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DIREITO DO TRABALHO E DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO MÓDULO: INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO – TRABALHADORES TEMA: INTRODUÇÃO E FUNDAMENTOS DO DIREITO DO TRABALHO Com a Revolução Francesa foram suprimidas as corporações de ofício, tidas como incompatíveis com o ideal de liberdade individual da pessoa. No liberalismo, o Estado não deveria intervir na área econômica. Na realidade, o Direito do Trabalho surge com a sociedade industrial e o trabalho assalariado. A Revolução Industrial, ocorrida no Século XVIII, foi a principal razão econômica que acarretou o surgimento do Direito do Trabalho, com a descoberta da máquina a vapor como fonte de energia, substituindo-se a força humana. A necessidade de pessoas para operar as máquinas a vapor e têxteis impôs a substituição do trabalho escravo, servil e corporativo pelo trabalho assalariado. Alguns autores dividiram a história jurídica do trabalho brasileiro em três fases: fase pré-histórica (da independência até a abolição da escravatura em 1888) e Fase histórica (da abolição da escravatura até a Revolução de 1930). No entanto, podemos verificar uma fase contemporânea, a terceira fase que começa com a Revolução de 1930 e prossegue até os nossos dias. Com raízes no processo de evolução do sistema capitalista os quais passaram os Estados Unidos e Europa no século XIX, de maneira melhor - 48482685830 representada pela revolução industrial, os direitos trabalhistas tiveram um crescimento considerável por conta de uma série de condições socioeconômicas, políticas e culturais que necessitavam de um limitador na exploração da mão de obra humana, instrumento este que fosse capaz de conferir aos trabalhadores um mínimo de civilidade e jornadas de trabalho suportáveis com dignidade. Tendo por base que o Direito do Trabalho é derivado de relações trabalhistas que apresentam subordinação, no Brasil o reconhecimento deste ramo jurídico só pode ser estudado de maneira consistente após a abolição da escravatura, que se deu em 1888, visto que a escravidão envolve uma relação produtiva incompatível com o direito do trabalho. Assim, embora destituído de caráter jus laboral, a Lei Áurea foi o marco mais significativo como início da evolução histórica do Direito do Trabalho no Brasil. Neste contexto histórico, reconhece-se o notável desenvolvimento da força de trabalho no setor agrícola, especialmente as fazendas aplicadas ao setor cafeeiro, contudo, as relações de trabalho não apresentavam normatização sólida, fator que apresentava avanços e retrocessos das condições de negociação do trabalho. A partir de 1900, diversos diplomas legais relacionados aos trabalhadores, tanto rurais como urbanos, foram editados, no entanto, ainda não havia uma solidificação de institutos trabalhistas que atuassem de maneira coordenada. Esta fase, foi denominada pelos estudiosos como período de manifestações incipientes ou esparsas, visto que, embora fosse considerável o número de leis e decretos promulgados, não existia um sistema de direito do trabalho devidamente instituído. No intuito de regulamentar a organização do trabalho no Brasil, destaca-se, nesse período, a criação do Departamento Nacional do Trabalho, por meio do Decreto nº 3.550, de 16 de outubro de 1918. Em 1922, por meio da Lei Estadual nº 1.869, foi criado em São Paulo o Tribunal Rural, órgão composto por um Juiz de Direito e dois árbitros que foram eleitos pelas partes que geraram a demanda. Contudo, essa incipiente experiência não prosperou por conta da falta de parcialidade na atuação dos árbitros e de igual modo pela dificuldade de indicação de um representante pelo trabalhador, cabe, porém, o registro desse rudimentar desenvolvimento da Justiça do Trabalho. Não se pode negar que o fim da Primeira Guerra Mundial influenciou o Brasil, após o Tratado de Versalhes foi criada a Organização Internacional do Trabalho - OIT, o qual estabelecia regras protetivas aos trabalhadores e deviam ser observadas pelos - 48482685830 países signatários. Em 1923 foi criado o Conselho Nacional do Trabalho com o objetivo de fiscalizar e assegurar o cumprimento das regras impostas pela OIT. O terceiro importante período que deve ser salientado na retórica da evolução do Direito do Trabalho é a fase de institucionalização deste ramo do direito. Tendo como marco inicial o ano de 1930, momento histórico em que se verifica uma sedimentação de um modelo trabalhista que perdurou até a Constituição Federal de 1988. A primeira Constituição a tratar do Direito Trabalhista foi a de 1934, a qual garantia, entre outras, a liberdade sindical, isonomia salarial, salário mínimo, jornada de oito horas de trabalho, proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso semanal e férias anuais remuneradas. A Constituição de 1934 é um marco na evolução histórica de nosso direito constitucional, garantindo e inscrevendo os direitos sociais, incorporando o sentido social do direito e ampliando os horizontes do direito social à família, à educação e à saúde. Destaca-se nessa fase histórica a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (Decreto nº 19.443, de 26 de novembro de 1930) transformação do antigo Conselho Nacional de Trabalho; o Departamento Nacional do Trabalho e sua organização (Decreto nº 19.667, de 4 de fevereiro de 1931 e Decreto nº 19.671-A, de 4 de fevereiro de 1931, respectivamente), e a normatização federal de uma estrutura sindical oficial única (Decreto nº 19.770, de 19 de março de 1931), criação em 1932 de um sistema de solução judicial de conflitos trabalhistas destinados aos empregados oficialmente sindicalizados, o qual era exercido por Comissões Mistas de Conciliação (Decreto nº 21.396), bem como, Juntas de Conciliação e Julgamento (Decreto nº 22.132), os quais eram vinculadas ao Ministro do Trabalho a quem os atos eram submetidos. Grande salto na evolução do direito do trabalho ocorreu em 1939 com sua regulamentação por meio do Decreto-Lei nº 1.237, de 1 de maio de 1939, ocasião em que se obteve efetivamente um modelo justrabalhista profissional e protetivo. A despeito dessas mudanças, não se pode olvidar da influência do processo que ocorria no exterior, em especialmente a proteção ao trabalhador exposta na carta encíclica do Papa Leão XIII em sua encíclica Rerum Novarum, 15 de maio de 1891, que tratava da preocupação com a condição dos operários frente a evolução do trabalho fabril; influência esta que alcançou o Tratado de Versalhes, de 1919, o qual originou a - 48482685830 Organização Internacional do Trabalho - OIT, como órgão da antiga Liga das Nações, hoje da Organização das Nações Unidas. A Consolidação das Leis do Trabalho, Decreto-Lei nº 5.452 de 1 de maio de 1943, que sistematizou e reuniu as leis trabalhistas em um único documento, se deu durante o governo de Getúlio Vargas, período marcado por uma intensa atividade legislativa voltada para a questão do trabalho, com notório caráter corporativo e intervencionista do Estado o qual controlava rigidamente toda manifestação operária, fase em que a greve e o lock-out eram considerados como recursos anti sociais de manifestação trabalhista. No entanto, a Justiça do Trabalho só foi integrada ao Poder Judiciário com a edição da Constituição de 1946, a qual conferiu o modelo justrabalhista definitivo. Das inovações alcançadas nesse período merece destaque a primeira lei de indenização por despedida injusta (1935); Organização da Justiça do Trabalho (1939); Consolidação das Leis do Trabalho (1943); reconhecimento do direito de greve (1946); repouso semanal remunerado (1949); Gratificação Natalina (1962); Estatuto do Trabalhador Rural (Lei 4.214/66); Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (1966) e a Lei de Trabalho Rural (5.889/73). Até meados da década de 1960, o modelo juslaboral era constituído pela união da Justiça do Trabalho, estruturado intervalo intrajornada, somente seria considerado como devido o período faltante do intervalo que o empregado faria jus. Outras decisões optam por intimar a parte para que possa emendar a petição inicial a fim de constar a indicação de valores nos pedidos inseridos, ainda que não exista tal previsão na CLT e o artigo 840, § 3º trate do assunto de modo expresso, o que fundamentaria a decisão de extinguir o processo sem resolução do mérito. Tal prática encontra fundamento no princípio da celeridade processual. Dentre tantos assuntos que merece ser discutido, se dá pela gratificação no salário de empregado que exerce cargo de confiança, antes da reforma se o empregado recebeu a gratificação por mais de 10 anos, o valor não poderia ser suprido ainda que o empregador utilizando de seu poder potestativo retirasse a condição de confiança pois incorporado no salário, atualmente com a alteração legal, tal valor poderá ser suprido, ainda que o empregado receba por mais de dez anos. Nesse caso, se o empregado completou 10 (dez) anos de serviços prestados em exercício de cargo de confiança antes da vigência da Reforma Trabalhista, não poderá o empregador utilizar de seu direito potestativo e suprir o valor de gratificação incorporado no trabalho, tal definição encontra fundamento na impossibilidade de a lei retroagir para prejudicar o empregado, posto que o direito já se encontrava conquistado quando do início da vigência. Todavia, se o empregado não havia completado o período de 10 (dez) anos na data do início da vigência da Reforma Trabalhista, o empregador poderá utilizar de seu direito potestativo em retirar o cargo de confiança do empregado bem como o valor da gratificação de função, tendo em vista que conforme a legislação vigente, não existirá mais a possibilidade de incorporação ao salário a gratificação pelo exercício de função de confiança e caso exista tal pedido em ação trabalhista em que o empregado não tenha adquirido 10 (dez) anos antes da vigência, o pedido será indeferido. Existem muitos pontos para discussão no sentido de aplicabilidade do disposto na Lei 13.467/2017 em que vertentes judiciais apontam para diversas formas - 48482685830 de interpretação conforme apontamos, porém ao que parece mais justo a fim de garantir a segurança jurídica dos direitos inerentes às partes, o tratamento do direito material bem como na esfera processual, devem observar o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e os direitos materiais adquiridos em período anterior ao do início da vigência da Reforma Trabalhista. O contrato de trabalho, de acordo com a legislação trabalhista, deve ser entendido como um acordo feito entre a contratante e o contratado. Ele pode ser feito de forma escrita ou verbal, por tempo determinado ou indeterminado. Seu objetivo é firmar a relação empregatícia que será criada, ou seja, formalizar o vínculo entre a pessoa física e uma pessoa jurídica. Mas, além disso, também serve como um documento no qual deverá conter uma série de informações referentes ao colaborador e às tarefas que ele irá exercer na organização. O contrato de trabalho é uma das primeiras obrigações legais a serem seguidas no momento em que um funcionário é contratado. Isso acontece pois, é a partir dele que serão definidas e registradas as obrigações, deveres e acordos sobre todas as condições de trabalho entre as partes envolvidas. Todas as características deste documento estão previstas na CLT. Mas antes, podemos dizer que, para que um contrato seja válido, é necessário seguir os seguintes requisitos: ● Continuidade: O trabalho deve ser prestado com continuidade. ● Subordinação: O empregado exerce sua atividade com dependência ao empregador. Essa subordinação pode ser econômica, técnica, hierárquica, jurídica ou até mesmo social. ● Onerosidade: O contrato de trabalho é remunerado, pois o empregado deve receber salário pelos serviços prestados ao empregador. ● Pessoalidade: O empregado não pode fazer-se substituir por outra pessoa, sob pena do vínculo se formar com a última. A doutrina aponta como imprescindíveis alguns caracteres, a seguir elencados: ● Bilateralidade: o contrato de trabalho envolve obrigações recíprocas de ambas as partes, empregador e empregado. O sinalagma resulta, portanto, da justaposição de deveres, comumente consubstanciados no imperativo de pagar o salário para o patrão e a exigência de prestar o serviço para o operário. - 48482685830 ● Consensualidade: o ajuste laboral depende da manifestação, expressa ou tácita, da vontade das partes, ainda que não formal, que aceita o ajuste “tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado.” O mencionado caractere advém da indispensabilidade do livre consentimento, tanto por parte do empregado, quanto do empregador. Nada obstante, veja-se que alguns contratos exigem forma especial para a sua verificação, tais como o ajuste de aprendizagem, que, conforme o artigo 3º do Decreto nº 5.598 de 2005, deve ser firmado por escrito. No caso de inexistir qualquer comando legal prescrevendo de forma especial, o contrato poderá ser caracterizado, em não havendo expresso acordo, como informal. ● Comutatividade: as prestações devem ser de conhecimento de ambas as partes desde o período pré-contratual, de sorte que cada uma possa previsivelmente saber o que esperar do cumprimento do ajuste. ● Onerosidade: no contrato de trabalho, a prestação laboral corresponde a uma remuneração aferida. ● Pessoalidade: somente o empregado que realizou o ajuste pode efetivar as tarefas laborais acordadas. Ressalte-se que, para o empregador, não se exige pessoalidade. ● Continuidade: o contrato laboral é de trato sucessivo, não se esgotando de imediato em um único ato, mesmo que o ajuste tenha sua realização em prazo determinado. ● Alteridade: o risco advindo da prestação de serviços e de seus resultados, bem como os riscos do próprio empreendimento, correm por conta do empregador. CONTRATO POR PRAZO DETERMINADO Em regra os contratos são em prazo indeterminado. A Consolidação das Leis do Trabalho vigente no Brasil prevê, em seu artigo 443, a determinação de um contrato de trabalho por prazo determinado. Trata-se, resumidamente, de uma relação de trabalho que resume-se a um certo tempo ou prestação pré-definida, no momento da contratação. - 48482685830 Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho intermitente. § 1o Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. § 2o O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; b) de atividades empresariais de caráter transitório; c) de contrato de experiência. Isso garante uma certa flexibilidade para a prestação de um serviço que não seja contínuo dentro de uma instituição, mas gera uma série de dúvidas adicionais. Há, na CLT, três hipóteses em que se considera este tipo de contratação válida. São estas três hipóteses: os serviços em que haja uma clara transitoriedade de sua necessidade, justificando um prazo determinado para ele, as atividades empresariais não recorrentes (de caráter transitório, como a prestação de um serviço por tempo determinado para um cliente específico, exigindo um certo profissional por aquele período), e os contratos de experiência, que são temporários por três meses de forma a garantir segurança para uma futura contratação sem prazo determinado. Exemplo 01: Indústria de sábado permanente, precisa reformar colocar tudoem informática, e precisa contratar técnicos em informática, esse serviço técnico não está inserido em sua atividade permanente, serão contratados para serviços transitórios apenas, aqui faz o contrato e justifica o tempo de serviço. Aqui a natureza justifica a determinação do prazo. Exemplo 02: As empresas podem também ser por tempo determinado. Um grande evento no país, alguém abre empresa só para organizar esse evento, acabando o evento acaba a empresa, pois foi feita apenas para esse motivo, essa empresa todos os empregados serão contratados por prazo determinado. Exemplo 03: O Estado de São Paulo vai licitar para a linha rosa. Pessoas abrem uma empresa para participar apenas desta licitação. Perdeu fechou a empresa, ganhou continua aberta até acabar a obra. Exemplo 04: contrato de experiência previsto em lei, período que as partes farão experiências recíprocas para ver se vai dar certo. Por isso, um contrato de trabalho por prazo determinado só é válido se seguir uma destas três hipóteses. É necessário considerar, ainda, que cada uma das três - 48482685830 hipóteses possui sua própria aplicação. Não se pode, por exemplo, utilizar um contrato de experiência para a prestação de serviço durante três meses em que um certo evento ocorrerá (como uma temporada de férias, por exemplo). Neste caso, há transitoriedade no serviço, que é a forma correta de se justificar essa determinação de prazo. De forma geral, são garantidos os mesmos direitos que um contrato de trabalho por prazo indeterminado, em seu período recorrente. Retira-se, no entanto, algumas das ações tomadas ao fim de uma prestação indeterminada. São garantidos, por exemplo, salário de acordo com o piso da categoria, ou salário mínimo, limitação de oito horas de trabalho diárias, pagamento de horas extra, 13º salário pago proporcional ao período trabalhado (caso não exceda 12 meses), férias pagas proporcionalmente ao período trabalhado, repouso semanal remunerado nos mesmos termos que todos os trabalhadores da classe, adicionais por trabalho noturno, riscos de trabalho e insalubridade, bem como recolhimento de FGTS, com possibilidade de seu saque assim que o contrato for encerrado. A licença maternidade e paternidade também são direito do trabalhador sob regime de contrato de trabalho por prazo determinado, incluindo período de estabilidade. Caso o contrato seja rescindido unilateralmente pela empresa sem justa causa antes do término do período previsto, também cabe, ao trabalhador, o recebimento de rescisão. Já entre os itens que não são garantidos em um contrato de trabalho por prazo determinado, estão aqueles relacionados ao término do período que, por já ser definido, não precisa ser adicionalmente indenizado. Não cabe ao empregador, por exemplo, oferecer aviso prévio caso o contrato vá acabar no período previsto. Também não é necessária a multa de 40% sobre o FGTS arrecadado no fim do período, e não cabe, ao trabalhador, receber o seguro desemprego da Previdência. Existem algumas regras especiais para este tipo de contrato que devem ser obedecidas. Entre essas regras, destacam-se: • as regras de sua prestação devem ser escritas e registradas formalmente; • um contrato de trabalho por prazo determinado não pode durar mais de dois anos OU 90 dias artigo 443; • pode-se prorrogar o trabalho uma vez. Havendo mais uma prorrogação, passam a vigorar as normas da CLT sem determinação de prazo; - 48482685830 • Na rescisão antecipada sem justa causa do contrato por prazo determinado, a regra geral determina que o empregador deve pagar metade do valor restante daquele contrato, caso fosse terminado, para fins indenizatórios. Também pode ser atribuída rescisão ao trabalhador, caso rompa o contrato sem justificativa. Não esquecer: Contratação de serviço cuja natureza justifique a predeterminação do prazo do contrato; Contratação de atividades empresariais de caráter transitório; Contratação de colaborador em caráter de experiência. CONTRATO POR TEMPO INDETERMINADO Esse é o modelo de trabalho mais utilizado pelas empresas e sua principal característica é a falta de prazo para o fim do vínculo. Assim, é estabelecida apenas uma data de início para que o colaborador comece a exercer a função. Normalmente, ele é efetivado após o período de experiência, que é feito com o objetivo de avaliar se o funcionário tem aptidão para atuar na função à qual foi contratado, de acordo com o artigo 445 da CLT. O prazo determinado para o contrato de experiência é de até 90 dias. Podendo, as organizações optarem por realizar, primeiramente, uma admissão com contrato por tempo determinado, que seria referente ao período de experiência. Após esse período, caso não haja dispensa do empregador ou pedido de dispensa pelo empregado, o contrato automaticamente passa a ser indeterminado. Ainda, o contrato por tempo indeterminado é anotado em carteira de trabalho e confere ao colaborador todos os benefícios e direitos trabalhistas estabelecidos pela CLT. A rescisão deste tipo de contrato pode ocorrer a qualquer momento, desde que haja um aviso prévio de uma das partes. Diferentemente do modelo anterior, no entanto, quando a demissão ocorre sem justa causa, o trabalhador tem direito ao seguro desemprego, 40% sobre o FGTS e aviso prévio remunerado. CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE O contrato de trabalho intermitente foi estabelecido na Reforma Trabalhista, instituída pela Lei N.º 13.467, de 13 de julho de 2017. O modelo define um acordo de - 48482685830 trabalho não contínuo, com subordinação, em que ocorre uma alternância entre tempos de prestação de serviço e período de inatividade. Assim, o colaborador tem sua carteira assinada e é remunerado por sua hora de trabalho, que deve ser igual ou maior ao valor-hora do salário mínimo ou equiparado aos demais funcionários da empresa que operam na mesma função. Ademais, de acordo com a CLT, o empregador precisa convocar o colaborador com três dias de antecedência e ele terá um dia útil para aceitar ou recusar o chamado. Contudo, não existe obrigatoriedade de aceite e caso uma das partes descumpra o combinado cabe multa de 50% da remuneração relativa ao serviço. Porém, esse modelo de trabalho oferece mais flexibilidade à jornada do colaborador, que poderá prestar serviços para mais de um empregador. Ainda, ao final de cada período de prestação de serviço, o profissional tem direito a remuneração imediata, férias proporcionais, 13º salário proporcional, repouso semanal remunerado e adicionais legais. É interessante destacar que o TST valida trabalho intermitente - Colegiado reformou decisão do TRT que considerava regime lícito, porém que deveria ser feito em caráter excepcional. A 4° turma do TST julgou improcedente processo de um pedido de assistente de loja contra a loja Magazine Luíza. O pedido era que o contrato fosse declarado por tempo indeterminado com pagamento de salário integral de todo o período. Para o colegiado, a empresa cumpriu os requisitos da lei para contratação nessa modalidade. Estava em discussão um contrato que permitia a prestação de serviços em períodos alternados, conforme demanda da varejista. O TRT da 3ª região havia entendido que, após a reforma trabalhista, o regime intermitente é lícito, mas "deve ser feito em caráter excepcional", sob pena de precarização dos direitos do trabalhador. Mas no TST, o acórdão, de relatoria do ministro Ives Gandra Filho, reformou a decisão, considerando que os argumentos da Corte Regional contrariam a atual legislação. Já o Trabalho intermitente de acordo com o parágrafo 3º do artigo 443 da CLT, introduzido pela reforma trabalhista (lei 13.467/17), considera-se intermitente o contrato de trabalho em que a prestação de serviços não é contínua. Ela pode ocorrer - 48482685830 com alternância de períodos (horas, dias oumeses) de prestação de serviços e de inatividade, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador. O art. 452-A determina que o contrato intermitente deve ser celebrado por escrito e conter especificamente o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário-mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função. Caso prático 01 Determinado auxiliar foi contratado em novembro de 2017, já na vigência da reforma trabalhista, trabalhando 98 (noventa e oito) dias numa das lojas da rede em MG. Na reclamação trabalhista, ele pediu que a contratação intermitente fosse declarada nula, "por violar o regime de emprego, a dignidade humana, o compromisso com a profissionalização e o patamar míni mo de proteção devido às pessoas que necessitam viver do seu trabalho". O pedido foi julgado improcedente pelo juízo da 4ª vara do Trabalho de Coronel Fabriciano/MG, mas o TRT da 3ª região condenou a empresa ao pagamento das diferenças salariais durante todo o período contratual com base no valor da hora pago multiplicados por 220, correspondente à carga horária mensal cheia. Embora reconhecendo a licitude do regime intermitente de acordo com a nova legislação, o TRT considerou que esse tipo de contratação só deve ser feita em caráter excepcional, e não para suprir demanda de atividade permanente, contínua ou regular. "Não é cabível ainda a utilização de contrato intermitente para atender posto de trabalho efetivo dentro da empresa", registrou. Caso prático 02 O relator do recurso de revista da rede de lojas, ministro Ives Gandra Martins Filho, assinalou que, de acordo com os parâmetros da lei, o trabalho descontínuo pode ser firmado para qualquer atividade, exceto para aeronautas, desde que observado o valor do salário hora dos demais trabalhadores não intermitentes da empresa. No seu entendimento, o TRT criou parâmetros e limitações não contidos na CLT. "Contrastando a decisão regional com os comandos legais supracitados, não poderia ser mais patente o desrespeito ao princípio da legalidade", afirmou. - 48482685830 Por unanimidade, a turma deu provimento ao recurso para restabelecer a sentença, conforme processo n° 10454-06.2018.5.03.0097. CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO Pela Lei n°13.429/2017, o trabalho temporário, no contexto urbano, “é aquele serviço prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços”. O contrato de trabalho temporário apresenta algumas particularidades da lei que o torna bastante diferente do habitual realizado pelas empresas. Nesse caso, são feitos dois tipos de contratos: um entre o trabalhador e a empresa de trabalho temporário (que contrata o funcionário e o coloca à disposição para a organização que precisa do serviço) e outro entre a empresa de trabalho temporário e a tomadora do serviço. Uma das principais características do trabalho temporário é que ele acontece normalmente em datas sazonais, como Páscoa, Natal e dia das crianças. Porém, em alguns casos, a empresa pode precisar de mais profissionais para determinado projeto, ou algum contexto no qual é necessário substituir algum integrante que esteja de licença. É importante ressaltar que o colaborador pode ser contratado tanto para as atividades meio, não relacionadas à área de atuação principal da contratante, quanto para às fim, relativas ao propósito primordial da empresa. Normalmente, o prazo do contrato não pode exceder 180 dias, consecutivos ou não. Porém, quando necessário, pode ser prorrogado por, no máximo, 90 dias a mais, totalizando 270 dias. Diante disso, a empresa deve comprovar a causa da prorrogação, para que seja avaliada a necessidade. São direitos garantidos ao trabalhador temporário: ● jornada de trabalho de 40 horas semanais; ● décimo terceiro proporcional; ● horas extras; ● abono salarial; - 48482685830 ● proteção previdenciária; ● fundo de garantia; ● recebimento de férias proporcionais ao período trabalhado; ● descanso semanal remunerado. Além disso, também estão incluídos os adicionais noturno, de insalubridade e periculosidade, caso necessário na função desempenhada. Os funcionários com esse tipo de contrato têm seus direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim como um trabalhador fixo, pois são contratados pelo mesmo regime e também possuem a carteira de trabalho assinada. A diferença é que eles trabalham para a empresa prestadora, e não para a tomadora de serviços. O contrato de trabalho temporário se caracteriza pela prestação eventual de serviços por uma pessoa física para uma empresa. Normalmente, esse tipo de profissional é contratado para substituir colaboradores durante férias, ou desligamentos voluntários, ou para complementar a mão de obra da empresa no caso de demandas específicas. Um exemplo desse tipo de trabalho são as contratações que ocorrem ao final do ano, quando aumenta a demanda de produção e vendas por conta das festividades. Nesse tipo de acordo, a contratação é feita com o intermédio de uma empresa terceirizada, que disponibilizará os profissionais para a empresa. Mas é importante ressaltar que o trabalhador temporário deve ter sua carteira de trabalho assinada pela terceirizada e que ele não tem vínculo de trabalho com a empresa tomadora de serviços. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Trata-se de um contrato que firma acordo entre uma empresa e um prestador de serviços, que pode ser tanto um profissional autônomo quanto uma empresa terceirizada. Esse tipo de contrato pode ser aplicado a qualquer atividade lícita, executada de forma manual ou intelectual e não representa um vínculo empregatício entre as partes. Assim, ele pode ser utilizado para as mais variadas atividades, como limpeza, manutenção, assessoria de imprensa, jardinagem, entre outros. - 48482685830 Além disso, o contrato de prestação de serviços tem um prazo estipulado e pode ser renovado, desde que a prestação não seja convencionada por um período superior a 4 anos. Por não caracterizar uma relação empregatícia, o prestador de serviços não tem os direitos trabalhistas inerentes ao trabalhador CLT, no entanto, o profissional tem mais flexibilidade no desempenho de suas funções, podendo determinar seus horários e forma de trabalho. No caso de contratação de pessoas físicas, ou seja, profissionais autônomos, é importante que o departamento pessoal fique atento ao que é exigido do profissional. Isso porque, existe uma linha tênue entre a prestação de serviços e a relação empregatícia. Nesse sentido, exigir que o profissional cumpra um horário estabelecido, por exemplo, pode mudar essa relação, fazendo com que passe a valer as normas e direitos da CLT. JOVEM APRENDIZ O programa Jovem Aprendiz é um projeto amparado pela Lei da Aprendizagem nº 10.097, que permite a contratação de jovens entre 14 e 24 anos, com ou sem experiência. Assim, para participar do programa, os jovens precisam estar inscritos em um curso preparatório de aprendizagem com duração máxima de dois anos. Desse modo, o contrato de trabalho também tem duração de dois anos e, após o período, a empresa pode optar por um contrato por prazo indeterminado. O jovem aprendiz tem direito à carteira de trabalho assinada e aos demais direitos da CLT. Além disso, deve cumprir uma jornada máxima de até seis horas diárias, caso não tenha terminado o ensino fundamental, e oito horas diárias para quem já concluiu. Vale ressaltar que as horas destinadas ao curso preparatório devem ser computadas dentro da carga horária. Ainda, a empresa também tem algumas vantagensnesse tipo de contratação. Isso porque, além do salário e vale-transporte, o único custo extra é o recolhimento do FGTS em um percentual de 2% sobre o salário. Além disso, como o contrato tem prazo determinado, ao final dele, não é cobrada multa rescisória ou aviso prévio indenizado. - 48482685830 ESTÁGIO O estágio também se encaixa no modelo de trabalho que não configura vínculo empregatício. Nesse caso, o acordo é firmado por meio de um termo de compromisso, assinado pelo estudante, pela instituição de ensino e pela empresa em que estão definidas as atuações do profissional. Assim, para que o estudante possa participar do programa de estágio, ele deve estar matriculado e frequentar regularmente algum dos seguintes cursos: ● educação superior; ● educação profissional; ● ensino médio; ● educação especial; ● modalidade profissional da educação de jovens e adultos; ● últimos anos do ensino fundamental. Ainda, é importante que as atividades desenvolvidas no estágio sejam compatíveis com aquelas previstas no termo de compromisso. A carga horária do profissional deve ser de 20 horas semanais para educação especial e 30 horas semanais para ensino médio, técnico ou superior. O contrato tem prazo máximo de 2 anos, exceto no caso de pessoas com deficiência, em que não há um limite preestabelecido. Por fim, exceto nos casos de estágio obrigatório, a empresa deve remunerar o profissional com uma bolsa-auxílio, além de fornecer vale transporte e férias proporcionais. Ademais, a organização deve contratar um seguro contra acidentes pessoais para o estagiário. SUJEITOS DA RELAÇÃO DE TRABALHO Estabelece o art. 3º da CLT: “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Estabelece, ainda, o art. 2º da CLT: “Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.” - 48482685830 Vale ressaltar que, a prestação de serviços é do empregado e não do empregador. Logo, a característica “pessoal” refere-se ao empregado e não ao empregador De acordo com o art. 3º da CLT, considera-se empregado, toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Para se afirmar que uma pessoa é empregada ou não de outra deverão ser comprovados alguns requisitos, pois se faltar um deles não estará configurada a relação de emprego. Assim, relação jurídica é o vínculo entre dois ou mais sujeitos de direito, levando à criação, à modificação e à extinção de direitos. Conceito de empregado é a pessoa física que presta pessoalmente a outrem serviço não eventual, subordinados e assalariados. “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário” (CLT, art. 3º). Alguns requisitos legais: a) pessoa física: empregado é pessoa física e natural; b) habitualidade: empregado é um trabalhador não eventual; c) subordinação: empregado é um trabalhador cuja atividade é exercida sob dependência (poder diretivo do empregador), d) onerosidade: empregado é um trabalhador assalariado, portanto, alguém que, pelo serviço que presta, recebe uma retribuição; e) pessoalidade: empregado é um trabalhador que presta pessoalmente os serviços. As expressões legais foram substituídas pela doutrina, da seguinte forma: Dependência - Subordinação jurídica; Não eventualidade – Habitualidade; Salário - Onerosidade Pessoalidade - Pessoalidade; Pessoa Física - Pessoa Física. Se tiver essas cinco características é empregado. A caracterização de vínculo de emprego não depende das partes. O trabalhador nunca escolhe. Na relação de emprego, há um contrato, cujo conteúdo mínimo é a lei, possuindo sujeitos, de um lado, o empregado, que presta serviços, e de outro lado, o empregador, em função de quem os serviços são prestados de forma subordinada, habitual e mediante salário. Desta forma, o contrato de trabalho é o acordo tácito ou expresso que corresponde à relação de emprego. O ordenamento jurídico nacional - 48482685830 adotou uma posição intermediária ao enunciar que o contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso. A relação empregatícia surge da vontade das partes. Portanto, a relação de emprego implica a existência do próprio contrato de trabalho, o qual se estabelece entre o empregado e o empregador. A relação é pessoal, visto que o empregado não pode se fazer substituir por outra pessoa durante a prestação dos serviços, denotando o caráter de uma obrigação personalíssima. OBS: Existe o trabalhador empregado – protegido pela CLT chamado e típico, este trabalho distingue-se dos demais exatamente por ser subordinado o que o torna hipossuficiente e que atrai o princípio do princípio protetor, e o trabalhador não empregado que não é protegido pela CLT chamado de atípico. Diferença entre trabalho e emprego, palavras que, embora sejam muito confundidas, trazem sentidos quase que completamente distintos. O emprego é o ofício que lhe dá dinheiro, e ele é desenvolvido exclusivamente com essa intenção. Você não gosta do que faz, mas se sente na obrigação de cumprir um horário por conta do valor que cai todos os meses em sua conta. Toda atividade que não te agrada, e é desempenhada exclusivamente para render lucro financeiro, se enquadra na palavra. O trabalho, em contrapartida, é algo que é construído a partir de um ideal, um crescimento, uma contribuição para o mundo. O trabalho não tem valor financeiro, mas pode ser remunerado. Por exemplo, quem faz TRABALHO voluntário, faz isso por amor, por acreditar que pode contribuir, pela necessidade de criar um legado, deixar uma marca e fazer a diferença. Você obviamente pode ganhar dinheiro com o seu trabalho, mas o rendimento financeiro nunca será o principal combustível para te mover, e sim a vontade de fazer e ver algo acontecer. O trabalho precisa ter um significado para você, e não ser apenas um cargo que você ocupa em troca de dinheiro, e que nada tem a ver com os seus sonhos, desejos e pretensões. Preliminarmente, insta dizer que relação de trabalho nem sempre é relação de emprego. Este último é específico em relação ao primeiro que é gênero. Portanto, toda relação de emprego é uma relação de trabalho, porém, nem toda relação de trabalho é uma relação de emprego. Por exemplo, um advogado tem uma relação de - 48482685830 trabalho com seu cliente, enquanto que um vendedor de uma loja, fábrica, ou comércio, registrado sob o regime da CLT, tem uma relação de emprego (que também é uma relação de trabalho) com seu empregador. Por fim, concluímos que a relação de trabalho é o gênero da prestação de serviço mediante uma remuneração e a relação de emprego é uma relação de trabalho subordinada, pois há dependência do empregado perante o empregador. Observe o art. 29 da CLT: A Carteira de Trabalho e Previdência Social será obrigatoriamente apresentada, contra recibo, pelo trabalhador ao empregador que o admitir, o qual terá o prazo de quarenta e oito horas para nela anotar, especificamente, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, sendo facultada a adoção de sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho. Através desse dispositivo é possível observar que o empregador tem apenas 48 horas para efetuar as anotações cabíveis na CTPS do seu empregado. Isso é válido tanto para a admissão como nas possíveis atualizações em geral e dispensa, sendo que o empregador fica responsável pela sua guarda durante esse ínterim e deve emitir recibo em todas as oportunidades que receber o documento. Vale ressaltar,que mesmo no período de experiência deve ocorrer a anotação na CTPS, desde o primeiro dia do empregado na empresa, observado também o limite estabelecido no caput do artigo ora em análise. Não há a possibilidade da falta de registro, isso não depende da vontade das partes. Não esquecer que para ser empregado tem que ter o “SHOPP” (SUBORDINAÇÃO, HABITUALIDADE, ONEROSIDADE, PESSOA FÍSICA E PESSOALIDADE). Pessoa Física (Pessoalidade): a pessoa física é a pessoa natural prevista nos artigos do Código Civil (1° a 6°), portanto, uma pessoa jurídica nunca poderá ser um empregado. Em relação à pessoalidade, significa que quando o empregador contratar o empregado, o primeiro escolhe o último por suas aptidões, não podendo se fazer substituir sem anuência do empregador, nem tão pouco, levar auxiliares para executar a sua tarefa. Importante esclarecer sobre as fraudes. É muito comum o empregador contratar o empregado e querer se eximir dos pagamentos trabalhistas. Nesse sentido, requisita ao empregado a abertura de uma empresa para emissão de notas - 48482685830 fiscais de prestação de serviço ou a participar de cooperativas fraudulentas, etc. Nestas hipóteses, se este empregado demonstrar que estão presentes os requisitos elencados no artigo 3° da CLT (subordinação, habitualidade, remuneração e pessoalidade) será caracterizado uma relação de emprego e, esta pessoa, ora empregado, estará amparado pela égide da CLT em eventual ação trabalhista. A par disso, presente está princípio da primazia da realidade que significa que não importa se aquele trabalhador tenha sido contratado como pessoa jurídica e emita nota fiscal, se for demonstrado através de testemunhas que ele cumpria horário regularmente, era subordinado, remunerado e somente ele executava aquela função ou tarefa, presume-se que se trata de simulação, portanto será tratado como fraude e consequentemente o vínculo empregatício se formará. Habitualidade: preliminarmente, insta dizer que alguns doutrinadores utilizam a expressão “não-eventualidade''. A habitualidade ou não-eventualidade é aquilo que se caracteriza por não ser esporádico, é uma coisa frequente, que se repete seguidamente, de forma reiterada, continuada, etc. Aqui, pode surgir uma dúvida: quantas vezes um empregado tem que prestar o serviço para se configurar a Habitualidade? 3, 4, ou 5 dias por semana? Vejamos dois exemplos: um cinema de uma cidade do interior que abre às sextas, sábados e domingos, o trabalho do “bilheteiro” será habitual, pois, ele trabalhará, continuamente, os dias em que o cinema abrirá. Outro exemplo, é o professor que ministra aula 2 vezes por semana em uma faculdade. Em ambos os exemplos o que se demonstra é a essencialidade da pessoa, por isso que na jurisprudência tem prevalecido julgados cuja habitualidade ocorre 3 vezes por semana ou em alguns casos 2 vezes por semana. Remuneração: alguns doutrinadores também chamam de onerosidade ou salário, enquanto que a principal obrigação do empregado é a prestação de serviço. A remuneração pelos serviços prestados é a principal obrigação do empregador. Quando uma pessoa procura um emprego, o objetivo dela é ser remunerada para conseguir se sustentar, ou seja, adquirir recursos necessários à sobrevivência, salvo o caso de emprego filantrópico ou daquelas pessoas muito ricas que desejam trabalhar, mas que não necessitam do dinheiro para sua manutenção, etc. O que configura o requisito da remuneração é a expectativa de recebimento, então, mesmo naqueles casos em que a pessoa começou a trabalhar por um período - 48482685830 e nunca recebeu um salário, mas houve a expectativa de recebê-lo, já se comprova a existência do requisito da remuneração. O poder diretivo do empregador encontra fundamento no artigo 2° da CLT, que conceitua o empregador, dando-lhe o poder de direção sobre os empregados. Sendo uma consequência da subordinação do empregado em relação ao empregador. Subordinação: apesar da subordinação, via de regra, ter o significado de que uma pessoa depende da outra, da qual recebe ordem ou incumbência, na relação de emprego, ela tem um caráter mais abrangente e se subdivide em 4 tipos: hierárquico, jurídico, técnico e econômico. Portanto, basta que o empregado se enquadre em um desses 4 tipos para que se comprove a existência do requisito subordinação. Muita gente confunde a subordinação hierárquica com a subordinação jurídica, pois, quando imaginamos um chefe nos dando ordem, a primeira impressão que temos é que há uma relação de subordinação hierárquica. No entanto, esta visão / impressão está equivocada. A subordinação hierárquica quer dizer que o empregado exerce uma função dentro do quadro de funcionários daquele empregador, portanto, se o empregado ocupa uma função, por exemplo, de analista de sistemas, operador de máquinas, gerente, diretor e este função está dentro do quadro de funcionários, conclui-se que esta pessoa está inserida dentro do quadro de funcionários da empresa. Já a subordinação jurídica é aquela em que há alguém apto juridicamente para dar ordens aos empregados, é o caso do gerente que detém poderes para gerir um grupo de funcionários. Portanto, não esqueçam que a subordinação hierárquica é aquela em que o empregado tem uma função inserida dentro do quadro de funcionários, enquanto que a subordinação jurídica é aquela em que há alguém apto juridicamente para dar ordens ao empregado. A subordinação técnica é aquela em que o empregado, para exercer sua função, depende da estrutura fornecida pelo empregador, ou seja, o empregador oferece todos os instrumentos de trabalho para o empregado. É esta subordinação que os juízes, muitas vezes, determinam se aquela pessoa é considerada um representante comercial ou vendedor. O primeiro é aquele em que não há configurado a relação de emprego, pois carece da subordinação técnica, já o segundo depende da estrutura fornecida pelo empregador para exercer sua função. Por fim, a subordinação econômica é aquela em que o empregado depende financeiramente do empregador. Insta dizer que não há a necessidade de - 48482685830 exclusividade, por isso, o empregado pode ter 2 ou mais registros na carteira de trabalho. Vale lembrar que há doutrinadores que entendem que este requisito caiu em desuso. Em suma, se todos os requisitos do empregado foram preenchidos, estamos diante de um empregado urbano que será regido pelas normas da CLT, ou seja, este empregado terá garantido FGTS, 13° salário, férias remuneradas, licença maternidade, dentre outros benefícios. TELETRABALHO Chegou a vez de o trabalhador não se deslocar até ao trabalho, e sim o trabalho vir até o trabalhador. Trabalho em HOME OFFICE. Trabalhar no âmbito de sua residência, até pouco tempo não existia nenhuma segurança jurídica para o empreendedor que quisesse contratar desta forma, o que vinha prejudicando empregados e empregadores que pretendiam adotar esta forma de trabalho. Com a aprovação da Reforma Trabalhista esse regime de trabalho passa a possuir regulamentação própria que dá maior segurança a empregados e empregadores e permite que seja mais utilizado. A Reforma utiliza a nomenclatura teletrabalho para se referir ao home office, e define o modelo de trabalho da seguinte forma: “a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo” (art. 75-B) Portanto, teletrabalho e trabalho externo não se confundem, este é aquele também realizado fora das dependências do empregador porque sua própria natureza o obriga, por exemplo: instaladores de antenas de TV, leitores de relógios de energia, etc. Já o teletrabalho, embora pudesse ser realizado na empresa, por opção de empregado e empregador, passa a ser realizado de foradas suas dependências. O primeiro ponto da Reforma que merece destaque é quanto à jornada de trabalho, pois, a segundo a Reforma, suas regras não se aplicam aos empregados no regime de teletrabalho. Isto implica dizer, em tese, que o empregado não estaria sujeito ao controle de ponto, e se por um lado deixaria de receber o adicional pelas horas extras, por outro, não haveria mais que se falar em descontos, advertências ou suspensões por atrasos, no regime de teletrabalho. - 48482685830 O Ministério Público do Trabalho, contudo, já se posicionou contrário a essa regulamentação, afirmando que na prática isto pode representar a exploração máxima do empregado por não limitar em nenhum aspecto a jornada de trabalho. Por isso o MPT defende uma interpretação mais restritiva neste ponto, afirma que com os atuais meios tecnológicos disponíveis é possível controlar o ponto do empregado, mesmo a distância, e por isso entende que deve valer a regulamentação geral da jornada, ou seja, 12 horas por dias (em escala 12 x 36) ou 220 horas por mês. Com isso é bastante provável que esse ponto da lei seja questionado judicialmente e possa ser revisto. Assim como em qualquer outro regime de trabalho, o teletrabalho requer a anotação da Carteira de Trabalho do empregado e a celebração do seu contrato de trabalho, ponto que, aliás, precisará ser muito bem trabalhado neste regime. Esqueçam os contratos pré-prontos e comecem a estudar cláusulas e desenvolver modelos próprios às necessidades de cada relação empregado-empregador, pois é o Contrato de Trabalho quem vai estabelecer diversas nuances e pormenores da relação de trabalho. O contrato de trabalho tem que ser sempre escrito, e relatar especificamente todo o trabalho que o empregado fará. Por exemplo, é o Contrato de Trabalho quem vai definir se o trabalho será exercido integralmente fora das dependências do empregador ou se haverá a necessidade de o empregado ir até a empresa em alguns momentos para exercer alguma atividade específica como treinamentos ou reuniões, sem que isto descaracterize o regime de teletrabalho. Segundo a Reforma é também o Contrato de Trabalho quem irá determinar a “responsabilidade pela aquisição, manutenção e fornecimento dos equipamentos tecnológicos e infraestrutura necessária à prestação do trabalho” (art. 75-D), ou seja, quem vai pagar pela aquisição e manutenção dos equipamentos e despesas do empregado na execução do seu trabalho. Entretanto, também nesse ponto o MPT já se manifestou contrário à regulamentação, pois desta forma a empresa estaria transferindo os custos e os riscos inerentes à atividade econômica ao empregado, sem que, no entanto, o empregado participe do lucro. Portanto, é também bastante provável que este ponto seja questionado judicialmente e possa ser revisto. Outro ponto relevante da regulamentação é que a opção pelo teletrabalho não é irretratável, ou seja, é possível que o empregado possa migrar do regime de teletrabalho para o presencial e vice-versa, claro, desde que haja mútuo - 48482685830 consentimento entre empregado e empregador, atestado mediante aditivo (ou novação) contratual, e ainda, respeitado um período de adaptação de 15 dias. O último ponto ora destacado sobre a regulamentação é com relação à Medicina e Segurança do Trabalho. A lei limita a responsabilidade do empregador a “instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho” (art. 75-E), mediante assinatura de termo de responsabilidade onde o empregado compromete-se a seguir as instruções fornecidas pelo empregador. O empregador tem que orientar o empregado mais não tem como fiscalizar se está sendo tudo corretamente feito, então tem que ser tudo por escrito, não esquecer todas as orientações tem que ser colocados no contrato de trabalho e empregado assinar. Também nesse ponto o MPT já se manifestou em contrário, pois entende que a norma é insuficiente para garantir a saúde e segurança do empregado, entre outros aspectos, porque o empregado poderá não dispor de recursos para prover equipamentos e adaptações necessárias para um ambiente de trabalho seguro e saudável. Portanto, é possível que também este ponto possa ser revisto judicialmente. Quanto aos demais direitos como férias e o acréscimo constitucional de um terço, a folga semanal remunerada, o décimo terceiro salário, aviso prévio, licenças maternidade/paternidade e outros, o empregado que trabalha pelo regime de teletrabalho mantém os mesmos direitos dos demais empregados. TRABALHO INTERMITENTE O Contrato de Trabalho Intermitente é uma nova modalidade de contratação do trabalhador, expressamente prevista na Lei da Reforma Trabalhista Considera-se como intermitente no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria. Interessante destacar que o trabalhador poderá prestar serviços de qualquer natureza a outros tomadores de serviço, que exerçam ou não a mesma atividade econômica, utilizando contrato de trabalho intermitente ou outra modalidade de contrato de trabalho. - 48482685830 Para ser trabalho intermitente tem que ter convocação sempre em qualquer caso. O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na CTPS, ainda que previsto acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva, e conterá: - identificação, assinatura e domicílio ou sede das partes; - valor da hora ou do dia de trabalho, que não poderá ser inferior ao valor horário ou diário do salário mínimo, assegurada a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno e observado o disposto no § 12; e - o local e o prazo para o pagamento da remuneração. Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de vinte e quatro horas para responder ao chamado, presumida, no silêncio, a recusa. O período de inatividade não se considera como tempo de serviço à disposição do empregador. A “convocação” do trabalhador deve acontecer por qualquer meio de comunicação eficaz, isto é: telefone, whatsapp e até messenger, desde que a pessoa faça uso desses meios. Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado. Não respondeu? Ficará presumida a recusa da oferta. Tal recusa, vale destacar, não caracteriza insubordinação. O texto da reforma não deixa explícito, contudo, o número de vezes que o empregado pode recusar ofertas. Ainda de acordo com o texto da reforma, quando aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir deverá pagar à outra uma multa de 50% da remuneração no prazo de 30 dias. A contribuição previdenciária e o FGTS deverão ser recolhidos mensalmente pela empresa nos termos da lei. Assim como para os demais empregados, a cada 12 meses trabalhados o empregado tem direito de usufruir, nos 12 meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo empregador. É facultado às partes convencionar por meio do contrato de trabalho intermitente: I - locais de prestação de serviços; - 48482685830 II - turnos para os quais o empregado será convocado para prestar serviços; III - formas e instrumentos de convocação e de resposta para a prestação de serviços; IV - formato de reparação recíproca na hipótese de cancelamento de serviços previamente agendados. Cuidado com a medida provisória pois pode não ser aprovada. TRABALHADOR A TEMPO PARCIAL Com a Reforma Trabalhista, o trabalho a tempo parcial, regulamentado no artigo 58-A, da CLT, sofreu expressivas alterações tanto em relação ao parâmetro de duraçãosemanal quanto em relação às férias. Quanto à duração semanal, com a nova redação do caput do art. 58-A, da CLT, passam a vigorar dois parâmetros: ● Máximo 30 horas semanais, SEM a possibilidade de horas suplementares/horas extras; ● Máximo 26 horas semanais, COM a possibilidade de até 06 horas suplementares/extras por semana; ● No caso de prestação de serviços em caráter extraordinário (horas suplementares para quem for contratado para trabalhar até 26 horas semanais), será devido o adicional de, no mínimo, 50% do valor da hora normal de trabalho; ● Com a possibilidade de prestação de serviços extraordinários (para quem for contratado para trabalhar até 26 horas semanais), tornou-se possível a adoção do sistema de compensação de jornada, desde que com a observância das regras definidas no art. 59, da CLT. Em relação às férias, destacam-se as seguintes mudanças: ● possibilidade de venda de até 1/3 do período (abono pecuniário); ● podem ser fracionadas; ● serão concedidas de acordo com o art. 130, da CLT, uma vez que o art. 130-A foi revogado pela Lei 13.467/2017. O número de ausências injustificadas ocorridas no curso do período aquisitivo é requisito essencial para determinar o número de dias de férias a ser concedido ao empregado, e não mais o número de horas trabalhadas por semana. Assim determina o art. 130, da CLT, aplicado, após a reforma, também para os empregados contratados na modalidade de trabalho a tempo parcial: - 48482685830 Art. 130 – Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I – 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; II – 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; III – 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; IV – 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. § 1º – É vedado descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. § 2º – O período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço. (Consolidação das leis do trabalho - CLT) Reiterando: independentemente do número de horas trabalhadas por semana, se o empregado tiver até 05 ausências injustificadas no curso do período aquisitivo, serão garantidos a ele 30 dias corridos de férias, que podem ser fracionados, mediante acordo entre empregado e empregador, em até 03 períodos, um dos quais não poderá ser inferior a 14 dias corridos e os outros dois não poderão ser inferiores a 05 dias corridos cada um (art. 134, da CLT, pós-Reforma). Veio para ajudar as pessoas que não tem muito tempo para trabalhar e tem outras obrigações, compromissos, mas tem livre uma parcela do dia, e uma complementação de serviço ao empregador e renda ao empregado. Considerando as regras referentes ao trabalho a tempo parcial antes e após a Reforma, merece destaque o quadro comparativo a seguir: - 48482685830 Entende-se por empregado doméstico aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, conforme dispõe o art. 1º da LC 150/2015. Art. 1º Lei Complementar 150 de 01/06/2015. Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se o disposto nesta Lei.” Legalmente, uma pessoa pode prestar serviços no ambiente doméstico para uma mesma família sem constituir vínculo empregatício no máximo dois dias por semana. O que significa que a partir de três dias semanais de serviços prestados de forma contínua, em uma mesma casa, já é considerada a existência do vínculo de emprego entre a família e o empregado. Se o empregador estiver em uma situação como esta e ainda assim optar por manter a relação na informalidade poderá sofrer ações trabalhistas quando dispensar os serviços. - 48482685830 Isto acontece porque se a empregada ao deixar de trabalhar para a família decidir entrar com uma ação trabalhista contra o ex-empregador, afirmando que prestava serviços na residência três vezes ou mais por semana e que não possuía a carteira assinada, poderá ganhar a causa. Se isto acontecer, o empregador poderá ser condenado ao pagamento dos direitos trabalhistas referentes ao tempo que utilizou os serviços do profissional. Para evitar este tipo de transtorno, o empregador precisa manter a relação de trabalho dentro da lei. Se passar de três dias de serviço na mesma semana, precisa assinar a carteira e assegurar o cumprimento de todos os direitos trabalhistas. Empregada doméstica é uma profissional e merece, como todo trabalhador, o direito a ter uma carteira assinada, aposentadoria, pelo menos um salário mínimo, horário de trabalho, segurança previdenciária, enfim respeito e dignidade. Sete novos direitos foram regulamentados em junho de 2015 e sancionados pela presidente da república Dilma Rousseff através da Lei Complementar 150. Dentre estes, alguns passaram a vigorar imediatamente após a assinatura presidencial e outros tiveram o prazo de 120 após a sanção estabelecida para começar a valer. Entrou em vigor em junho de 2015: pagamento do adicional noturno, do adicional de viagem, a obrigação do controle de ponto do empregado e também a utilização do banco de horas, redução da alíquota do INSS do empregador de 12% para 8%, Obrigatoriedade do FGTS, Seguro Acidente de Trabalho, Antecipação da Multa de 40% do FGTS, Seguro Desemprego e Salário Família. ● Adicional noturno: O projeto define trabalho noturno como o realizado entre as 22h e as 5h. A hora do trabalho noturno deve ser computada como de 52 minutos e 30 segundos – ou seja, cada hora noturna sofre a redução de 7 minutos e 30 segundos ou ainda 12,5% sobre o valor da hora diurna. A remuneração do trabalho noturno deverá ter acréscimo de 20% sobre o valor da hora diurna. Este entendimento está consolidado, inclusive, na Súmula 60 do TST, a qual dispõe que o adicional noturno será também devido quando houver a prorrogação da jornada noturna, ou seja, além das horas extraordinárias, o empregado terá direito ao adicional noturno ainda que o horário de trabalho ultrapasse às 05:00h da manhã. ● Auxílio-creche e pré-escola: Ainda não foi regulamentado. O pagamento de auxílio-creche dependerá de convenção ou acordo coletivo entre sindicatos de patrões e empregadas. - 48482685830 ● FGTS: A cota relativa ao FGTS do empregado doméstico será de 8% sobre o valor do salário registrado em carteira. Os empregadores poderão recolher o valor, que passa a ser obrigatório por meio do DAE (Documento de Arrecadação do eSocial) que foi desenvolvido pela Caixa Econômica Federal e Receita Federal. ● Indenização em caso de demissão sem justa causa: O empregador deverá depositar, mensalmente, 3,2% calculados sobre o valor do salário do empregado em uma espécie de poupança, que deverá ser usada para o pagamento da multa dos 40% sobre o saldo do FGTS a que o trabalhador tem direito quando é demitido sem justa causa. ● Seguro-desemprego: O seguro-desemprego poderá ser pago durante no máximo três meses, no valor de um salário mínimo, para o empregado doméstico dispensado sem justa causa e que tenha trabalhado por no mínimo 18 meses para a mesma família, de acordo com Resolução 754 do CODEFAT. ● Salário-família: O texto também dá direito a este benefício pago pela Previdência Social. O trabalhador que tiver filhos de até 14 anos ou inválidos de qualquer idade e recebe até R$ 1.089,72, tem direito a R$ 26,20 por filho. ● Seguro contra acidentes de trabalho:As domésticas passam a ser cobertas por seguro contra acidente de trabalho, conforme as regras da previdência. A contribuição é de 0,8% mensais, calculados sobre o salário da empregada e pagos pelo empregador. Empregador pode ser apenas pessoa ou família em residência. Uma empresa não tem empregados domésticos. O caseiro, faxineiro, babás, cozinheiro, cuidador de idoso, governanta, vigias, motorista, jardineiro são empregados domésticos desde que contratado por uma família ou pessoa. É necessário sempre seguir uma regrinha para saber dos direitos do empregado doméstico, primeiramente ir na Constituição Federal, verificar se é autoaplicável ou não, depois ir na Lei Complementar 150/2015 e após ir na Lei 5859/72. O que muda na Reforma Trabalhista para o Empregado Doméstico O contrato de trabalho doméstico tem regramento próprio, dado pela Lei Complementar nº 150 de 2015. Trata-se de relação de emprego quando há a prestação de serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais - 48482685830 de dois dias por semana. Nesse contexto, são exemplos de emprego doméstico as funções de babá, arrumadeira, caseiro, cuidador de idosos, empregada doméstica etc. Considerando a existência de legislação específica, a relação de emprego doméstico é regulada de forma subsidiária pela CLT, e, consequentemente, pelas normas da reforma trabalhista. Assim, somente serão aplicáveis ao emprego doméstico as normas celetistas que buscam preencher pontos omissos na Lei Complementar nº 150 de 2015. Feitas essas observações, vejamos as normas mais relevantes, no âmbito do direito material do trabalho, que se aplicam ao emprego doméstico. A CLT passou a prever que as horas extras além do limite legal independem de negociação coletiva ou de outro requisito formal (art. 61, §2º da CLT). No emprego doméstico, a regra é aplicável e o empregador pode exigir do empregado doméstico horas extras excedentes ao limite legal para fazer frente à necessidade imperiosa. De acordo com o art. 396 da CLT, a mulher possui direito a dois períodos de descanso de meia hora cada um para amamentar o filho de até seis meses. A reforma trabalhista permitiu que os horários dos descansos sejam definidos por acordo entre a mulher e o empregador (§2º, art. 396 da CLT). Nesse caso, a empregada doméstica terá a possibilidade de acordar com o empregador os períodos de descanso acima referidos. Outra regra que se estende ao emprego doméstico. Nesse caso, a CLT prevê que o prazo para pagamento das verbas rescisórias é de dez dias contados a partir do término do contrato, o que se aplica às hipóteses de aviso prévio trabalhado ou indenizado. CLT - Art. 477. § 6o A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. Quando uma trabalhadora se socorre à Justiça do Trabalho para reconhecer o seu vínculo de emprego como doméstica, regra geral, ela é quem deve comprovar o vínculo. Porém, se o empregador argumentar que havia prestação de serviços como diarista, o ônus da prova se inverte. - 48482685830 Veja algumas ementas sobre o ônus da prova de empregada doméstica ou diarista: VÍNCULO DE EMPREGO DOMÉSTICO. ÔNUS DE PROVA. RECONHECIMENTO. Admitida a prestação dos serviços da autora, incumbe ao réu comprovar os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do vínculo de emprego, tal como a natureza autônoma da relação de trabalho e, no caso específico dos autos, a prestação de serviços da demandante como diarista, sem continuidade e subordinação jurídica (artigos 818 da CLT e 373, II, do CPC). Não se desvencilhando de seu encargo processual, impende reconhecer o vínculo de emprego doméstico postulado na peça de ingresso. (TRT3. RO 0010276-07.2018.5.03.0146. Órgão Julgador: Sétima Turma. Publicação: 08/02/2019. Julgamento: 07/02/2019. Relator: Marcelo Lamego Pertence). VÍNCULO DE EMPREGO. EMPREGADA DOMÉSTICA. RECONHECIMENTO. O reconhecimento do vínculo empregatício requer a presença dos elementos de subordinação, continuidade, onerosidade e pessoalidade. Admitida a prestação de serviços pelos reclamados, cabe a estes a prova de que a autora trabalhava como diarista, nos termos do artigo 818 da CLT e 373, II, do CPC, ônus do qual não se desincumbiram. Ante o conjunto probatório dos autos e ausente prova dos reclamados da tese defensiva, impõe-se o reconhecimento do direito pleiteado. (TRT10. RO 0000713- 83.2019.5.10.0105. Publicação: 29/05/2020. Julgamento: 08/05/2020. Relatora: Elaine Machado Vasconcelos). EMPREGADA DOMÉSTICA X DIARISTA. LEI COMPLEMENTAR 150/2015. VÍNCULO DE EMPREGO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADMITIDA. ÔNUS DA PROVA. De acordo com o artigo 1º da Lei Complementar 150/2015, é empregado doméstico “aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 dias por semana”. Negado o vínculo de emprego doméstico, mas admitida a prestação de serviços, por parte da obreira, em dois dias na semana na condição de diarista, incumbia à reclamada o ônus de provar suas alegações, a teor do disposto no art. 818, II, da CLT e 373, II, do CPC/2015, por traduzir, a versão articulada, fato impeditivo ao direito vindicado pela autora, ônus do qual não se desvencilhou. Sentença mantida. Recurso ordinário conhecido e não provido. (TRT7. RO 0000711-82.2019.5.07.0013. Órgão Julgador: 1ª Turma. Publicação: 03/12/2020. Julgamento: 03/12/2020. Relator: Durval César de Vasconcelos Maia). VÍNCULO DE EMPREGO. EMPREGADO DOMÉSTICO X DIARISTA. ÔNUS DA PROVA. A Lei Complementar n. 150/2015, que passou a reger as relações laborais domésticas, dispôs expressamente em seu artigo 1º que se considera empregado doméstico aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana. No caso concreto, a controvérsia da lide diz respeito à existência, ou não, de vínculo - 48482685830 empregatício entre as partes, na qual a Reclamante alega o labor na qualidade de empregada doméstica, enquanto a Reclamada defende a descontinuidade da prestação de serviços, admitindo-o, contudo, como diarista. Assim, a Demandada atraiu para si o ônus probatório, na medida em que admitiu a prestação dos serviços, ainda que de forma diversa da alegada na inicial, encargo que não se desincumbiu, impondo-se o reconhecimento do vínculo de emprego com a condenação da empregadora no pagamento das verbas correlatas e anotação do contrato de trabalho na CTPS obreira. Recurso ordinário a que se dá provimento. (TRT23. RO 0000337-08.2017.5.23.0008. Órgão Julgador: Gabinete da Presidência. Publicação: 18/09/2018. Relator: Edson Bueno de Souza). EMPREGADO RURAL O trabalho rural está regulado pela Lei nº 5.889/73, regulamentado pelo Decreto nº 73.626/74 e no artigo 7º da Constituição Federal/88. Ao trabalhador rural é assegurado no mínimo o salário mínimo, devendo-se observar o piso salarial da categoria a que pertencer o empregado. Empregado rural é toda a pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário. Um exemplo de empregado rural e em um corte de cana o empregado rural e aquele que corta a cana e não aquele que trabalha na indústria (usina) transformando a cana em álcool aquele já e CLT. O trabalhador rural tem vários direitos trabalhistas, como o salário em dia, décimo terceiro, adicional noturno, horas extras,descanso semanal, FGTS, aviso- prévio, seguro-desemprego, benefícios do INSS e outros. Atualmente, existem cerca de 18 milhões de trabalhadores rurais. Trabalhador Rural – é a pessoa física que presta serviços em propriedade rural ou em prédio rústico, de forma habitual, mediante salário e sob a dependência do empregador rural. Empregador Rural – é a pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, que explora atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural. Também será considerado como empregador rural aquele que exerce atividade em estabelecimento industrial agrário ou explora atividade de turismo rural. As atividades rurais realizadas no Brasil incluem, com mais frequência, a pecuária, a lavoura, produtos florestais, extrativismo e pesca artesanal. - 48482685830 Cada atividade tem sua própria característica, referente à produção, tecnologia e preço de produtos. Benefícios e direitos trabalhistas para o trabalhador rural, estão incluídos: 1. salário-mínimo ou conforme acordo com o empregador ou, ainda, acordo coletivo do sindicato 2. décimo terceiro salário 3. adicional noturno 4. horas extras 5. adicional de insalubres ou periculosidade 6. repouso semanal remunerado 7. jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais 8. jornada de 6 horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento 9. Intervalos intrajornada e interjornada 10. FGTS 11. férias anuais remuneradas com 1/3 de férias 12. licença-maternidade 13. licença-paternidade 14. aviso-prévio; 15. seguro-desemprego 16. benefícios previdenciários, incluindo auxílio-doença, aposentadoria e outros 17. convenções e acordos coletivos de trabalho Portanto, são muitos direitos garantidos ao trabalhador rural, de forma semelhante aos trabalhadores urbanos. TRABALHO TEMPORÁRIO Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. - 48482685830 O funcionamento da empresa de trabalho temporário está condicionado a prévio registro no órgão específico do Ministério do Trabalho. Lei 619,74 (cuidado um pouco bagunçada pois a lei 13.429/2017, inseriu a terceirização e veio a reforma e mudou alguns artigos), assuntos diferentes na mesma lei. Nenhuma empresa contrata diretamente um empregado temporário, ela contrata uma empresa especializada que vai contratar o empregador, são contratos por prazo determinado. De acordo com a legislação, “o trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços”. Ou seja, só podem ser contratados trabalhadores temporários em duas condições: ● Para substituir um funcionário ausente (por exemplo, por férias ou afastamento do funcionário) ● Para atender a uma demanda complementar, que pode ser decorrente de fatores imprevisíveis ou previsíveis. Neste último caso, ela deve ter natureza intermitente, periódica ou sazonal. O motivo da contratação deve estar explícito no contrato de trabalho temporário. E a empresa contratante não pode utilizar os trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com a empresa prestadora de serviços. O contrato de trabalho temporário não pode exceder o prazo de 180 dias, consecutivos ou não. Além disso, caso o empregador necessite de mais tempo com aquele funcionário em sua empresa, ele poderá ampliar o contrato por mais 90 dias, totalizando 270 dias. Após esse prazo, um mesmo funcionário não pode ser recontratado pela empresa contratante em novo contrato temporário após 90 dias do término do contrato. Os trabalhadores temporários têm seus direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A única diferença é que ele trabalha para a empresa prestadora, e não a tomadora. - 48482685830 Mais especificamente, de acordo com a Lei 13.429, os funcionários temporários têm direito a: ● Remuneração equivalente à percebida pelos empregados de mesma categoria da empresa tomadora ou cliente ● Jornada de 8 horas, remuneradas as horas extraordinárias não excedentes de duas, com acréscimo de 20%. ● Férias proporcionais ● Repouso semanal remunerado ● Adicional por trabalho noturno ● Seguro contra acidente do trabalho ● Proteção previdenciária ● Carteira de trabalho assinada O funcionário temporário pode ser dispensado por justa causa, conforme os artigos correspondentes da CLT. A diferença é que os temporários não têm direito ao aviso prévio nem aos 40% de multa do FGTS ou a qualquer outra estabilidade como a da gestante e do acidentado no trabalho, por se tratar de um contrato com prazo determinado. Não se confunde temporário, eventual e avulso, pois temporário tem registro e os outros dois não. Atleta profissional - características do contrato de trabalho: A atividade do atleta profissional, em todas as modalidades desportivas, é caracterizada por remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com entidade de prática desportiva, pessoa jurídica de direito privado, que deverá conter, obrigatoriamente, cláusula penal para as hipóteses de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral, além de outras características específicas para a atividade desportiva. Prazo determinado. Legislação extraordinárias O contrato de emprego é como regra geral firmado por tempo indeterminado, ou seja, inexiste termo final para sua conclusão, se perdurando no tempo até que uma das partes decida romper o vínculo. Como quase toda regra tem exceção, há hipóteses em que empregado e empregador podem firmar contratos por prazo determinado e, assim, se submetem a regras próprias afetas a tal modalidade contratual. - 48482685830 A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dispõe sobre os parâmetros a serem observados quando da contratação por prazo determinado, nos seguintes termos: Art. 443 - O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado. § 1º - Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. § 2º - O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; b) de atividades empresariais de caráter transitório; c) de contrato de experiência. Art. 445 - O contrato de trabalho por prazo determinado não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, observada a regra do art. 451. Art. 451 - O contrato de trabalho por prazo determinado que, tácita ou expressamente, for prorrogado mais de uma vez passará a vigorar sem determinação de prazo. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT) Assim, resta claro que as modalidades de contratação por prazo determinado são exceções à regra trazida pelo princípio da continuidade da relação de emprego, autorizando a contratação em situações excepcionais sem que o empregador traga para si as responsabilidades financeiras da contratação por prazo indeterminado. Com o término normal do contrato por prazo determinado, duas situações podem ocorrer: ● Se extinto antecipadamente por iniciativa do empregador o empregado contratado por prazo determinado receberá todas as verbas rescisórias pertinentes, além também da indenização prevista no art. 479, da CLT, cujo valor corresponde à metade dos salários queseriam devidos até o término normal do contrato; ● Se extinto antecipadamente pelo empregado este fica obrigado a pagar ao empregador indenização em decorrência dos prejuízos que lhe resultarem, havendo obrigação de que o empregador comprove referidos prejuízos por meio de ação na Justiça do Trabalho. Ademais, o valor máximo da indenização será o equivalente à metade dos salários que seriam devidos pelo período restante do contrato, de acordo com o artigo 480, da CLT. - 48482685830 Cabe ainda ressaltar que o empregado contratado por prazo determinado não recebe no momento da dispensa a multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o aviso prévio, pois o termo final do contrato já é conhecido. Dentro de referida modalidade de contratação podem as partes pactuar, expressamente no contrato de emprego, a cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada (erroneamente nomeada de assecuratória pela CLT em seu art. 481): Aos contratos por prazo determinado, que contiverem cláusula assecuratória (sic) do direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado, aplicam-se, caso seja exercido tal direito por qualquer das partes, os princípios que regem a rescisão dos contratos por prazo indeterminado. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT) A lei nº. 9.601/1998, regulamentada pelo Decreto nº. 2.490/1998, trata da contratação por prazo determinado e amplia suas possibilidades, em relação às quais não se aplicam as regras dos artigos 451, 479 e 480 da CLT, desde que haja negociação coletiva com a presença obrigatória do sindicato dos trabalhadores e gerar, necessariamente, postos de trabalho, assim: Art. 1º As convenções e os acordos coletivos de trabalho poderão instituir contrato de trabalho por prazo determinado, de que trata o art. 443 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, independentemente das condições estabelecidas em seu § 2º, em qualquer atividade desenvolvida pela empresa ou estabelecimento, para admissões que representem acréscimo no número de empregados. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT) Quando referida cláusula for acionada no momento da dispensa, o artigo 481 da CLT assegura às partes rescindirem antecipada e unilateralmente o contrato sem indenizações, sendo a rescisão feita nos termos do contrato por prazo indeterminado, tendo o empregado, por sua vez, direito ao aviso prévio e à multa de 40% do FGTS e caso tenha pedido demissão, deve conceder aviso prévio de 30 dias ao empregador. Ainda, no caso de pedido de demissão ao empregado serão devidas as seguintes verbas rescisórias: saldo de salário, férias proporcionais e vencidas + 1/3, 13º salário proporcional e vencidos e FGTS (não tem direto à multa de 40% e não pode sacar o FGTS), que deverão ser quitadas até o dia útil seguinte ao cumprimento do aviso prévio e em até 10 dias no caso de aviso prévio indenizado (sem que o empregado trabalhe), pois caso ultrapasse referidos prazos o empregador será - 48482685830 obrigado a pagar multa equivalente a um salário do empregado, conforme art. 477, § 8 da CLT. Por fim, cabe ressaltar que as mesmas regras são aplicáveis ao contrato de experiência, que é modalidade de contrato por prazo determinado, sendo que havendo a cláusula em comento e haja sua utilização no término do contrato, então ele se submete às mesmas regras da rescisão de contrato de trabalho por prazo indeterminado. Empregados que não são assistidos pela justiça do trabalho. Trabalho autônomo é todo aquele que exerce sua atividade profissional sem vínculo empregatício, por conta própria e com assunção de seus próprios riscos. A prestação de serviços é de forma eventual e não habitual, que desenvolve sua atividade com organização própria, iniciativa e discricionariedade, além da escolha do lugar, do modo, do tempo e da forma de execução. A principal característica da atividade do autônomo é sua independência, pois a sua atuação não possui subordinação a um empregador. O profissional autônomo é aquele que possui determinadas habilidades técnicas, manuais ou intelectuais e decide trabalhar por conta própria, sem vínculo empregatício, têm a vantagem de negociar mais livremente as relações de trabalho, como horários mais flexíveis e salários. A autonomia da prestação de serviços confere-lhe uma posição de empregador em potencial, pois explora em proveito próprio a própria força de trabalho. Assim, não pode haver na relação jurídica do trabalhador autônomo, os requisitos da relação de emprego, contidos no artigo 03 da CLT, principalmente a questão da subordinação jurídica com um empregador, uma vez que o autônomo não se sujeita ao poder diretivo e não está sujeito a seguir ordens de um empregador para a execução de suas atividades profissionais. A alteração com relação ao trabalhador autônomo, promovida pela Lei 13.467/2017 (Lei da Reforma Trabalhista), admite expressamente a possibilidade deste trabalhador realizar a prestação de serviços de forma exclusiva. Neste sentido, o novo artigo 442-B da CLT, dispõe que “a contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta Consolidação”. O QUE DIFERENCIA DO AUTÔNOMO DO EMPREGADO E A SUBORDINAÇÃO JURÍDICA - 48482685830 Este novo dispositivo legal vem em sentido contrário ao entendimento da maioria das decisões proferidas pela Justiça do Trabalho até o advento da Lei 13.467/2017, uma vez que habitualmente era reconhecido o vínculo empregatício de trabalhador que desenvolvia suas atividades laborais exclusivamente para único empregador. A Reforma Trabalhista inseriu o art. 442-B na CLT, o qual dispõe que a contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta Consolidação. O art. 3º da CLT assim dispõe: “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Com a Reforma Trabalhista, desde que não esteja presente a subordinação jurídica nos termos do § 6º do art. 442-B da CLT, os trabalhadores contratados como autônomos não poderão mais requerer na justiça o direito ao reconhecimento do vínculo empregatício, uma vez cumprida as formalidades legais por parte da empresa, tais como: Celebração do contrato de prestação de serviços de autônomo; Acordo e o pagamento dos honorários mensais; O desconto e o recolhimento dos encargos devidos pelo serviço autônomo; e a prestação de informações aos órgãos competentes dos serviços prestados. OBS: Assim, a exclusividade no trabalho autônomo não é requisito para o reconhecimento de vínculo empregatício, sendo extremamente relevante para a configuração do liame empregatício a existência de subordinação jurídica entre o trabalhador e quem o contrata, mas é claro que o contratante nesta relação não poderá definir, nem tampouco controlar a execução dos trabalhos realizados pelo empregador autônomo, sob pena de que seja reconhecido o vínculo empregatício. Por fim, importante ressaltar que a questão referente a exclusividade do trabalhador autônomo pode sofrer alterações, uma vez que tramita no Congresso Nacional, medida provisória que proíbe a exclusividade para trabalhador autônomo sob pena que seja caracterizado o vínculo empregatício. Antes da reforma: não havia previsão específica na legislação trabalhista sobre o autônomo. Mas a atuação contínua para um empregador poderia ser reconhecida, na Justiça, como prova de vínculo empregatício. - 48482685830 Lei 13.467, da reforma trabalhista: a contratação de um profissional autônomo, mesmo prestando serviços exclusivamente, não o tornaria um empregado dentro da Consolidação das Leis do Trabalhosindical, legislação individual protetiva, Ministério do Trabalho e o antigo sistema previdenciário, aos quais competem a resolução de conflitos socioeconômicos por meio do sistema de unicidade sindical e o poder normativo da Justiça do Trabalho. A esse modelo, cabia ainda controlar as organizações e lideranças da classe de trabalhadores de maneira a retirar-lhes o controle e direção de suas bases, o que era feito basicamente por meio da legislação sindical formalista e obrigatória e a atuação intervencionista do Ministério do Trabalho. Como já mencionado alhures, o modelo justrabalhista instituído nesta fase persistiu praticamente sem alterações até 1988, quando voltou a ser questionado por conta dos estudos que resultaram na nova Constituição. Sob o império da Novel Carta Magna, o Direito do Trabalho passa por uma nova fase de transição, denominada democrática, na qual ocorre a mudança do caráter corporativista para o democrático, com presença de forte influência capitalista, sendo incorporado ao modelo justrabalhista a possibilidade do processo negocial autônomo para a sociedade civil, um avanço alcançado mediante incontáveis manifestações que exigiam a regulamentação de questões relativas aos contratos de - 48482685830 trabalho; momento histórico em que as demandas relativas aos conflitos individuais e coletivos decorrentes de tais contratos puderam ser resolvidas por um órgão administrativo integrado por representantes dos empregados e empregadores. Conforme pode ser verificado na história, o que determinou o surgimento da Justiça do Trabalho foi a necessidade do Estado disciplinar e intervir na atuação dos estabelecimentos patronais, além de ordenar, organizar, normatizar uma via institucional na qual as reivindicações, conflitos e direitos pudessem ser encaminhadas para uma análise externa, visto que até então, os conflitos ocorriam dentro das empresas, por meio de paralisações do trabalho e que não raramente assumem rumos desorganizados e agressivos. Assim, a Constituição de 1988 ampliou de maneira bastante significativa os direitos dos empregados, valorizando o trabalho humano ao inseri-lo em um dos princípios fundamentais, tratando de maneira isonômica os empregados urbanos e rurais, bem como os demais empregados e trabalhadores. No entanto, outras modalidades profissionais, como os autônomos, não foram abrangidos pela nova constituição, deixando-os por um longo período esquecidos. Tal condição foi alterada pela Emenda Constitucional nº. 45 que modificou profundamente a competência da Justiça do Trabalho como um meio de corrigir falhas e atualizar o sistema jurídico trabalhista, em especial o artigo 114, inciso I, o qual ampliou a competência antes limitada às relações de emprego, passando a alcançar todas as relações resultantes das relações de trabalho de maneira ampla. Essa modificação da Justiça do Trabalho possibilitou a adaptação do ramo justrabalhista às necessidades do trabalho contemporâneo, firmando-se em um verdadeiro resgate do papel histórico do Direito do Trabalho. Embora considerável os avanços alcançados pela Constituição Cidadã, não é possível negar que problemas antigos foram preservados, e a preservação de mecanismos antidemocráticos e autoritários, os quais claramente confrontavam os preceitos democráticos; conflitos esses que se arrastaram e questionam, inclusive, a direção e existência do Direito Individual do Trabalho ocorrido na década de 1990. Passadas duas décadas da instituição da Constituição de 1988, o sistema justrabalhista se fortaleceu e se estabeleceu frente ao crescente número de trabalhadores regidos por seus princípios e normas. Vale lembrar que durante o transcurso de suas sete décadas de existência, a Justiça do Trabalho sofreu importantes transformações, dentre as quais a expansão - 48482685830 da Justiça do Trabalho, consistente na extraordinária elevação do número de seus órgãos, a extinção da representação classista em todos os órgãos da Justiça do Trabalho, operada pela Emenda Constitucional nº 24, de 9 de dezembro de 1999, e a ampliação da sua competência, começando pela extensão desta às ações decorrentes de acidentes do trabalho, que foi pacificada pela Emenda Constitucional nº 45, a qual também modificou sensivelmente a competência da Justiça do Trabalho ao alargar a abrangência do inciso I do art. 114, todas as ações oriundas das relações de trabalho; sendo assim, notável que nestes setenta anos de existência, mesmo com as deficiências que ainda apresenta e constante necessidade de aperfeiçoamento, a Justiça do Trabalho cresceu, expandiu-se e disseminou-se por todo o território brasileiro. A Carta de 1988 trouxe, nesse quadro, o mais relevante impulso já experimentado na evolução jurídica brasileira, a um eventual modelo mais democrático de administração dos conflitos sociais no país. Impulso relevante, se cotejado com a história anterior do Direito Laboral pátrio. Impulso tímido, se comparado com as experiências dos países centrais. Impulso contraditório, se posto à análise com diversos outros dispositivos da mesma Constituição, que parecem indicar em sentido inverso à autonormatização social e à própria democratização do Direito do Trabalho. A Constituição de 1988 inova – de modo muito destacado – perante todas as Cartas anteriores ao estatuir que todo o poder emane do povo, que o exercerá por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. Ora, à medida que se sabe que a norma jurídica é a consumação de um processo político bem-sucedido, pode-se concluir que pretendeu também a Constituição valorizar formas autônomas de exercício do poder, não apenas através de instrumentos políticos clássicos (ainda que raramente utilizados na história brasileira, como o plebiscito e referendo – art. 14 CF/88). Mais à frente, a Constituição confirma essa intenção, ao acentuar a importância das convenções e acordos coletivos (artigos. 7º, XXIV, e 8º, VI, CF/88). No Brasil, o marco inicial da evolução do Direito Trabalhista é a progressiva abolição da escravidão, que culmina na Lei Áurea (1888). Com a proibição do trabalho forçado, surgiu a necessidade de alocar mão de obra nas oficinas, armazéns, fazendas e manufaturas do país. No ano de 1934, a Constituição Federal trouxe pela primeira vez o direito do trabalho, instituindo a Justiça do Trabalho. - 48482685830 A origem do direito do trabalho em toda a América do Sul e comum, uma influência do fluxo migratório, pois os donos de terras não queriam contratar os negros como funcionários livres. Por isso, migram para o Brasil alguns europeus (italianos, portugueses e espanhóis). Ademais, os princípios que regem o direito do trabalho são orientações e preceitos com função informadora, normativa e interpretativa, que inspiram a criação e a análise de leis. São pressupostos ambivalentes do direito do trabalho e, por isso, podem ser invocados tanto pelo trabalhador quanto pelo empregado. São enunciados amplos, máximos ou assertivos que no seu todo servem como base e sustentáculo de informação ao legislador na elaboração de uma norma. No seu bojo, trazem também meios para orientação ao juiz quando da sua interpretação e classificação de uma norma, na fase em que o Magistrado fundamenta as suas decisões. Essas assertivas servem como arrimo às lacunas e possíveis omissões da lei, atuando dessa forma como uma maneira de integrar a norma à lei. Resumidamente, princípios são enunciações normativas que possuem um valor genérico, destinados a orientar e condicionar a compreensão do ordenamento jurídico, seja para sua aplicação, seja para a criação de novas normas. No entendimento de Amauri Mascaro Nascimento (2014), os princípios são elementos importantes: Para o positivismo, os princípios estão situados no ordenamento jurídico, nas leis em que são plasmados, cumprindo uma função integrativa(CLT). O trabalhador eventual realiza um trabalho eventual, ou seja, não há rotina no seu trabalho, e o mesmo realiza uma vez ou outra em determinado lugar, um exemplo desse trabalho é um encanador que vai arrumar um vazamento, somente realizou o trabalho uma vez, esse modelo de trabalho não configura um vínculo empregatício, visto que o mesmo não preenche os requisitos, a lei 8.212/91 alínea a do inciso IV do art. 12, define trabalhador eventual como sendo: “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego”. É aquele que presta serviços de natureza urbana ou rural em caráter eventual. Normalmente, é a pessoa contratada apenas para trabalhar em uma certa ocasião, num determinado evento, como por exemplo – os pedreiros, jardineiros, pintores, encanadores, eletricista, etc. São características do Trabalhador Eventual: ausência de habitualidade (não eventualidade); prestação de serviços esporádicos, de curta duração; não atua com profissionalidade; relação jurídica bilateral entre o trabalhador e o tomador dos serviços. Trabalhador avulso é aquele que, sindicalizado ou não, presta serviços de natureza urbana ou rural, sem vínculo empregatício, a diversas empresas, com intermediação obrigatória do sindicato da categoria ou, quando se tratar de atividade portuária, do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO). Distingue-se, porém, o avulso do trabalhador eventual, pois o primeiro tem todos os direitos previstos na legislação trabalhista, enquanto o eventual só tem direito ao preço avençado no contrato e à multa pelo inadimplemento do pacto, quando for o - 48482685830 caso. O avulso é arregimentado pelo sindicato, enquanto o eventual não tem essa característica. Não é o trabalhador avulso subordinado nem à pessoa a quem presta serviços, muito menos ao sindicato, que apenas arregimenta a mão de obra e paga os prestadores de serviço, de acordo com o valor recebido das empresas. O avulso não presta serviço com pessoalidade, pois o trabalhador pode ser substituído por outra pessoa. Ao tomador não interessa normalmente que o serviço seja feito por determinada e específica pessoa, mas que o trabalho seja realizado. Pouco importa quem irá fazer o trabalho. A relação, portanto, não é intuitu personae. São características do trabalhador avulso: 1 - Liberdade na prestação de serviço, pois não tem vínculo nem com o sindicato, muito menos com as empresas tomadoras de serviço; 2 - Há a possibilidade da prestação de serviço a mais de uma empresa, como ocorre na prática; 3 - O sindicato ou órgão de mão de obra fazem a intermediação da mão de obra, colocando os trabalhadores onde é necessário o serviço, cobrando posteriormente um valor pelos serviços prestados, já incluindo os direitos trabalhistas e os encargos previdenciários e fiscais, e fazendo o rateio entre as pessoas que participaram da prestação de serviço; 4 -O curto período em que o serviço é prestado ao beneficiário. São exemplos de trabalhadores avulsos o estivador, o conferente de carga e descarga, o armador da embarcação no porto e etc. A Lei nº 8.630/93 estabelece as regras do trabalho nos portos, mas não é apenas o portuário que é considerado avulso, pois também o são o classificador de frutas que trabalha no meio rural, o ensacador de café, cacau, sal e etc. O trabalhador avulso vinha conquistando uma série de direitos. A Lei nº 5.480, de 10-8-68, determinava o pagamento de 13º salário e FGTS. Esta Lei foi revogada pela Lei nº 8.630/93. O art. 3º da Lei nº 605, de 5-1-49, estendeu-lhe o direito ao repouso semanal remunerado. O Decreto nº 53.153, de 10-12-63, concedeu-lhe o salário família. O Decreto nº 61.851, de 6-12-67, outorgou-lhe o direito às férias. A Lei Complementar nº 7, de 7-9-70, instituidora do PIS, considerou-o beneficiário do abono. A Constituição estabeleceu igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso (art. 7º, XXXIV). - 48482685830 A liberação das parcelas referente ao 13º salário e férias, depositadas nas contas individuais vinculadas, e o recolhimento do FGTS e dos encargos fiscais e previdenciários serão efetuados conforme regulamentação do Poder Executivo. O pagamento da remuneração pelos serviços prestados será feito no prazo de 48 horas após o término do serviço. Direitos - remuneração justa, FGTS, 13º salário, férias remuneradas, adicional noturno, repouso semanal, ser segurado da previdência. A reforma trabalhista incluiu, na CLT, o artigo 611-B, o qual dispõe sobre a ilicitude de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho sobre a supressão ou redução de alguns direitos trabalhistas. Desta forma, não é possível convencionar em convenção ou acordo coletivo a supressão de direitos dos trabalhadores avulsos. O tomador repassa as verbas ao sindicato que, por sua vez, repassa os valores ao trabalhador. TRABALHADOR COOPERADO O trabalhador que aderir à cooperativa e, por estatuto da mesma, adquirir o status de cooperado, não é caracterizado como empregado, conforme CLT, art. 442, adiante reproduzido: “qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquelas”. As Sociedades Cooperativas estão reguladas pela Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das Cooperativas. Cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, economicamente organizada de forma democrática, isto é, contando com a participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos. Cooperativa de serviços: Reunião de trabalhadores que se unem para que possam exercer uma profissão. Cooperativa de bens: Reunião de empresários que se unem para juntos exercerem uma atividade economia de lucro. Exemplo - Taxista os cooperados são os donos do taxi, a pessoa que atende o telefone não é cooperada e empregada CLT. - 48482685830 O trabalhador que aderir à cooperativa e, por estatuto da mesma, adquirir o status de cooperado, não é caracterizado como empregado, conforme CLT, art. 442, adiante reproduzido:“qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquelas”. Os empresários começaram a abrir cooperativas para se livrarem do vínculo empregatício. O que não aconteceu muito bem, porquanto os juízes em audiência descobriram as fraudes. Hoje quase não tem mais cooperativas no Brasil. Para ser cooperativa tem que seguir a lei corretamente o que não acontece. Um exemplo disso foi a lei do estagiário, muitas pessoas contratam os profissionais falando que era estágio, contrato de trabalho atípico, para aprendizagem o que quase nunca ocorria. O ingresso nas Cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela mesma, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto (art. 29 da Lei 5.764/71). As cooperativas não são valorizadas no Brasil. Os agentes cooperativos não gozam de direitos trabalhistas quando atuam em cooperativas legais. Já numa cooperativa de trabalho no âmbito da lei, o empregado não é subordinado, isto significa que ela tem total liberdade de trabalho e obedece ao seu horário. Além disso, os cooperados nunca podem ter um salário, mas devem obter os lucros da cooperativa, sem qualquer controle da empresa, mesmo em termos de horários. O papel de cooperado nunca pode ser essencial para as empresas que empregam uma cooperativa, já que o cooperado deve ser o único gestor de seu horário trabalhado. Por fim, uma cooperativanão pode ser multiprofissional, em outras palavras, não pode ter vários colaboradores de diversas profissões, mas deve focar em apenas uma profissão. Porém, quando houver configuração fraudulenta para fins abusivos, melhor dizendo, quando a cooperativa atuar apenas como intermédio de mão de obra, direitos trabalhistas podem ser exigidos, especificamente: abono de Natal, salário mínimo da categoria com reflexo na rescisão, fundo de garantia (FGTS), férias, adicional noturno e outros valores dependendo das condições de trabalho. - 48482685830 ESTAGIÁRIO A atual Lei do Estágio, define os parâmetros que regulamentam as contratações de Estagiários, abaixo os principais: A carga horária máxima está limitada a seis horas/dia, trinta horas semanais. A jornada pode ser cumprida em mais de uma Organização concedente, desde que não exceda, no total, o limite legal permitido; Estagiários têm direito ao recesso remunerado (férias) de trinta dias a cada doze meses de estágio na mesma Empresa ou, o proporcional ao período estagiado se menos de um ano. Não há abono de férias, 1/3. A Legislação do estágio não contempla o 13º salário. A rescisão antecipada do Contrato de Estágio, independentemente da iniciativa, preserva o direito do Estagiário quanto ao recesso remunerado; ● O tempo máximo de estágio na mesma Empresa é de dois anos, exceto quando tratar-se de Estagiário portador de deficiência; ● Diferentemente da CLT, a Legislação do Estágio não estabelece um piso mínimo para a Bolsa estágio, o valor da remuneração é definido de comum acordo entre as partes pactuantes no Contrato de Estágio; ● A remuneração do estágio e a cessão do auxílio transporte são compulsórias, exceto nos casos de estágios obrigatórios. O valor do auxílio pode ser parcial, entretanto, a Legislação do Estágio não prevê o desconto de 6% sobre a remuneração do estágio; ● O valor da Bolsa estágio pressupõe o cumprimento das atividades práticas previstas no Contrato de Estágio. Faltas e atrasos no cumprimento destas obrigações ensejam o desconto correspondente ao período não estagiado. A Organização concedente do estágio poderá, a seu exclusivo critério, abonar as ausências justificada: ● O estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção do diploma. O estágio não obrigatório é desenvolvido livremente como atividade opcional e, neste caso, as horas de estágio serão acrescidas à carga horária regular e obrigatória, quando tal previsão integrar o currículo acadêmico do curso: - 48482685830 ● O capital segurado do Seguro de Acidentes Pessoais, cujo número da Apólice e nome da Seguradora precisam constar do Contrato de Estágio, deve ser compatível com os valores de mercado; ● Um Supervisor de Estágio poderá supervisionar até dez Estagiários; ● A Legislação estabelece para estagiários de nível médio regular (2º grau / colegial), de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos, a proporcionalidade de contratações de estagiários em relação ao quadro de funcionários, conforme abaixo: Art. 17. O número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes proporções: I - de 1 (um) a 5 (cinco) empregados: 1 (um) estagiário II - de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2 (dois) estagiários; III - de 11 (onze) a 25 (vinte e cinco) empregados: até 5 (cinco) estagiários; IV - acima de 25 (vinte e cinco) empregados, até 20% (vinte por cento) de estagiários. § 1º Para efeito desta Lei, considera-se quadro de pessoal o conjunto de trabalhadores empregados existentes no estabelecimento do estágio. § 2º Na hipótese de a parte concedente contar com várias filiais ou estabelecimentos, os quantitativos previstos nos incisos deste artigo serão aplicados a cada um deles. § 3º Quando o cálculo do percentual disposto no inciso IV do caput deste artigo resultar em fração, poderá ser arredondado para o número inteiro imediatamente superior. § 4º Não se aplica o disposto no caput deste artigo aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. Obs.: Essa limitação não se aplica aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. Conforme determina o inciso XXXIII, do Artigo 7º da Constituição Federal, é proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. Profissionais Liberais com registros em seus respectivos Órgãos de Classe podem contratar Estagiários. LEGISLAÇÃO DO ESTÁGIO (RESUMO DA LEI) ● as contratações de estagiários não são regidas pela CLT e não criam vínculo empregatício de qualquer natureza; ● sobre estas contratações não incidem os encargos sociais previstos na CLT, entretanto, o Estagiário tem direito ao recesso remunerado (férias) de 30 dias - 48482685830 à cada doze meses de estágio na mesma Empresa ou, o proporcional ao período estagiado, gozados ou indenizados; ● o estagiário não entra na folha de pagamento; ● qualquer aluno, a partir de dezesseis anos, dos anos finais do ensino fundamental do ensino profissional, do ensino médio regular ou profissional e estudante de nível superior, pode ser estagiário; ● a contratação é formalizada e regulamentada exclusivamente pelo Termo de Compromisso de Estágio (Contrato de Estágio); ● o Termo de Compromisso de Estágio deverá ser assinado pela Empresa, pelo Aluno e pela Instituição de Ensino; ● A Legislação em vigor determina: o estágio pode ser obrigatório ou não obrigatório. O Estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma. O Estágio não- obrigatório é desenvolvido livremente como atividade opcional, neste caso, as horas do estágio serão acrescidas à carga horária regular e obrigatória, quando tal previsão integrar o currículo acadêmico do curso. ● a jornada de estágio é de, no máximo 6 horas diárias e 30 horas semanais; ● o tempo máximo de estágio na mesma Empresa é de dois anos, exceto quando tratar-se de Estagiário portador de deficiência; ● se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação a carga horária do estágio - bem como a remuneração - será reduzida pelo menos à metade, segundo estipulado no Termo de Compromisso de Estágio, para garantir o bom desempenho do estudante. ● não existe um piso de bolsa-estágio preestabelecido, mas a remuneração, bem como o auxílio transporte, são compulsórios para estágios não obrigatórios; ● a Legislação não prevê qualquer desconto sobre o valor da bolsa- estágio decorrente da concessão do auxílio transporte, cujo reembolso pode ser integral ou parcial; ● o estagiário, a exclusivo critério da Empresa, pode receber os mesmos benefícios concedidos a funcionários, sem que o procedimento estabeleça vínculo empregatício; - 48482685830 ● o período médio de contratação é de 6 meses e pode ser rescindido a qualquer momento, por qualquer das partes, sem ônus, multas ou sanções; ● o estagiário, obrigatoriamente, deverá estar coberto por um Seguro de Acidentes Pessoais compatível com os valores de mercado; ● a ausência do Termo de Compromisso de Estágio (Contrato de Estágio) e/ou do Seguro de Acidentes Pessoais descaracteriza a contratação, gera vínculo empregatício e sujeita a Empresa às sanções previstas na CLT. (Legislação do Estágio - Inciso II e § 2º do Artigo 3º; incisos I e IV do Artigo 9º; Artigo 15º, caput). FUNCIONÁRIO PÚBLICO E EMPREGADO PÚBLICO (GÊNERO SERVIDOR PÚBLICO) Todos aqueles que desempenham alguma função de natureza pública, independentemente da natureza de seu vínculo (se regidos pela CLT, ou por uma lei específica (estatuto) podem ser enquadrados noconceito genérico de “agentes públicos”. Dentro desse gênero, podemos verificar a existência de pessoas que, a depender da natureza de sua vinculação com a Administração Pública, podem ser enquadradas como “servidores públicos” ou “empregados públicos”. Em linhas gerais, os servidores públicos são aqueles regidos por uma lei própria, um estatuto jurídico, que regula a sua relação com a Administração Pública a que está vinculado. Estes agentes ocupam cargos públicos (que compreendem um conjunto de atribuições a serem desempenhadas pelo seu ocupante e são criados exclusivamente por lei). Essa é a regra na Administração Pública Direta (servidores recrutados para trabalhar diretamente para a União – Polícia Federal, PRF, Receita Federal do Brasil, Ministério da Fazenda -, Estados, DF e Municípios). Da mesma forma, esse regime jurídico é utilizado nas pessoas jurídicas de direito público (autarquias – INSS, IBAMA, INCRA, DNIT, ANATEL… – e fundações de direito público). Por seu turno, os empregados públicos não ocupam cargos públicos, pois desempenham sua função mediante uma relação contratual. Explico: os empregados públicos são contratados, em regra, para trabalhar em pessoas jurídicas de direito privado, mas vinculadas à Administração Pública, como ocorre, por exemplo, na Caixa - 48482685830 Econômica Federal, Banco do Brasil, SABESP, CDHU, administração pública de economia mista. Esses empregados são regidos pela CLT. FUNCIONÁRIO PÚBLICO E SERVIDOR PÚBLICO: ENTENDA AS DIFERENÇAS Quem trabalha no serviço público tem uma série de vantagens sobre os trabalhadores da iniciativa privada. Uma delas é a estabilidade. Quando o profissional passa pelo período de experiência, ele não pode ser exonerado (ou demitido) sem justificativa. Dentro do serviço público, somente faltas graves justificam a dispensa de um servidor ou funcionário. Outra vantagem é a aposentadoria. Eles têm direito a receber o salário integral que tinham enquanto trabalhavam. Isso não acontece no setor privado, no qual há um determinado limite de valores para recebimento da aposentadoria. Os servidores públicos trabalham dentro da Administração Pública direta, fundações e autarquias. São instituições como a Receita Federal, servidores das Fazendas estaduais, professores de escola pública, policiais militares, entre outros. Outro detalhe é que esse trabalho funciona sob leis específicas. Uma delas é a Lei nº 8.112 de 1990, que traz todas as instruções para o serviço público federal. Nos casos estaduais e municipais, é o Estatuto que rege todo o trabalho estatal. Tanto é assim que esses servidores são chamados de estatutários. É aqui que o servidor tem a estabilidade garantida por lei, de acordo com a Constituição de 1988. Por outro lado, o reajuste dos rendimentos (que é como se chamam os salários dos servidores públicos) só vem por meio da aprovação de leis específicas. Assim, é comum que determinada carreira pública passe anos sem reajustes reais. Embora os funcionários públicos também sejam admitidos via concurso público, eles já trabalham em empresas públicas, como a Petrobras. Essa é uma empresa pública com participação privada, mas quem administra todo o seu trabalho são servidores indicados pelo presidente da República. Por ser empresa pública, seu regime de trabalho é o mesmo do setor privado, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e, por isso, seus trabalhadores são chamados de celetistas. Aqui, o salário não depende da aprovação de lei específica, e pode acontecer anualmente, diferente do servidor estatutário. - 48482685830 O funcionário público também tem estabilidade no trabalho, mas dependendo da empresa na qual ele trabalha, pode haver normas específicas sobre dispensa de funcionários. Em ambos os casos, tanto o servidor quanto o funcionário devem ser aprovados em concurso público, atuar dentro da sua área de formação (se for o caso de cargos com formações específicas) e estar em dia com as obrigações militares e eleitorais. CONCURSADOS E COMISSIONADOS Nem todo trabalhador da esfera pública precisa ser concursado. Há os comissionados, que são nomeados por ministros, secretários, governadores e parlamentares, como vereadores ou deputados. Geralmente, esses cargos são de liderança ou confiança, e devem ser preenchidos por pessoas especializadas nessas áreas. Como são nomeados, esses funcionários podem ser contratados e exonerados livremente. Não que os cargos de liderança não possam ser preenchidos por servidores de carreira. Mas, se o servidor contratante achar mais adequado, pode indicar alguém de sua confiança para atuar nessa posição. Há nomeações para cargos específicos que dependem de aprovação do Congresso Nacional, como é o caso dos diretores das Agências Reguladoras. NÍVEIS DE SERVIDORES E EMPREGADOS CONCURSADOS São três as esferas de administração estatal: a municipal, estadual e federal. Não existe um mais importante do que o outro, mas há níveis diferentes de atuação. Não podemos falar que o presidente da República possa mandar nos prefeitos, porque cada um tem uma área de atuação diferente. Essa divisão é estabelecida pela Constituição de 1988, que delega para cada uma dessas esferas atribuições específicas. E isso tem a ver com o campo de atuação dos servidores ou funcionários públicos. Veremos como é cada um deles. ESFERA MUNICIPAL - 48482685830 Aqui falamos de assuntos mais locais e que estão mais em contato com o dia a dia da população. Assim, é de atribuição das prefeituras a gestão dos postos de saúde (as Unidades Básicas de Saúde, as UBS), a educação infantil, creches e as escolas municipais, que têm aulas até o 9º ano. As Guardas Civis Municipais ficam também sob sua responsabilidade. São das prefeituras também a manutenção do saneamento básico, iluminação pública, recolhimento do lixo doméstico, administração do transporte público municipal e a manutenção das vias, como o asfaltamento das ruas e o controle do trânsito. Assim, os servidores públicos municipais trabalham nessas áreas. Eles têm um regime próprio de trabalho, bem como um sistema particular de aposentadoria. Sabemos que o serviço público é mantido pelo pagamento de impostos. No caso dos serviços municipais, os tributos que são de atribuição das cidades são o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), o ISS (Imposto Sobre Serviços) e o ITBI (Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis), além dos repasses dos governos federal e estadual. ESFERA ESTADUAL Já dentro da esfera estatal, as responsabilidades são outras. A educação do ensino médio é uma delas (embora haja escolas estaduais que oferecem também o ensino básico). Há universidades de nível estadual também (como a USP, Unesp e Unicamp). É o Estado que gerencia as Polícias Civil e Militar, bem como o Corpo de Bombeiros. É o Estado também que gerencia os Tribunais estaduais, para onde vão os julgamentos de crimes e demais pendências jurídicas. Obras de abastecimento de água são gerenciadas pelos governos estaduais, da mesma forma que as de ampliação de rodovias estaduais. O transporte público entre cidades é de sua responsabilidade. Dessa forma, os servidores públicos estaduais atuam nesses campos de trabalho, e também têm um regime próprio de contratação e aposentadoria. Os impostos que financiam o trabalho do Estado são o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação – conhecido como o ‘imposto da herança’), e o IPVA (Imposto de - 48482685830 Propriedade de Veículos Automotores). Há também os repasses de recursos do governo federal. ESFERA FEDERAL Quando se fala na esfera federal, se trata do Brasil todo. Tudo o que tem a ver com fatos que aconteçam entre estados, por exemplo, tem a ver com o campo federal. Assim, embora o ministérioda Saúde determine a política de saúde que deve ser implementada nos estados e municípios, o ministério não tem ingerência sobre eles. Mas é o governo federal que financia o Sistema Único de Saúde (SUS). Também determina a política de ensino que deve ser seguida pelas escolas estaduais e municipais, e pode ter universidades, como a Unifesp ou a UFRJ. É o governo federal que monitora as fronteiras do Brasil com outros países, por meio do trabalho das Forças Armadas, Receita Federal e Polícia Federal. Os Tribunais Superiores (para onde vão os recursos de casos já julgados pelos Tribunais estaduais) também são federais. As políticas econômicas, fiscais, e relacionamento internacional também são de responsabilidade federal. TRABALHO VOLUNTÁRIO O trabalho voluntário é definido pela Lei 9.608/1998 como a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. Para ser enquadrado no conceito da lei do voluntariado, o trabalho deve ter as seguintes características: 1. ser voluntário, ou seja, não pode ser imposto ou exigido como contrapartida de algum benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua família; 2. ser gratuito; 3. ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como “subcontratado” de uma organização da qual o indivíduo faça parte e, portanto, seja pela mesma compelido a prestá-lo; e 4. ser prestado para entidade governamental ou privada, sendo que estas devem ter fim não lucrativo e voltado para objetivos públicos. - 48482685830 O empregado trabalha com intuito de receber uma contraprestação com animus contrahendi, ou a intenção de prestar serviço sob a forma de emprego. E, mesmo que o empregador atrase no pagamento do salário, se o trabalhador tem a intenção de recebê-lo e trabalha com o intuito de perceber o salário, já está presente o elemento da onerosidade. Porém, no caso do voluntário, mesmo que haja recebimento de valor para custear despesas, por exemplo, caso o trabalho seja prestado por motivos outros, estes, totalmente diferentes da intenção de receber salário em contraprestação, não se verifica a onerosidade. Tal cenário, afasta por completo o vínculo de emprego. Acontece o trabalho voluntário com frequência em atividades assistenciais de caridade e religiosas. As pessoas que executam essas tarefas, normalmente, não esperam receber contraprestação pelo serviço. Trabalham de forma voluntária. Assim, em resumo, o trabalho gratuito é o que engloba o trabalho voluntário. A norma que dispõe a respeito do tema é a Lei n. 9.608/1998 que, em seu artigo 1º define o serviço voluntário: Art. 1º Considera-se serviço voluntário, para os fins desta Lei, a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa. Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim. (Lei n. 9.608/1998) Já o artigo 3º da mesma lei autoriza o pagamento de despesas feitas pelo prestador de serviço voluntário para a execução do trabalho. Porém, tal contraprestação não tira o caráter gratuito deste vínculo: O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. Parágrafo único. As despesas a serem ressarcidas deverão estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. (Lei n. 9.608/1998) Vale deixar claro também que, para evitar fraudes, o artigo 2º da lei do trabalhador voluntário exige que o serviço desta espécie deva ser exercido mediante a celebração de um termo de adesão. - 48482685830 Art. 2º O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, devendo constar o objeto e as condições de seu exercício. Não esquecer: O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista previdenciária ou afim. O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, devendo constar o objeto e as condições de seu exercício. Veja o que entende os tribunais sobre o tema: TRABALHO VOLUNTÁRIO. TERMO DE ADESÃO. FRAUDE. VÍCIO. ÔNUS. O trabalho voluntário se configura pelo desempenho de atividade não remunerada prestada por pessoa natural a entidade pública ou instituição privada sem fins lucrativos e com objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa, nos termos do art. 1º da Lei 9608/98, que regulamenta essa modalidade de trabalho. O vínculo deve ser necessariamente formalizado por meio de contrato de adesão em que reste claro que se trata de trabalho voluntário, com indicação do seu objeto, havendo a possibilidade de recebimento de ajuda de custo. Exibindo o réu o contrato de adesão devidamente assinado pelo autor da ação, cabe a este provar que o termo de adesão era uma artimanha do réu para mascarar a relação, desenvolvendo-se o trabalho com o preenchimento dos requisitos do art. 3º da CLT. Produzida prova oral que se mostra dividida, resolve-se a questão por quem detém o encargo probatório. Assim, não demonstrado de forma robusta a alegada fraude ou vício de consentimento na adesão ao termo, assim como a presença concomitante dos elementos de configuração da relação de emprego, tem-se que o trabalho voluntário ocorreu de forma escorreita na forma prevista pela legislação que o regulamenta. (TRT-1 - RO: 01002474120185010022 RJ, Relator: CELIO JUACABA CAVALCANTE, Data de Julgamento: 28/01/2020, Nona Turma, Data de Publicação: 05/02/2020) VÍNCULO DE EMPREGO.TRABALHO VOLUNTÁRIO RELIGIOSO. Para a caracterização do vínculo empregatício, a conjugação dos artigos 2º e 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, exige que estejam presentes todos os requisitos relacionados com a continuidade, subordinação jurídica, pessoalidade e salário. Pelo empregador a assunção do risco do empreendimento e a direção dos serviços. No caso, não estão presentes os elementos onerosidade e pessoalidade na prestação de serviços pelo autor. Quanto ao trabalho voluntário religioso, tem-se que, via de regra, o vínculo que une o líder religioso à entidade religiosa é de natureza vocacional, relacionado à resposta a uma chamada interior e não ao intuito de percepção de remuneração terrena. Em prestações voluntárias religiosas, a subordinação, quando existente, é de índole eclesiástica, e não empregatícia. Por fim, a retribuição percebida, em regra, diz respeito exclusivamente ao necessário para a manutenção do religioso. Por outro lado, mesmo no trabalho gratuito religioso é plenamente possível - 48482685830 o reconhecimento de vínculo empregatício, especialmente quando demonstrado o desvirtuamento da própria instituição religiosa, buscando lucrar com a fé de seus seguidores. Assim, nestes casos de distorção do ensino religioso, pode-se enquadrar a igreja como uma verdadeira empresa e o líder religioso (padre, pastor, ministro, missionário) como empregado típico. (TRT-2 10019869520175020712 SP, Relator: THAIS VERRASTRO DE ALMEIDA, 17ª Turma - Cadeira 5, Data de Publicação: 08/02/2019) VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OBREIRO BÍBLICO. TRABALHO VOLUNTÁRIO VOCACIONADO. Para a caracterização do vínculo empregatício, a conjugação dos artigos 2º e 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, exige que estejam presentes todos os requisitos relacionados com a continuidade,subordinação jurídica, pessoalidade e onerosidade. A ausência de um deles descaracteriza a existência de relação de emprego. A prova colhida não referenda a assertiva inicial. Além disso, o que se vê nos autos é uma atividade de evangelização desenvolvida pelo reclamante tendo em vista sua vocação, tanto que antes de integrar a equipe da reclamada se ativava no mesmo trabalho nos finais de semana e, após o desligamento noticiado nos autos, continuou a frequentar a igreja. Tal atividade não se confunde com a relação de emprego. Entendo que os lideres religiosos lato sensu não se assemelham aos trabalhadores regidos pela CLT, de vez que, via de regra, ingressam nos quadros das instituições religiosas movidos por convicções pessoais, sem visar lucro. Trata-se de trabalho voluntário, em que o religioso se ativa na assistência espiritual e social de terceiros e na divulgação da palavra sagrada, professando a fé, decorrente de vocação pessoal, por benevolência, sem contrapartida econômica. (TRT-2 10003365420195020708 SP, Relator: THAIS VERRASTRO DE ALMEIDA, 17ª Turma - Cadeira 3, Data de Publicação: 12/03/2020) TRABALHO VOLUNTÁRIO. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. As finalidades da associação servem como mais um parâmetro de análise a ser ponderado diante do fato concreto. Por outro lado, mesmo não tendo sido formalizado o termo de adesão, previsto no art. 2º da Lei 9.608/98, tal fato não leva à existência necessária e automática de vínculo empregatício. Somente o cotejo probatório pode elucidar se a relação era de fato empregatícia ou não. Nesse sentido, analisando o depoimento da testemunha autoral, única prova oral produzida, depreende-se que suas afirmações socorrem, de fato, a tese de trabalho voluntário da reclamada. Assim, e prestigiando o Princípio da Imediatidade das provas, na qual a conclusão alçada pelo juiz de primeira instância, que teve contato direto com as provas, deve ser privilegiada, de ser mantida a sentença de origem. Recurso conhecido e não provido. (TRT-7 - RO: 00008474320195070025, Relator: FRANCISCO TARCISIO GUEDES LIMA VERDE JUNIOR, Data de Julgamento: 09/09/2020, 3ª Turma, Data de Publicação: 09/09/2020) RECURSO ORDINÁRIO.TRABALHO VOLUNTÁRIO. O legislador tornou necessário que o trabalho voluntário seja documentado por intermédio de contrato escrito, ao qual chamou de termo de adesão, onde deverão constar expressamente o objeto do trabalho e as - 48482685830 condições de seu exercício (art. 2º). Recurso a que se nega provimento. (TRT-1 - RO: 01007237620185010023 RJ, Relator: ANGELO GALVAO ZAMORANO, Data de Julgamento: 22/07/2020, Quarta Turma, Data de Publicação: 28/07/2020) - 48482685830 QUADRO PARA VISUALIZAÇÃO - 48482685830 - 48482685830 BIBLIOGRAFIA BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 2014. Editora: Saraiva. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF. BRASIL, Convenção 132 OIT, ratificada pelo Brasil em 23.09.98. BRASIL, Decreto N° 7.030, de 14 de dezembro de 2009. Dispõe sobre a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, 1969. BRASIL, Lei n° 13.105 de março de 2015. Dispõe sobre Código de Processo Civil. Brasília, DF. BRASIL. Lei n° 5.452 de maio de 1943. Dispõe sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas. Brasília, DF. BUENO, Francisco da Silveira. Minidicionário da língua portuguesa. Editora: FTA. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 3ª edição, Niterói: Impetus. COLIN apud MORAES FILHO, Evaristo de. Introdução ao direito do trabalho. 11.ed. - São Paulo: LTr 2014. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 17° Edição. 2022. Editora: SaraivaJur. GENRO, Tarso. Direito individual do trabalho: uma abordagem crítica. Disponível em: Acesso em: 22.07.2022 GOMES, Orlando; Gottschalk, Élson. Curso de Direito do Trabalho. MARTINS, Pinto. Comentários à CLT. Editora: Saraivajur. 23° Edição. 2020. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. Editora: SaraivaJur. 29° Edição. 2020. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho.17 ed.rev. 2014. REALE, Miguel. Teoria do Direito e do Estado. 5° Edição. 2013. Editora: Saraiva. - 48482685830 SARAIVA, Renato. Direito do trabalho para concursos públicos. Editora Juspodivm. 2022. 12° Edição. SUSSEKIND, Arnando; Maranhão, Délio; Vianna, Segadas; Teixeira Lima.Instituições de Direito do Trabalho. 19ª Ed. 2008. - 48482685830das lacunas, e são descobertos de modo indutivo, partindo das leis para atingir as regras mais gerais que delas derivam, restritos portanto, aos parâmetros do conjunto de normas vigentes, modificáveis na medida em que seus fundamentos de direito positivo são alterados. (NASCIMENTO, 2014) Alguns princípios encontram-se implícitos na lei, outros, por não serem tão relevantes ou aceitos majoritariamente são meramente doutrinários. Miguel Reale, aduz que: Princípios são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, a aplicação e integração ou mesmo para a elaboração de novas normas. São verdades fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas também por motivos de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis. (REALE, 2012) - 48482685830 Ou seja, é possível dizer que os princípios inspiram a criação de uma norma, bem como sua aplicação, instruindo o legislador e seu aplicador. Podemos dizer, portanto, que os princípios do direito do trabalho têm a função de informar, orientar (auxílio às interpretações) e normatizar (auxílio à função normativa) tanto os aplicadores do direito quanto os elaboradores de normas. Desta forma, analisaremos alguns desses princípios de forma mais detalhada em estudos posteriores. ● Princípio da proteção ou protetor (pilastra mestra): O instituto do direito do trabalho nasceu com o intuito de regular bem como fixar limites à exploração da mão de obra empregada, assim, como, o próprio nome já deixa a entender, este princípio visa proteger e evitar abusos contra o trabalhador. Nas relações trabalhistas, o empregado é a parte hipossuficiente. O direito do trabalho estrutura em seu interior, uma teia de proteção à parte hipossuficiente na relação empregatícia — o obreiro. Visando retificar/atenuar, no plano jurídico, o desequilíbrio inerente ao plano fático do contrato de trabalho. A desigualdade teve seu início logo na origem da humanidade, onde o mais forte sempre se manteve em uma posição mais privilegiada do mais fraco, tendo como exemplos, as ocupações de terras, do aproveitamento da propriedade e até o presente momento com a uniformização do trabalho subordinado. Com este princípio o direito do trabalho, tem uma base concreta que a própria Constituição Federal do Brasil do ano de 1.988, garante ao trabalhador. Dando condições de igualdade ao empregador este por ter situação econômica bem superior e é quem tem o poder de dirigir a prestação de serviços do trabalhador. A relação formada por empregado e empregador é desigual, afinal, um está necessariamente subordinado ao outro. Sendo assim, o Direito do Trabalho busca sanar essa desigualdade ao fornecer garantias ao trabalhador. É nisso que se baseia o princípio da proteção, na proteção jurídica para aquele que está em posição de inferioridade econômica, devemos determinar um equilíbrio entre uma flexibilização atinente à questão trabalhista e uma legislação que de fato proteja o trabalhador, nos distanciando de um retrocesso legal, onde o trabalhador acorda prestações de serviço sem o arrimo mínimo legal e sem base em ideais de justiça social. O princípio da proteção se subdivide em outros três princípios, como seguem: a. in dubio pro operário: - 48482685830 b. Da aplicação da norma mais favorável: c. Da condição mais benéfica: ● In dubio pro operário: quando há dúvida quanto a aplicação ou ao alcance de uma norma trabalhista, esta deve ser interpretada favoravelmente ao empregado ou como alguns doutrinadores chamam, In dubio pro misero, sempre que houver dúvida em relação à interpretação de uma norma ou quanto à validade de uma decisão, ela deve pender para o lado hipossuficiente, ou seja, o empregado. Entretanto, no campo probatório, em se tratando de Direito Processual, esse princípio não é aplicado, visto que é imposto ao autor da demanda a prova do fato constitutivo de seu direito, e, ao réu, a prova do fato modificativo, extintivo ou impeditivo do seu direito ● Norma mais favorável: esse subprincípio prevê que, independente da lei específica, será aplicada a norma mais favorável ao empregado. Essa especificação tem sua importância porque, em outros ramos do Direito, existe a aplicação de princípios como a “lei específica que sobrepõe a lei geral”. No Direito Trabalhista, mesmo que existam leis específicas sobre o assunto em questão, se outra norma for mais vantajosa, ela deve ser aplicada. Dispõe esse princípio que em havendo duas ou mais normas que se inclinam sobre o mesmo direito, a norma prioritária será aquela que favorecer o trabalhador. Desta feita, aplicamos a norma que, em seu conjunto, proporciona ou propicia mais vantagens ao trabalhador, independentemente da posição da norma na escala hierárquica das normas. Como exemplo desse princípio, podemos citar: ”As condições estabelecidas em Convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo”. Consideramos importante explicitar o conceito de Convenção Coletiva do Trabalho na esfera trabalhista. A Convenção é o acordo normativo que tem como objetivo estipular condições de trabalho mais favoráveis, aplicáveis às relações trabalhistas, sendo realizada e levada a termo entre dois ou mais Sindicatos que representam as categorias econômicas dos empregadores e a categoria dos profissionais, sendo esta última, referente à categoria dos trabalhadores. Com relação ao Acordo Coletivo de Trabalho, podemos sintetizar que é um acordo normativo entre Sindicatos de categorias profissionais e uma ou mais empresas, com objetivo de estipular e estabelecer condições de trabalho mais benéficas às relações de trabalho. - 48482685830 A questão que encontramos importante de ser ressalvada neste caso, diz respeito à qual instrumento normativo devemos nos ater quando, no bojo de uma Convenção Coletiva, há cláusulas mais benéficas ao trabalhador e, por sua vez, no âmbito do Acordo Coletivo, há outras cláusulas e/ou dispositivos que também são tão ou mais benéficos aos trabalhadores que as primeiras. ● Condição mais benéfica - esse princípio indica que os benefícios e, vantagens legais constantes nos regulamentos das Empresas e que já se incorporaram ao contrato de trabalho do trabalhador, tem primazia sobre possíveis mudanças e transformações prejudiciais ao contrato de trabalho do mesmo, ou seja, as edições de normas supervenientes que dispõem sobre matéria de ordem trabalhista, mas estabelecem normas protetivas inferiores que diminuem direitos dos trabalhadores, não têm prevalência sobre o que foi acordado anteriormente no contrato de trabalho do trabalhador. As novas regras jurídicas, somente produzirão seus efeitos a partir de novos contratos de trabalho e não quanto aos contratos firmados anteriormente às novas regras. Como exemplo, temos o art.5º, XXXVI, da Constituição Federal, ao tratar do direito adquirido (espécie de direito subjetivo que, de forma definitiva, se incorpora ao patrimônio jurídico de seu titular), que é o princípio do direito comum e trabalhista. Resumidamente, garante que seja preservado no decorrer do contrato a cláusula mais vantajosa ao trabalhador. Após termos tratado de modo específico as três subdivisões do princípio protetor, continuamos a analisar os outros princípios do Direito do Trabalho. São eles: ● Da Irrenunciabilidade de Direitos: dispõe este princípio que os direitos trabalhistas dos trabalhadores são irrenunciáveis e indisponíveis, ou seja, não estão sujeitos à transação. Temos como exemplo: o trabalhador não pode renunciar ao 13º salário, férias, e outros. Podemos citar o art. 9º da CLT, como uma maneira de consolidar a ideia de que, se os direitos trabalhistas forem transacionados por atode má-fé e com a finalidade de burlar a lei trabalhista, estes atos serão considerados como nulos. Assim sendo, temos: “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Os atos indicados no artigo em tela não serão apenas aqueles preceitos referidos na CLT; porém, outros dispositivos legais sobre regras trabalhistas serão tidos como nulos se houver fraude, má-fé, lesão e desvirtuamento das normas trabalhistas. - 48482685830 Da Continuidade da Relação de Emprego: como regra geral, na esfera trabalhista, os contratos de trabalho são confeccionados e pactuados por prazo indeterminado e, dessa forma, o trabalhador passa a estar integrado à estrutura da empresa que o contratou de uma maneira permanente. Entretanto, nessa mesma esfera, também admitimos, como exceção, o contrato por prazo determinado, ou a termo, no qual sabemos quando se dará o término. ● Da Primazia da Realidade: este princípio visa uma priorização da verdade real em confronto com a verdade formal, ou seja, predomina na esfera trabalhista a realidade dos fatos em detrimento da forma. Como por exemplo: quando temos documentações e papéis versando sobre a relação contratual de um trabalhador e, o modo real, efetivo (de maneira concreta), de como os fatos da relação de trabalho/emprego ocorreram, devemos, portanto, nos basear e reconhecer os fatos concretos em detrimento dos papéis que foram apresentados, como meio de prova ao Judiciário em caso de processo trabalhista. ● Da Inalterabilidade Contratual Lesiva: é a vedação de alteração contratual por parte de empregador que seja lesiva ou prejudicial aos trabalhadores. Por outro lado, as alterações que impliquem maiores benefícios, são perfeitamente possíveis. Dessa maneira, o empregador poderá realizar pequenas alterações, unilaterais (jus variandi) no contrato de trabalho do trabalhador, desde que, como foi dito acima, não cause desvantagem contratual ao trabalhador, sob pena desta situação ser levada ao Judiciário como forma de demanda trabalhista. ● Da Intangibilidade Salarial: o salário do trabalhador tem natureza alimentar e, dessa maneira, provê os recursos necessários ao sustento do trabalhador e de sua família. Entretanto, a Carta Magna flexibilizou esse princípio, ou seja, por meio de convenção coletiva do trabalho e/ou acordo coletivo do trabalho, há a possibilidade de redução salarial, com o intuito de preservar o contrato de trabalho do trabalhador em caso de uma determinada Empresa estar passando por uma crise econômica, de gestão ou por política interna. Entendemos que dessa forma, a redução salarial valorizaria a continuidade da relação de emprego, a manutenção do trabalhador à empresa e ao trabalho. Importante ressaltarmos que essa flexibilização trata-se de um procedimento de exceção. - 48482685830 ● Princípio da continuidade do contrato de trabalho: a natureza do contrato de trabalho é encontrar seu termo na aposentadoria, vigorando sem prazo determinado, sendo imprescindível aviso prévio que comunique sua denúncia. Em regra, todo contrato de trabalho deve ser celebrado por prazo indeterminado, ou seja, de modo a durar indefinidamente. Os contratos a termo, aqueles com prazos determinados, são exceção e só podem ser celebrados em casos específicos e previstos na CLT. Nesse princípio, o contrato de trabalho caracteriza-se pela continuidade, valorizando a permanência do empregado no vínculo empregatício, dadas as vantagens que isso representa. Segundo a continuidade, a permanência do contrato de trabalho gera repercussões como elevação dos direitos trabalhistas, relação de emprego, investimento educacional e profissional e afirmações sociais dos indivíduos. ● Primazia da realidade: tal princípio tem por objetivo fazer com que a realidade verificada na relação entre o trabalhador e o empregador prevaleça sobre qualquer documento que disponha em sentido contrário, ou seja, a formalidade do contrato de trabalho, constante das anotações na CTPS, e outros documentos não prevalecem sobre a realidade. Os fatos prevalecem sobre os ajustes formais. Ou seja, de acordo com esse princípio, a verdade real deve prevalecer sobre a relação formal, visando coibir a coação dentro do ambiente trabalhista. Mesmo que as empresas contem com papéis e documentos, a verdade com auxílio de testemunhas ou provas serão as válidas para as ações. Pense na seguinte situação: em um contrato de trabalho consta que um profissional trabalha 6 horas por dia, porém, a realidade ultrapassa 9 diárias. Em possíveis disputas na Justiça do Trabalho, com a ajuda de colegas de trabalho, testemunhas e provas de seu trabalho em horários além do devido, esses acontecimentos reais são válidos. Isso vale também para trabalhos sem existência de contrato formal, desvios de função, comprometimento do trabalho, entre outros. OBS: De acordo com o Direito do Trabalho, os fatos são mais importantes do que os ajustes formais. ● Princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas: é vedada a disponibilidade de algum direito do trabalho tanto por parte do empregado, quanto por parte do empregador, tendo em vista que essas normas integram um núcleo rígido, - 48482685830 não havendo espaço para sua renúncia ou transação. Entretanto, ainda há as chamadas cláusulas dispositivas, as quais permitem a renúncia. ● Princípio da irrenunciabilidade dos direitos: os direitos do trabalhador são irrenunciáveis, ou seja, ele não pode abrir mão de direitos que são seus de acordo com as leis trabalhistas. Não se admite que o trabalhador renuncie a direitos trabalhistas. Se ocorrer, não terá validade alguma esse ato. A renúncia a qualquer direito trabalhista é nula, e serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos do direito do trabalho, se houver prejuízo ao empregado, a nulidade deve imediatamente imperar, posto que o empregado não pode renunciar aos direitos e vantagens assegurados em lei. Caso haja a renúncia por parte dele, o ato será nulo. Mesmo que aconteçam acordos e contratos para que os funcionários abram mão de seu FGTS, folgas e descanso ou férias, por exemplo, trata-se de um vício ou em erro cometido por ambas as partes nessa relação. É possível que sejam negociados valores e condições, mas o trabalhador jamais pode abrir mão de seus direitos. ● Da renúncia: é imperioso destacar as diferenças entre os direitos disponíveis e os direitos indisponíveis. Os disponíveis, podem ser renunciados pois, versam sobre interesses privados, meramente particulares. Os indisponíveis são marcados pela forte intervenção estatal, pois envolvem um interesse de ordem pública, como é o caso dos direitos trabalhistas, é um ato unilateral que recai sobre direito certo e atual, por exemplo, o empregado conquistou o direito de férias após um ano de trabalho e abriria mão (renunciaria) desse direito já conquistado, o que não é válido no direito do trabalho”. Nesta mesma senda “renúncia é a abdicação que o titular faz do seu direito, sem transferi-lo a quem quer que seja. É o abandono voluntário do direito”. ● Flexibilização: o capitalismo não é de fato o melhor sistema econômico existente, muito menos o mais justo ou eficiente, no entanto, é necessário destacar que as maiores conquistas mundiais se deram em decorrência de sua implementação. O sistema capitalista expõe questões para seu funcionamento que passam pela necessidade de modificação dos direitos trabalhistas. Estendendo essas questões para o campo econômico, o pensamento liberal prega uma ideia de que a conservação das liberdades é primordial para o bom funcionamento da economia, - 48482685830 incluindo-se a liberdade contratual no que se refere aos direitos trabalhistase relações empregacionais. O objetivo é claro, e está em concordância com todo o trabalho elaborado, a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, o que deverá ser realizado principalmente através de acordos coletivos, para fomento do crescimento produtivo da economia brasileira, redução dos custos suportados pelos empresários e, consequentemente, o aumento da competitividade do Brasil no âmbito internacional, que já possui em alguns casos Leis mais modernas e, em outros casos, ausência de Leis que regem as relações trabalhistas e tornem seus custos baixíssimos. Não há que se falar em tornar o Brasil o primeiro em custo benefício para se investir em mão de obra, mas sim, tornar o Brasil cada vez mais competitivo. O salário não pode sofrer redução, exceto na hipótese de norma coletiva. Os direitos fundamentais são a base para o ordenamento jurídico brasileiro, através deles o cidadão tem uma garantia mínima, devendo ser respeitados. Tamanha a sua importância que fazem parte das cláusulas pétreas na Constituição Federal (CF). Isso significa que são imutáveis e indiscutíveis durante a vigência da CF. O artigo 7º trata dos direitos sociais, basicamente àqueles que se referem à relação de trabalho. Os direitos fundamentais e direito do trabalho são intrinsecamente ligados, devendo as relações trabalhistas, juntamente com os dispositivos legais, estarem em acordo com os direitos e garantias fundamentais previstos na CF. O direito constitucional do trabalhador é que os acordos melhorem as condições e não piorem. Conjunto formado de princípios e regras que visam assegurar melhores condições de trabalho, inclusive sociais, ao trabalhador, através das medidas de proteção a eles destinadas. Dessa forma, mister se faz o esclarecimento acerca dos princípios e suas funções para a melhor compreensão do Direito do Trabalho em si. O princípio age como mandamento nuclear de um sistema, uma disposição fundamental que serve de critério para exata compreensão de diferentes normas. Assim, o princípio funciona como diretriz, sendo mais abrangente que as regras, mas que buscam embasar a correta compreensão e interpretação destas. Em sua função informadora, serve de fundamento para as normas jurídicas e de inspiração ao legislador. Na função normativa, vem de forma supletiva, preenchendo lacunas ou - 48482685830 omissões da lei. Já na função interpretativa, atua como critério orientador aos intérpretes e aplicadores da lei. Assim, os princípios estão entre as fontes materiais e as fontes formais do direito laboral, posto que, ao mesmo tempo em que denunciam os valores que devem imperar na ordem jurídica, revestem-se de características normativas, uma vez que inspiram o legislador e suprem as lacunas da atividade legislativa. As fontes de Direito do Trabalho são: ● Constituição; ● Emendas à Constituição; ● Lei complementar e lei ordinária; ● Decretos; ● Portarias, instruções normativas e outros atos do Poder Executivo (em regra não seriam fontes formais, mas em muitos casos a esses instrumentos se atribui tal natureza de maneira expressa); ● Tratados e convenções internacionais; ● Sentenças normativas e sentenças arbitrais em dissídios coletivos; ● Usos e costumes; ● Convenção coletiva; ● Acordos coletivos; ● Regulamento empresarial (apenas alguns doutrinadores consideram essa uma fonte formal do Direito do Trabalho, mas não é o posicionamento majoritário); ● Jurisprudência (em regra, não seriam fontes formais, sendo que o art. 8º da CLT confere à jurisprudência natureza de fonte normativa supletiva. Apenas quando se tratarem de súmulas vinculantes é que se está diante de fontes formais do Direito do Trabalho); ● Princípios (existe grande controvérsia acerca da natureza dos princípios, mas grande parte da doutrina tem entendido se tratarem de fontes formais do Direito). - 48482685830 TEMA 2 : TEORIA GERAL DO DIREITO DO TRABALHO É importante ressaltar que, a doutrina, a equidade, a analogia e as cláusulas do contrato de trabalho não constituem fontes do Direito do Trabalho, quanto a esta última, existe entendimento em sentido contrário mas não é majoritário. O critério geral de hierarquia das normas jurídicas considera que uma norma encontra seu fundamento de validade em outra hierarquicamente superior, sendo a Constituição a lei suprema da pirâmide hierárquica: Contudo, no Direito do Trabalho existe um critério próprio de hierarquia normativa, tendo em vista as especificidades do ramo, que se delineia a partir de dois eixos principais: ● Não há que se falar em hierarquia de diplomas normativos, todavia, apenas hierarquia de normas jurídicas; ● O critério que configura a pirâmide jurídica do Direito do Trabalho não é tão rígido como o do direito comum. No Direito do Trabalho, em virtude do princípio da proteção, opera-se segundo a norma mais favorável, de forma que a pirâmide hierárquica é construída de maneira variável, localizando-se em seu vértice a norma que mais se aproxime do objetivo de reequilíbrio das relações sociais, a norma mais favorável ao trabalhador, - 48482685830 não sendo, portanto, necessariamente a Constituição Federal, a depender do tema em questão. ● Fonte do direito do trabalho e o meio pelo qual este se forma, estabelecendo, assim, as suas normas jurídicas. Melhor dizendo, é a partir desta fonte, que o direito é criado, o que faz com que empregado e empregador tenham ciência das obrigações existentes além daquelas previstas nos contratos de trabalhos firmados. No que concerne ao mundo jurídico, às fontes podem ser conceituadas como as raízes do direito, onde se produz e como se aplicam as normas jurídicas. As fontes do Direito do Trabalho estão divididas em dois grandes ramos: ● As fontes materiais são os fatores sociais, políticos, filosóficos, econômicos, etc., que influenciam a formação do direito material, sendo considerado, assim, o estágio precedente às próprias fontes formais que trataremos mais adiante. Mundo material mundo físico que gera direitos. Para facilitar, podemos afirmar que são as pressões exercidas sobre a sociedade ou sobre o Estado para que o direito possa ser criado, com o escopo de regulamentar determinado comportamento ou situação fática. Exemplo: mobilização dos sindicatos e centrais sindicais para reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais (PEC 89/2015). ● Sociológica: Crescimento e concentração da produção industrial. Deslocamento da população para os grandes centros; ● Filosófica: Proteção à dignidade humana. Condição do trabalhador como condição inerente e indissociável da condição humana. ● Economia: Pressão reivindicadora que a classe operária exerce sobre a classe patronal por melhoria nas condições de trabalho. ● As fontes formais são a exteriorização das normas jurídicas, atribuindo a elas o caráter de positividade, norma positivada, é considerada OBRIGATÓRIA a todos os seus destinatários, ou seja, são impostas aos sujeitos, integrando assim, a relação jurídica existente. As fontes formais são obrigatórias, impessoais e abstratas. São as leis, a Constituição Federal, as convenções coletivas. Abrange todos para ampliar ou retirar direitos. ● As fontes heterônomas são aquelas produzidas por terceiros alheios à relação jurídica, dessa forma, enquadram-se aqui normas de origem estatal - 48482685830 (constituição, leis, atos administrativos), sentenças normativas e sentenças arbitrárias. São elas: 1. Constituição Federal: Principal fonte de direito, da qual emanam todas as outras normas, que devem estar em consonância com suas regras e princípios. Estabelece limites mínimos e máximos dentre os quais as normas trabalhistas devem agir. 2. Leis: Para o doutrinador SUSSEKING (2003): "É toda regra de direito geral, abstrata e permanente,tornada obrigatória pela vontade da autoridade competente para produzir direito e expressa numa fórmula escrita, enquanto, no sentido estrito, é a norma jurídica emanada do Poder Legislativo, sancionada e promulgada pelo Presidente da República." (SUSSEKIND, 2003, p. 154). 3. Ato Administrativo: É a norma estabelecida pela Administração Pública que permite fiel execução das leis. 4. Sentença Normativa: É a exteriorização do poder normativo da Justiça do Trabalho, dado nos julgamentos e resoluções de conflito, que estabelecem regras gerais e abstratas aplicáveis a todos os trabalhadores e empregados das categorias envolvidas no litígio. Esta fonte do direito é utilizada quando os conflitos coletivos de trabalho não conseguem ser solucionados por negociação. 5. Jurisprudência: São formadas pelas interpretações dos tribunais acerca da ordem jurídica. 6. Sentença Arbitral: Decisão de caráter normativo tomada por um árbitro (escolhido por sindicatos e empresas) para a solução do conflito coletivo de trabalho. São aquelas em que não há participação direta dos interessados na sua confecção, emanadas, em regra, pelo Estado, sendo exigidas por um agente externo. Sendo a Constituição uma fonte formal heterônoma do Direito do Trabalho, naturalmente os atos normativos primários enumerados no art. 59 da Constituição também são, afinal, todos buscam a sua fundamentação diretamente no texto constitucional. Exemplos: Constituição Federal, Leis, Súmulas Vinculantes, Sentença Arbitral Coletiva, etc. ● Fontes Formais Autônomas, decorrem da atuação direta dos próprios destinatários da norma, como sindicatos representantes, pela negociação coletiva de - 48482685830 trabalho. São os instrumentos de negociação (acordos e convenções coletivas) que regulam a situação e condição dos trabalhadores, de forma democrática e dinâmica. ● Convenção Coletiva de Trabalho: é o acordo normativo pelo qual dois ou mais sindicatos estipulam condições de trabalho aplicáveis no âmbito das respectivas representações e a todos os trabalhadores das categorias, na base territorial dos sindicatos. ● Acordo Coletivo de Trabalho: é o acordo pactuado entre uma ou mais empresas e o sindicato dos trabalhadores. É aplicável apenas às empresas signatárias e aos respectivos empregados. As condições estabelecidas nos acordos coletivos sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenções coletivas. ● Costume: é a prática reiterada e espontânea de certas condutas de conteúdo jurídico por determinado grupo social. São fontes consideradas informativas das relações de emprego na medida em que não são promulgadas leis a seu respeito. ● Regulamento de Empresa: é uma norma jurídica que, no âmbito interno da empresa, cria regras a serem adotadas na relação jurídica empregador- empregado. É importante destacar que, a lei é fonte formal por excelência. O termo deriva do verbo latino ligare, sintetizando aquilo que liga, aquilo que vincula, aquilo que obriga. O Direito tem como fonte básica a lei, ela é a norma geral e abstrata emanada do poder competente e provida de força obrigatória. A lei é um elemento vital para a própria manutenção da ordem social, constituindo-se em fonte primordial do Direito. Por intermédio deste preceito o Direito atua como fonte reguladora dos comportamentos em sociedade, impondo regras e sanções. No Brasil, a lei trabalhista revela-se na Constituição, na Consolidação das Leis do Trabalho e na legislação esparsa. Não confundir os conceitos/aplicações de USO e COSTUME. O uso é a adoção de determinada prática de caráter habitual em uma relação jurídica específica, sendo considerado uma cláusula contratual, e não uma fonte do direito. Exemplo: o empregador fornece a um determinado empregado cesta básica mensalmente. - 48482685830 O costume também se relaciona com uma prática habitual, porém, em um caráter expansionista mais amplo, sendo, assim, impessoal. Considera-se uma regra de conduta geral, possuindo a qualidade de uma norma jurídica. Deve-se reconhecer que os costumes são mais antigos que as leis, visto que os nossos ancestrais não possuíam acesso à escrita. O costume é uma prática reiterada de uma determinada conduta, que acaba sendo considerada como um hábito social. Por exemplo, há o costume de andar vestido na rua e isso gerou uma norma, porquanto, é proibido sair nu na rua. O exemplo mencionado demonstra claramente que o costume acaba gerando uma norma, que, desta vez, será escrita. Menciona-se que o próprio contrato de trabalho não necessita ser escrito, sendo regido pelos costumes, de forma tácita. ● O regulamento empresarial é uma fonte formal? O regulamento empresarial (normas de organização empresarial), para uma parte da doutrina, não é considerado como uma fonte formal do direito do trabalho, diante do fato do unilateralismo de sua origem, ou seja, este regulamento é criado apenas pela vontade do EMPREGADOR, não sendo considerado uma norma oriunda de uma negociação coletiva de trabalho. Dessa maneira, para esses doutrinadores, as normas do regulamento empresarial são classificadas apenas como CLÁUSULAS CONTRATUAIS. Todavia, para uma parcela considerável da doutrina, este regulamento é considerado sim uma fonte formal do direito do trabalho, desde que seja elaborado de maneira geral e impessoal. Destacamos como doutrinadores, que defendem este posicionamento: Alice Monteiro de Barros, Gustavo Filipe Barbosa Garcia, Sergio Pinto Nascimento e Amauri Mascaro do Nascimento. Maurício Godinho Delgado: “A jurisprudência, como visto, em face da origem normalmente unilateral do regulamento empresário, tem negado a esse tipo de diploma o caráter de fonte normativa autônoma, conferindo-lhes estritos efeitos de ato de vontade unilateral. Isso significa que os dispositivos do regulamento empresário ingressam nos contratos individuais empregatícios como se fossem cláusulas desses contratos – que não podem, desse modo, ser suprimidas ainda que alterado o regulamento. Noutras palavras, aplica-se a tais diplomas o mesmo tipo de regra incidente sobre qualquer cláusula contratual (art. 468, CLT). Esse é o entendimento sedimentado, ilustrativamente, na Súmula 51, I, TST(2016, p.172). - 48482685830 HIERARQUIA DAS FONTES Como nos demais ramos, as fontes de direito do trabalho apresentam hierarquia entre si. A Constituição Federal é a norma fundamental, sendo hierarquicamente superior às outras - abaixo dela estão as leis. Então, em hierarquia decrescente: atos do poder executivo, sentenças normativas, acordos e convenções coletivos e, por fim, costumes. É válido dizer que, apesar de existir uma ordem entre as fontes, ela é peculiar e flexível. Isso por causa da reforma trabalhista, que possibilitou a prevalência dos acordos sobre convenções e deles sobre as leis, sem a necessidade de que eles fossem mais benéficos ao trabalhador. Vemos na CLT: Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: [...]. A Constituição de 1988 não enumerou expressamente os princípios de Direito do Trabalho, entretanto, é inquestionável a presença de princípios no texto constitucional que se aplicam ao Direito do Trabalho. São esses: a soberania, a cidadania, a dignidade humana, os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa. (Constituição Federal, 1988) O princípio da dignidade humana é a própria base dos Direitos Fundamentais, dentre os quais estão os de ordem trabalhista, sendo por isso que existe o princípio do valor social do trabalho. De forma semelhante, no art. 3° da Constituição Federal, aparece que o Estado tem como objetivo: Constituem objetivos fundamentais da RepúblicaFederativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Além disso, a ordem econômica brasileira é "fundada na valoração do trabalho" e tem por fim "assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social" (art. 170 da Constituição Federal), em que é observado, dentre outros princípios, o da função social da propriedade, da defesa do meio ambiente, da redução das desigualdades e da busca pelo pleno emprego. - 48482685830 O art. 5º da Constituição, inciso XIII trata do princípio da liberdade de trabalho. O art. 6º, por sua vez, assegura o direito ao trabalho como direito social, de ordem fundamental. O art. 7º ressalta direitos que visam à melhoria da condição social dos trabalhadores, pelo princípio de proteção (matéria da próxima aula) e ainda pelo princípio da igualdade de tratamento. Além disso, o princípio da igualdade é o que fundamenta o princípio da isonomia salarial, da não discriminação (no caso a salarial), da irredutibilidade salarial, dentre muitos outros princípios próprios ao Direito do Trabalho. Deste modo, entende-se que, o direito do trabalho, assim como outras disciplinas do direito, é regidos por princípios norteadores. Porém, para que possamos aplicá-los é necessário interpretá-los. Deste modo, é preciso de antemão, entender como funciona a interpretação, ou seja, o significado de interpretar. A interpretação de determinada norma, tem como objetivo encontrar o sentido e a essência daquela lei, a fim de interpretá-la de forma coerente a depender do fato. Pois sabe-se que, por obviedade que todas as interpretações realizadas poderão ser diferenciadas, assim como explica de forma detalhada Amaury Mascavo do Nascimento: (...)Toda interpretação pode suscitar inúmeras discussões e também divergências, não só porque o intérprete sempre inicia a sua avaliação, como corretamente ensina Arthur Kaufmann, em Filosofia do direito, fiel à assertiva de que todo compreender começa com uma pré- compreensão condicionada a todo tipo de influência, sociológica, ideológica, jurídica e, até mesmo, de conveniência, como, também porque difícil é, para o intérprete, situar-se num ponto objetivo distante da sua subjetividade, capaz de permitir uma visão o quanto possível isenta dos fatores pessoais no seu ato de interpretar. (NASCIMENTO, 2011, p.487)(...). Ademais, a jurisprudência é um conjunto de decisões proferidas por um tribunal, reiteradamente e de forma a construir uma diretriz de solução para os casos futuros e iguais. No âmbito da justiça do trabalho temos enunciados, precedentes normativos e precedentes jurisprudenciais da seção especializada em dissídios individuais, todos de lavra do colendo Tribunal Superior do Trabalho. Aos tribunais regionais cabe a uniformização da sua jurisprudência A jurisprudência é, em poucas palavras, o conjunto de decisões dos tribunais sobre uma matéria que apresente similaridades entre diferentes disputas judiciais. Um tribunal não pode ser visto de forma diferenciada. Ainda que a decisão de um juiz não vincule a de outro, de modo geral, e não seja incomum ouvir de advogados - 48482685830 que “se o meu caso cair com o juiz tal, eu tenho mais chances de ganhar”, é cediço que haja uma coerência interna, sobretudo para garantia da segurança jurídica. É nesse sentido, então, que a jurisprudência ganha relevância. Do latim “jurisprudentia”, o termo jurisprudência significa, em um sentido amplo, ciência da lei. Em um sentido estrito, contudo, jurisprudência é o conjunto de decisões que refletem a interpretação majoritária de um tribunal e sedimentam, desse modo, um entendimento repetidamente utilizado. Nas palavras do processualista Daniel Amorim Assumpção Neves: Jurisprudência […] é o resultado de um conjunto de decisões judiciais no mesmo sentido sobre uma mesma matéria proferidas pelos tribunais. É formada por precedentes, vinculantes e persuasivos, desde que venham sendo utilizados como razões para decidir em outros processos, e de meras decisões. JURISPRUDÊNCIA X PRECEDENTE Embora leve, em um primeiro momento, à crença de que a jurisprudência aproxima o sistema jurídico de um modelo de Common Law, ou seja, o modelo de origem anglo-saxônica embasado mais nos costumes (ou na aplicação do Direito) que em leis positivadas, não é necessariamente o que ocorre. A constituição de mecanismos jurisprudenciais não vincula por si uma decisão, apenas conduz um entendimento, inclusive para coerência da fundamentação de um tribunal. Desse modo, auxilia na interpretação tanto do juízo quanto das partes acerca de um caráter decisório. Nesse sentido, portanto, a jurisprudência diferencia-se do precedente. Embora ambos sejam frutos da jurisdição, a jurisprudência é um conjunto decisório e não somente um julgado utilizado como fundamento para julgados posteriores. Portanto, o precedente é objetivo, já que se trata de uma decisão específica que venha a ser utilizada como fundamento do decidir em outros processos. Ainda mais o precedente brasileiro, já que no sistema instituído pelo Novo Código de Processo, diferente do que ocorre com o precedente do direito anglo-saxão, o julgamento já nasce predestinado a se tornar um precedente vinculante. A jurisprudência, por sua vez, é abstrata, porque não vem materializada de forma objetiva em nenhum enunciado ou julgamento, sendo extraída do entendimento majoritário do tribunal na interpretação e aplicação de uma mesma questão jurídica. - 48482685830 JURISPRUDÊNCIA X SÚMULA A súmula nada mais é que a uniformização da jurisprudência consolidada em um tribunal. No caso das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), diz-se que a uniformização da jurisprudência gera as chamadas súmulas vinculantes, instituídas desde a Emenda Constitucional 45 de 2004. Elas recebem este nome porque, literalmente, vinculam a decisão. Ou seja, obrigam os tribunais e juízes a observar a sua disposição na fundamentação da sentença. Portanto, enquanto súmula de um tribunal deve ser seguida ou refutada com o devido apontamento da distinção quando invocada pelas partes, mas sem vincular o juízo, a súmula vinculante deve sempre ser observada. É o que se observa, por exemplo, pela redação do art. 927 do Novo CPC: Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I. as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II. os enunciados de súmula vinculante; III. os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV. os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V. a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. Por fim, segundo o inciso I do parágrafo 3º do art. 1.035 do Novo CPC, haverá repercussão geral sempre que for interposto recurso que impugna acórdão que contrarie súmula ou jurisprudência dominante do STF. SÚMULAS As súmulas são os entendimentos dos tribunais superiores. No âmbito trabalhista, são os entendimentos da Corte Trabalhista (TST) sobre determinada matéria. Desta forma, são fontes do direito e devem ser aplicadas. Sabe-se que seu - 48482685830 processo de cancelamento é de maneira rígida, tendo em vista a necessidade de estabilidade do TST. Por outro lado, as súmulas vinculantes são instrumentos jurídicos de extrema importância para a garantia da segurança jurídica e para que as normas constitucionais sejam interpretadas e aplicadasde forma uniformizada. A súmula nada mais é do que a pacificação jurisprudencial que um tribunal tem a respeito da interpretação e aplicação de uma norma jurídica qualquer. Todos os tribunais do país criam suas súmulas, unificando o pensamento dos órgãos colegiados acerca de alguma norma ou tema específico, evitando que haja discordância a respeito da aplicação de determinada legislação. A súmula vinculante, no entanto, não apenas traz a pacificação jurisprudencial a respeito de um tema, mas também obriga todo o Poder Judiciário e a Administração Pública a seguir o que foi determinado por ela. A partir disso, vem o termo “vinculante”, uma vez que, ela vincula os demais órgãos do Judiciário e do Executivo a seguir o que for apresentado por ela. Por ter esse poder normativo, a súmula vinculante pode ser aplicada exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se, portanto, de um dispositivo constitucional que possibilita que a mais alta instância do Poder Judiciário crie normas que possuem efeito de leis, tendo que ser cumpridas, desempenhando, na matéria, o papel que é do Poder Legislativo. Uma súmula vinculante, no entanto, não pode ser criada sem um motivo e sem o atendimento de certos requisitos para a sua existência. O artigo 103-A da Constituição Federal aponta quais são os requisitos para a criação do dispositivo. Por fim, a súmula vinculante só pode ser criada pelo Supremo Tribunal Federal, e obrigatoriamente precisa estar relacionada com algum impasse envolvendo normativas constitucionais. ORIENTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS – OJS As orientações jurisprudenciais também são consideradas fontes do direito do trabalho e são editadas pelos Tribunais do Trabalho, com o objetivo de uniformização das matérias, ou seja, das demandas e litígios. - 48482685830 Orientação editada pelos Tribunais do Trabalho a fim de uniformizar o julgamento de matérias com o mesmo tema. A Orientação Jurisprudencial é fruto do julgamento reiterado de um mesmo assunto, que após discussões nas sessões de julgamento dos tribunais, é compilado em um enunciado e publicado para conhecimento da sociedade e orientação dos demais magistrados. Ou seja, a OJ representa a linha de pensamento do tribunal acerca de um tema específico. Desta forma, havendo a análise de um caso concreto, os Desembargadores do TRT e/ou os Ministros do TST que editaram a OJ irão adotar a entendimento expresso no ditame para embasar suas decisões. É importante observar que a Orientação Jurisprudencial não é lei, mas poderá ser adotada pelos magistrados quando da análise e julgamento dos casos concretos. PRECEDENTES NORMATIVOS São entendimentos jurisprudenciais considerados como dominantes do Tribunal Superior do Trabalho. Estes entendimentos são decisões dos dissídios coletivos, com o objetivo futuro de uniformização. Os precedentes, da mesma forma que as súmulas, são propostos pelos Ministros à Comissão de Jurisprudência do TST e tratam de temas que tenham sido suficientemente debatidos e decididos de maneira uniforme em várias ocasiões. Uma vez aprovados pelo Órgão Especial, passam a orientar as decisões em questões semelhantes, portanto têm a mesma força das súmulas e orientações jurisprudenciais. OBS: Assim, conclui-se que as súmulas, orientações jurisprudenciais e precedentes normativos possuem a mesma função, a de orientar as decisões em questões semelhantes, de forma a estabelecer o entendimento do TST sobre determinadas matérias, a diferença entre elas está nas áreas de atuação (dissídios individuais e dissídios coletivos). Esses instrumentos não são vinculantes, mas servem para demonstrar a tendência do TST para os tribunais regionais e uniformizar as decisões das próprias turmas. Como o TST tem a missão de estabelecer a certeza jurídica sobre a interpretação das normas trabalhistas, quando se fixa a uniformização, não cabe mais recurso de revista que alegue divergência de entendimento entre os tribunais regionais. A obediência à jurisprudência é tradição dos países que seguem a tradição Anglo saxônica do Direito. - 48482685830 ANALOGIA Quando há determinada lacuna na lei, ou seja, ao observarmos determinada norma jurídica e for constatado que não há como aplicar o fato à norma, estamos diante de uma lacuna normativa. A solução para tal fato, é o método de preenchimento das lacunas, que chamamos de analogia. Significa aplicar uma hipótese, não regulada por lei, à legislação de um caso semelhante. Podemos citar, por exemplo, o caso do artigo 128 CP que trata do aborto. Ele só é permitido em casos excepcionais e que seja feito por médico. É o raciocínio que se desenvolve a partir da semelhança entre casos particulares. Através dele não se chega a uma conclusão geral, mas só a outra proposição particular. Além disso, assemelha-se à indução, mas considera somente um caso particular como ponto de partida. EQUIDADE É o respeito pelo direito de cada pessoa, adequando a norma ao caso concreto, pelo que se considera justo. É a apreciação e julgamento justo em virtude do senso de justiça imparcial, visando a igualdade no julgamento, julgar com valores de justiça”. O julgamento por equidade é algo extremamente presente no cotidiano da Justiça Especializada Trabalhista. Um dos exemplos clássicos deste tipo de julgamento é a decisão proferida nos dissídios coletivos, em que os tribunais trabalhistas, através de sua composição plena ou de órgãos especializados, elaboram as normas que irão regular aquela determinada categoria profissional. Infere-se, portanto, que as decisões por equidade e com equidade são plenamente aplicáveis ao ordenamento juslaboral brasileiro, tendo a Consolidação das Leis do Trabalho, respectivamente, duas disposições nesse sentido. A equidade pode ser definida como "igualdade, retidão, equanimidade", ou seja, a equidade, no seu sentido original, equivale à própria noção de justiça, vale dizer, o ideal a ser atingido tanto pelo legislador, quanto pelo aplicador da norma, pois não há como se conceber, do ponto de vista lógico, um direito injusto. - 48482685830 IMPORTANTE Domicílio: é a sede jurídica da pessoa, onde ela se presume presente para efeitos de direito. É o lugar pré-fixado pela lei onde a pessoa presumivelmente se encontra. Residência: é uma situação de fato, Domicílio da Pessoa Natural e é o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. DIREITO COMPARADO O Direito Comparado tem papel de grande importância para dirimir as questões, vez que não há legislação universal que rege os contratos de trabalho internacionais de forma única em todos os países, sendo que cada país possui regras próprias e suas particularidades, não sendo possível a aplicação de forma extraterritorial da integralidade da legislação, principalmente quando essa se mostra incompatível ao ordenamento do país estrangeiro, pois o uso da analogia não é aplicável ao país que possui regras específicas sobre o tema, sob pena de afronta a soberania do próprio país ao qual o empregado foi enviado. DIREITO COMUM (“common law”) Direito comum, segundo Resende, são duas as condições para integração utilizando regra do direito comum: deve existir lacuna na legislação trabalhista. Se a CLT trata de determinada matéria, não se recorrerá ao direito comum, pois este será fonte subsidiária, nos termos do parágrafo único do art. 8º da CLT, e não fonte concorrente. Exemplo clássico é o da menoridade. Como a CLT regula a menoridade trabalhista, não se aplica à hipótese o direito comum; deve haver compatibilidade entre a norma do direito comum e os princípios do Direito do Trabalho. (RESENDE, 2014) Ademais, é importante também destacar que, o critério normativo hierárquico vigorante no Direito do Trabalho atua da seguinte forma: a pirâmide normativa apresenta-sede modo variável, optando-se para seu vértice dominante a norma que - 48482685830 mais se aproxime do objetivo maior do Direito do Trabalho, que é o reequilíbrio das relações sociais (norma mais favorável, oriunda do princípio protetor). Todavia, este critério encontra limitações nas normas proibitivas oriundas do Estado, “assim consideradas aquelas normas imperativas, cogentes, que não deixam margem à atuação da vontade individual de seus destinatários”. (RESENDE 2014, p.80). Assim, o critério do Direito do Trabalho não prevalecerá diante de normas heterônomas estatais proibitivas, as quais sempre deverão preponderar. A título de exemplo, cita-se a previsão legal da prescrição trabalhista (art. 7º, XXIX, Constituição Federal de 1988), que, por constituir norma proibitiva estatal (visando alcançar o interesse coletivo de pacificação social e segurança jurídica), não admite norma coletiva em sentido contrário, ainda que mais benéfica ao trabalhador: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Constituição Federal, 1988). Ademais, com o início da vigência da Lei nº 13.467 de 13 de julho de 2017 a partir de 11 de novembro de 2017, muito se tem discutido sobre a aplicabilidade das alterações que a lei promoveu na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. As dúvidas pairam tanto sobre a esfera material dos direitos do empregado como nos processos já em trâmite perante a Justiça do Trabalho. Em se tratando do direito material, os fundamentos que embasam as alterações da Consolidação das Leis do Trabalho por intermédio da Lei 13.467/2017 estão pautados na negociação e manifestação de vontade expressa de ambas as partes. Portanto, nos contratos de trabalho anteriores à vigência da reforma trabalhista, somente poderão sofrer alterações mediante a expressa manifestação de vontade de ambas as partes, sem a possibilidade de incorporação dos dispositivos de forma imediata nos contratos de trabalho em vigor. Podemos citar como exemplos: o artigo 134§ 1º da CLT que dispõe sobre a possibilidade de parcelamento de férias em três períodos mediante concordância do empregado; artigo 75-C, § 1º da CLT que dispõe sobre o teletrabalho devido à possibilidade de alteração do contrato de trabalho para o regime de teletrabalho em - 48482685830 casos que haja mútuo acordo entre as partes, artigo 484 da CLT que trata da extinção do contrato de trabalho por acordo realizado entre empregado e empregador, entre outros. Porém, para uma melhor análise devemos considerar o disposto no artigo 468da CLT, caput que não sofreu alterações por assim dispor: “nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento , e ainda assim desde que não resultem direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente dessa garantia”. Nesse sentido, o caput do artigo traz o princípio da inalterabilidade contratual prejudicial (lesiva) ao empregado que conforme podemos constatar o ordenamento justrabalhista admite alteração contratual desde que presentes dois requisitos: acordo entre as partes e ausência de prejuízos diretos ou indiretos ao empregado. Portanto, utilizando desse entendimento as alterações no contrato de trabalho vigente anterior à Reforma Trabalhista, em tese se viesse a causar prejuízos ao empregado as alterações não poderiam ser consideradas válidas. Não somente isso, mas ainda com a vigência da Reforma Trabalhista, ainda seria vedada qualquer alteração lesiva no contrato de trabalho. Corrente contrária, entende pela aplicação da Reforma Trabalhista nos contratos de trabalho com início de vigência anteriores à nova lei e que porventura as partes, realizarem acordo de modo expresso as possibilidades de alterações nos contratos de trabalho, poderiam ser realizados de modo irrestrito com a prevalência da vontade das partes. Ainda devemos considerar que o contrato de trabalho se trata de contrato de trato sucessivo, sendo que as obrigações das partes se renovam, portanto, as condições originárias do contrato de trabalho poderão sofrer alterações com o passar do tempo possibilitando ao empregador algumas alterações contratuais. Já se tratando de direito coletivo do trabalho as regras sobre convenções e acordos coletivos de trabalhos, com as recentes alterações após negociados e celebrados pelo Sindicato representativos das categorias econômica e profissionais, terão aplicabilidade imediata nos contratos de trabalho vigentes, tendo em vista que o sindicato se trata de entidade capaz de de representar os interesses dos trabalhadores o que explica o texto do artigo 611-A da CLT que dispõe sobre a - 48482685830 eficácia normativa das convenções e acordos coletivos inclusive com prevalência sobre a lei, nos casos previstos nos incisos: I ao XV, §§ 1º ao 5º do citado artigo. Passamos a adentrar no assunto de maior controvérsia na atualidade que se dá pela aplicabilidade na esfera processual dos dispositivos inseridos na Lei 13.467/2017. Pois bem, passados alguns anos do início da vigência das alterações processuais estamos vivenciando debates intensos sobre aplicação sobretudo em processos distribuídos em momento anterior ao da vigência da nova legislação. Antes de adentrar à questão, devemos dispor sobre a retroatividade da nova lei que entra em vigor e sobre os efeitos presentes e futuros que poderá causar nas ações em tramitação junto à Justiça do Trabalho. O artigo 5º, XXXVI da Constituição Federal assim dispõe: “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Ainda, o artigo 6º da Lei de Introdução às das Normas do Direito Brasileiro assim dispõe: “A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Nesse sentido, podemos atribuir pela existência de garantia dos direitos materiais bem como segurança jurídica nas ações ajuizadas em período anterior ao do início da vigência das alterações proporcionadas pela Lei 13.467/2017. Assim, alguns entendem pela aplicação da lei anterior no tratamento de processos que foram ajuizados antes da vigência da Reforma Trabalhista, tendo em vista que existe a possibilidade de alguns pedidos existentes na petição inicial que sofreram alterações como é o caso por exemplo do artigo 384 da CLT que atualmente se encontra revogado. Estamos nos deparando com situações em que na prática o entendimento se dá pela extinção do processo sem julgamento do mérito com fundamento no artigo 840, § 3º da CLT que dispõe pela extinção do processo sem julgamento do mérito caso os pedidos não atendam aos requisitos dispostos no § 1º, mais especificamente a necessidade de constar na inicial pedido certo, determinado e com a indicação de valor. Em alguns casos a extinção processual ocorreu mesmo em processos ajuizados em período anterior ao da vigência do novo dispositivo. Nesses casos, como ficaria os direitos que porventura estavam inseridos no processo extinto sem resolução do mérito com ajuizamento de nova ação após a vigência da Reforma Trabalhista, citaremos como exemplo os artigos 384 revogado - 48482685830 pela alteração ou até mesmo o disposto no artigo 71, § 4º que atribui pelo pagamento em natureza indenizatória, apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% em caso de concessão parcial do intervalo intrajornada? Provavelmente estariam prejudicados em virtude da aplicação do novo dispositivo legal e no caso de pedido disposto no artigo 384 da CLT seria indeferido, ainda se tratando da supressão