LOBACZEWSKI Andrew Ponerologia Psicopatas no Poder
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LOBACZEWSKI Andrew Ponerologia Psicopatas no Poder

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de um ato mau, cujo valor negativo não daria margem a dúvidas
em qualquer situação social, os estudiosos da ética mencionam freqüentemente o abuso de
crianças. Contudo, os psicólogos sempre encontram afirmações paramorais de tais
comportamentos na prática, como no caso da família mencionada anteriormente, com a
anomalia no campo pré-frontal da filha mais velha. Seus irmãos mais novos insistiam
enfaticamente que o tratamento sádico que a irmã dava ao seu filho era devido às suas
qualificações morais excepcionalmente elevadas, e eles acreditavam nisso por auto-sugestão.
O paramoralismo, de alguma forma, esquiva-se com perspicácia do controle do nosso senso
comum, levando algumas vezes à aceitação ou à aprovação de comportamentos que são
abertamente patológicos.

Declarações e sugestões paramoralistas acompanham vários tipos de mal com tanta
frequência, que parecem totalmente insubstituíveis. Infelizmente, inventar critérios morais
sempre novos, de acordo com a conveniência de alguém, tornou-se um fenômeno freqüente
para indivíduos, grupos de opressão, ou sistemas políticos patológicos. Tais sugestões, com
frequência, privam parcialmente as pessoas do seu raciocínio moral e deformam o
desenvolvimento deste nos mais jovens. Fábricas de paramoralismo têm sido encontradas no
mundo todo e um ponerologista considera difícil de acreditar que elas sejam gerenciadas por
pessoas psicologicamente normais.

As características conversivas na gênese dos paramoralismos parecem provar que eles são
derivados, em sua maioria, da rejeição subconsciente (e repressão do campo de consciência)
de alguma coisa completamente diferente, que nós chamamos de voz da consciência.

Um ponerologista pode, apesar disso, indicar muitas observações para apoiar a opinião de
que vários fatores patológicos participam na tendência ao uso de paramoralismos. Esse foi o
caso na família acima mencionada. Quando isso ocorre com uma interpretação moralizante,
essa tendência se intensifica em egotistas e histéricos, e suas causas são parecidas. Assim
como todos os fenômenos conversivos, a tendência de utilizar paramoralismos é
psicologicamente contagiosa. Isso explica porque nós a observamos entre pessoas criadas por
indivíduos nos quais ela foi desenvolvida ao lado de fatores patológicos.

Este pode ser um bom lugar para refletir se a lei moral verdadeira é criada e existe
independentemente de nossos julgamentos a seu respeito, e até mesmo sobre a nossa
habilidade de reconhecê-la. Dessa forma, a atitude necessária para tal entendimento é
científica, não criativa: nós devemos subordinar humildemente nossa mente à realidade
apreendida. É então que descobrimos a verdade sobre o homem, tanto suas fraquezas como
seus valores, que nos mostra o que é decente e apropriado no tocante às outras pessoas e às
outras sociedades.

***
Bloqueio reversivo: insistir enfaticamente em algo que é o oposto da verdade bloqueia a

mente da pessoa mediana para perceber a verdade. De acordo com os ditados do senso
comum saudável, ela inicia a busca de sentido no “meio termo” entre a verdade e o seu
oposto, terminando com alguma falsificação satisfatória. As pessoas que pensam assim não
percebem que esse efeito é precisamente a intenção de quem os sujeita a esse método. Se a
falsificação da verdade é o oposto de uma verdade moral, ao mesmo tempo, ela representa
simultaneamente um paramoralismo extremo, e carrega seu caráter peculiarmente sugestivo.

Nós raramente vemos esse método sendo utilizado por pessoas normais; mesmo que tenham
sido criadas por pessoas que abusaram dele; geralmente, elas só apresentam os resultados do
método em suas dificuldades características para apreender a realidade adequadamente. O uso
desse método pode ser incluído dentro dos conhecimentos psicológicos especiais
mencionados anteriormente, que são desenvolvidos por psicopatas no tocante às fraquezas da
natureza humana e à arte de levar os outros ao erro. Onde eles governam, esse método é
utilizado com virtuosidade e em uma extensão proporcional ao seu poder.

***
Seleção e substituição de informação: a existência dos fenômenos psicológicos sobre o

subconsciente conhecidos dos estudantes de filosofia pré-Freudianos segue se repetindo. Os
processos psicológicos inconscientes superam o raciocínio consciente, tanto no tempo
como na abordagem, o que torna possível muitos fenômenos psicológicos: incluindo aqueles
genericamente descritos como conversivos, tais como o bloqueio subconsciente das
conclusões, a seleção e, também, a substituição de premissas aparentemente desconfortáveis.

Nós falamos de bloqueio de conclusões se o processo inferencial foi apropriado em
princípio e quase chegou a uma conclusão e compreensão finais dentro do ato de projeção
interna, mas tornou-se frustrada por uma diretiva precedente do subconsciente, que considerou
a conclusão inadequada ou perturbadora. Essa é a prevenção primitiva da desintegração da
personalidade, que pode parecer vantajosa. Contudo, ela também previne todas as vantagens
que poderiam derivar da conclusão e da reintegração elaboradas conscientemente. Uma
conclusão, assim rejeitada, permanece em nosso subconsciente e causa, de uma forma mais
inconsciente, os próximos bloqueios e seleções desse tipo. Isso pode ser extremamente
prejudicial, escravizando progressivamente a pessoa em seu próprio subconsciente, e está
freqüentemente acompanhado de um sentimento de tensão e amargura.

Nós falamos de seleção de premissas sempre que o retorno penetra mais profundamente no
raciocínio resultante e, assim, exclui do seu banco de dados somente aquela parte da
informação que foi responsável pela conclusão desconfortável, reprimindo-a para o
subconsciente. Dessa forma, nosso subconsciente permite o raciocínio lógico posterior, exceto
aquele cujo resultado estará em desacordo, na proporção direta ao significado real da
informação reprimida. Um número sempre crescente de tais informações reprimidas é
coletado em nossa memória subconsciente. Finalmente, um tipo de hábito parece assumir o
comando: todo material similar é tratado da mesma forma, mesmo que o raciocínio leve a um
resultado perfeitamente vantajoso para a pessoa.

O processo mais complexo desse tipo é a substituição de premissas assim eliminadas por
outras informações, garantindo uma conclusão ostensivamente mais confortável. Nossa
habilidade associativa elabora rapidamente um novo item para substituir o que foi removido,
que levará a uma conclusão confortável. Essa operação leva muito tempo e é improvável que
seja exclusivamente subconsciente. Tais substituições são, com frequência, efetuadas
coletivamente, em certos grupos de pessoas, através do uso de comunicação verbal. É por
essa razão que elas se qualificam melhor para o epíteto moralista “hipocrisia” do que
qualquer um dos outros processos descritos acima.

Os exemplos acima de fenômenos conversivos não exaurem o problema ilustrado ricamente
nos trabalhos psicanalíticos. Nosso subconsciente pode portar as raízes do gênio humano
dentro de si, mas sua operação não é perfeita; algumas vezes é uma reminiscência de um
computador cego, especialmente quando permitimos que ele seja entulhado com material
ansiosamente rejeitado. Isso explica porque o monitoramento consciente, mesmo ao preço de
aceitar corajosamente estados desintegrativos, é igualmente necessário à nossa natureza, para
não dizer ao nosso bem individual e social.

Não existe tal coisa, de uma pessoa cujo autoconhecimento perfeito a permite eliminar todas
as tendências em direção ao pensamento conversivo, mas somente pessoas relativamente
próximas desse estado, enquanto outras permanecem escravas desses processos. Aquelas
pessoas que utilizam operações conversivas com muita frequência, com o propósito de
encontrar conclusões convenientes, ou de construir algumas declarações paralógicas ou
paramoralistas perspicazes, começam eventualmente a empreender esse comportamento por