Direito Civil – Obrigações Noções iniciais – Direitos pessoais e direitos reais.

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sem culpa do devedor, a obrigação concentrar-se-á 
na remanescente (CC, art. 253), ao passo que, na obrigação com cláusula penal, a impossibilidade de 
cumprir a prestação principal, sem que tenha havido culpa do devedor, extingue a obrigação a 
conseqüentemente a pena convencional, ante o seu caráter acessório (CC, arts. 92 393). 
Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o 
débito quanto à outra. 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente 
não se houver por eles responsabilizado. 

Parágrafo único - O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era 
possível evitar ou impedir. 

Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe 
a do principal. 
 

5ª) Cláusula penal a obrigação facultativa. Embora em ambas o objeto devido seja um só, possibilitando 
a exoneração do devedor mediante prestação diversa, e o perecimento da prestação principal acarrete 
a extinção da obrigação de entregar o objeto ou de pagar a pena convencional, diferenciam-se os 
institutos, visto que:  

a) na obrigação facultativa, o credor só poderá exigir a coisa que constitui objeto da obrigação, 
enquanto na obrigação, com cláusula penal, na hipótese do Código Civil, art. 410, ele poderá 
reclamar a pena;  

b) na obrigação facultativa, o devedor liberar-se-á mediante a entrega do objeto principal, 
permitindo-se-lhe a substituição por outro no ato do pagamento; na obrigação com cláusula 
penal, o devedor não poderá oferecer a pena em resgate da obrigação principal. 

Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-
se-á em alternativa a benefício do credor. 
 

6°) Obrigação com cláusula penal a obrigação condic ional, pois na obrigação condicional o evento 
previsto pelos contraentes permanece em suspenso, podendo efetivar-se ou não; Já na obrigação com 
cláusula penal, o direito do credor existe plenamente, desde o momento em que se constitui a relação 
obrigacional; a pena convencional é que somente será devida se o devedor não cumprir a obrigação e é 
apenas nesse sentido que se diz que a cláusula corresponde a uma condição. 
 

 

Efeitos 
 

O efeito primordial da cláusula penal é o de sua exigibilidade pleno iure, no sentido de que independerá 
de qualquer alegação de prejuízo por parte do credor (CC, art. 416), que não terá de provar que foi 
prejudicado pela inexecução culposa da obrigação ou pela mora. A única coisa que o credor terá de 
demonstrar será a ocorrência do inadimplemento da obrigação e a constituição do devedor em mora.  
Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. 



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Parágrafo único - Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir 
indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da 
indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente. 

 

Tomando-se inadimplente ou moroso o devedor, por culpa sua, a cláusula penal passará a ser exigível 
por meio de ação judicial. Desempenha, indubitavelmente, o mesmo papel das perdas a danos, com a 
diferença de dispensar a prova do dano. 
 

O credor, todavia, não está obrigado a reclamar a cláusula penal, podendo optar pela execução da 
prestação, exceto:  

a) se a execução específica se tornar impossível;  
b) se a cláusula for moratória, pois o credor, pelo Código Civil, art. 411, tem o direito de cumular a 

satisfação da pena convencional com o desempenho da obrigação principal;  
c) se se convencionar cláusula penal para assegurar outra cláusula, caso em que o credor poderá 

cumular a execução e a pena (CC, art. 411). 
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula 
determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da 
obrigação principal. 
 

Quanto ao efeito da obrigação com cláusula penal, havendo pluralidade de devedores a sendo 
indivisível a obrigação, todos os devedores a seus herdeiros, caindo em falta um deles, incorrerão na 
pena; esta, porém, só se poderá demandar integralmente do culpado, de modo que cada um dos outros 
apenas responderá, se o credor optou pela cobrança individual de cada devedor, pela sua quota, tendo, 
contudo, ação regressiva contra o co-devedor faltoso, que deu causa à aplicação da pena convencional 
(CC, art. 414, parágrafo único). 
Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um deles, incorrerão na pena; mas 
esta só se poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada um dos outros somente pela sua quota. 

Parágrafo único - Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à 
aplicação da pena. 

 

Se a obrigação for divisível, só incorrerá na pena aquele devedor, ou o herdeiro do devedor, que a 
infringir, a proporcionalmente à sua quota na obrigação (CC, art. 415), porque o credor apenas foi 
prejudicado em relação a essa parte. 
Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringir, 
e proporcionalmente à sua parte na obrigação. 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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40 - CESSÃO 
 

Conceito de cessão 
A transmissão das obrigações é uma conquista do direito moderno, representando uma sucessão ativa, 
se em relação ao credor, ou passiva, se atinente ao devedor, que não altera, de modo algum, a 
substância da relação jurídica, que permanecerá intacta, pois impõe que o novo sujeito (cessionário) 
derive do sujeito primitivo (cedente) a relação jurídica transmitida.  
 

A relação obrigacional é passível de alteração na composição de seu elemento pessoal, sem que esse 
fato atinja sua individualidade, de tal sorte que o vínculo subsistirá na sua identidade, apesar das 
modificações operadas pela sucessão singular ativa ou passiva.  
 

O ato determinante dessa transmissibilidade das obrigações designa-se cessão, que vem  ser a 
transferência negocial, a título gratuito ou oneroso, de um direito, de um dever, de uma ação ou de um 
complexo de direitos, deveres a bens, com conteúdo predominantemente obrigatório, de modo que o 
adquirente  (cessionário) exerça posição jurídica idêntica à do antecessor (cedente) 
 

 

Espécies de cessão 
Para haver transmissibilidade das várias posições obrigacionais, será preciso verificar se a posição do 
credor é suscetível de transmissão; se o for ter-se-á a cessão de crédito, desde que se configurem.os 
requisitos necessários para sua eficácia;  se há possibilidade de se transferir a posição de devedor, 
hipótese em que surgirá a cessão de débito, estando presentes as condições imprescindíveis para 
tanto, e se as partes, nos contratos com prestações correspectivas, que implicam direitos a deveres 
recíprocos, podem transmitir, como um todo, sua inteira posição contratual, visto ser cada uma delas 
credora a devedora de prestações, caso em que se teria cessão de crédito a de débito, ou, como 
preferem muitos autores, cessão de contrato. 
 

 

Cessão de crédito 
A cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral bilateral, ou melhor, de um contrato, gratuito ou 
oneroso, pelo qual o credor de uma obrigação (cedente) transfere, no todo ou em parte, a terceiro 
(cessionário), independentemente do consentimento do devedor (cedido), sua posição na relação 
obrigacional, com todos os acessórios a garantias, salvo disposição em contrário, sem que se opere a 
extinção do vínculo obrigacional. 
 

A cessão de crédito poderá ser: 
 

1ª) Gratuita ou onerosa, conforme o cedente a realize com ou sem uma contraprestação do cessionário. 
 

2ª) Total ou parcial. Se total, o cedente transferirá todo o crédito;

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