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Psicopatologia Geral Contextualização: Cheniaux (2015, p. 1) define a psicopatologia como: “Uma disciplina científica que estuda a doença mental em vários aspectos: suas causas, as alterações estruturais e funcionais relacionadas, os métodos de investigação e suas formas de manifestação (sinais e sintomas)”. Tipos de Psicopatologia: Dalgalarrondo (2008, p. 36-38) Psicopatologia descritiva - O que interessa é a forma das alterações psíquicas, a estrutura dos sintomas. A forma como os sintomas se apresentam Psicopatologia dinâmica - O fundamental é a dinâmica, os conteúdos das vivências Psicopatologia médica - Para a medicina, o que interessa é a manifestação sintomática no corpo. O adoecimento mental é visto como adoecimento do cérebro Psicopatologia existencial - O sofrimento mental é visto como algo único singular, que cada sujeito experimenta Psicopatologia psicanalítica - Os sujeitos são vistos como sujeitos singulares História da Psiquiatria: 1. Antiguidade Quando uma pessoa ficava doente, não havia uma razão física óbvia para tal fato, sendo atribuída a uma fraqueza frente a uma força mais forte, feitiçaria ou possessão por um espírito do mal Os Xamãs e os curandeiros Trepanação 2. Tradição Greco-romana - Hipócrates (cerca de 460-377 a.C.) A doença seria um fenômeno natural, suas causas, tratamento e prevenção poderiam ser conhecidas e mereceriam estudos criteriosos As teorias da escola hipocrática incorporavam aspectos anatômicos, fisiológicos e de temperamento na gênese das doenças Ideia de que a histeria afetaria apenas as mulheres, resultado do deslocamento eventual do útero pelos diversos órgãos, incluindo o cérebro, e que poderia ser curada ou prevenida pelo casamento Descreveu com precisão os quadros de delirium, as fobias dentre outros Teoria humoral de Hipócrates Considerava o bem-estar um estado de perfeito equilíbrio entre quatro fluidos corporais básicos, chamados de humores (sangue, bile amarela, bile negra e fleuma). A doença seria um resultado de perturbações no equilíbrio dos humores, Para manter o balanço adequado, o indivíduo deveria seguir um estilo de vida saudável, incluindo exercícios, descanso suficiente, boa dieta, e evitar excessos Os fluidos teriam impacto na personalidade do indivíduo - Galeno (128 - 201 d.C) Discípulo da escola hipocrática Descreveu o delírio dos alcoolistas e a simulação das doenças Desenvolveu a Teoria Humoral da Bile Negra de origem hipocrática 3. Idade Média Interpretações religiosas influenciavam os cientistas medievais a respeito dos conceitos de saúde e doença A alma humana frágil estaria à mercê do resultado da batalha entre o bem e o mal, e sua sanidade mental dependia da vitória das forças benignas Rezas, rituais e trepanações deveriam servir para tentar libertar o corpo dos demônios que possuíam o pobre indivíduo Paracelsus (1493 - 1541) - O ser humano possuía uma alma divina que habitava um corpo animal, quando os instintos venciam a alma surgiam os transtornos psiquiátricos 4. Renascimento Ressurgimento da investigação científica ainda com o dualismo religioso Início do debate Loucura x Razão A loucura seria a condição de impossibilidade do pensamento 5. Nascimento da Medicina Moderna e Práticas Psiquiátricas nos Séculos XVII e XVIII A ciência e a tecnologia, pensavam, levariam o homem a controlar as forças naturais, ao progresso social, à prosperidade, ao controle e à cura de todas as doenças Método Experimental Ênfase no estudo da anatomia e da prática médica à Manuais de Anatomia - Thomas Sydenham (1624-1689) Procurou incorporar os conhecimentos psicológico e fisiológico da época numa visão mais sistemática da insanidade Modelo compreensivo dos transtornos mentais, atribuindo causas “externas” (quadros reacionais), “internas” (distúrbios dos “espíritos animais”) e “antecedentes” (predisposições inatas) Observou que os sintomas da histeria poderiam acometer também os homens - John Locke (1632-1704) Tábula Rasa - Experiências como fontes de conhecimento Caberia ao cérebro organizar ativamente as experiências mediante associação de ideias, chegando ao resultado final, o conhecimento A loucura seria resultante de uma falha na associação das informações recebidas pelos processos sensoriais, que deveriam ser transformadas em conhecimento 6. Frenologia de Gall - Franz Joseph Gall (1758- 1828) Considerava que o cérebro continha diferentes órgãos que ocupavam determinadas áreas A configuração individual de tais órgãos poderia ser mapeada na superfície do crânio, revelando características da personalidade conforme forma, tamanho e proporção de estruturas faciais e cranianas 7. Psiquiatria Francesa e Tratamento Moral - Philippe Pinel (1745-1826) Considerado o pai da Psiquiatria Moderna Em 1793 foi nomeado médico chefe do Hospital de Bicêtre em Paris (Unidade do Hospital Geral) Propôs a liberação dos loucos - Das correntes, mas submisso ao tratamento asilar em isolamento O tratamento poderia restituir ao homem sua liberdade que foi tirada pela alienação Elaborou um primeira classificação de enfermidades Fundou os primeiros hospitais psiquiátricos 8. Teoria da Degeneração Base darwinista Considera que uma variedade de quadros psiquiátricos seria hereditária ou precocemente adquirida e transmitida por gerações, podendo eclodir a qualquer momento da vida ativada por eventos externos dos mais díspares, como doenças médicas, sífilis, traumatismos cranianos, alcoolismo, alimentação deficiente, conduta sexual desregrada, avareza e outros A conduta sexual anômala de um membro da família será transmitida para seu filho e desse para seus descendentes em progressivas piora e gravidade 9. Psiquiatria Alemã - Emil Wilhelm Magnus Georg Kraepelin (1856-1926) Estudou com Wilhelm Wundt (1832-1920) Importante para a classificação e taxonomia na psiquiatria Estado misto à conceito que descreve os quadros caracterizados pela ocorrência simultânea de sintomas opostos da psicose maníaco-depressiva - Karl Jaspers (1883-1969) Psicopatologia geral (Allgemeine Psychopathologie) – 1913 Faz uso do modelo descritivo para conhecer e reportar os fenômenos de consciência, as vivências de seus pacientes 10. As Terapias Biológicas – Século XX Modelo biomédico A doença sempre estaria associada a uma causa física Doença como resultado de um patógeno (vírus, bactéria ou algum outro microrganismo) Saúde = Ausência de doenças 11. Antipsiquiatria – Século XX Surge na década de 60, na Inglaterra Inadaptação do saber e práticas psiquiátricas no trato com a loucura à Especialmente com a Esquizofrenia Questionamento do binômio loucura/doença mental Denuncia a cronificação da instituição asilar 12. As Psicoterapias - Freud (1856-1939) Teoria do psiquismo Psicanálise e a Associação Livre - Inconsciente Busca o entendimento dos porquês das escolhas e oferece uma leitura de nossas vidas inexplorada até então - Teorias Comportamentais Forma de tratamento clinicamente útil no tratamento dos transtornos psiquiátricos com base em pesquisas experimentais sobre as teorias de aprendizado Behaviorismo Terapia Cognitivo-Comportamental Psiquiatria no Brasil: Introdução Hospício Dom Pedro II – 1852 Durante o período colonial, do descobrimento até o século XIX, não se cuidou de forma efetiva da saúde dos indivíduos acometidos de qualquer transtorno mental Logo no início já se encontrava lotado devido ao grande número de desassistidos no país Critérios diagnósticos em Psiquiatria Classificação Internacional das Doenças (CID) Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM - Associação Americana de Psiquiatria) O Normal e o Patológico em Psicopatologia - Historicamente A Nau dos Loucos (Bosch) - Peregrinação de um grupo de homens e mulheres que não estão em seus sentidos e que viajam de barco para um destino desconhecido - Dalgalarrondo (2019) Debate vivo, intenso, interessado, repleto de valores (explícitos ou não), com conotações políticas e filosóficas (explícitas ou não) e conceitosque implicam o modo como milhares de pessoas serão situadas em suas vidas na sociedade Casos extremos, com alterações comportamentais e mentais de intensidade acentuada e longa duração, com sofrimento mental intenso e disfunções graves no dia a dia, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico se tornaria mais simples - Saúde x Doença Mental Século XIX – Alienação Mental Século XX – Doença Mental Século XXI – Transtorno Mental Desdobramentos: 1. Psiquiatria e psicologia legal ou forense Implicações legais, criminais e éticas, podendo definir o destino social, institucional e legal de uma pessoa Normalidade - Indivíduo é plenamente responsável por seus atos e deve responder legalmente por eles Anormalidade - Impedimento de avaliar a realidade e de agir racionalmente, respeitando as leis de sua sociedade 2. Epidemiologia dos transtornos mentais Problema e um objeto de trabalho e pesquisa Segue um critério estatístico 3. Psiquiatria cultural e etnopsiquiatria Análise do contexto sociocultural Estudo da relação entre o fenômeno supostamente patológico e o contexto social no qual tal fenômeno emerge e recebe este ou aquele significado cultural 4. Planejamento em saúde mental e políticas de saúde Estabelecimento de critérios de normalidade Mapeamento de demandas assistenciais de determinado grupo populacional, necessidades de serviços, quais e quantos serviços devem ser colocados à disposição desse grupo, etc. 5. Orientação e capacitação profissional Definição de capacidade e adequação de um indivíduo para exercer certa profissão, manipular máquinas, usar armas, dirigir veículos, etc. 6. Prática clínica Processo de avaliação e intervenção clínica Critérios de normalidade 1. Normalidade como ausência de doença Saúde como “ausência de sintomas, de sinais ou de doenças” - Herança do modelo biomédico Normal -Indivíduo que simplesmente não é portador de um transtorno mental definido Definição negativa (define pelo que não é), falha e redundante 2. Normalidade ideal Estabelecimento de uma norma à socialmente constituída e referendada Tudo o que foge à norma seria anormal 3. Normalidade estatística Identifica norma e frequência Aplicável especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral (como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos, etc.) 4. Normalidade como bem-estar Organização Mundial da Saúde (WHO, 1946) - Saúde como o “completo bem-estar físico, mental e social” Conceito amplo e difícil de realizar 5. Normalidade funcional - O fenômeno é considerado patológico a partir do momento em que é disfuncional e produz sofrimento para o próprio indivíduo ou para seu grupo social 6. Normalidade como processo Consideram-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários 7. Normalidade subjetiva Ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas Muitas pessoas que se sentem bem, “muito saudáveis e felizes”, podem estar acometidas 8. Normalidade como liberdade Base fenomenológica e existencial - Doença mental como perda da liberdade existencial A saúde mental se vincularia às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo e sobre o próprio destino 9. Normalidade Operacional Define-se, a priori, o que é normal e o que é patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos, aceitando as consequências de tal definição prévia Ex: DSM e CID Sofrimento Sunbjetivo, Transtorno e Doença Mental e os Sistemas Classificatórios Qual é o objeto específico de estudo da Psicologia? A Psicologia hoje se caracteriza por uma diversidade de objetos de estudo Colabora com o estudo da subjetividade Nossa matéria-prima, é o homem em todas as suas expressões, as visíveis (nosso comportamento) e as invisíveis (nossos sentimentos), as singulares (porque somos o que somos) e as genéricas (porque somos todos assim) — é o homem-corpo, homem- pensamento, homem-afeto, homem-ação e tudo isso está sintetizado no termo subjetividade Subjetividade A subjetividade é a síntese singular e individual que cada um de nós vai constituindo conforme vamos nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cultura Por um lado somos únicos → Mundo individual Por outro somos parecidos com os demais → Mundo Social O mundo social e cultural, conforme vai sendo experienciado por nós, possibilita-nos a construção de um mundo interior Nós atribuímos sentido a essas experiências e vamos nos constituindo a cada dia Em síntese, a subjetividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar e fazer de cada um Construída aos poucos, enquanto o indivíduo vai apropriando-se do material do mundo social e cultural, e faz isso ao mesmo tempo em que atua sobre este mundo Construção Ativa → Criando e transformando o mundo (externo), o homem constrói e transforma a si próprio Classificação em Psiquiatria Transtornos psiquiátricos são fenômenos patológicos definidos, nos quais se pode identificar etiologia, curso, evolução, mecanismos de funcionamento presumíveis, aspectos genéticos e tratamentos de resultados previsíveis Todo campo de conhecimento científico requer uma sistematização e ordenação de suas informações, uma maneira de lidar com fenômenos complexos Nosologia: classificação sistemática dos transtornos Classificação significa ordenação, definição, compreensão e interpretação dentro de uma certa perspectiva A classificação inclui aspectos referentes à psicopatologia; à idade, gênero, cultura e sociedade; à aspectos epidemiológicos; ao curso e complicações; à fatores genéticos; a achados físicos e laboratoriais; ao diagnóstico diferencial e às diferentes concepções teóricas acerca do transtorno. - Whitaker (2011) – Epidemia de Transtornos Mentais O número de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 De 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76 No que se refere às crianças: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas Diversas classificações da loucura ao longo da história da medicina - Hipócrates (Grécia) – Século V a. C Bases naturais das doenças mentais. Introduz termos como mania, melancolia, frenesi Classificação: epilepsia, melancolia, excitação e paranoia - Galeno (Roma) Melancolia geral, melancolia cerebral, hipocondria e a Teoria humoral - Século XVIII Vários sistemas classificatórios na Europa Surge o alienismo como especialidade médica Classificações baseadas em sintomatologia e etiologia presumida - P. Pinel - Nosografia Filosófica (1797) Mania, melancolia, demência e idiotismo - Emil Kraepelin - 6. edição do Tratado de psiquiatria (1899) Classificação baseada nos sintomas e na evolução. Demência precoce versus psicose maníaco-depressiva. - 1948 OMS publica o Manual Internacional de Classificação de Doenças, Lesões e Causas de Morte (CID-6), incluindo transtornos mentais - 1952 Associação Psiquiátrica Americana (APA) publica o DSM-I (Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais), de base fortemente psicanalítica - Década de 1970 Busca da uniformização da classificação psiquiátrica mundial - DSM I (1952) Necessidade de organizar sistemas diagnósticos, de modo que houvesse uma padronização nas categorias de doenças, as quais atenderiam as finalidades acadêmicas, terapêuticas, legais, administrativas e financeiras Estabelecer um consenso terminológico entre os clínicos 106 categorias, pautado em um enfoque predominantemente psicanalítico Considera a história de vida detalhada dos pacientes e as oscilações das doenças mentais - DSM II (1968) 182 categorias Ainda de base psicodinâmica Não agradou a comunidade científica, pois a tentativade confluir com a CID 8 (Classificação Internacional de Doenças) deixou a desejar em muitos aspectos Discussões sobre a terminologia, principalmente, da esquizofrenia As insatisfações levaram os especialistas a iniciarem uma nova revisão um ano depois de sua publicação - DSM III (1980) 265 categorias Objetivos: Aperfeiçoar a uniformidade e a validade do diagnóstico psiquiátrico e padronizar as práticas de diagnóstico entre os Estados Unidos e outros países Adoção de critérios da medicina baseada em evidências Resposta às diferente observações ao redor do mundo em relação aos critérios do DSM II As evidências científicas são utilizadas para orientar os diagnósticos e tratamentos na clínica Prática psiquiátrica direcionada para identificação de sintomas, definição de diagnósticos e testar a eficácia dos medicamentos Criação de uma classificação útil para tomar decisões e respaldar os tratamentos que incluíam categorias diagnósticas confiáveis, que fossem fruto do diálogo entre as diferentes abordagens da época Expansão e a melhoria na comunicação de diagnósticos - Divisão bem definida do que eram os problemas do cotidiano e o que era de fato a doença mental Chega concomitantemente com a desinstitucionalização dos pacientes crônicos movida pela luta antimanicomial à Necessidade de novas políticas públicas e possibilidades de intervenção Posição ateórica, objetiva e supostamente neutra Lógica de causalidade multifatorial Método classificatório “multiaxial' - Censo da população estatística, no lugar de um diagnóstico simples As patologias psiquiátricas passam a ser definidas por agrupamentos de sintomas, o que ocasionou a supressão das histórias de vida, das narrativas dos pacientes, das causas psicológicas e sociais que possivelmente causaram algum sofrimento psíquico e/ou sua manifestação em determinado comportamento DSM III – Psiquiatria x Psicanálise A psicanálise era um entrave para os psiquiatras que tinham uma visão fisicalista dos transtornos mentais, os quais estavam ligados à pesquisa experimental, e também para os psiquiatras progressistas, que acusavam a psicanálise de psicologizar problemas de ordem social (DUNKER; KYRILLOS NETO, 2011) Responsabilizada pela superpopulação de internos nas instituições psiquiátricas (MAYES; HORWITZ, 2005) Modificações no processo de entrevista Sai de um modelo psicodinâmico, orientado pelo insight, para um modo descritivo, orientado pelo sintoma Na entrevista orientada pelo sintoma à Os distúrbios psiquiátricos se manifestam por meio de um conjunto peculiar de sinais e sintomas, um curso previsível e uma resposta a um tratamento específico Objetivo: classificar as queixas e disfunções do paciente mediante as categorias determinadas pela classificação DSM - DSM III-R (1987) 292 categorias Críticas devido à metodologia utilizada nos critérios Inconsistências diagnósticas DSM IV (1994) 297 categorias Principal alteração à Inclusão de um critério de significância clínica para praticamente metade das categorias que tinham sintomas e causavam sofrimento clinicamente importante ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional, entre outras áreas Histeria desmembrada em síndromes: dissociação, disformismo corporal, ansiedade, depressão e fibromialgia Organização dos diagnósticos em 5 eixos Eixo I: distúrbios clínicos, incluindo os principais transtornos mentais, e desenvolvimento e distúrbios de aprendizagem Eixo II: retardo subjacente penetrante ou condições de personalidade, bem como mental Eixo III: situações clínicas agudas e doenças físicas Eixo IV: fatores psicossociais e ambientais que contribuem para a desordem Eixo V: avaliação global de funcionamento - DSM-IV-TR (2000) Inclusão de mais 21 categorias Valorização de comorbidades e cruzamentos entre eixos diagnósticos Críticas dirigidas ao seu uso imprudente e excessivo por advogados e administradores, com interpretações equivocadas, devido a partes do Manual consideradas ambíguas e imprecisas - DSM-5 (2013) O enfoque principal foi a medição da gravidade dos sintomas e a avaliação em forma dimensional e transversal daqueles que apresentavam ampla diversidade de diagnóstico Mais de 300 categorias Seções: Seção I - Apresenta as orientações para o uso clínico e forense Seção II - Descreve os critérios e códigos diagnósticos dos transtornos Seção III - Expõe os instrumentos para as avaliações dos sintomas, os critérios sobre a formulação cultural dos transtornos, o modelo alternativo para os transtornos de personalidade e uma descrição das condições clínicas para estudos posteriores Categorização de forma a analisar se o sintoma é leve, moderado ou severo em diversos quadros clínicos Os capítulos foram organizados de modo que considerassem mais o ciclo de vida, em relação às edições anteriores - Infância à Idade adulta tardia No início do Manual, estão os quadros clínicos que se manifestam nas primeiras fases do desenvolvimento, como os transtornos do desenvolvimento Na parte central, estão os transtornos que geralmente aparecem na adolescência e na idade adulta, como os transtornos de ansiedade, depressão ou do espectro da esquizofrenia No final, estão os transtornos neurocognitivos, relacionados a velhice Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) - Definição As crianças com TDAH manifestam comportamentos perturbadores em que predominam a desatenção e/ou hiperatividade e a impulsividade Eles persistem durante anos e são nitidamente mais frequentes e mais sérios do que na maior parte das crianças da mesma idade Além disso, tais comportamentos impõem dificuldades muito grandes para o contexto Às vezes perturbam gravemente a rotina da família e, na escola, a da turma, impedindo assim o desenvolvimento do funcionamento adaptativo como um todo - Apanhado histórico Heinrich Hoffmann (1845) - Der Struwwelpeter (João Felpudo) O livro é composto de dez pequenas histórias rimadas em versos, destinadas a crianças de três a seis anos de idade, ilustrativas de comportamentos infantis inadequados e merecedores de correções exemplares A história de Felipe, o inquieto - Critérios diagnósticos do DSM-5 Incluem 9 sinais e sintomas de desatenção e 9 de hiperatividade e impulsividade O diagnóstico que usa esses critérios requer que ≥ 6 sinais e sintomas de pelo menos um grupo Além disso, é necessário que os sintomas: Estejam presentes muitas vezes por ≥ 6 meses Sejam mais pronunciados do que o esperado para o nível de desenvolvimento da criança Ocorram em pelo menos 2 situações (p. ex., casa e escola) Estejam presentes antes dos 12 anos de idade (pelo menos alguns sintomas) Interfiram em sua capacidade funcional em casa, na escola ou no trabalho - Sintomas de hiperatividade e impulsividade: Movimenta ou torce mãos e pés com frequência Frequentemente movimenta-se pela sala de aula ou outros locais Corre e faz escaladas com frequência excessiva quando esse tipo de atividade é inapropriado Tem dificuldades de brincar tranquilamente Frequentemente movimenta-se e age como se estivesse "ligada na tomada" Costuma falar demais Frequentemente responde às perguntas de modo abrupto, antes mesmo que elas sejam completadas Frequentemente tem dificuldade de aguardar sua vez Frequentemente interrompe os outros ou se intromete - Sintomas de desatenção: Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados em trabalhos escolares ou outras atividades Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas na escola ou durante jogos Não parece prestar atenção quando abordado diretamente Não acompanha instruções e não completa tarefas Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades Evita, não gosta ou é relutante no envolvimento em tarefas que requerem manutenção do esforço mental durante longo período de tempo Frequentemente perde objetos necessários para tarefas ou atividades escolares Distrai-se facilmente É esquecido nas atividades diárias AULA 4