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CURSO DE EXTENSÃO TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) - DSM5 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 2 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSIVEIS CAUSAS............................................................................................................. 5 Etiologia, Causas e Tratamento do TEA ............................................. 7 Os fatores de risco ambientais do autismo .......................................... 8 Sinais do transtorno do espectro autista .............................................. 9 Diagnóstico ........................................................................................ 12 Algoritmo de conduta diagnóstica ...................................................... 15 Característica e Classificação ................................................................ 16 Orientações terapêuticas ................................................................... 17 A IMPORTÂNCIA DA ESTIMULAÇÃO PRECOCE ............................... 19 O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES ......................................................................................................................... 23 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO TEA DE ACORDO COM O DSM-V 24 Nível de gravidade do autismo ........................................................... 25 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 28 Sumário INTRODUÇÃO O transtorno do espectro do autista (TEA) ou simplesmente autismo é uma síndrome caracterizada por alteração do desenvolvimento com alta incidência em todo o mundo. O TEA é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento definido no DSM-5, classificação diagnóstica mais recente dos transtornos mentais, por déficits de comunicação social associado a comportamentos ou interesses repetitivos, estereotipados com início precoce. De acordo com o DSM-5, como sintomas deverão estar presentes no início do período de desenvolvimento e se tornarem evidentes na primeira infância. Em 1943, Leo Kanner, empregou o termo autismo para definir uma síndrome específica observada em 11 crianças (o termo "autismo", autos, que significa "a si mesmo", e ismo, que significa “ação ou estado”). A terminologia foi utilizada pela primeira vez pelo alemão Eugen Bleuler em 1911, para descrever a retirada social em pacientes adultos com esquizofrenia. A síndrome de Kanner caracterizava-se por início precoce, a partir do primeiro ano de vida, de retraimento social, mesmice, comprometimento de linguagem, comportamentos motores estereotipados e deficiência intelectual. Kanner não descreveu o autismo em indivíduos com deficiência intelectual grave ou distúrbios cerebrais conhecidos. Alguns anos depois, o austríaco Hans Asperger descreveu pacientes com “tendências autistas” que diferiam das crianças descritas por Kanner, devido à expressão de talentos isolados excepcionais e habilidades linguísticas relativamente pdere servadas (Síndrome de Asperger). Esta heterogeneidade apresentações, intensidades e combinações de sintomas se traduz na nomenclatura “espectro autista”. As alterações devem ser identificadas e abordadas nos primeiros anos de vida. Estudos indicam que a intervenção precoce, em todas as suas modalidades, melhora muito o prognóstico dessas crianças, razão pela qual o pediatra deve estar muito atento aos desvios e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, principalmente na linguagem e habilidades sociais, e sempre encaminhar ao especialista quando estes se mantêm alterados em mais de uma avaliação. O autismo é apenas um dos transtornos que integram o quadro de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA foi definido pela última edição do DSM-V como uma série de quadros (que podem variar quanto à intensidade dos sintomas e prejuízo gerando na rotina do indivíduo). Outros exemplos de transtornos que fazem parte do espectro – e que anteriormente eram considerados diagnósticos distintos – são: a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento. É importante ressaltar que se tratam de transtornos do neurodesenvolvimento, caracterizados por alterações em dois domínios principais: • Comunicação e interação social. • Padrões restritos e repetitivos de comportamento. Alguns fatos sobre o autismo Institutos de controle e prevenção de doenças americanos, como o CDC Centers for Disease Control and Prevention -, estimam a prevalência do Transtorno do Espectro Autista como 1 em 68 crianças nos Estados Unidos. Isso inclui 1 em 42 meninos e 1 em 189 meninas. Esse mesmo instituto afirma que hoje existe 1 caso de autismo para cada 110 pessoas. Extrapolando esses números, estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 2 milhões de autistas. Aproximadamente 407 mil pessoas somente no estado de São Paulo • Estima-se que 50.000 adolescentes com autismo tornam-se adultos – e perdem serviços de autismo escolarizados – a cada ano. • Cerca de um terço das pessoas com autismo permanecem não- verbais. • Cerca de um terço das pessoas com autismo têm uma deficiência intelectual. • Certos problemas médicos e de saúde mental frequentemente acompanham o autismo. Eles incluem distúrbios gastrointestinais, convulsões, distúrbios do sono, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade e fobias. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSIVEIS CAUSAS Uma das perguntas mais comuns feitas após um diagnóstico de autismo, é o que causou a condição. Sabemos que não há uma única causa de autismo. Pesquisas sugerem que o autismo se desenvolve a partir de uma combinação de influências genéticas e não genéticas, ou ambientais. Essas influências parecem aumentar o risco de uma criança desenvolver autismo. No entanto, é importante ter em mente que o aumento do risco não é a mesma causa. Por exemplo, algumas alterações genéticas associadas ao autismo também podem ser encontradas em pessoas que não têm o distúrbio. Da mesma forma, nem todos expostos a um fator de risco ambiental para o autismo desenvolvem o distúrbio. Na verdade, a maioria não. A origem do autismo se deve a diversos fatores, englobando a relação de fatores descritos abaixo: • Genéticos: Fatores complexos, uma vez que não há um gene específico associado ao transtorno do espectro autista, e sim uma variedade de mutações e anomalias cromossômicas que vem sendo associadas a ele. Em relação ao gênero, a proporção é de meninos 4:1 meninas. • Neurológicos Há maior prevalência de TEA associados a atrasos cognitivos e quadros epilepsia, por exemplo. • Ambientais: Interação de genes com o ambiente, infecções e intoxicações durante o período pré-natal, prematuridade, baixo peso e complicações no parto são alguns dos fatores que podem contribuir negativamente. A maioria dos casos ainda é detectada tardiamente. Porém, é crescente o número de estudos voltados à importância da detecção precoce. Ainda na primeira infância. Neste período inicial da vida, há alguns comportamentos que fogem ao chamado “desenvolvimento típico”, e já podem servir de alerta a familiares e profissionais da saúde A determinação exata da prevalência de TEA apresenta grandes desafios devido à heterogeneidade na apresentação dos sintomas, ausência de marcadores biológicos e a própria evolução dos sintomas ao longo do tempo. Os sinais e sintomas geralmente são aparentes no período inicial de padrões comportamentais podem não ser reconhecidos como sintomas de TEA até que a criança seja incapaz de atender às demandas sociais, educacionais ou ocupacionais. As características do TEA podem se sobrepor ou ser difíceis de distinguir de outros transtornos psiquiátricos, como descrito extensivamente no DSM-5. desenvolvimento, no entanto, os déficits sociais e os No Brasil, um dos poucos estudos de prevalência aponta uma taxade 27,2 a cada 10.000 crianças. Em 2014, a prevalência global de TEA segundo o CDC (Center for Diseases Control and Prevention) entre as 11 comunidades dos Estados Unidos estudadas foi de 16,8 por 1.000 (uma em 59) crianças com 8 anos de idade. As estimativas gerais de prevalência de TEA variaram entre os locais, de 13,1 a 29,3 por 1.000 crianças com 8 anos de idade. As taxas de prevalência de autismo também variaram por sexo e raça. Os meninos foram quatro vezes mais propensos do que as meninas a serem diagnosticados com TEA. Fato bastante relevante é o aumento dos casos de TEA, evidenciado nos estudos populacionais feitos de forma sistematizada e contínua. A prevalência de TEA entre crianças de 8 anos em várias comunidades dos EUA aumentou de aproximadamente um caso em 150 crianças nos anos 2000-2002 para um para 68 na década seguinte (2010– 2012), mais que duplicando a frequência. O aumento observado na prevalência de TEA ressalta a necessidade de vigilância contínua usando métodos consistentes para monitorar este fenômeno para o qual ainda não temos uma explicação definitiva. O grande número de indivíduos diagnosticados com TEA remete-nos a um problema de saúde pública, para o qual é necessária a implementação de estratégias para o diagnóstico precoce, determinação de possíveis fatores de risco e atendimento efetivo às crescentes necessidades comportamentais, educacionais e ocupacionais dessa população. Etiologia, Causas e Tratamento do TEA O Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se a uma série de condições caracterizadas por desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, bem como por forças e diferenças únicas. Os sinais mais óbvios do Transtorno do Espectro Autista tendem a aparecer entre 2 e 3 anos de idade. Em alguns casos, ele pode ser diagnosticado por volta dos 18 meses. Sabemos agora que não há um autismo, mas muitos tipos, causados por diferentes combinações de influências genéticas e ambientais. O termo “espectro” reflete a ampla variação nos desafios e pontos fortes possuídos por cada pessoa com autismo. Alguns atrasos no desenvolvimento associados ao autismo podem ser identificados e abordados bem cedo. Recomenda-se que os pais com preocupações busquem uma avaliação sem demora, uma vez que a intervenção precoce pode melhorar os resultados. A etiologia do autismo é desconhecida, embora a taxa de concordância estimada entre 60% e 92% em gêmeos monozigóticos, comparada à taxa de 0% a 10% em gêmeos dizigóticos, evidencie a importância de fatores genéticos. A concordância incompleta em gêmeos monozigóticos sugere a interferência de fatores ambientais. Acredita-se que o autismo esteja associado a uma herança poligênica e potencialmente epistática, e que fatores ambientais possam atuar em sinergia com os determinantes genéticos, aumentando a possibilidade de doença manifesta. Este processo de mudança estável da cromatina que altera a expressão de alguns genes por fatores ambientais, podendo ser transmitida para outra geração, é chamado de epigenética. O autismo é, portanto, um distúrbio multifatorial envolvendo fatores genéticos e fatores ambientais. O progresso da genética molecular e clínica, com o desenvolvimento de novas técnicas, melhorou o conhecimento sobre síndromes genéticas associadas ao transtorno do espectro autista. As alterações genéticas identificadas no TEA podem ser classificadas como anormalidades cromossômicas citogeneticamente visíveis, representadas por variações no número de cópias de um segmento de DNA, incluindo deleções, duplicações e distúrbios de gene único). Os fatores de risco ambientais do autismo Pesquisas também apontam que certas influências ambientais podem aumentar ainda mais – ou reduzir – o risco de autismo em pessoas que são geneticamente predispostas ao transtorno. É importante notar que o Principais exemplos de sinais que podem ser rastreados precocemente, e servir de alerta: • Dificuldade em sustentar contato visual enquanto é alimentado; • Ausência de resposta clara ao ser chamado pelo nome (importante descartar hipótese de perda auditiva); • Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal (não apontar, não responder a sorrisos, demorar para balbuciar e falar, ou regressão de linguagem); • Desconforto com afagos e ao ser pego no colo; • Aversão ou fixação a algumas texturas, incômodos com determinados sons e barulhos, comportamentos repetitivos e estereotipados (enfileirar brinquedos, rodopiar em torno de si mesmo, balançar o corpo). • Quanto mais cedo a família e a escola forem orientadas sobre o quadro da criança, melhor será sua inserção social e aquisição de autonomia. A intervenção precoce (que pode ocorrer mesmo antes do diagnóstico conclusivo) visa estimular as potencialidades e auxiliar no desenvolvimento de formas adaptativas de comunicação e interação. Risco diminuído: Vitaminas pré-natais contendo ácido concepção e durante a gravidez. aumento ou diminuição do risco parece ser pequeno para qualquer um desses fatores de risco: fólico, antes e durante a Risco aumentado: • • Idade avançada dos pais (qualquer dos pais) Gravidez e complicações no parto (por exemplo, prematuridade extrema [antes de 26 semanas], • Baixo peso ao nascerem, gestações múltiplas [dupla, tripleto, etc.] • Gravidez com espaçamento inferior a um ano Sinais do transtorno do espectro autista O tempo e a gravidade dos primeiros sintomas do Transtorno do Espectro Autista podem variar amplamente. Algumas crianças com autismo mostram sugestões de problemas futuros dentro dos primeiros meses de vida. Em outros, os sintomas podem não se tornar óbvio até 24 meses ou mais tarde. Algumas crianças com autismo parecem desenvolver normalmente até cerca de 18 a 24 meses de idade e, em seguida, parar de ganhar novas habilidades e / ou começam a perder habilidades. Nenhum efeito sobre o risco: Vacinas. Cada família tem uma experiência única com um diagnóstico de autismo, e para alguns, corresponde ao momento da vacinação do seu filho. Ao mesmo tempo, os cientistas têm realizado extensas pesquisas ao longo das últimas duas décadas para determinar se existe alguma ligação entre a vacinação infantil e o autismo. Os resultados desta pesquisa são claros: As vacinas não causam autismo. •. Com 12 meses, nenhum balbucio; •. Por volta dos 16 meses, sem palavras; Possíveis sinais de autismo em qualquer idade • Evita contato visual e prefere ficar sozinho; •Até 6 meses, contato visual limitado ou inexistente; • Luta com a compreensão dos sentimentos de outras pessoas; •. Qualquer perda de qualquer discurso adquirido anteriormente, balbuciar ou habilidades sociais. •. Com 12 meses, nenhuma resposta ao nome quando chamado; •. Em 24 meses, não há expressões significativas de duas palavras; •. Por volta dos 12 meses, nenhum uso de gestos para se comunicar (por exemplo, apontar, alcançar, acenar etc.); Possíveis sinais de autismo em bebês e crianças •. Por volta dos 6 meses de idade, nenhum sorriso social ou outras expressões quentes, alegres dirigidas às pessoas; •. Por volta dos 9 meses, nenhuma partilha de sons vocais, sorrisos ou outra comunicação não-verbal; As seguintes “bandeiras vermelhas” sugerem que uma criança está em risco de sofrer de autismo. Algumas crianças sem autismo têm alguns desses sintomas, e nem todas as crianças com autismo mostram todos eles. É por isso que uma avaliação mais aprofundada é crucial. Se o seu filho apresentar algum dos seguintes, por favor, veja o Passo 2: Faça a sua criança ser examinada. •. Tem interesses muito restritos; •. Repete palavras e frases mais e mais (ecolalia); •. Realiza comportamentos repetitivos como bater, balançar ou girar; •. Tem reações incomuns e muitas vezes intensas a sons, odores, sabores, texturas, luzes e / ou cores. •.Obtém perturbado por pequenas alterações na rotina ou arredores; •. Permanece não verbal ou atrasou o desenvolvimento da linguagem; A inclusão de crianças autistas nas escolas é fundamental e garantida por lei. Inclusão social Com o diagnóstico conclusivo é possível exigir o cumprimento de direitos como a inclusão nas escolas. Por lei, a criança com Transtorno do Espectro Autista tem direito a um professor-acompanhante em sala de aula, por exemplo. É importante frisar que ainda temos muito a avançar na prática da inclusão e no acesso a tratamentos especializados. Na rede pública, tenho experiência com o PSF (Programa da Saúde da Família). Atuante na maioria das unidades básicas de saúde de Grande São Paulo. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) na qual trabalho, geralmente são Nestes casos, o e levantadas suspeitas em consultas de puericultura. profissional encaminha a criança para avaliação psicológica fonoaudiológica na própria UBS. Caso seja confirmada a hipótese de TEA, o caso é discutido com o CAPS Infantil (serviço mais especializado). O CAPS nos auxilia na conclusão do diagnóstico e absorve os casos mais comprometidos. Há muitas ONGs ou Associações de Pais que também oferecem suporte às crianças e famílias. E Diagnóstico Os critérios diagnósticos, do DSM – V são os mais usados. (Figura 1: Quadro 1) DSM-V: Critérios diagnósticos dos Transtornos do Espectro Autista 299,00 (F84.0) Deficiências persistentes na comunicação e interação social: Limitação na reciprocidade social e emocional; Limitação nos comportamentos de comunicação não verbal utilizados para interação social; Limitação em iniciar, manter e entender relacionamentos, variando de dificuldades com adaptação de comportamento para se ajustar às diversas situações sociais. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, manifestadas pelo menos por dois dos seguintes aspectos observados ou pela história clínica: Movimentos repetitivos e estereotipados no uso de objetos ou fala; Insistência nas mesmas coisas, aderência inflexível às rotinas ou padrões ritualísticos de comportamentos verbais e não verbais; Interesses restritos que são anormais na intensidade e foco; Hiper ou hiporreativo a estímulos sensoriais do ambiente. Os sintomas devem estar presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento. Eles podem não estar totalmente manifestos até que a demanda social exceda suas capacidades ou podem ficar mascarados por algumas estratégias de aprendizado ao longo da vida. Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento atual do paciente. Esses distúrbios não são melhor explicados por deficiência cognitiva ou atraso global do desenvolvimento. A B C D Fonte: Autor Figura 1: Quadro 1. Critérios DSM - V Este modelo difere do anterior por abandonar a tríade clássica que abarcava o atraso da linguagem e incluir os sintomas em dois domínios, sendo o primeiro relativo ao déficit de comunicação social e o segundo a comportamentos e interesses restritos e repetitivos. O diagnóstico do autismo é clínico, feito por meio de observação direta do comportamento e de entrevista com os pais e cuidadores. Os sintomas dos itens A e B, listados no Quadro 1, deverão estar presentes nos primeiros anos de idade, sendo possível, com experiência e avaliação multidisciplinar, fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade. À medida que o tempo passa, os itens C e D manifestam-se. A avaliação clínica deve incluir a história desde o pré-natal até a idade atual do paciente. Do período pré-natal, deve-se investigar movimentação fetal, resultados de exames ultrassonográficos, tratamentos, em particular a exposição a algumas drogas, tais como a talidomida e o valproato, ocorrência de diabetes gestacional ou hemorragias. Do período perinatal, têm interesse: o posicionamento no útero, o tipo de parto, a nota de Apgar, os dados de nascimento como peso, comprimento corporal e perímetro cefálico. A idade gestacional tem grande importância, pois o risco de autismo é inversamente proporcional ao grau da prematuridade. Condições relacionadas à hipóxia no nascimento, tais como aspiração de mecônio, anemia neonatal, incompatibilidade ABO ou Rh, hiperbilirrubinemia, lesão ou trauma ao nascimento, também devem ser investigadas. Observar, ainda, o padrão alimentar e suas dificuldades e pverirnifcicipaar lmerensteu ltados dos testes de rastreamento, hipotireoidismo e fenilcetonúria. No exame físico, deve ser observada presença de dismorfismos aparentes, de malformações e de hipotonia neonatal. Do período pós-natal, observar desenvolvimento neuropsicomotor, padrão de alimentação e alterações gastrointestinais, padrão de sono, sinais comportamentais precoces do autismo, tais como dificuldade de iniciar o convulsões, disfunção sensorial, atraso de linguagem, sono, irritabilidade, contato pobre por meio do olhar, choro excessivo e paradoxal, preferindo ficar quieto no leito do que ser carregado no colo, movimentação repetitiva e outros comportamentos atípicos. Investigar alterações no desenvolvimento e aprendizagem, toda suspeita de regressão motora ou perda de habilidades já adquiridas deve orientar o clínico para a busca de doenças metabólicas. A variabilidade de apresentação e grau de prejuízo é muito grande e depende diretamente do ambiente, nível de linguagem da criança e coeficiente de inteligência. Em torno de 60% a 70% têm algum grau de deficiência intelectual. O DSM-V também permite o diagnóstico concomitante de Transtorno do déficit de Atenção (TDA) com o TEA. Nos casos suspeitos, o exame neuropediátrico deve ser realizado sistematicamente em busca de sinais e sintomas neurológicos associados ao TEA, tais como hipotonia, ataxia, movimentos anormais ou convulsões, que podem estar presentes em torno de 20% dos pacientes. Em caso de crises convulsivas ou suspeita, o eletroencefalograma (EEG) pode ser um exame útil na detecção de atividade cerebral epiléptica. É muito importante descartar a possibilidade de déficit sensorial, auditivo ou visual. A realização de exame oftalmológico e audiometria é sempre recomendada. Algoritmo de conduta diagnóstica Fonte: Autor AUTISMO NÃO SINDRÔMICO Figura 2: Fenótipo do Comportamento Autista FENÓTIPO DO COMPORTAMENTO AUTISTA CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE AUTISMO AUTISMO SINDRÔMICO AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DO AUTISMO NA GRAVIDADE E NA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL (A utismo isolado, mas com possibilidade de epilepsia ou deficiência intelectual leve ou moderada) - História familiar positiva: pedir cg- h array. -C onsanguineidade ou intolerância alimentar específica: testes metabólicos específicos. -N a presença de retardo mental: c-g h array e pesquisa de -x frágil. - Sexo masculino sem retardo mental: pesquisar -x frágil. - Semdiagnóstico: repetir exame genético clínico (possibilidade de aparecimento de dismorfismos tardiamente). (Avaliação Neuropsiquiátrica e Psicológica) (Baseado em diferentes fontes oservacionais) + (Quando possível) Fazer avaliação neuropediátrica e de genética clínica (A chados dismórficos, malformações, epilepsia ou retardo mental severo) - Supeita de alteração cromossômica ou mutação pontual específica: cg-h array ou sequenciação de gene específico. - Suspeita de distúrbio metabólico: testes metabólicos específicos. - Suspeita de doença mitocondrial: realizar exames específicos. - Sem diagnóstico: 1. Realizar pe- squisa cgh array x f-r ágil 2. Caso ainda sem diagnóstico: sequenciação genômica de última geração ou sequenciação completa do exoma, se disponível. Característica e Classificação Figura 3: Níveis de Gravidade do Autismo Nível de gravidade Comunicação social Fonte: (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA), Adaptado pelo Autor Comportamentosrepetitivos e restritos Inflexibilidade de comportamento, extrema dificuldade em lidar com a mudança ou outros comportamentos restrito- repetitivos interferem acentuadamente no funcionamento em todas as esferas. Grande sofrimento/dificuldade para mudar o foco ou as ações. Inflexibilidade do comportamento, dificuldade de lidar coma mudança ou outros comportamentos restrito- repetitivos aparecem com frequência suficiente para serem óbvios ao observador casual e interferem no funcionamento em uma variedade de contextos. Sofrimento/dificuldade para mudar o foco ou as ações. Inflexibilidade de comportamento causa interferência significativa no funcionamento em um ou mais contextos. Dificuldade em trocar de atividade. Problemas para organização e planejamento são obstáculos à independência. Nível 1 “Exigindo apoio” Nível 3 “exigindo apoio muito substancial” Nível 2 “exigindo apoio substancial” Déficits graves nas habilidades de comunicação social verbal e não verbal prejuízo social aparente mesmo na presença de apoio, limitação em dar início a interações sociais e resposta reduzida ou anormal a aberturas sociais que partem dos outros. Na ausência de apoio, déficits na comunicação social causam prejuízos notáveis. Dificuldade para iniciar interações sociais e exemplos claros de respostas atípicas ou sem sucesso a aberturas sociais dos outros. Pode aparentar pouco interesse por interações sociais. Déficits graves nas habilidades de comunicação social verbal e não verbal causam prejuízos graves de funcionamento, limitação em iniciar interações sociais e resposta mínima a aberturas sociais que partem de outros. Orientações terapêuticas Muitas intervenções psicossociais diferentes foram desenvolvidas no intuito de minimizar tanto os sintomas centrais quanto os sintomas associados do TEA. O método ABA (Applied Behavior Analysis) é um tratamento baseado em teorias de aprendizagem e condicionamento funcional no qual são incluídos alvos de intervenção específicos associados a técnicas de reforço positivo. Existem vários métodos para abordagem e intervenções, todos eles com suas vantagens e desvantagens, o mais importante é a experiência do profissional para adequar às necessidades individuais de cada criança, de acordo com a idade, coeficiente de inteligência, linguagem e presença de comportamentos comórbidos. O uso de medicamentos visa principalmente ao tratamento dos sintomas associados ao transtorno do espectro do autismo, uma vez que a eficácia para o tratamento dos sintomas básicos do autismo não foi estabelecida. As alterações comportamentais associadas ao TEA são: • • Irritabilidade, Agressividade, • Muitas vezes com autoagressão, • • Ansiedade, Hiperatividade, • Impulsividade, • Desatenção e insônia. Os antipsicóticos atípicos risperidona e aripiprazol são os únicos aprovados pelo órgão regulador americano FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento da irritabilidade associada ao diagnóstico do autismo. A risperidona é aprovada em crianças a partir dos cinco anos de idade, e o aripiprazol a partir dos seis anos de idade. Outras classes de medicamentos, como os antipsicóticos típicos, serotonina, alfa-2 antidepressivos estabilizadores inibidores seletivos da recaptação de do humor, psicoestimulantes e agonistas adrenérgicos, também têm sido usadas com eficácia bastante variada, necessitando de maior número de estudos controlados. Os problemas relacionados ao sono são frequentes no TEA, a insônia pode estar presente em 50% a 80% dos pacientes e níveis diminuídos de melatonina, hormônio relacionado à regulação do sono, foram relatados em muitos estudos de TEA, que apontam benefícios terapêuticos do uso da melatonina. Tratamentos alternativos são amplamente relatados em todo o mundo, mas a grande maioria ainda carece de comprovação científica, apesar de alguns relatos pontuais de melhora em alguns sintomas do TEA. Dentre os mais comentados, podemos citar: • Complementação com ômega 3, com relatos de melhora do sintoma de hiperatividade, • Suplementação de vitamina B12, algumas dietas com restrições alimentares e uso de enzimas digestivas. Devemos analisar todos esses tratamentos alternativos com muito critério e com a visão da medicina baseada em evidências científicas, para não expormos nossos pacientes a tratamentos pouco efetivos, onerosos e de difícil execução prática. As famílias quase sempre se frustram com a grande expectativa criada em torno desses tratamentos. A informação e consequente criação de um ambiente agradável e produtivo, além de intervenções seguras e criteriosas, são de fundamental importância para os pacientes e para as pessoas que convivem com eles. Somente dessa forma produziremos uma inclusão verdadeira. A IMPORTÂNCIA DA ESTIMULAÇÃO PRECOCE Considera-se que o melhor tratamento para o TEA é uma intervenção precoce, iniciada assim que exista a suspeita ou a confirmação do diagnóstico. A terapia inclui uma série de propostas terapêuticas com o intuito de elevar o desenvolvimento social e a comunicação, protegendo a função intelectual atingida, melhorando a qualidade de vida e tornando-a autônoma. As crianças afetadas mostram necessidades variadas, conforme sua funcionalidade, organização familiar e recursos disponíveis, ou seja, toda terapia parte de uma avaliação individualizada que gera um planejamento individual intervencionista (GOMES; PUJALS, 2015). Conforme a SBP (2019), dentre as possibilidades terapêuticas, encontram-se: Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças Autistas: inclui o estímulo intensivo e diário fundamentado na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com vistas a melhorar a interação social positiva e motivar a criança quanto às capacidades sociais, aprendizado, comunicação e cognição; Estimulação Cognitivo Comportamental baseada em ABA: intenta criar habilidades de socialização e comunicação, junto da diminuição dos comportamentos não adaptativos, via reforço; Coaching Parental: considera a orientação e o treinamento familiar com o intuito de controlar a rotina e a co- responsabilização estimulatória; Comunicação suplementar e alternativa: usa sinais, gestos, alegorias e formas para tratar autistas não-verbais; Método Tratamento e Educação para Crianças Autistas e com outros prejuízos na comunicação (TEACCH): mais usado na área educacional, visa a reestruturação do espaço pedagógico, estabelecendo rotinas e o planejamento das atividades; Terapia de integração sensorial: usada em crianças com mudanças no processamento sensorial. Além das possibilidades terapêuticas citadas, existem diversas outras estratégias com acompanhantes terapêuticos e dispositivos tecnológicos, como jogos e aplicativos que auxiliam a comunicação (ALMEIDA et al., 2016). É fato que a equipe de tratamento deve ser multidisciplinar, com psicólogo, social, fisioterapeuta, educador físico, entre outros. Os pais ainda devem ser fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo, assistente aconselhados pelos especialistas a trabalharem com a criança em casa, podendo alcançar melhores resultados (JOHNSON et al., 2019). A brincadeira como intervenção terapêutica via Projeto Terapêutico Singular (PTS) (BRASIL, 2015), é importante no neurodesenvolvimento, recebendo destaque como ação interventiva, o lúdico permite o vínculo entre a equipe terapêutica e o paciente, bem como com os familiares. Desde a formação do Sistema Nervoso Central até a neuroplasticidade, a brincadeira pode ser um fator contribuidor, haja vista ser entendido como a interposição entre a criança e o ambiente. Linguagem, raciocínio e socialização podem ser melhorados via brincadeira, demandando variados processos neurológicos. O lúdico permite às crianças com TEA um atendimento mais humanizado, sem maior sofrimento, respeitando os desejosda criança, permitindo a formação de vínculos, comunicação e expressão de emoções, melhorando sua qualidade de vida (CIPRIANO; ALMEIDA, 2016). Diversos trabalhos salientaram intervenções precoces como favoráveis ao desenvolvimento de habilidades em crianças com TEA (KITZEROW et al., 2019) especialmente a partir do início dos sinais (KITZEROW et al., 2019). A orientação dos pais e cuidadores também é uma forma de reduzir o estresse e melhorar as intervenções (SALAS et al., 2017). Entre as intervenções precoces merece destaque as comportamentais e naturalistas, com foco na magnitude e antecipação. Intervenções precoces parecem ser eficientes na socialização e na comunicação do paciente, reduzindo os comportamentos estereotipados (KITZEROW et al., 2019). Em certos casos, podem ser adotadas as intervenções ecléticas com variadas metodologias incluindo psicologia, fonoaudiologia e TO. Uma intervenção precoce por TEACCH em espaços escolares ou familiares, proporcionam habilidades variadas às crianças. Basicamente, a precocidade objetiva melhorar o desenvolvimento de capacidades neuropsicomotoras, de forma que a criança possa ser integrada na sociedade (KITZEROW et al., 2019). Nessa abordagem, verificam-se melhora na aprendizagem e cognição, comunicação, diminuição do quadro clínico e melhor socialização (MOTTRON, 2017). Os efeitos benéficos também podem ser estendidos aos pais e cuidadores, reduzindo o estresse, desenvolvendo táticas para enfrentar a condição e maior adaptação às crianças com TEA (WHITEHOUSE et al., 2017). Em função da idade das crianças quando chegam à Educação Infantil, os educadores devem ser capazes de atender e acompanhar as crianças com deficiências. A Legislação Brasileira determina, no Decreto nº 8.368 (BRASIL, 2014) e na Lei nº 12.764 (BRASIL, 2012), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, assegurando o direito da pessoa com TEA ser atendida pelo sistema educacional, sendo assegurada a transversalidade do ensino especial da educação infantil até a superior. Ainda determina, caso necessário, a presença de um acompanhante treinado. Com efeito, a qualificação profissional não se resume ao docente da Sala de Recursos ou Atendimento Educacional Especializado (AEE), e sim a todos os colaboradores, ampliando a rede de atenção. Assim, a aprendizagem de crianças com TEA na Educação Infantil é essencial, de forma que a rede de apoio inclua a própria família, permitindo maior acessibilidade, contribuindo para o desenvolvimento completo do portador de deficiência, usando materiais e metodologias alternativas capazes de despertar o interesse, permitindo melhor autonomia, dentro de suas possibilidades (BITENCOURTE; RODRIGUEZ, 2018). É fato que quando a criança é estimulada precocemente poderá ter mais condições de acompanhar seus pares nas aulas do sistema de ensino, Dawson e Osterling (1997) observaram diversos programas de intervenção precoce até os quatro anos de idade e concluíram que foram eficazes em permitir 50% dos pacientes a ingressarem no ensino regular. Todos os programas convergiam quanto à atenção aos elementos ambientais, a imitação, o entendimento e uso da linguagem, brinquedos e estimulação de interações sociais; tais programas delineados, rotinas e abordagens funcionais perante condutas problemáticas e uma passagem assistida à pré-escola podem ser deveras eficazes. Uma intervenção precoce exerce uma função primordial na redução de resultados deletérios e na otimização de oportunidades de crescimento, para tanto o diagnóstico diferencial é fundamental. Tal diagnóstico pode ser realizado por equipe multidisciplinar, embora ambientes estranhos possam gerar resultados dúbios (KLIEGMAN et al., 2017). Rocha et al. (2020) analisou o perfil de crianças atendidas em um programa de Estimulação Precoce (EP), incluindo Paralisia Cerebral (PC), Síndrome de Down (SD) e TEA. Foi observada uma distribuição homogênea entre os diagnósticos estudados, sendo a avaliação inicial efetivada em média aos 22±16,7 meses, pelo pediatra (46%), fonoaudiólogo (95%), fisioterapeuta (83%) e pedagogo (77%). A EP iniciou em média aos 28±19,6 meses, por um período de 3,5±2,0 anos, incluindo atendimento fonoaudiológico, pedagógico e fisioterápico. Pode-se concluir que as crianças manifestaram ingresso tardio na EP e que tais equipes multidisciplinares devem adaptar suas habilidades de comunicação de forma a poderem acolher as demandas familiares, fortificando as intervenções. O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES Nos planos de saúde ou tratamentos particulares é importante seguir as recomendações dadas pelo profissional que forneceu o diagnóstico. E então buscar terapias nas áreas indicadas a contribuir com o caso. P• sicoterapia, F• onoaudiologia, P• sicopedagogia, T• erapia ocupacional, A• tividade física, • Musicoterapia, etc. A família precisa de muito apoio e orientação em todo o processo, pois não é fácil a busca por tratamentos e aceitação do diagnóstico. Há uma série de mudanças na dinâmica familiar, a fim de se re-organizar para comparecer às terapias propostas, além do cuidado da criança em casa, que pode ser bem desgastante (especialmente em situações de agitação e crises). Se necessário, a família deve ser encaminhada para orientação e acompanhamento psicológico. O psicólogo atuará no fortalecimento e apoio emocional durante as várias adaptações que o tratamento exige dos familiares. Quanto mais orientada a família, maiores as chances de compreensão em relação ao quadro. Também é maior a probabilidade de estímulo às potencialidades do indivíduo, evitando proteção excessiva e isolamento. Procure orientação profissional. Encontre um psicólogo especializado em transtornos de desenvolvimento e agende uma consulta. Plataformas podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda a de requisitos específicos para atender a todos que precisem acompanhamento. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO TEA DE ACORDO COM O DSM-V • Critérios Diagnósticos: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, fifth edition (DSM-V) • Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos): • Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, e dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais. • Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal, ou déficits na compreensão e uso gestos a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal. • Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas, ou em fazer amigos a ausência de interesse por pares. • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos): • Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (por exemplo, estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas). • Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (como sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições,padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente). • Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (por exemplo, forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos). • Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (como indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento). Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento, mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida. Esses sinais causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente, e não são melhor explicados por prejuízos da inteligência ou por atraso global do desenvolvimento. Nível de gravidade do autismo Interação/comunicação social: Nível 1 (necessita suporte): Prejuízo notado sem suporte; dificuldade em iniciar interações sociais, respostas atípicas ou não sucedidas para abertura social; interesse diminuído nas interações sociais; falência na conversação; tentativas de fazer amigos de forma estranha e mal-sucedida. Nível 2 (necessita de suporte substancial): Déficits marcados na conversação; prejuízos aparentes mesmo com suporte; iniciação limitadas nas interações sociais; resposta anormal/reduzida a aberturas sociais. Nível 3 (necessita de suporte muito substancial): Prejuízos graves no funcionamento; iniciação de interações sociais muito limitadas; resposta mínima a aberturas sociais. Comportamento restritivo / repetitivo: interferNe ívesilg nifi1c ante(mneecnetess itcao m sau pofurtneç):ã o; Cdoifmicpuoldratadme en atividades; independência limitada por problemas com organização e planejamento. Nível 2 (necessita de suporte substancial): Comportamentos suficientemente frequentes, sendo óbvios para observadores casuais; comportamento interfere com função numa grande variedade de ambientes; aflição e/ou dificuldade para mudar o foco ou ação. Nível 3 (necessita de suporte muito substancial): Comportamento interfere marcadamente com função em todas as esferas; dificuldade extrema de lidar com mudanças; grande aflição/dificuldade de mudar o foco ou ação. Outros especificadores P• rejuízo intelectual; • Prejuízo de linguagem; • Condição médica ou genética conhecida; • Outras desordens do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental; Catatonia. • no O TEA ou autismo é um conjunto de alterações neurodesenvolvimento heterogêneas, caracterizadas por defasagens iniciais na comunicação social e por comportamentos e interesses repetitivos e restritos. A prevalência da população mundial tem aumentado ao longo dos anos e deve ser considerado como problema de saúde. O autismo afeta mais indivíduos do sexo masculino e a presença de comorbidades é muito comum. Indivíduos com autismo têm perfis comportamentais atípicos, como cognição social prejudicada e percepção social, disfunção executiva e processamento atípico de estímulos sensoriais e de informação. Esses perfis são sustentados pelo desenvolvimento de sistemas neurais atípicos. A genética e fatores ambientais têm fundamental importância na etiologia do TEA. O diagnóstico precoce e consequente intervenção multidisciplinar, abrangente e sistematizada, é de fundamental importância para melhorar a comunicação, integração social e funcionalidade dessas crianças. O uso de medicamentos é útil na redução de alguns comportamentos hiperatividade, comórbidos, tais como ansiedade, irritabilidade, agressividade e alterações do sono. Tratamentos empíricos sem comprovação científica devem ser evitados, pois são onerosos, além de atrasarem a abordagem específica e o prognóstico. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Roberto Santoro; LIMA, Rossano Cabral, CRENZEL, Gabriela, ABRANCHES, Cecy Duncshee de. 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