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Apostila de Direito do Trabalho

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filiada: (artigo 1099 do Código Civil) é a sociedade de cujo capital outra sociedade participe em 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlá-la.
f) sociedade de simples participação: (artigo 1100 do Código Civil) é a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de 10% (dez por cento) de capital com direito a voto.
Observação: em Direito do Trabalho a definição não deve ser rígida, como em direito comercial. Deve abranger todos os tipos de grupo econômico, por coordenação ou por subordinação, controle entre pessoas jurídicas ou através de pessoas físicas. 
11.2.6. Sucessão de empregadores:
Délio Maranhão lembra que é preciso deixar fora de dúvida é que a sucessão, no Direito do Trabalho, como no direito comum, supõe uma substituição de sujeitos de uma relação jurídica, e que, não sendo a empresa ou o estabelecimento sujeitos de direito, não há falar em sucessão de empresas, mas de empregadores. 
Alie-se a isso o fato de que os direitos dos trabalhadores não podem ser afetados por mudanças na estrutura jurídica da empresa. 
Nesse sentido, dispõem os artigos 10 e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho:
Artigo 10 – Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados.
Artigo 448 – A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.
Nessa esteira de raciocínio Délio Maranhão sustenta que são necessários dois requisitos para caracterização da sucessão de empregadores, a saber:
que um estabelecimento, como unidade econômico-jurídica, passe de um para outro titular;
que a prestação de serviço pelos empregadores não sofra solução de continuidade.
Esclarece o excelente jurista que o arrendamento também se caracteriza como sucessão de empregadores.
Nem sempre a passagem de um estabelecimento de um para outro titular implica em extinção do cedente. Exemplo disso é o das empresas de ônibus da Capital de São Paulo, cujos trabalhadores passaram de um dia para o outro a trabalhar para a nova empresa que obteve a concessão da linha de ônibus, embora, não raro, a sucessora negue essa condição em Juízo. 
11.2.6.1. Casos especiais de sucessão:
a) alienação de um estabelecimento: a doutrina e a jurisprudência admitem sucessão, mesmo quando há a alienação de apenas um dos estabelecimentos da empresa (filial, agência, etc.). 
b) concessão de serviço público: também na hipótese de concessão de serviços públicos, admite-se, em algumas hipóteses, a sucessão, mesmo não tendo o sucessor recebido o negócio diretamente do sucedido (recebe-o do Estado).
Fundamento: o instituto da sucessão de empresas funda-se no princípio da continuidade do contrato de emprego. O empregador é a empresa e não seus titulares, o que significa que a vinculação jurídica do empregado é com a empresa e não como seus proprietários. 
11.2.7. Consórcio de empregadores rurais. Possibilidade de utilização de consórcio de empregadores na área urbana:
Durante um bom período houve no meio rural contratação fraudulenta de trabalhadores rurais por intermédio de falsas cooperativas de trabalho.
 A alegação do empresariado rural era que não havia trabalho para o empregado durante todo o ano civil, ante a sazonalidade das culturas no meio rural.
Parece-nos frágil tal alegação, eis que podem os empregadores rurais contratar trabalhadores por meio de contrato de safra (contrato a termo) nos termos do artigo 14 da Lei nº 5.889/73.
Contudo, necessária se faz a busca incansável pela pacificação das relações capital/trabalho quer na área rural, quer na área urbana. 
Nessa esteira de raciocínio, com o intuito de diminuir sensivelmente as citadas fraudes o Ministério do Trabalho e Emprego houve por bem aprovar uma Portaria Ministerial criando o que se denomina de Consórcio de Empregadores Rurais.
11.2.8. Poder diretivo do empregador:
Natureza Jurídica: segundo Amauri Mascaro Nascimento há mais de uma explicação para a natureza jurídica do poder diretivo do empregador, a saber:
a) direito potestativo do empregador – significando que contra o seu exercício nada se poderá opor, com em todo direito potestativo. Este é o direito que é exercitado por alguém sem possibilidade de objeção por parte daqueles que são alcançados. 
b) direito-função – uma vez que aumenta gradativamente a participação dos trabalhadores nas decisões da empresa, limitando-se assim a amplitude do poder patronal de direção, a ponto de se transformar em conjunto de deveres do empregador para com seus empregados. Direito-função é a imposição do exercício de uma função pela norma jurídica a alguém, com o que o titular do direito passa a ter obrigações.
Do poder diretivo decorre:
a) poder de organização – direito do empregador de organizar a atividade empresarial no tocante ao capital e ao trabalho.
b) poder de controle – direito do empregador de fiscalizar as atividades profissionais dos seus empregados.
c) poder disciplinar – direito do empregador de impor sanções disciplinares aos seus empregados.
QUESTÕES DA PROVA DA OAB
EXAME DE ORDEM IV – 2ª FASE
Um Estado da Federação realizou concurso público para notário. Nelson, aprovado em segundo lugar no certame, recebeu a delegação de um cartório extrajudicial. Lá chegando, verificou que a parte administrativa estava extremamente desorganizada, o que explicava as sucessivas reclamações contra aquela serventia na Corregedoria. Em razão disso, Nelson explicou ao tabelião anterior que não tinha interesse em aproveitar as pessoas que lá atuavam, pois lá iria alocar empregados da sua confiança. 
Informado disso, o tabelião anterior dispensou todos os empregados. Alguns dias depois, no mesmo local e com novos empregados, Nelson iniciou seus serviços como notário. Um dos ex-empregados dispensados pelo tabelião anterior ajuizou reclamação trabalhista contra Nelson, postulando diversos direitos lesados ao longo do contrato, trazendo como argumento jurídico a ocorrência de sucessão. 
Com base no caso acima, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Quais são os requisitos para a ocorrência de sucessão na esfera trabalhista? (Valor: 0,65) 
b) No caso em tela, Nelson é sucessor? (Valor: 0,6)
EXAME DE ORDEM V – FGV - 2ª FASE
José da Silva foi contratado pela empresa Boa Vista Ltda., que integra grupo econômico com a empresa Boa Esperança Ltda., para exercer a função de vendedor empregado. Durante a mesma jornada de trabalho, ele vendia os produtos comercializados pela Boa Vista Ltda. e pela Boa Esperança Ltda., com a supervisão dos gerentes de ambas as empresas. Diante dessa situação hipotética, e considerando que a sua CTPS somente foi anotada pela empresa Boa Vista Ltda., responda, de forma fundamentada, às indagações abaixo à luz da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho: 
a) Qual é a natureza da responsabilidade solidária das empresas que integram grupo econômico para efeitos da relação de emprego: é ativa e/ou passiva? (Valor: 0,60) 
b) É correto afirmar que José da Silva mantinha vínculos de emprego distintos com as empresas Boa Vista Ltda. e Boa Esperança Ltda.? (Valor: 0,65) 
12. TERCEIRIZAÇÃO
12.1. Histórico – por Rubens Ferreira de Castro 
A terceirização encontra sua origem na II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos aliaram-se a países europeus para combater as forças nazistas e também o Japão. As indústrias de armamento não conseguiam abastecer o mercado, necessitando suprir o aumento excessivo da demanda e aprimorar o produto e as técnicas de produção.
Essa necessidade demonstrou que a concentração da indústria deveria voltar-se para a produção e as atividades de suporte deveriam ser transferidas para terceiros, o que, sem dúvida, gerou um maior número de empregos na época.