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APOSTILA TERAPEUTICA

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o tratamento de erliquioses e 
anaplasmoses. 
 
VII. LEITURA SUPLEMENTAR RECOMENDADA: 
 
BAGGOT, J.D.; McKELLAR, Q.A. The absortion, distribuition and elimination of anthelmintic drugs: the role 
of pharmacokinetics. J. Vet. Pharmacol. Therap. v. 17, p. 409-419, 1994. 
HARVEY, J.B. et al. Survey of veterinarians recomendations for treatment and control of intestinal parasites in 
dogs: Public health implications. J. Am. Vet. Med. Assoc., v. 199, n. 6, p. 702-707, 1991 
HERD, R.P. A 10-point plan for equine worm control. Vet. Med., n. 5, p. 481-485, 1995. 
CRAIG, T.M.; WILKSE, S.E. Control programs for internal parasites of beef cattle. Comp. Cont. Educ., v. 17, 
n. 4, p. 579-587, 1995. 
LINDSAY, D.S.; BLAGBURN, B.L. Practical treatment and control of infections caused by canine 
gastrointestinal parasites. Vet. Med., n. 5, p. 441-455, 1995. 
 
 
 
ANTI-SÉPTICOS, DESINFETANTES E ESTERELIZANTES: 
 
 
I. CONCEITOS BÁSICOS: 
 
1. ANTI-SÉPTICOS: 
Agentes que matam ou inibem a reprodução (ação mais provável) de microrganismos em tecidos vivos. 
2. DESINFETANTES: 
Substâncias que destroem as formas vegetativas de microrganismos existentes em objetos e superfícies 
inanimadas. 
3. ESTERELIZANTES: 
Agentes que destroem qualquer forma de vida em objetos e superfícies. 
4. DETERGENTES: 
Substâncias utilizadas na limpeza de materiais, que removem detritos e sujeiras de superfícies e objetos. 
 
II. IODO E COMPOSTOS IODADOS: 
 
1. INTRODUÇÃO E MECANISMO DE AÇÃO: 
O iodo é um elemento essencial não-metálico, pouco solúvel em água e que reage com microrganismos vivos ou 
mortos e proteínas dissolvidas. Penetra rapidamente na parede da célula microbiana, produzindo desordens letais 
na síntese de proteínas e na característica física dos lípides da membrana. 
 
2. ESPECTRO ANTIMICROBIANO: 
O iodo é um excelente microbicida, atuando contra vírus, bactérias (incluindo Mycobacterium e esporos de 
Clostridium e Bacilli) e cistos de protozoários, além de possuir atividade fungicida e tricomonicida. Quando 
usado sob a forma de tintura, destrói a maioria das formas vegetativas em 90 segundos e esporos em 15 minutos. 
 
3. APLICAÇÕES CLÍNICAS: 
• Anti-sepsia da pele para injeções ou cirurgias; 
• Anti-sepsia de tetas de vaca para prevenção da mamite; 
• Tratamento de feridas e queimaduras pequenas; 
• Desinfecção de materiais não metálicos (termômetros, luvas, plásticos rígidos e outros); 
• Desinfecção de água (3-4 ppm) e do ar (vaporização). 
 
4. TOXICIDADE: 
Produtos contendo iodo livre podem ser irritantes locais, alergênicos e, em determinadas situações, podem 
retardar a cicatrização de feridas. 
 
5. PREPARAÇÕES: 
a. Preparações contendo ou liberando iodo livre: 
São formuladas à base de iodo metálico e iodeto de sódio ou potássio, dissolvidos em água ou álcool etílico. Os 
iodetos não têm efeito terapêutico, atuando apenas no aumento da solubilidade do iodo metálico. Estas 
preparações são baratas, eficientes e pouco tóxicas. Podem ser utilizadas: 
• Solução tópica de iodo: Iodo metálico (2%) e iodeto de potássio ou sódio (2,4%) em água; 
• Solução de iodo forte (lugol): Iodo metálico (5%) e iodeto de potássio ou sódio (10%) em água; 
• Tintura de iodo: Iodo metálico (2%) e iodeto de potássio ou sódio (2,4%) em álcool 70º; 
• Tintura de iodo forte: Iodo metálico (5-7%) e iodeto de potássio ou sódio (5-7%) em álcool 70º; 
• Álcool iodado: l parte de tintura de iodo a 2% em 9 de álcool 70°. 
 
 
Observações: 
• Para se evitar o natural ressecamento da pele pelo iodo, as preparações podem receber 2% de glicerina; 
• Devido ao efeito cáustico das preparações contendo iodo livre, as mesmas devem ser reservadas para áreas 
onde rígidas precauções anti-sépticas sejam requeridas e não haja expectativa de dor excessiva à aplicação. 
b. Preparações contendo iodo ligado a outras substâncias (iodóforos): 
São complexos formados por iodo elementar ligado a substâncias carreadoras (polímeros neutros) com 
propriedades detergentes, das quais o mesmo vai sendo liberado lentamente. O carreador mais utilizado é a 
polivinilpirrolidona ou povidona, que libera 9 a 12% de iodo livre. 
• Vantagens em relação às preparações contendo iodo livre: Menos alergênicos e irritantes (principalmente 
para feridas), melhor penetrabilidade e estabilidade na matéria orgânica e nas gorduras, odor menos forte e 
menor corrosão de objetos metálicos. 
• Principais desvantagens: Menos efetivos, menor poder residual, custo mais elevado e possibilidade de 
absorção pela pele e mucosas. 
• Modo de utilização: Normalmente em solução a 2%, dependendo da apresentação comercial. 
• Apresentações comerciais: Biocid (V), Germecid (V), Iodofor (V), Povidon (V), SPF-Iodo (V), 
Braunoderm (H), Povidine (H) e Silvedine (H). 
c. Compostos iodados orgânicos: 
Ao contrário dos anteriores, não liberam iodo livre. O mais utilizado é o triiodometano ou iodofórmio, que 
estimula o tecido de granulação e reduz a contaminação das feridas, sendo, entretanto, bem menos eficiente que 
os demais compostos iodados. Comercialmente, o iodofórmio só é encontrado sob a forma de associações 
“cicatrizantes”, como o Cicatrizantol (V) pó ou pomada. 
 
III. ÁLCOOIS: 
 
1. INTRODUÇÃO E MECANISMOS DE AÇÃO: 
Os álcoois são anti-sépticos baratos, eficientes e de fácil aquisição, que limpam e combatem microrganismos de 
determinada área sem manchá-la ou se impregnar nela. Sua ação sobre agentes patogênicos se dá por 3 
mecanismos, desnaturação de proteínas, inibição de metabólitos essenciais à divisão celular (principalmente 
aminoácidos) e ação lítica direta. 
Os álcoois mais utilizados são o etílico (álcool comum) e o isopropílico, embora este último seja mais caro e 
tóxico. A concentração ideal varia entre 50 e 70%, pois o processo de desnaturação protéica, principal 
mecanismo de ação dos álcoois, exige a presença de água. Por serem voláteis e terem pouca penetrabilidade, não 
constituem a melhor opção quando usados isoladamente como degermante, pelo que se recomenda sua 
associação a outro anti-séptico (p. ex. iodo). 
 
2. ESPECTRO ANTIMICROBIANO: 
Os álcoois são muito eficientes na destruição de formas vegetativas de bactérias, mas atuam mal contra esporos. 
O tempo requerido para sua ação varia de 1 a 5 minutos, podendo ser necessários até 30 minutos na presença de 
matéria orgânica. Os fungos são destruídos em 60 minutos e a ação contra vírus é variável, exigindo longos 
períodos de exposição. 
 
IV. CLOROHEXIDINA (= CLOREXIDINA): 
 
1. INTRODUÇÃO / MECANISMO DE AÇÃO: 
A clorexidina é uma bisbiguanina catiônica amplamente utilizada como degermante da pele e mucosas íntegras 
ou feridas, que possui grande atividade antibacteriana, bom efeito residual e baixa toxicidade, além de ser pouco 
absorvida pela pele e não sofrer interferência da matéria orgânica. A sua ação se dá por precipitação de 
componentes da célula bacteriana. 
 
2. ASPECTOS FARMACOLÓGICOS: 
A clorexidina é incompatível com cloretos, sulfatos, fosfatos, carbonatos e nitratos inorgânicos, que reduzem sua 
atividade por precipitá-la. Também os aniônicos orgânicos (sabões e detergentes) são incompatíveis com a droga 
que, conforme já citado anteriormente, é catiônica. Em relação ao pH ótimo, a faixa situa-se entre 5,5 e 7,0, 
 
 
ocorrendo precipitação acima de 8,0 e perda de atividade abaixo de 5,0. Pelo exposto acima, recomenda-se que a 
água utilizada na preparação das soluções seja o mais desmineralizada possível. 
 
3. ESPECTRO ANTIMICROBIANO E APLICAÇÕES CLÍNICAS: 
A clorexidina é mais ativa contra Gram-positivos que negativos, tem ação fungicida variável e não atua bem 
contra vírus ou esporos. Seu efeito é cumulativo, sendo recomendadas aplicações repetidas para uma anti-sepsia 
perfeita. Clinicamente, os principais usos são: 
• Anti-sepsia de mãos e sítios cirúrgicos: Apenas deve