Cap.6_solo
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DisciplinaPropriedades dos Materiais de Engenharia Ambiental7 materiais158 seguidores
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GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ 
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ 
CENTRO DE CIENCIAS NATURAIS E TECNOLOGIA 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AMBIENTAL 
DISCIPLINA: PROPRIEDADE DOS MATERIAIS 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: PMP-GO 
 
 
 
 
Altamira-PA 
2012 
Capítulo 6 \u2013 Solo Maio/2012 
 
Prof. Glauber Epifanio Loureiro, M. Sc. Eng Página 1 de 18 
6.1 Propriedades físicas do solo 
 
 
 
Os solos minerais são constituídos por uma mistura de partículas sólidas de 
natureza mineral e orgânica, ar e água, formando um sistema trifásico, sólido, gasoso e 
líquido. As partículas da fase sólida variam grandemente em tamanho, forma e composição 
química e a sua combinação nas várias configurações possíveis forma a chamada matriz 
do solo. Considerando o solo como um corpo natural organizado, portanto ocupando dado 
espaço, a recíproca da matriz do solo forma a porosidade dos solos. Outro fator que 
interfere diretamente na porosidade dos solos refere-se à maneira com que as partículas 
sólidas se arranjam na formação dos solos. 
Duas propriedades físicas, hierarquicamente mais importantes, referem-se a 
textura do solo, que é definida pela distribuição de tamanho de partículas, e a estrutura do 
solo definida pelo arranjamento das partículas em agregados. A porosidade do solo, por 
sua vez, é responsável por um conjunto de fenômenos e desenvolve uma série de 
mecanismos de importância na física de solos, tais como retenção e fluxo de água e ar, e, 
se analisada conjuntamente com a matriz do solo, gera um grupo de outras propriedades 
físicas do solo associadas às relações de massa e volume das fases do sistema solo. Não 
menos importante são as propriedades associadas à reação mecânica do solo à aplicação 
de forças externas. 
A física de solos estuda e define, qualitativa e quantitativamente, as propriedades 
físicas, bem como sua medição, predição e controle, com o objetivo principal de entender 
os mecanismos que governam a funcionalidade dos solos e seu papel na biosfera. A 
importância prática de se entender o comportamento físico do solo está associada ao 
seu uso e manejo apropriado, ou seja, orientar irrigação, drenagem, preparo e 
conservação de solo e água. 
A definição de um solo fisicamente ideal é difícil devido ao tipo e natureza das 
variações físicas dos solos que ocorrem ao longo da profundidade do solo, na superfície da 
paisagem e ao longo do tempo. Um exemplo clássico refere-se ao suprimento de água e ar 
que variam continuamente junto com os ciclos de umedecimento e secagem, que 
ocorrem com a alternância de chuva e estiagem. Um solo é considerado fisicamente 
ideal para o crescimento de plantas quando apresenta boa retenção de água, bom 
arejamento, bom suprimento de calor e pouca resistência ao crescimento radicular. 
Paralelamente, boa estabilidade dos agregados e boa infiltração de água no solo são 
condições físicas importantes para qualidade ambiental dos ecossistemas. 
Capítulo 6 \u2013 Solo Maio/2012 
 
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O conceito de um solo fisicamente ideal é complexo e carece de melhor definição 
quantitativa. No entanto, já há indicação clara de uma série de valores quantitativos de 
indicadores da qualidade física de um solo, seja valores ideais, críticos ou restritivos ao 
crescimento de plantas ou na qualidade ambiental. 
 
6.2 Textura do solo 
 
 
A textura do solo é definida pela proporção relativa das classes de tamanho de 
partículas de um solo. A Sociedade Brasileira de Ciência do Solo define quatro classes de 
tamanho de partículas menores do que 2 mm, usadas para a definição da classe de 
textura dos solos: 
Areia grossa \u2013 2 a 0,2 mm ou 2000 a 200 µm 
Areia fina \u2013 0,2 a 0,05 mm ou 200 a 50 µm 
Silte \u2013 0,05 a 0,002 mm ou 50 a 2 µm 
Argila \u2013 menor do que 2 µm 
 
Desconsiderando a presença da matéria orgânica e de partículas maiores do que 
2 mm no solo, o total de partículas de um solo é igual ao somatório da proporção de 
areia, silte e argila, de maneira que um solo pode ter de 0 a 100% de areia, de silte e de 
argila. O número possível de arranjamento resultante da combinação das proporções de 
classes de partículas é muito grande, o que impulsionou o desenvolvimento de um sistema 
de classificação gráfico e funcional para definição das classes de textura dos solos. O 
sistema consta da sobreposição de três triângulos isósceles que representam a quantidade 
de argila, silte e areia do solo (Figura 1). 
A avaliação da textura é feita diretamente no campo e em laboratório. No campo, a 
estimativa é baseada na sensação ao tato ao manusear uma amostra de solo. A areia 
manifesta sensação de aspereza, o silte maciez e a argila maciez e plasticidade e 
pegajosidade quando molhada. No laboratório, a amostra de solo é dispersa numa 
suspensão e, por peneiramento e sedimentação, se determina exatamente a proporção 
de areia, argila e por diferença a de silte. 
 
 
 
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Figura 1 - O solo descrito pelo \u201cencontro das setas\u201d, com 28% de argila, 49% de areia e 23% 
de silte, recebeu a classificação \u201clemo argiloso\u201d. 
 
A natureza e a forma das partículas do solo foram elementos chaves para a 
definição, que é empírica, das classes de tamanho de partículas e, juntamente com a 
experiência prática, da delimitação das classes texturais do diagrama. Assim, as 
partículas de areia e silte, especialmente nos solos do Brasil, são predominantemente de 
forma esférica e composição mineralógica formada por quartzo, ao passo que as 
partículas de argila são de formato laminar e compostas por minerais de argila (caulinita, 
ilita, montmorilonita,...) e óxidos (de Fe, Al, ..). A classe textural é determinada pela 
distribuição do tamanho de partículas e juntamente com o tipo de argila marcadamente 
afetam outras propriedades físicas como a drenagem e a retenção de água, a aeração e a 
consistência dos solos. 
Na tabela 1 são listadas algumas propriedades dos solos influenciadas pelo tamanho das 
partículas dos solos. 
 
 
 
 
 
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Tabela 1 \u2013 Relação da textura do solo com algumas propriedades dos solos. 
 
Solos arenosos Solos argilosos 
Menor porosidade do solo Maior porosidade do solo 
Menor micro e maior macroporosidade Maior micro e menor macroporosidade 
Baixa retenção de água Alta retenção de água 
Boa drenagem e aeração 
Drenagem lenta e pouco arejado (se 
pouco agregados) 
Menor densidade do solo Maior densidade do solo 
Aquece rápido Aquece lentamente 
Resiste à compactação Maior susceptibilidade à compactação 
Baixa CTC Maior CTC 
Mais lixiviável Menos lixiviável 
Maior erosão Mais resistente à erosão 
Coesão baixa, friável Coesão elevada, firme 
Consistência friável quando úmido 
Consistência plástica e pegajosa quando 
molhado 
Fácil preparo mecânico Mais resistente ao preparo (pesado) 
Matéria orgânica baixa e rápida 
decomposição 
Matéria orgânica média a alta e menor 
taxa de decomposição 
 
 
A classe textural de um solo é uma característica importante de um solo porque 
varia muito pouco ao longo do tempo. A mudança somente ocorrerá se houver mudança da 
composição do solo devido à erosão seletiva e/ou processos de intemperismo, que ocorrem 
em escala de séculos a milênios. Portanto, o uso e o manejo do solo afetam muito pouco a 
textura de um solo, implicando no fato que em nível de propriedade rural, em área com 
classe textural similar, as variações da qualidade física estão associadas à variação de 
outras propriedades físicas. 
 
 
6.3 Estrutura do solo 
 
 
A estrutura do solo refere-se ao agrupamento e organização das partículas do 
solo em agregados e relaciona-se com a distribuição das partículas e agregados num 
volume de solo. Considerando que o espaço poroso é de importância similar ao espaço 
sólido, a estrutura do solo pode