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Apostila de Direito do Trabalho

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do “tempo de espera” como sendo aquelas horas que excederem à jornada normal de trabalho do motorista de transporte rodoviário de cargas que fica aguardando para carga e descarga do veículo do embarcador ou destinatário ou para fiscalização da mercadoria transportada em barreiras fiscais ou alfandegárias, não sendo computadas como horas extraordinárias, mas remuneradas de forma indenizada com acréscimo de 30% (artigo 235-C, parágrafos 8º e 9º). 
b19) Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias – 40 horas semanais (Lei nº 12.994/2014 – artigo 9º-A, parágrafo 2º). 
Observação: Acerca da jornada de médicos e engenheiros surgiram dúvidas acerca do verdadeiro sentido que devamos conferir ao contidos nas respectivas leis que regulam essas categorias. Por conta disso, o Tribunal Superior do Trabalho aprovou a Súmula 370 que assim dispõe:
MÉDICO E ENGENHEIRO – JORNADA DE TRABALHO – LEIS NS. 3.999/61 E 4.950-A/66.
Tendo em vista que as Leis ns. 3.999/61 e 4.950-A/66 não estipulam a jornada reduzida, mas apenas estabelecem o salário mínimo da categoria para uma jornada de 4 horas para os médicos e de 6 horas para os engenheiros, não há que se falar em horas extras, salvo as excedentes à oitava, desde que seja respeitado o salário mínimo/horário das categorias. 
20.7. Contratação Por Tempo Parcial (artigo 58-A da Consolidação das Leis do Trabalho, Medida Provisória 2164-41 de 27/08/2001)
é aquela que não excede 25 horas semanais.
a remuneração é proporcional ao tempo de trabalho, inclusive o direito de férias e 13º salário.
não podem fazer horas extraordinárias.
para os empregados já em atividade deve ser instituído mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Observação: a jornada de até 25 horas semanais, aplicável aos aprendizes, não caracteriza contratação a tempo parcial (artigo 18, parágrafo 2º, do Decreto nº 5.598/2005 de 01/12/2005), que regulamenta a Lei nº 10.097/2000 (aprendizagem). 
20.8. Turnos Ininterruptos de Revezamento:
Conceito: jornada em turno ininterrupto de revezamento é o modo de organização da atividade em virtude da qual grupos ou equipes de trabalhadores se sucedem na mesma empresa, no mesmo local de serviço, cumprindo horários que permitam o funcionamento ininterrupto da empresa de maneira escalonada por períodos distintos. 
A jornada máxima é de 6 horas, mesmo que o empregador dê intervalos ao empregado interjornada ou intrajornada, salvo negociação coletiva (acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho - artigo 7º, inciso XIV, da Constituição Federal de 1988). 
Dispõe a Súmula 423 do Tribunal Superior do Trabalho:
TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO – FIXAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO MEDIANTE NEGOCIAÇÃO COLETIVA – VALIDADE.
Estabelecida jornada superior a seis horas e limitada a oito horas por meio de regular negociação coletiva, os empregados submetidos a turnos ininterruptos de revezamento não têm direito ao pagamento das 7ª e 8ª horas como extras. 
20.9. Horas Extraordinárias ou Suplementares
20.9.1. Conceito: horas extras são aquelas prestadas além do horário contratual, legal ou normativo.
20.9.2. Hipóteses de horas extraordinárias e suas conseqüências econômicas:
20.9.2.1. Acordo de prorrogação de horas: é o ajuste de vontades pelas partes para que a jornada seja elastecida. Deve ser escrito. Se for por prazo indeterminado admite a denúncia por quaisquer das partes. Requisitos:
a) prorrogação mediante acordo individual entre empregado e empregador.
b) máximo de duas horas diárias.
c) devem ser pagos com adicional de, no mínimo, 50%.
d) proibido para o empregado menor de idade.
Sobre o limite máximo de duas horas diárias como extraordinárias vejamos o contido na Súmula 376 do Tribunal Superior do Trabalho:
HORAS EXTRAS – LIMITAÇÃO – ART. 59 DA CLT – REFLEXOS.
I – A limitação legal da jornada suplementar a duas horas diárias não exime o empregador de pagar todas as horas trabalhadas.
II – O valor das horas extras habitualmente prestadas integra o cálculo dos haveres trabalhistas, independentemente da limitação prevista no caput do art. 59 da CLT. 
 
20.9.2.2. Acordo de compensação de jornada de trabalho: sistema em que o empregado trabalha mais horas em determinado dia para prestar serviços em um número menor de horas de outro dia ou não prestá-las em certo dia da semana.
Estudemos o contido na Súmula 85 do Tribunal Superior do Trabalho acerca do tema:
COMPENSAÇÃO DE JORNADA.
I – A compensação de jornada de trabalho deve ser ajustada por acordo individual escrito, acordo coletivo ou convenção coletiva. 
II – O acordo individual para compensação de horas é válido, salvo se houver norma coletiva em sentido contrário.
III – O mero não-atendimento das exigências legais para a compensação de jornada, inclusive quando encetada mediante acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária, se não dilatada a jornada máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional. 
IV – A prestação de horas extras habituais descaracteriza o acordo de compensação de jornada. Nesta hipótese, as horas que ultrapassarem a jornada semanal normal deverão ser pagas como horas extraordinárias e, quanto àquelas destinadas à compensação, deverá ser pago a mais apenas o adicional por trabalho extraordinário.
20.10. Banco de Horas – o regime de compensação pode obedecer ao módulo anual (12 meses), de acordo com a Lei nº 9.601/98, sendo conhecido como banco de horas. Requisitos:
a) exige acordo ou convenção coletiva de trabalho. Discute-se se a hipótese de acordo pode ser individual ou deve necessariamente ser coletivo.
b) máximo de duas horas diárias.
c) foi alterado o módulo (período a ser considerado para a soma das horas trabalhadas) para 12 meses. Antes era semanal, depois passou a 120 dias e agora é anual.
Observação: Necessidade de convenção ou acordo coletivo (há divergências neste ponto), pois alguns autores entendem que a compensação pode ser estabelecida em acordo individual, entre empregado e empregador; outros entendem que o acordo deve ser coletivo, ou seja, com a participação do sindicato profissional e, ainda, há os que entendem que para a compensação em módulo semanal, o acordo pode ser individual, mas para a compensação em módulo anual (banco de horas) deve ser coletivo.
20.11. Necessidade imperiosa: divide-se em:
a) força maior – acontecimento inevitável, imprevisível, para o qual não concorreu, direta ou indiretamente o empregador. Catástrofes naturais. 
b) serviços inadiáveis cuja inexecução possa acarretar manifesto prejuízo ao empregador.
Observação: ambos os casos devem ser comunicados a DRTE – Delegacia Regional do Trabalho e Emprego no prazo de 10 dias de sua implantação. Nos serviços inadiáveis, máximo de 12 horas diárias. Na força maior, não há limites, salvo para o menor (neste caso o limite é de 4 horas diárias). O primeiro é remunerado com 50%. No segundo há controvérsias. 
20.12. Recuperação de Tempo Perdido em Razão de Paralisação da Empresa: é a prorrogação de jornada para a reposição de trabalho não realizado pela ocorrência de interrupção do trabalho da empresa como um todo, por causas acidentais ou de força maior. São as hipóteses abaixo:
máximo de duas horas diárias por 45 dias ao ano;
necessita prévia comunicação a DRTE – Delegacia Regional do Trabalho e Emprego.
20.13. Empregados Excluídos do Capítulo da Consolidação das Leis do Trabalho Que Disciplina a Jornada de Trabalho (não têm direito a horas extraordinárias):
a) empregados que exercem atividades externas incompatíveis com a fixação de horário. Ex: viajantes, vendedores pracistas, etc.
Observação: motorista que faz coletas e entregas no mesmo município em municípios vizinhos e que necessita comparecer todos os dias para retirar o veículo carregado no início do expediente e de devolvê-lo ao final do expediente para