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Poder_Normativo_TSE

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Eleitoral
 
O poder normativo conferido às resoluções do Tribunal Superior Eleitoral e a perda do cargo
eletivo por infidelidade partidária
Franklin Ramos de Carvalho
Resumo: Neste Artigo é estudado o poder normativo das Resoluções do TSE, destacando a possibilidade de edição de Resoluções com força de Lei Federal. Em Capítulo
especial será apresentada uma análise da resolução n.º 22.610/07, que determina a perda de mandato eletivo por infidelidade partidária, a possibilidade de questionamento
judicial e o estudo dos procedimentos que declararam sua constitucionalidade.
Palavras-chave: Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral – Força Normativa. Resoluções com força de Lei. Infidelidade Partidária. As Resoluções do Tribunal Superior
Eleitoral. Eleições – Legislação / Resoluções.
Sumário: Introdução; 1. Do poder normativo do tribunal superior eleitoral; 2. Dos limites normativos; 3. Da sujeição ao controle de constitucionalidade; 4. Da opinião
doutrinária; 5. Precedentes jurisprudenciais; 6. Uma análise da resolução n.º 22.610/07 – perda do mandato por infidelidade partidária; conclusão; notas; referências.
“...Esse poder regulamentar exteriorizado pelo Egrégio Tribunal Superior Eleitoral é uma marcante característica da legislação eleitoral vigente. O poder regulamentar está
disciplinado nos artigos 23, inciso IX, que trata da expedição de instruções convenientes à execução do Código Eleitoral, bem como da legislação eleitoral lato sensu, artigo
1.º, parágrafo único, ambos do Código Eleitoral...” (Marcos Ramayana, in Direito Eleitoral, 2008)
INTRODUÇÃO
Neste artigo é realizado um estudo sobre o poder normativo das Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, destacando a possibilidade de edição de Resoluções com força de Lei
Federal, tendo por escopo a análise deste Poder Normativo conferido ao Tribunal Superior Eleitoral e seus limites.
Para o desenvolvimento do tema, os assuntos foram tratados de modo a abordar a Constituição Federal de 1988 e a Lei n.º 4.737/65 – Código Eleitoral - suas facilidades e seus
problemas, bem como estudar o processamento dos vários tipos de procedimentos no caso de edição de normas regulamentadoras para as eleições no Brasil.
No decorrer desta análise faremos considerações sobre o reconhecimento desta força normativa, seus limites e a sujeição das resoluções ao controle de constitucionalidade.
1. DO PODER NORMATIVO DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
1.1. Da forma de edição das Resoluções – a legislação
O legislador registrou a maneira legal de formatação das resoluções emitidas pelo Tribunal Superior Eleitoral de uma forma que aglutinasse o disposto, tanto na Constituição
quanto no Código Eleitoral. Doutrina majoritária, do mesmo modo, infere poder normativo ao Tribunal Superior Eleitoral quando elenca o exposto no artigo 23, inciso IX do
Código Eleitoral. De fato, a CF já traz em seu artigo 59 na consecução do processo legislativo a elaboração de resoluções.
Destarte, em alteração da Lei 9.504/97 pela Lei 12.034/09, estabelece-se a real possibilidade da expedição dessas resoluções com força de lei. Do mesmo modo, a chamada Lei
dos Partidos Políticos, Lei 9.096/95, aponta na mesma direção.
Vejamos a legislação aplicada à espécie:
“CF/88
Artigo 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
Artigo 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
Artigo 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. (...)
§ 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, salvo as que contrariarem esta Constituição e as denegatórias de "habeas-corpus" ou mandado de
segurança.
§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando:
I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei;
II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais;
III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais;
IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais;
V - denegarem "habeas-corpus", mandado de segurança, "habeas-data" ou mandado de injunção.
Código Eleitoral
Artigo 1º Este Código contém normas destinadas a assegurar a organização e o exercício de direitos políticos precipuamente os de votar e ser votado.
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá Instruções para sua fiel execução.
Artigo 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, (...)
IX - expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste Código.
Lei 9.504/97
Artigo 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer
sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os
delegados ou representantes dos partidos políticos. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009) (...)
§ 3o Serão aplicáveis ao pleito eleitoral imediatamente seguinte apenas as resoluções publicadas até a data referida no caput.
Lei 9.096/95.
Art. 61. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá instruções para a fiel execução desta Lei”. (Grifei).
Verifica-se que o legislador teve o cuidado de emitir normas onde o Tribunal Superior Eleitoral, órgão específico de controle de matéria eleitoral no Brasil, tivesse o condão de
editar tais instruções normativas e inferir-lhes força de lei com o claro objetivo de regular todo o processo eleitoral, sem o que este enfraqueceria sobremaneira.
O que ocorre é que, muitas vezes, levanta-se a possibilidade de tais emissões normativas infringirem o princípio da separação dos poderes elencado no artigo 2.º da
Constituição Federal, que determina as edições de lei apenas ao poder legislativo.
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Todavia, matéria já pacificada, como veremos adiante, o próprio legislador cedeu a sua competência ao Tribunal Superior Eleitoral, de forma complementar, à edição das
resoluções com força de lei, segundo as regras constantes da Constituição Federal e do Código Eleitoral. Vejamos tópicos sobre o disciplinamento da matéria e o processo de
criação da norma eleitoral.
1.2. DO DISCIPLINAMENTO DA MATÉRIA E DO PROCESSO DE CRIAÇÃO
O disciplinamento da matéria ou a criação de norma eleitoral é feito através de resoluções editadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, que conferem força de Lei às referidas
resoluções, conforme artigo 23, inciso IX do Código Eleitoral. Jurisconsultos nacionais de peso em matéria eleitoral, como veremos a seguir, são de opinião de que se infere
força de Lei às normas editadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Contudo, devemos observar que a Justiça Eleitoral no Brasil tem uma forma um tanto quanto diferenciada de funcionamento, na medida em que, conforme sua competência
como órgão jurisdicional, tem uma ação administrativa extremamente ativa, com especial destaque para a regulamentação do processo eleitoral, por meio da edição de
resoluções com força