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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 2 2 CONCEITO DE AUDITORIA AMBIENTAL ................................................. 3 2.1 Origem e evolução da Auditoria Ambiental .......................................... 5 3 OBJETIVOS DA AUDITORIA AMBIENTAL ................................................ 7 3.1 Classificação de Acordo com os Objetivos da Auditoria....................... 9 4 ISO 19011 E OS SEUS SEIS PRINCÍPIOS DE AUDITORIA ................... 10 5 REFERÊNCIAS NORMATIVAS DA AUDITORIA ..................................... 13 6 TIPOS DE AUDITORIA ............................................................................. 14 7 PROCESSO DE AUDITORIA AMBIENTAL .............................................. 16 7.1 Principais Etapas da Auditoria Ambiental ........................................... 17 8 GESTÃO DE UM PROGRAMA DE AUDITORIA ...................................... 19 8.1 Auditoria Ambiental - Vantagens e Desvantagens ............................. 20 9 AUDITOR AMBIENTAL............................................................................. 22 9.1 Papel do Auditor Ambiental e do Auditado ......................................... 26 9.2 Avaliação de riscos e responsabilidade civil ....................................... 27 9.3 Concorrência ...................................................................................... 28 9.4 Estratégicas ........................................................................................ 28 9.5 Protocolo da auditoria......................................................................... 29 9.6 Programando o tempo dos trabalhos de campo ................................. 31 10 DIFERENÇA ENTRE PERÍCIA E AUDITORIA AMBIENTAL................. 32 10.1 O relatório de não conformidade ..................................................... 34 11 AUDITORIA AMBIENTAL COMPULSÓRIA .......................................... 34 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 40 13 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 41 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O grupo educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 2 CONCEITO DE AUDITORIA AMBIENTAL Fonte: blog.synchro.com.br A auditoria ambiental é considerada uma das ferramentas da gestão ambiental de muita importância. Competições internacionais e o processo acelerado de fusões e aquisições de empresas passaram a requerer verificações rigorosas, para que passivos ambientais existentes pudessem ser avaliados e seu valor levado em consideração nos negócios, surgindo assim a necessidade de auditorias ambientais. Além de necessitarem de grandes custos para sua remediação, passivos e danos ambientais podem ferir a imagem de uma empresa, o que levou as organizações a estabelecerem processos sistemáticos de verificação dos cuidados com o meio ambiente, como a auditoria ambiental, em suas matrizes e filiais. “Um processo sistemático e formal de verificação, por uma parte auditora, se a conduta ambiental e/ou desempenho ambiental de uma entidade auditada atendem a um conjunto de critérios especificados.” Philippi Jr. & Aguiar (2004 por colunista portal da educação) A Norma Internacional ISO 14.010 orienta organizações, auditores e seus clientes quanto aos princípios gerais comuns para a execução de auditorias ambientais. Ela oferece uma definição de auditoria ambiental e termos relacionados, e também identifica diferentes tipos de auditorias ambientais para os propósitos das Normas. Fonte: ambientes.ambientebrasil.com.br Para os propósitos da Norma 14.010, aplicam-se as seguintes definições: Fonte: ambientes.ambientebrasil.com.br 2.1 Origem e evolução da Auditoria Ambiental Fonte: 8idea.com.br A auditoria ambiental surgiu no final da década de 70 nos Estados Unidos da América, com o objetivo principal de verificar o cumprimento da legislação onde as empresas passaram a adotar voluntariamente como uma ferramenta de gerenciamento para identificar antecipadamente os problemas causados por suas operações. As auditorias eram vistas como uma forma de reduzir custos com eventuais correções onerosas. “A grande maioria da literatura sobre auditoria ambiental aponta os Estados Unidos como o país pioneiro no seu desenvolvimento. Apesar de haver alguma controvérsia na literatura norte-americana a respeito do início dos primeiros programas de auditoria ambiental, alguns trabalhos indicam que a auditoria ambiental já estava sendo praticada voluntariamente naquele país por alguma grande corporação no início e meados da década de 70.” SALES (2001, p. 25 apud LUIZA PIVA, 2007) Na Europa ocidental as primeiras iniciativas das empresas realizarem a auditoria ambiental tiveram início na década de 80 pelas filiais de grandes corporações norte-americanas. A Holanda no ano de 1985, foi o primeiro país da Europa onde as empresas passaram a adotar as auditorias na gestão ambiental. A iniciativa, partiu de filiais de empresas estadunidenses. A seguir outros países como Reino Unido, Alemanha, Escandinávia adotaram esse mesmo procedimento. Apesar das auditorias ambientais terem sido criadas nos EUA, a primeira norma de sistema de gestão ambiental que estabeleceu parâmetros para a execução de auditorias, foi após a Conferência, o Reino Unido e a França foram os primeiros Estados europeus que criaram normas de sistema de gestão ambiental; a BS 7750 (BSI, 1994) e a NF X30-200, respectivamente Iniciativa semelhante aconteceu na França e posteriormente a Comunidade Econômica Europeia adotou regulamento que entrou em vigor em 1995 criando o Environmental Management and Auditing Scheme - EMAS. Internacionalmente a normalização de auditorias ambientais ocorreu no âmbito da International Organization for Standardization - ISO. No Brasil a auditoria ambiental ainda é incipiente e foi implantada de acordo com os padrões estabelecidos na maior parte do mundo. Os primeiros programas de auditoria foram iniciados no final da década de 80 e início da década de 90 por empresas multinacionais de grande porte, a normalização se deu em 1996 por meio da apresentação, pela ABNT, das NBR ISO 14010, 14011 e 14012. Atualmente está em vigor a NBR ISO 19011, de 2002. Em 2002, os Comitês ISO TC 176 da Qualidade e ISO TC 207 do Meio Ambiente, após vários anos de discussão e apresentação de comentários, publicaram por meio do Comitê ISO TC 176, a norma ISO 19011-Diretrizes para auditorias de sistema de gestão da qualidade e/ou ambiental. Em 2008 teve início o processo de revisão da ISO 19011 para contemplar outras normas de sistemas de gestão da ISO, além da ISO 9001 e ISO 14001, a exemplo da ISO 22000, da ISO IEC 27001 e da ISO 28000. Pode-se afirmar que praticamente em todo o mundo as auditoriasambientais são voluntárias. As empresas que delas se utilizam costumam adotar o chamado “marketing verde” e precisam demonstrar aos seus consumidores e clientes que realmente dispõem de um processo produtivo que atende às conformidades ambientais e respeita o meio ambiente. As auditorias independentes funcionam de forma a comprovar aquilo que elas divulgam em sua publicidade. As relações com as instituições governamentais fiscalizadoras consequentemente, evita ou reduz as sanções administrativas ou penais e as reparações por danos causados ao meio ambiente e a terceiros. Nenhuma das normas internacionais, bem como aquelas surgidas inicialmente na Europa nunca obrigaram as empresas a realizarem auditorias ambientais. Apenas estabeleciam parâmetros a serem seguidos, de como proceder no caso de optarem pela realização das auditorias. Atualmente a preocupação com o dano ambiental ultrapassa as fronteiras de um estado que antes agia isoladamente, passando a ser uma preocupação de nível global, onde se compreende como dano ambiental uma alteração indesejável ao meio-ambiente; onde poderíamos citar a como exemplo a poluição atmosférica como uma lesão ao direito fundamental e natural que todos devem ter de usufruir um meio-ambiente apropriado, ou seja, respirar o ar puro essencial para a vida BRAGA, (2009, p.27 apud MARIA SEIBERT et al., 2012). 3 OBJETIVOS DA AUDITORIA AMBIENTAL Fonte: genjuridico.com.br A auditoria ambiental possui como objetivo principal, avaliar de modo sistemático, documentado e periódico, fundamentos da matéria no sentido de buscar conformidades e tomar como referência normas ambientais dentro da empresa, na administração pública ou dentro do processo como um todo. Ou seja, caracterizar a situação da empresa para fornecer um diagnóstico atual no que diz respeito a poluição do ar, águas e resíduos sólidos, favorecendo a definição das ações de controle e de gerenciamento que deverão ser tomadas para proporcionar a sua melhoria ambiental. A auditoria fornece recomendações de ações emergenciais, de curto, médio e longo prazo que deverão ser tomadas para proporcionar a melhoria ambiental da empresa. “Uma das principais aplicações da auditoria ambiental é o seu uso como instrumento de controle ambiental, ou seja, como uma medida utilizada pelas autoridades ambientais no cumprimento de suas políticas e obrigações legais de fomento, fiscalização e implementação de normas e políticas ambientais que um dos principais objetivos desse tipo de auditoria consiste na fiscalização e implementação das normas ambientais por meio do controle, promovido pelas autoridades ambientais, do cumprimento das políticas ambientais e obrigações legais das empresas. As formas possíveis dessa aplicação são variadas e se estendem desde atividades de cunho informativo e educacional destinadas a esclarecer e fomentar a adoção de auditoria até medidas de controle que impõe a sua adoção compulsória, passando por medidas de incentivos indireto” SALES (2001, p. 101 2001, p. 25 apud LUIZA PIVA, 2007) A concepção de auditoria ambiental, como instrumento de gestão ambiental, passou a ter significado marcante no plano dos novos instrumentos para a tutela ambiental, sob a égide de normas internacionais de qualidade ISO 1001/1990 e sua versão ISO 9000. O objetivo da auditoria ambiental foi estabelecido em decorrência da necessidade de: • Facilitar o controle da gestão das práticas com eventual impacto ambiental; • Avaliar a observância das políticas de ambiente da empresa. O objetivo da auditoria deve ser transparente e definido de maneira a alcançar as expectativas e necessidades do cliente evitando interpretações duvidosas que possam interferir no resultado final. O conteúdo deve ser facilmente compreensível e definido pelo auditor líder em harmonia com o cliente. Na delimitação do escopo deve-se considerar: a localização geográfica, os limites organizacionais, o objeto da auditagem, o período e o tema ambiental. Auditorias Ambientais têm como objetivo detectar problemas ou oportunidades em áreas ou atividades como: • Fontes de poluição e medidas de controle e prevenção; uso de energia e água e medidas de economia; processos de produção e distribuição; pesquisas e desenvolvimentos de produtos; uso, armazenagem, manuseio e transporte de produtos controlados; subprodutos e desperdícios; estações de tratamento de águas residuárias (esgoto); sítios contaminados; reformas e manutenções de prédios e instalações; panes, acidentes e medidas de emergência e mitigação; saúde ocupacional e segurança do trabalho; As legislações Estaduais estabeleceram a abrangência da Auditoria, sendo em comum das Unidades Federais, as empresas que manejam com derivados de petróleo, e que estocam substâncias perigosas e tóxicas, que causam danos ambientais, muitas das vezes irreversíveis, no Estado do Rio de Janeiro a Lei 1.898/91 (estabelece os ditames da auditoria), deve realizar auditorias ambientais anuais: nas refinarias, oleodutos e terminais de petróleo e seus derivados; nas instalações destinadas a estocagem de substancias tóxicas e perigosas. Há no Estado do Espírito Santo, pela Lei 4.802, de 2/08/2008, publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) de 16/08/1993, tem as exigências na Lei fluminense, acrescentando as indústrias de papel e celulose, lixo hospitalar e mineração. 3.1 Classificação de Acordo com os Objetivos da Auditoria Auditoria ambiental de certificação: Este tipo de auditoria deve ser conduzido por uma organização comercial independente e credenciada para emitir a certificação por um organismo competente. É responsável por avaliar a conformidade da empresa com os princípios estabelecidos pelas normas nas quais a empresa deseja se certificar. O principal exemplo é a auditoria de certificação ambiental pela série de normas NBR ISO 14.000. Em geral as empresas contratam este tipo de auditoria quando desejam obter uma certificação específica. Auditoria ambiental de acompanhamento: Visa verificar se as condições da certificação continuam sendo cumpridas. Auditoria ambiental de follow-up ou de verificação de correções: objetiva verificar se problemas e não-conformidades detectadas em auditorias anteriores foram corrigidas. Auditoria de decomissioning ou descomissionamento: ocorre quando há a paralisação definitiva de uma atividade (geralmente pela desativação da unidade) e objetiva avaliar possíveis danos ambientais causados a população e área do entorno de alguma unidade empresarial em consequência dessa desativação. Auditoria ambiental de due dilligence ou de responsabilidade: utilizada em aquisições ou fusões de operações, pois serve para indicar ao futuro proprietário ou sócio os possíveis investimentos, riscos e responsabilidades monetárias decorrentes da recuperação de possíveis passivos ambientais existentes. Este tipo de auditoria objetiva avaliar o passivo ambiental das empresas, e suas responsabilidades ambientais efetivas e potenciais. Na condução deste tipo de auditoria é recomendável que o auditor entreviste a população do entorno para identificar potenciais reclamações sobre a atividade. Auditoria ambiental de sítio: objetiva avaliar o estágio de contaminação de uma área específica. Auditoria compulsória: aquela cuja condução é obrigatória por exigência legal. Auditoria ambiental pontual: objetiva otimizar um aspecto pontual da operação, por exemplo: melhorar a gestão dos recursos, melhorar a eficiência do processo produtivo, o uso de energia ou de outros insumos, minimizar geração de resíduos e etc. Para que a aplicação da auditoria ambiental seja bem-sucedida, e para garantir a eficiência na sua execução, alguns itens são essenciais, ou seja, a auditoria ambiental só deve ser executada casos esses itens estejam contemplados: • A operação deve possuir recursos suficientes para apoiar a auditoria;• Deve ser feita uma definição clara, objetiva e bem documentada do objetivo e do escopo da auditoria; em função do objetivo e do escopo da auditoria são definidos os seus critérios e também a abrangência do processo; • Planejamento da auditoria, com a definição de um plano para sua aplicação; • Cooperação da operação que será auditada de expor os seus problemas e riscos ambientais; que a equipe de auditores seja independente da operação e qualificada para executar o processo; • Comprometimento da alta direção da empresa com o controle dos critérios e medidas corretivas estipuladas para evitar a degradação e prevenir riscos ambientais. 4 ISO 19011 E OS SEUS SEIS PRINCÍPIOS DE AUDITORIA A ISO 19011 é uma norma criada para fornecer orientações para a realização de auditorias dos sistemas de gestão, e também: • Os princípios de auditoria; • Gestão do programa e realização de auditorias; • Avaliação dos envolvidos no processo de auditoria e equipe de auditores; • Contribuição na melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade da empresa. Segundo a Norma Brasileira ABNT NBR ISSO 19011, a auditoria é caracterizada pela confiança em diversos princípios. Convém que estes princípios ajudem a tornar a auditoria uma ferramenta eficaz e confiável, em apoio às políticas e controles de gestão, fornecendo informações sobre as quais uma organização pode agir para melhorar seu desempenho. Aderência a estes princípios é um pré-requisito para serem fornecidas conclusões de auditoria que sejam pertinentes e suficientes, e para permitir que auditores trabalhando independentemente entre si cheguem a conclusões similares em circunstâncias similares. 1) Integridade: O fundamento do profissionalismo convém que os auditores e a(s) pessoa(s) que gerenciam um programa de auditoria: Desempenhem seu trabalho eticamente, com honestidade e responsabilidade; somente realizem atividades de auditoria se forem competentes para isso; realizem seu trabalho de uma maneira imparcial, isto é, mantenham-se justos e sem tendenciosidade em todas as suas interações; desempenhem sensíveis a quaisquer influências que possam ser exercidas sobre o seu julgamento enquanto estiverem realizando uma auditoria. 2) Apresentação justa: a obrigação de reportar com veracidade e exatidão convém que as constatações de auditoria, conclusões de auditoria e relatórios de auditoria reflitam com veracidade e precisão as atividades de auditoria. Convém que os obstáculos significativos encontrados durante a auditoria e não resolvidos por divergência de opiniões entre a equipe de auditoria e o auditado sejam reportados. Convém que a comunicação seja verdadeira, precisa, objetiva, em tempo hábil, clara e completa. 3) Devido cuidado profissional: a aplicação de diligência e julgamento em auditoria convém que os auditores exerçam o devido cuidado de acordo com a importância da tarefa que eles executam e com a confiança neles depositada pelo cliente de auditoria e por outras partes interessadas. Um fator importante na realização do seu trabalho com devido cuidado profissional é ter a capacidade de fazer julgamentos ponderados em todas as situações de auditoria. 4) Confidencialidade: segurança de informação convém que os auditores tenham discrição no uso e proteção das informações obtidas no curso de suas obrigações. Convém que a informação de auditoria não seja usada de forma inapropriada para ganhos pessoais pelo auditor ou pelo cliente de auditoria, ou de uma maneira prejudicial para os legítimos interesses do auditado. Este conceito inclui o manuseio apropriado de informação sensível ou confidencial. 5) Independência: a base para a imparcialidade da auditoria e objetividade das conclusões de auditoria convém que os auditores sejam independentes da atividade que está sendo auditada quando for praticável, e convém que ajam em todas as situações de um tal modo que estejam livres de tendenciosidade e conflitos de interesse. Para auditorias internas, convém que os auditores sejam independentes da função que está sendo auditada, se praticável. Convém que os auditores mantenham objetividade ao longo do processo de auditoria para assegurar que as constatações e conclusões de auditoria sejam baseadas apenas nas evidências de auditoria. Para pequenas organizações, pode não ser possível que auditores internos tenham total independência da atividade que está sendo auditada, porém convém que seja feito todo o esforço para remover a tendenciosidade e encorajar a objetividade. 6) Abordagem baseada em evidência: o método racional para alcançar conclusões de auditoria confiáveis e reprodutíveis em um processo sistemático de auditoria. Convém que a evidência de auditoria seja verificável. Convém que no geral ela seja baseada em amostras da informação disponíveis, uma vez que uma auditoria é conduzida durante um período de tempo finito e com recursos limitados. Convém que o uso apropriado de amostras seja aplicado, uma vez que esta situação está intimamente relacionada à confiança que pode ser depositada nas conclusões de auditoria. 7) Abordagem baseada em risco: uma abordagem de auditoria que considera riscos e oportunidades. Convém que a abordagem baseada em risco influencie substancialmente o planejamento, a condução e o relato de auditorias, para assegurar que as auditorias sejam focadas em assuntos que sejam significativos para o cliente de auditoria e para alcançar os objetivos do programa de auditoria. 5 REFERÊNCIAS NORMATIVAS DA AUDITORIA Fonte: www.8idea.com.br O Comité Técnico TC 207 da ISO, criado em 1993 com o objetivo de desenvolver e atualizar a série de normas ISO 14 000 (Ambiente), formou, entre outros, o Subcomitê 2 (SC2), designado Auditorias Ambientais, publicando as normas ISO 14 010 a 14 019. O SC2 teve o ponto alto do seu trabalho em 1996, com a publicação das normas ISO 14 010 - “Linhas de Orientação para Auditorias Ambientais – Princípios Gerais”, ISO 14 011 – “Auditoria aos Sistemas de Gestão Ambiental” e ISO 14 012 – “Critérios de Qualificação para Auditores do Ambiente”. NBR ISO 14001: 1996, Sistemas de gestão ambiental - Especificação e diretrizes para uso. NBR ISO 14010: 1996, Diretrizes para auditoria ambiental - Princípios Gerais. NBR ISO 14011: 1996, Diretrizes para auditoria ambiental - Procedimentos de auditoria - Auditoria de sistemas de gestão ambiental. Em termos de aplicação destas normas ao nível da organização, a ISO14 010 estabelece os princípios gerais para condução de auditorias ambientais, a ISO 14 011 fornece os procedimentos para a condução de auditorias ao sistema de gestão ambiental, incluindo os critérios para a seleção e composição das equipes auditoras, enquanto que a norma ISO 14 012 fornece orientação para a qualificação de auditores internos, externos e coordenadores. Com base na norma ISO 14001 “Sistemas de Gestão Ambiental” Especificações e Linhas de Orientação para a sua Utilização”, as auditorias ambientais constituem o requisito 4.5.4. Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental. Segundo este requisito, a organização deve estabelecer e manter programas e procedimentos para efetuar auditorias periódicas ao SGA, de modo a: • Determinar se o SGA está ou não conforme as especificações previstas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos da norma ISO 14 001 e, se está ou não adequadamente implementado e mantido; • Fornecer informação à Direção relativamente aos resultados das auditorias. O programa de auditoria da organização, incluindo a respectiva calendarização, deve ser baseado na importância ambiental da atividade a auditar e nos resultados de auditorias anteriores. Para que sejam abrangentes, os procedimentos de auditoria devem abarcar o âmbito da auditoria, frequência e metodologias, bem como as responsabilidades e requisitos para a conduzir e reportaros resultados 6 TIPOS DE AUDITORIA O termo auditoria ambiental é usado constantemente para cobrir uma gama enorme de atividades baseadas numa avaliação formal de uma organização, para verificar sua performance em relação aos objetivos ambientais. Uma auditoria consiste em um exercício, para obtenção de informações, as quais permitem que a necessidade de melhoria ambiental seja avaliada e ações corretivas sejam tomadas. Existem muitas definições que refletem diretamente sobre a ênfase e o objetivo de uma auditoria ambiental. No entanto, uma auditoria precisa ser um processo objetivo, sistemático e baseado em critérios definidos. Vários tipos de auditorias ambientais podem ser citados, como por exemplo: 1) Auditoria de Diagnóstico Ambiental: Também denominado de Auditoria Ambiental Preliminar, consiste em avaliar as facilidades e dificuldades existentes numa determinada organização, de forma objetiva e consistente, em relação às suas principais questões ambientais. Poderá ser utilizado para fundamentar um projeto de implantação, um Sistema de Gestão Ambiental – SGA. Atualmente, em todo o mundo, o SGA mais reconhecido é aquele baseado nas normas da série ISO 14000. Normalmente, nessa auditoria são analisados previamente: • As políticas existentes de meio ambiente, de segurança e da qualidade; • As responsabilidades das funções principais e o organograma atualizado da organização e • Os relatórios e registros das iniciativas já implantadas visando ao gerenciamento ambiental. O produto principal dessa auditoria é um relatório de diagnósticos contendo a descrição dos pontos fracos e dos elementos existentes em relação aos requisitos da política ambiental da organização, da legislação em vigor, e aos requisitos da norma ISO 14001. 2) Auditoria de Passivo Ambiental: Tipo de auditoria muito utilizada por organizações que desejam fazer aquisições de novas áreas e empreendimentos ou desinvestimentos. É uma auditoria mais detalhada, geralmente realizada por pessoal especializado na caracterização de fontes potenciais de contaminação ambiental, tanto para os meios físico e biológico quanto para o meio social. Envolve também a avaliação de responsabilidades civis decorrentes de atividades presentes e passadas. 3) Auditoria de Conformidade Legal: É uma auditoria focada unicamente nos critérios de atendimento aos requisitos da legislação ambiental em vigor. Geralmente, a maioria das empresas que iniciam um processo de implementação de melhorias ambientais ou mesmo um SGA tem pouca ou quase nenhuma familiaridade e conhecimento dos requisitos ambientais legais e outros pertinentes ao seu negócio. Essa lacuna de conhecimento eleva o grau de insegurança da organização com relação a vulnerabilidades jurídicas, como também existe a possibilidade de haver interpretações rigorosas de leis ambientais que não fazem parte da prática dos órgãos oficias de controle ambiental. Em alguns casos, tais lacunas detectadas demandam ações específicas imediatas por parte da organização. 4) Auditoria de Desempenho Ambiental: É uma auditoria que tem como objetivo geral a avaliação do desempenho ambiental de uma organização baseada em critérios anteriormente definidos. As exigências legais ambientais aplicáveis às organizações, as recentes mudanças nas demandas de mercado e a crescente conscientização da sociedade sobre a questão têm levado as empresas a uma necessidade de reavaliar as tecnologias de controle de poluição e incorporar novas práticas e tecnologias de prevenção. Tal reavaliação provoca discussões sobre o nível adequado de desempenho ambiental a ser adotado pelas organizações. A demanda de melhoria do desempenho ambiental das empresas tem decorrido também em função da implantação de SGA. 5) Auditoria Pós-acidente: acontece após acidentes ambientais, verificando as causas e consequências, bem como determinando as medidas mais eficazes para reduzir os danos observados. 7 PROCESSO DE AUDITORIA AMBIENTAL Fonte: portaldeauditoria.com.br A auditoria ambiental é uma importante ferramenta para melhorar o desempenho da gestão ambiental, ela serve como suporte para a tomada de decisões, dá ciência aos gestores da melhor maneira de gerenciar as empresas para que não incorram em agressões contra o meio ambiente, além de evitar o aumento de despesas e custos relacionados às normas de proteção ambiental que possam vir a impactar negativamente nos resultados das organizações. Dessa forma, a auditoria ambiental não tem apenas caráter corretivo e preventivo, mas também, a função de orientar, sendo capaz de avaliar a melhor forma das empresas atenderem as normas e legislações ambientais, sem que para isso tenham que comprometer sua rentabilidade ou até mesmo a sua saúde financeira. Auditoria ambiental pode ser definida como uma ferramenta que possibilita um “retrato” instantâneo do processo produtivo. Com esta ferramenta, passa a ser possível identificar os pontos “fortes” e “fracos” da organização com relação ao meio ambiente. La Rovere et. al. (2001 apud Campos e Lerípio 2009, p.7) A auditoria é um processo ordenado, que deve estar sempre documentado e que visa avaliar evidências encontradas no processo com o intuito de verificar se está tudo em conformidade, e assim demonstrar um parecer de acordo com o que foi auditado sugerindo melhorias se necessário, para um melhor desenvolvimento da empresa auditada. 7.1 Principais Etapas da Auditoria Ambiental Planejamento Para se ter um bom processo de planejamento da auditoria deve-se ter conhecimento, tanto por parte do auditor, quanto da empresa auditada que a mesma serve como processo de fiscalização e não de punição, sendo assim um processo voluntário que sugere melhorias para área auditada e de acordo com a realidade de cada situação. No caso da auditoria ambiental de início a sugestão seria entrar em contato com a pessoa ou empresa auditada a fim de ter uma visão mais apurada da realidade do trabalho para facilitar assim a realização do mesmo e a melhor ciência para o desfecho do relatório. • Definição dos objetivos e scopo • Definição dos critérios; • Definição dos recursos necessários Preparação É composta pelas atividades que englobam a formação da equipe de auditoria. • Definição da equipe de auditoria; • Análise preliminar de documentos; • Plano de Auditoria; • Elaboração, adaptação dos instrumentos de trabalho; • Estudo das legislações e normas; Execução A execução da auditoria tem como objetivo a obtenção, análise e avaliação de evidencias em relação ao cumprimento dos critérios estabelecidos na auditoria. • Reunião de abertura; • Coleta e avaliação de evidências; • Constatações; • Reunião de encerramento e apresentação de resultados; Elaboração do relatório final de auditoria E por fim, a última etapa da auditoria refere-se à elaboração do relatório de auditoria. As atividades relacionadas com confecção do relatório final de auditoria ambiental contemplam a definição de seu conteúdo o formato e a definição do relatório o qual deve ser previamente discutido nas etapas de planejamento e na de preparação da auditoria bem como a definição do plano de ação que deve estar acordado no escopo. CAMPOS E LERÍPIO (2009, p.44, apud MARIA SEIBERT et al., 2012). Para finalizar os trabalhos de auditoria sugere-se que seja apresentado formalmente à empresa, o relatório elaborado pelos auditores. 8 GESTÃO DE UM PROGRAMA DE AUDITORIA Fonte: bs10500-audit.com Atualmente a preocupação com o dano ambiental ultrapassa as fronteiras de um estado que antes agia isoladamente, passando a ser uma preocupação de nível global, onde se compreende como dano ambiental uma alteração indesejável ao meio-ambiente; como por exemplo a poluição atmosférica como uma lesão ao direito fundamental e naturalque todos devem ter de usufruir um meio-ambiente apropriado, ou seja, respirar o ar puro essencial para a vida BRAGA (2009, p.27 apud MARIA SEIBERT et al., 2012). Podemos perceber o envolvimento cada vez mais intenso das pessoas e das organizações no sentido de aumentar os seus índices de satisfação em relação aos cuidados com o meio ambiente. Assim, a gestão ambiental torna-se de grande relevância tendo o intuito de mobilização das organizações para se adequar à promoção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo ela encarada como um assunto estratégico, porque além de estimular a qualidade ambiental também possibilita a redução de custos diretos (redução de desperdícios com água, energia e matérias-primas) e indiretos (por exemplo, indenizações por danos ambientais). Por este motivo que, além de colaborar com o meio em que estão inseridas, as empresas ainda podem lucrar mais. A gestão ambiental é considerada como o sistema que inclui a estrutura organizacional na área de planejamento, responsabilidades, práticas processos e recursos para o desenvolvimento da política socioambiental. http://bs10500-audit.com/pt/ Deste modo o desenvolvimento sustentável deve considerar, de maneira harmônica, o crescimento econômico, com uma maior percepção dos impactos sociais decorrentes e o equilíbrio ecológico na utilização dos recursos naturais. A sociedade vem enfatizando de forma genérica, fazendo-se representar por meio de órgãos politicamente orientados (organizações de defesa ambiental, grupos observadores, partidos verdes, etc.). Essas pressões e a representatividade da sociedade vêm fazendo com que os governos criem novas leis ambientais com o objetivo de proteger o patrimônio natural da humanidade; O crescente desenvolvimento tecnológico causou um aumento significativo na geração de resíduos, em suas mais variadas formas, que necessitam de acondicionamento, transporte e disposição final específico para cada classe de material. A falta de um gerenciamento adequado de resíduos, especialmente por parte das empresas, é um problema ambiental extremamente grave em virtude dos diferentes compostos químicos oriundos deste meio. Um programa de auditoria é conjunto de uma ou mais auditorias planejadas para um período de tempo determinado e direcionadas a um propósito especifico. Segundo a sub-clausula 8.2.2 na NBR ISO 9001:2008 um programa de auditoria deve ser planejado, levando em consideração a situação e a importância dos processos e áreas a serem auditadas, bem como os resultados de auditorias anteriores. 8.1 Auditoria Ambiental - Vantagens e Desvantagens Fonte: visualmonterey.com.br Vantagens • Identificação e registro das conformidades e das não conformidades com a legislação, com regulamentações e normas e com a política ambiental da empresa (caso exista); • Prevenção de acidentes ambientais; Auditoria Ambiental • Melhor imagem da empresa junto ao público, à comunidade e ao setor público; • Provisão de informação à alta administração da empresa, evitando lhe surpresas; • Assessoramento aos gestores na implementação da qualidade ambiental na empresa; Auditoria Ambiental (Vantagens) • Assessoramento à alocação de recursos (financeiro, tecnológico, humano) destinados ao meio ambiente na empresa, segundo as necessidades de proteção do meio ambiente e as disponibilidades da empresa, descartando pressões externas; • Avaliação, controle e redução do impacto ambiental da atividade; Auditoria Ambiental (Vantagens) • Minimização dos resíduos gerados e dos recursos usados pela empresa; • A promoção do processo de conscientização ambiental dos empregados; • Produção e organização de informações ambientais consistentes e atualizadas do desempenho ambiental da empresa, que podem ser acessadas por investidores e outras pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas operações de financiamento e/ou transações da unidade auditada; • Facilidade na comparação e intercâmbio de informações entre as unidades da empresa. Desvantagens: • Necessidade de recursos adicionais para implementar o programa de auditoria ambiental; • Possibilidade de incorrer em dispêndio inesperado e expressivo de recursos para atender às não-conformidades detectadas na auditoria ambiental; • Indicar falsa sensação de segurança sobre os riscos ambientais caso a auditoria o seja conduzida de forma inexperiente ou incompleta; • Possibilidade de que as indústrias sofram pressões de órgãos governamentais e de grupos ambientais para demonstrar os resultados da auditoria ambiental. 9 AUDITOR AMBIENTAL Fonte: sionadvogados.com.br Uma empresa pode executar a cada ano vários tipos de auditorias ambientais. Estas tarefas variam desde auditorias internas rotineiras; auditorias de conformidade, exigida auditoria de desempenho; e outras auditorias externas executadas por autoridades públicas e por clientes. As auditorias atualmente executadas utilizam uma grande variedade de protocolos, há pouca consistência nos relatórios, os objetivos são redundantes e são pequenas as garantias de que ações corretivas apropriadas estão sendo implantadas. Devido à qualidade variável das auditorias e ao valor limitado de melhoria do desempenho, resultante dessas auditorias que estão atualmente sendo executadas, as empresas não estão somente deixando de otimizar os benefícios de um programa eficaz de auditoria, como se expondo aos riscos identificados, mas inadequadamente gerenciados. Mundialmente, os sistemas de avaliação de desempenho atual evoluíram da área da gestão da conformidade, para a área de responsabilidade corporativa. As companhias líderes utilizam atualmente a informação gerada pelos programas de avaliação de desempenho para avaliar os riscos e gerenciar problemas, visando minimizar futuros riscos e passivos ambientais. Duas diretrizes internacionalmente reconhecidas ressaltam a necessidade de auditorias ambientais: • Princípio de Valdez: “As empresas realizarão um auto avaliação anual, tornarão públicos os resultados e realizarão uma auditoria independente dos resultados” • Carta de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável do ICC: “Sinceridade sobre impactos e preocupações” “Assegurar a conformidade por meio de avaliação do desempenho, de auditorias e da periódica divulgação de informações aos acionistas”. Embora os requisitos relativos a auditorias se refiram primeiramente à avaliação do sistema, como no caso das auditorias de qualidade, as auditorias ambientais se destinam não apenas a avaliar a conformidade, mas, principalmente, à melhoria do sistema e do seu desempenho. A responsabilidade pode ter várias interpretações, de gestos altruístas a pressões de mercado ou boas práticas. Surgidas do uso de mecanismos de mercado e do crescente interesse dos acionistas no desempenho ambiental da empresa, as auditorias têm sido usadas para demonstrar o compromisso, a economia e o maior controle interno decorrentes de uma gestão empresarial apropriada, bem como, os benefícios decorrentes disto. A legislação estabelece alguns requisitos básicos para a qualificação de auditores ambientais, assim como algumas normas como a ISO 14.012 (Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação de Auditores) que foi substituída pela NBR ISO 19.011 em 2002 (Diretrizes para auditorias de sistema de gestão da qualidade e/ou ambiental). Portaria do Ministério do Meio Ambiente Nº 319, de 15 de Agosto de 2003: Estabelece os requisitos mínimos quanto ao credenciamento, registro, certificação, qualificação, habilitação, experiência e treinamento profissional de auditores ambientais para execução de auditorias ambientais que especifica. Auditor: indivíduo que realiza uma auditoria, ou parte dela (como membro da equipe de auditoria), e que atende aos critérios especificados nas normas e legislações pertinentes.Auditor líder: auditor que lidera uma auditoria específica e que atende aos critérios especificados nas normas e legislações pertinentes. O auditor líder deve possuir experiência adicional na condução de auditorias, pois ele será responsável por conduzir, orientar e supervisionar todo o processo. As normas e a legislação pertinente requerem que os auditores tenham completado treinamento formal e prático, visando que desenvolvam as competências necessárias para a condução de auditorias ambientais. Estes treinamentos formais podem ser oferecidos pela própria organização do auditor (instituições certificadoras) ou por entidades externas e, em geral, devem atender: • Ciência e tecnologia ambiental (conhecer os principais poluentes e seus impactos ambientais e técnicas como produção mais limpa, prevenção a poluição e etc); • Aspectos técnicos e ambientais de instalações operacionais; • Legislação ambiental, regulamentos e documentos pertinentes; • Sistema de Gestão Ambiental e principais normas técnicas nacionais e internacionais; • Procedimentos, processos e técnicas de auditoria. Além de possuírem formação técnica e experiência comprovada em auditorias, os auditores também precisam possuir alguns atributos e habilidades pessoais que são essenciais para garantir que tenham um desempenho eficiente e eficaz durante a auditoria, como: Competência em expressar conceitos e ideias através da escrita e oralmente, de forma objetiva e clara; Boa conduta interpessoal e facilidade de trabalho em equipe, por exemplo: diplomacia, tato e capacidade de ouvir, paciência, cooperação e etc; Responsabilidade com as suas funções; Boa organização pessoal e atenção aos detalhes. Também é fundamental ter boa capacidade de observação e capacidade de realizar julgamentos concretos, amparados em evidências objetivas; Manter os cuidados profissionais devidos, como aderir a um código de ética apropriado. Os resultados observados durante a execução da auditoria são de interesse apenas às partes interessadas, ou seja, não devem ser divulgados e comentados para mais ninguém. Além de buscarem sempre adquirir mais experiência e conhecimentos através de novas auditorias e treinamentos, os auditores devem se atualizar constantemente em relação aos seguintes tópicos: Legislação ambiental, Sistemas de Gestão Ambiental e normas nacionais e internacionais relacionadas; Processos, procedimentos e técnicas de auditoria; Aspectos relevantes da ciência e tecnologia ambiental, como novas descobertas, e sobre aspectos técnicos e ambientais dos principais processos produtivos (exemplo: indústrias de alimentos, siderúrgicas, etc). Já as habilidades do auditor para ISO 9001 e ISO 14001: • Capacidade de identificar negócios essenciais e de suporte. • Capacidade de usar mapeamento de processo e diagramas de fluxo. • Ao invés de auditar para atendimento, olhar para a efetividade e eficiência do processo. • Entender o papel da medição em dar suporte a uma abordagem factual para tomada de decisão e assegurar a melhoria contínua. • Fazer julgamento sobre como se podem atingir as metas e o cumprimento dos objetivos da qualidade e ambiental. • Conhecimento em leis, regulamentos e outros requisitos pertinentes. Deve-se observar que os processos devem ser identificados, estabelecidos e documentados, mas não necessariamente definidos na forma de procedimentos. Já o conhecimento e as habilidades genéricas de líderes de equipe da auditoria incluem: • Planejar a auditoria e fazer uso eficaz de recursos durante a auditoria. • Representar a equipe da auditoria em comunicações com o cliente da auditoria e o auditado. • Organizar e dirigir os membros da equipe da auditoria. • Fornecer a direção e a orientação para auditores em treinamento. • Conduzir a equipe de auditoria para atingir as conclusões do processo de trabalho. • Prevenir e solucionar conflitos. • Preparar e completar o relatório de auditoria. 9.1 Papel do Auditor Ambiental e do Auditado Para se tornar um Auditor Ambiental, é preciso estar credenciado junto a um órgão certificador e possuir graduação maior que o auditor interno. Isto é, além de ter o conhecimento na área de Gestão Ambiental – algo que pode ser obtido por meio da graduação em Engenharia Ambiental e pela pós- graduação em Gestão Ambiental, por exemplo, é fundamental que o profissional se especialize também no ramo da Auditoria Ambiental. No processo de avaliação, através de Auditorias, podem ser detectadas pelo Auditor a ocorrência de falhas relacionadas aos processos ou produtos. Ou seja, o não atendimento a um requisito, norma ou expectativas dos Clientes ou das Empresas, relacionadas aos processos ou produtos, que são denominadas tecnicamente de Não Conformidades. O papel do auditor é identificar as fontes que podem gerar uma não conformidade. Entre as principais delas, estão: Falhas no atendimento aos requisitos de normas, especificações técnicas e documentos de referência, relacionados aos processos, áreas, serviços ou produtos. Erros no atendimento aos requisitos de documentos do Sistema de Gestão. Documentos e dados técnicos insuficientes, incompletos ou com erros, que possam impedir a demonstração clara da conformidade esperada para produtos e atividades. Inadequação de materiais e equipamentos especificados que possam interferir nos objetivos esperados, desempenho seu controle de processos. Falhas na concepção, instalação e montagem dos projetos. Como tratar essas falhas? Primeiramente, o auditor precisa identificar o problema e levantar as informações sobre; O que foi afetado? Onde ele aconteceu? Quando foi descoberto esse problema? A partir daí o auditor deve registrar as evidências objetivas relativas ao problema detectado, listando documentos, materiais, registros, itens e qualquer outra informação relevante ao processo, área, serviço ou produto, onde a não conformidade foi identificada. O passo seguinte deve ser a comunicação da não conformidade ao auditado. Uma vez, ciente da Não conformidade, o Auditado deverá iniciar as análises de causas e os processos para correções e ações corretivas. Tanto o auditor, quanto o auditado, devem ter em mente que as não conformidades não têm caráter punitivo. Elas são abertas para os processos e não para pessoas. Devem ser vistas pelo auditor e pela organização como grandes oportunidades de melhoria. 9.2 Avaliação de riscos e responsabilidade civil As auditorias podem ser utilizadas em várias fases da avaliação de riscos ligados a questões ambientais, de segurança e de saúde, que podem levar à responsabilidade civil. Aqui se pode aplicar o risco a sistemas de gestão, tecnologia de controle e uso de certos materiais, bem como riscos de processo e produto. Portanto, pode-se usar a auditoria para avaliar e minimizar os riscos. Auditorias mais especializadas e profundas podem ser usadas para investigar a extensão dos problemas em potencial. A responsabilidade civil, em termos ambientais, abrange indivíduos e empresas onde surja poluição ou não conformidade legal. Podem-se usar as auditorias ambientais para o entendimento e ação nos casos de responsabilidade civil em potencial, relacionados a eventos crônicos ou agudos ou ao sistema de gestão. O campo de avaliação de riscos e o papel das auditorias ambientais podem ser aplicados a muitas situações, como o planejamento interno de emergência, a fusão de duas empresas, a realização de parcerias, as renovações ou aquisições de seguros, as aquisições e o planejamento. Muitas empresas realizaram auditorias usando o argumento da economia de custos, em vez das pressões legais. As áreas- chave para as auditorias que visam quantificar os benefícios financeiros agrupam-se sob o termo genérico “minimização de perdas”, que se aplica à água, emissões, efluentes, energia, gestão de resíduos e de materiais.Dependendo da natureza das operações e dos objetivos, o foco das auditorias pode variar da energia consumida para produção à política de compras. Em termos financeiros, a auditoria pode ser uma ferramenta de apoio nas decisões, fornecendo informações sobre os custos ambientais atuais e os benefícios de ações existentes ou futuras. 9.3 Concorrência Motivos adicionais para as auditorias é o crescente interesse na incorporação da questão ambiental na gestão das empresas; como o progresso em relação a objetivos e o relativo impacto de seus produtos. As auditorias formam parte integral dos sistemas de gestão, tanto como feedback do controle interno quanto para contribuir com os objetivos da análise crítica pela administração. A crescente vigilância sobre as credenciais ambientais das empresas, tanto interna quanto externa, requer da administração um bom sistema de monitoramento e de informações, que as auditorias podem fornecer. Adoção de práticas específicas considerando a variável ambiental pode ser usada em muitos setores como nicho para a comercialização, apesar do argumento de que possuir um sistema de gestão que incorpore a questão ambiental como parte indissociável do negócio vai se tornar uma condição “sine qua non”. As auditorias são então usadas como ferramentas para atrair a atenção no que se refere às necessidades e ajustes no gerenciamento. 9.4 Estratégicas Uma função adicional da auditoria ambiental está no planejamento, no “benchmarking” e na coleta de informações. A preocupação com o nível de implementação de uma política ou norma ambiental, a comparação com as melhores práticas industriais e os níveis internos de conscientização são motivadores típicos desta categoria de auditoria ambiental. Uma frase bastante conhecida entre os gerentes e diretores de empresas é que “Só se controla aquilo que se mede”. Do ponto de vista ambiental, a frase é bastante verdadeira, onde o conhecimento é fundamental para a tomada de decisão. Um processo de auditoria ambiental auxilia no acompanhamento das informações e na verificação da confiabilidade das mesmas, possibilitando uma melhor definição das metas estratégicas em alinhamento com a visão e missão da empresa. Independentemente que a auditoria ambiental seja realizada de modo voluntário ou por atendimento a requisitos legais, os resultados provenientes das auditorias podem possibilitar alguns ganhos competitivos para o negócio, desde que se entenda o seu processo como uma oportunidade para a melhoria contínua. 9.5 Protocolo da auditoria O termo “protocolo” significa lista de verificação utilizada por auditores ambientais como guia para realizar as atividades de auditoria. Não existe protocolo padrão, seja em forma ou conteúdo. Normalmente, as empresas desenvolvem seus próprios protocolos para atender as suas necessidades específicas de conformidade e sistemas de gestão. Empresas de auditoria desenvolvem regras gerais que podem ser aplicadas a uma vasta gama de empresas / operações. A tecnologia atual suporta muitas versões de computador baseadas em protocolos com tentativa de simplificar o processo de auditoria, convertendo requisitos regulamentares de modo qualificado. Empresas e auditores encontram vários sistemas de protocolo disponíveis de modo comercial. Outros profissionais (normalmente aqueles com muitos anos de experiência em auditoria ambiental) usam os regulamentos. Há um debate de longa data entre os profissionais de auditoria ambiental no valor de grandes protocolos detalhados e prescritivos. O uso de protocolos estruturados e prescritivos em auditorias ISO 14001 facilita a revisão por outros partidos, seja interno ao Organismo de Certificação (por exemplo, revisores técnicos e gestores de certificação) ou externos (organismos de acreditação). Nos EUA, permite que as emissões atmosféricas, descargas de águas residuais e outros aspectos operacionais estabelecem os principais padrões de conformidade legal para as empresas. Nos últimos anos os avanços na tecnologia tiveram grandes impactos na auditoria. Os computadores portáteis, impressoras portáteis, CD / DVDs, internet, e- mail e acesso à Internet sem fio têm sido usados para melhorar as auditorias, e também o acesso à informação, regulamentar e criar relatórios de auditoria no local. Em experiência realizada na década de noventa do século XX uma grande empresa investiu recursos significativos no teste de “vídeo”, onde o auditor (localizado na sede corporativa) utilizava em tempo real a tecnologia de videoconferência para o pessoal ao local para levar câmeras de vídeo de modo específico. Embora inicialmente promissora, o conceito não se mostrou aceitável. São utilizadas diversas nomenclaturas para designar o plano da auditoria. Ele reúne dois elementos: O plano da auditoria contendo os requisitos da gestão ambiental que serão considerados pelos auditores e a programação da auditoria, com a distribuição diária das atividades de cada auditor. Além do propósito de planejar uma auditoria, o protocolo possui outras finalidades, como por exemplo: Programar a auditoria, registrar alterações no plano da auditoria, registrar os procedimentos da auditoria, registro de evidências, exceções, observações e acompanhamentos, registrar anotações de campo, registrar relatórios diários, registrar atas de reuniões, registrar o relatório final da auditoria desenvolvendo o protocolo. O protocolo de uma auditoria ambiental tem como ponto de partida o sistema de gestão ambiental existente na organização. Nele são encontrados todos os focos de uma auditoria: O escopo do sistema, áreas funcionais a serem auditadas, requisitos do sistema a serem avaliados em cada área funcional a ser visitada, requisitos legais pertinentes, convênios e contratos subscritos pela organização, padrões e práticas auto impostos pela organização, aspectos ambientais da organização, objetivos e metas ambientais estabelecidos no sistema. A partir destes elementos são desenvolvidos os protocolos das auditorias ambientais. Mas, complementando o protocolo, também com base nestes elementos, devem ser estabelecidas três orientações básicas: Como as técnicas de auditorias serão aplicadas para a compreensão de cada um dos requisitos do sistema: I. Observação; II. Listas de verificação; III. Questionário; IV. Testes; V. Solicitando procedimentos, documentos e registros. Qual a profundidade mínima de abordagem será utilizada para caracterizar e avaliar cada um dos requisitos do instrumento de gestão? Cada auditor possuirá acesso ao protocolo estabelecido, bem como de suas eventuais alterações, definidas pelo auditor líder, ao longo do processo de auditagem. 9.6 Programando o tempo dos trabalhos de campo Há protocolos de auditoria que apenas estabelecem, por auditor, a sequência, a duração e o horário das entrevistas diárias que irá realizar em campo. Há outros que apenas detalham o critério da auditoria e o prazo total das atividades a serem realizadas em campo. Entende-se que ambos os protocolos estão corretamente desenhados. Mas, preferimos seguir um procedimento mais abrangente, ou seja, elaborar o detalhamento do critério da auditoria, bem como definir a quantidade de visitas que será realizada por cada auditor diariamente. Assim, é possível estimar com mais acuro o prazo das atividades de campo e as técnicas que serão adotadas. Duas coisas precisam ser consideradas para minimizar as consequências eventuais de remarcações de horário de entrevistas. Mesmo antes da reunião de abertura da auditoria, a organização auditada deve ser informada formalmente da possibilidade de remarcações de horário ao longo das atividades de campo da empresa auditora, de forma a que os entrevistados possam programar suas atividades normais com liberdade de atendimento aos auditores. Por outro lado, os auditoresque tenham a necessidade de remarcar horários de entrevistas devem procurar recuperar seus horários normais ao longo do dia. Sobretudo em auditorias de plantas industriais, sugerimos que o tempo diário na planta de um auditor seja mais reduzido, ou seja, no máximo 8 horas por dia, mesmo que esta medida amplie o prazo total das atividades de campo. Recomendamos ainda, sobretudo em plantas industriais com unidades descentralizadas, que sejam realizadas no máximo cinco entrevistas por dia, por auditor. Vários eventos devem ser considerados para o estabelecimento do número e do horário das entrevistas: A complexidade da planta e de seus processos; A profundidade dos conhecimentos a serem adquiridos. As ferramentas e técnicas a serem utilizadas na auditoria (questionários, listas de verificação e etc). O horário de operação da planta durante o dia e de permanência dos auditados. O tempo necessário de deslocamento entre duas unidades descentralizadas. Recomendamos, por fim, que a programação do protocolo considere 10 minutos a mais no tempo de cada entrevista para compensar preventivamente possíveis atrasos. Estas atenções sugeridas consideram dois fatos: Auditoria não é gincana, ou seja, não é melhor auditor aquele que termina mais rápido; Auditorias devem ser completamente realizadas, conforme o protocolo elaborado. 10 DIFERENÇA ENTRE PERÍCIA E AUDITORIA AMBIENTAL Fonte:ciflorestas.com.br A auditoria e a perícia ambiental são ferramentas que possuem finalidades diferentes. A perícia é um instrumento que está relacionado à prática jurídica, e utiliza diversas técnicas para esclarecer determinado fato que seja motivo de disputa ou litígio, a fim de respaldar decisões judiciais. A perícia pode ser solicitada por um juiz, promotor público ou até mesmo por uma das partes interessadas na questão. A auditoria, é um processo estruturado e que visa apontar conformidades e não conformidades nas práticas de uma determinada organização em relação às regras ou legislação vigente. Em geral, a auditoria é solicitada pela própria empresa, como mecanismo de controle e gestão. Outra diferença que pode ser evidenciada nas definições apresentadas é quanto à obrigatoriedade. As auditorias não são obrigatórias, são feitas normalmente por empresas ou corporações de forma voluntária. Em algumas situações podem ser usadas como uma ferramenta de gestão para melhorar seu desempenho ambiental ou seu Sistema de Gestão Ambiental. Existem vários tipos diferentes de auditorias ambientais. As perícias são obrigatórias e normalmente estão atreladas a alguma ação judicial, a algum litígio, a alguma disputa. Em relação a habilitação do profissional que irá executar o trabalho, no caso dos peritos, exige-se nível universitário completo e certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos (CREA, CRB, etc.). Para tornar-se um auditor, faz-se necessário a realização de cursos, comprovação de conhecimentos e habilidades, mas não é necessário curso superior. Os cursos recomendados para você se capacitar como Auditor Ambiental são normalmente: Leitura e Interpretação da NBR ISO 14.001 e da NBR ISO 19.011. As documentações de ambas também são realizadas de forma diferenciada. As auditorias são documentadas por meio de Relatórios de Auditoria. Não há modelo pré-definido (a não ser que o cliente exija). A língua também é definida pelo cliente (contratante). Os auditores costumam usar instrumentos como: questionários, checklists, protocolos de legislação. Mas nenhum instrumento é obrigatório. São comuns o uso de fotos para auxiliar na explicação das não conformidades. Já as perícias são documentadas por meio de um Laudo Pericial, que normalmente é redigido de forma a responder aos quesitos formulados pelo magistrado e seguem um padrão de acordo com o Novo Código Processual Civil. Existe protocolos de recusa do trabalho ou serviço? Neste quesito, as auditorias não exigem formalidades. Até porque o auditor é um profissional contratado e pago para realizar a auditoria. Por outro lado, nas perícias as recusas precisam ser bem justificadas e feitas de forma a ficar registrada. Quem é o responsável para contratar os serviços de cada serviço? O cliente das auditorias pode ser a própria empresa ou uma empresa interessada em conhecer as não conformidades e passivos de outra empresa (um fornecedor ou uma empresa a ser comprada, por exemplo). As perícias são solicitadas tanto por um juiz, um promotor de justiça ou até mesmo uma das partes interessada em uma disputa. Embora haja diferenças, destacamos que tanto as Auditorias, quanto as Perícias Ambientais são importantes instrumentos de avaliação. De formas distintas, mas com algumas semelhanças, cumprem um importante papel social, tanto no âmbito judicial quanto não judicial. Apesar da evolução que já houve, são instrumentos que precisam ser mais divulgados, sobretudo nos cursos de formação técnica, superior e de pós-graduação. 10.1 O relatório de não conformidade Todas essas informações, relacionadas às falhas identificadas farão parte de um relatório de não conformidade que o auditor deve preencher. Este relatório deve ser baseado em fatos, evidências e referências aos requisitos não atendidos. É importante notar que a abertura desse relatório deverá levar em conta a autonomia e independência atribuída ao auditor e o conjunto de normas utilizadas na avaliação. Existem normas de Gestão, como as de Qualidade, Ambiental, Segurança e Saúde, Segurança de Alimentos, entre outras, que já possuem requisitos para tratativa de não conformidades. 11 AUDITORIA AMBIENTAL COMPULSÓRIA Fonte: joaquimnabuco.edu.br O que são auditorias compulsórias? Considera-se Auditoria Ambiental compulsória a realização de avaliações, estudos destinados a verificar: o cumprimento das normas legais ambientais em vigor; os níveis efetivos ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental por atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas; as condições de operação e de manutenção dos equipamentos e sistemas de controle de poluição; as medidas necessárias para: assegurar a proteção do meio ambiente; assegurar a proteção da saúde humana; minimizar impactos negativos ao meio ambiente e recuperá-lo. A capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas, instalações e equipamentos de proteção do meio ambiente e os fatores de riscos advindos das atividades potencialmente e efetivamente poluidoras No Brasil, identificamos um histórico de acidentes ambientais, que serviram de estímulo para que o poder público legislasse sobre o tema e propiciasse uma evolução nestas legislações. No ano de 2000, ocorrem dois grandes acidentes ambientais durante o processo de transferência de petróleo. Esses dois acidentes foram marcantes não só pelo volume de óleo, mas principalmente pelo impacto ambiental gerado em áreas de alta sensibilidade ambiental. O primeiro acidente ocorreu no Rio de Janeiro, no mês de janeiro, durante a transferência de óleo entre a refinaria Duque de Caxias e o terminal de Ilha D’àgua, quando um vazamento provocou o derrame de 1.300 m3 de óleo para o mangue e o aparecimento de uma mancha negra superior a 50 Km2 , o que gerou contaminação em várias praias da baía de Guanabara e nos manguezais da região e a morte de inúmeros animais marinhos. Este acidente provocou uma comoção nacional e levou o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) a aprovar a Resolução nº 265, obrigando a todas as unidades da Petrobras, no estado do Rio de Janeiro, a realizarem auditorias ambientais compulsórias no prazo máximo de seis meses. Fonte:oglobo.globo.com Outro acidente, também ocorreu em área ecologicamente sensível, na cidade de Araucária-PR, quando da transferência de óleo da refinaria Getúlio Vargas para o terminal de São Francisco do Sul,ocorreu um vazamento de 4.000 m3 de óleo, que atingiu os rios Barigui e Iguaçu, tornando-se o maior desastre ambiental provocado pela Petrobras. Fonte: sindipetroprsc.org.br Atualmente, passados 15 anos do acidente, as consequências ainda são percebidas. As perícias requisitadas pela Justiça para avaliar as condições da vegetação, mamíferos, aves, peixes e anfíbios do local, assim como a qualidade do solo e do ar, serviram de subsídio à condenação da Petrobrás. “Da leitura da prova pericial realizada, extrai-se que o petróleo derramado sofreu evaporação e, na verdade, até hoje evapora, causando poluição do ar e possíveis danos à saúde dos seres vivos”, diz a parte da sentença que impôs à Petrobrás uma multa bilionária em decorrência do vazamento. (Segundo SINDIPETRO, Paraná e Santa Catarina, publicou em sua página.) Em março de 2001, após a explosão na plataforma da Petrobras, P-36, que provocou a morte de 11 pessoas, houve o derramamento de 1.500 m3 de óleo, por ocasião de seu afundamento em alto mar, na Bacia de Campos. Fonte: fnpetroleiros.org.br A P-36 naufragou a uma profundidade estimada de 1.200 metros e com um reservatório de 1.500 toneladas de óleo a bordo. Após um período de investigação, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Marinha emitiram um relatório conjunto, em que afirmavam que a principal causa das explosões foi um problema no fechamento de uma válvula. Os técnicos também apontaram erros de manutenção e deficiência no projeto da plataforma. (Segundo divulgado pela fnpetroleiros em sua página) Algumas legislações setoriais foram implementadas após estes acontecimentos, como o Decreto-Lei n. 1413/75, que dispõe sobre o controle da poluição do meio ambiente provocada por atividades industriais; o Decreto n. 76389/75, que dispõe sobre medidas de controle de poluição industrial; e a Lei n. 6803/80, que estabeleceu as diretrizes para o zoneamento industrial; entre outras A Política Nacional do Meio Ambiente somente foi estabelecida em 31 de agosto de 1981, pela Lei n. 6938, a evolução da legislação ambiental tem sido muito rápida, sendo esta lei posteriormente alterada pelas Leis n. 7804, de 18 de julho de 1989, e n. 8028, de 12 de abril de 1990. Através da lei n. 6938, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, posteriormente, através da Lei n. 7735, de 22 de fevereiro de 1989, foi criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, atual órgão executor do SISNAMA. Em 1981, o estado do Rio de Janeiro publica a primeira lei estadual do país, referente ao tema do meio ambiente, e esta já contemplava a exigência de auditorias ambientais anuais, de caráter compulsório, para as atividades de maior potencial poluidor. Em 1986, a resolução número 001/86, do CONAMA, torna obrigatória o Estudo de Impactos Ambientais - EIA no País, para algumas atividades específicas, de maior poder poluidor, que já havia sido mencionado na Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981, como um instrumento no processo de licenciamento ambiental. Vale ressaltar, que Margulis (1998) declara que o EIA já era usado no estado do Rio de Janeiro, em data anterior a publicação da resolução 01/86. Em janeiro de 2000, após o acidente ambiental na baía de Guanabara, o Conselho Nacional do Meio Ambiente -CONAMA, publicou a Resolução CONAMA nº 265/00, que obrigou a realização de auditorias ambientais compulsórias, em todas as instalações da Petrobras no estado do Rio de Janeiro, em abril deste mesmo ano, é promulgada a lei federal nº 9.966, que determina a uma periodicidade bienal para estas auditorias ambientais compulsórias. A Resolução CONAMA nº 306/02 foi editada para orientar o disposto na Resolução CONAMA nº 265, no que se refere aos critérios para a realização das auditorias ambientais compulsória. Esta prática, de auditorias ambientais compulsórias, já era praticada no estado do Rio de Janeiro, através da elaboração da Lei 1898/91, onde estabelecia a necessidade de auditorias ambientais independentes, e pela atuação da FEEMA, através da emissão de diretrizes específicas em novembro de 1995 (DZ-56), para a realização destas auditorias ambientais. Em 2002, o CONAMA estabeleceu a Resolução n° 306 de 05/07/2002, definindo as exigências para a realização das auditorias ambientais independentes, incluindo detalhes referentes ao plano de auditoria, a preparação e realização da auditoria, o conteúdo do relatório, incluindo a exigência do respectivo plano de ação. Em 2003, passa a vigorar, a Portaria n° 319 de 15/08/2003, do Ministério do Meio Ambiente, que estabeleceu os requisitos mínimos para a qualificação dos auditores ambientais. Mais recentemente, saiu a nova resolução da CONAMA 381/06, em dezembro de 2006, trazendo um maior detalhamento para o anexo II da CONAMA 306/02, ampliando os critérios de auditoria e detalhando a confecção do respectivo plano de auditoria Fazendo uma comparação extremista, para melhor visualização, vamos nos desprender um pouco da precisão técnica para afirmar que na auditoria ambiental de conformidade legal compulsória, é indiferente se a empresa tem ou não uma sistemática para identificar, atender, monitorar e tratar não conformidades referentes ao atendimento à legislação. O que interessa não é o “como”, mas sim se de fato a empresa está cumprindo a legislação ambiental aplicável. COUTO, (2004 apud JÚNIOR; COSTA, 2008). Como pode-se verificar as auditorias compulsórias são muito utilizadas nos setores que causam maiores impactos ambientais. Não são todos os estados brasileiros que possuem legislação como essa do Paraná, mas verifica-se a preocupação geral sobre como melhorar as práticas ambientais nos diversos setores produtivos a discussão de que quando não há norma, não há cumprimento de padrões simplesmente para agradar a sociedade. 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAGA, Célia. CONTABILIDADE AMBIENTAL: FERRAMENTA PARA A GESTÃO DA SUSTENTABILIDADE. São Paulo: atlas, 2009. CAMPOS, Lucila Maria de S.; LERIPIO, Alexandre de A. AUDITORIA AMBIENTAL: UMA FERRAMENTA DE GESTÃO. São Paulo: Atlas, 2009 JÚNIOR, Lidinei Arueira; COSTA, Stella Regina Reis da. AUDITORIAS AMBIENTAIS COMPULSÓRIAS E SUA APLICAÇÃO NO BRASIL: O CASO DA RESOLUÇÃO CONAMA 306/02. IV Congresso Nacional de Excelência em gestão, [S. l.], p. 1-15, 2 ago. 2008. PIVA, Ana Luiza. AUDITORIA AMBIENTAL: UM ENFOQUE SOBRE A AUDITORIA AMBIENTAL COMPULSÓRIA E A APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS. Publicadireito, [S. l.], p. 1-21, jan. 2007. SEIBERT, Rosane Maria et al. AUDITORIA AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO EM UMA PROPRIEDADE RURAL DA REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL. Revista de Contabilidade Dom Alberto, [S. l.], p. 1-22, 1 dez. 2012. 13 BIBLIOGRAFIA MORAES, Clauciana Schmidt Bueno de; PUGLIESI, EÌurica. Auditoria e certificação ambiental. Curitiba: Intersaberes, 2014. ISBN 9788544300732. LINS, Luiz Dos Santos. Introdução à gestão ambiental empresarial. São Paulo: Atlas, 2015. ISBN 9788597001082. NBR ISO 19011:2012 / Normas técnicas / 2. ed. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 19011: diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, maio. 2012. 53 p. ISBN 978-85-07-03370-7.