade de interesses. Todo conflito é indesejável e deve ser evitado. Integração entre os objeti- vos organizacionais e individuais Fonte: Adaptada de CHIAVENATO, 2014 20 21 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Administração Pública – Aula 04 – As funções da administração https://youtu.be/It8lKTodv6Q Leitura Entenda a diferença entre Eficiência e Eficácia de uma vez por todas https://bit.ly/2OnW4fJ A Teoria da Administração por Objetivos https://bit.ly/3cmoI99 Você conhece as funções básicas da administração (PODC)? https://bit.ly/3vgg04R 21 UNIDADE Abordagem Neoclássica Referências CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 9 ed. São Paulo: Edi- tora Manole, 2014. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revo- lução digital. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2018. 22