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CURSO DE EXTENSÃO 
TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) - DSM5 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 2
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSIVEIS 
CAUSAS............................................................................................................. 5 
Etiologia, Causas e Tratamento do TEA ............................................. 7 
Os fatores de risco ambientais do autismo .......................................... 8 
Sinais do transtorno do espectro autista .............................................. 9 
Diagnóstico ........................................................................................ 12 
Algoritmo de conduta diagnóstica ...................................................... 15 
Característica e Classificação ................................................................ 16 
Orientações terapêuticas ................................................................... 17 
A IMPORTÂNCIA DA ESTIMULAÇÃO PRECOCE ............................... 19 
O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES
 ......................................................................................................................... 23 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO TEA DE ACORDO COM O DSM-V 24 
Nível de gravidade do autismo ........................................................... 25
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 28 
Sumário 
INTRODUÇÃO 
 
O transtorno do espectro do autista (TEA) ou simplesmente autismo é uma
síndrome caracterizada por alteração do desenvolvimento com alta
incidência em todo o mundo. 
O TEA é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento 
definido no DSM-5, classificação diagnóstica mais recente dos transtornos 
mentais, por déficits de comunicação social associado a comportamentos ou 
interesses repetitivos, estereotipados com início precoce. De acordo com o 
DSM-5, como sintomas deverão estar presentes no início do período de 
desenvolvimento e se tornarem evidentes na primeira infância. 
Em 1943, Leo Kanner, empregou o termo autismo para definir uma 
síndrome específica observada em 11 crianças (o termo "autismo", autos, 
que significa "a si mesmo", e ismo, que significa “ação ou estado”). A 
terminologia foi utilizada pela primeira vez pelo alemão Eugen Bleuler em 
1911, para descrever a retirada social em pacientes adultos com 
esquizofrenia. A síndrome de Kanner caracterizava-se por início precoce, a 
partir do primeiro ano de vida, de retraimento social, mesmice, 
comprometimento de linguagem, comportamentos motores estereotipados e 
deficiência intelectual. Kanner não descreveu o autismo em indivíduos com 
deficiência intelectual grave ou distúrbios cerebrais conhecidos. Alguns anos 
depois, o austríaco Hans Asperger descreveu pacientes com “tendências 
autistas” que diferiam das crianças descritas por Kanner, devido à expressão 
de talentos isolados excepcionais e habilidades linguísticas relativamente 
pdere servadas (Síndrome de Asperger). Esta heterogeneidade 
apresentações, intensidades e combinações de sintomas se traduz na 
nomenclatura “espectro autista”. 
As alterações devem ser identificadas e abordadas nos primeiros 
anos de vida. Estudos indicam que a intervenção precoce, em todas as suas 
modalidades, melhora muito o prognóstico dessas crianças, razão pela qual 
o pediatra deve estar muito atento aos desvios e atrasos no desenvolvimento 
neuropsicomotor, principalmente na linguagem e habilidades sociais, e sempre
encaminhar ao especialista quando estes se mantêm alterados em mais de
uma avaliação. 
O autismo é apenas um dos transtornos que integram o quadro de 
Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA foi definido pela última edição 
do DSM-V como uma série de quadros (que podem variar quanto à 
intensidade dos sintomas e prejuízo gerando na rotina do indivíduo). 
Outros exemplos de transtornos que fazem parte do espectro – e que 
anteriormente eram considerados diagnósticos distintos – são: a Síndrome 
de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento. 
É importante ressaltar que se tratam de transtornos do 
neurodesenvolvimento, caracterizados por alterações em dois domínios 
principais: 
• Comunicação e interação social. 
• Padrões restritos e repetitivos de comportamento. 
Alguns fatos sobre o autismo 
Institutos de controle e prevenção de doenças americanos, como o CDC
Centers for Disease Control and Prevention -, estimam a prevalência do
Transtorno do Espectro Autista como 1 em 68 crianças nos Estados
Unidos. Isso inclui 1 em 42 meninos e 1 em 189 meninas. Esse mesmo
instituto afirma que hoje existe 1 caso de autismo para cada 110 pessoas.
Extrapolando esses números, estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 2
milhões de autistas. Aproximadamente 407 mil pessoas somente no estado
de São Paulo 
• Estima-se que 50.000 adolescentes com autismo tornam-se adultos – 
e perdem serviços de autismo escolarizados – a cada ano. 
• Cerca de um terço das pessoas com autismo permanecem não-
verbais. 
• Cerca de um terço das pessoas com autismo têm uma deficiência 
intelectual. 
• Certos problemas médicos e de saúde mental frequentemente
acompanham o autismo. Eles incluem distúrbios gastrointestinais,
convulsões, distúrbios do sono, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH),
ansiedade e fobias. 
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSIVEIS 
CAUSAS 
Uma das perguntas mais comuns feitas após um diagnóstico de 
autismo, é o que causou a condição. 
Sabemos que não há uma única causa de autismo. Pesquisas 
sugerem que o autismo se desenvolve a partir de uma combinação de 
influências genéticas e não genéticas, ou ambientais. 
Essas influências parecem aumentar o risco de uma criança 
desenvolver autismo. No entanto, é importante ter em mente que o aumento 
do risco não é a mesma causa. Por exemplo, algumas alterações genéticas 
associadas ao autismo também podem ser encontradas em pessoas que 
não têm o distúrbio. Da mesma forma, nem todos expostos a um fator de 
risco ambiental para o autismo desenvolvem o distúrbio. Na verdade, a 
maioria não. 
A origem do autismo se deve a diversos fatores, englobando a relação 
de fatores descritos abaixo: 
• Genéticos: Fatores complexos, uma vez que não há um gene 
específico associado ao transtorno do espectro autista, e sim uma 
variedade de mutações e anomalias cromossômicas que vem sendo 
associadas a ele. Em relação ao gênero, a proporção é de meninos 
4:1 meninas. 
• Neurológicos Há maior prevalência de TEA associados a atrasos 
cognitivos e quadros epilepsia, por exemplo. 
• Ambientais: Interação de genes com o ambiente, infecções e 
intoxicações durante o período pré-natal, prematuridade, baixo peso 
e complicações no parto são alguns dos fatores que podem contribuir 
negativamente.
A maioria dos casos ainda é detectada tardiamente. Porém, é 
crescente o número de estudos voltados à importância da detecção precoce. 
Ainda na primeira infância. Neste período inicial da vida, há alguns 
comportamentos que fogem ao chamado “desenvolvimento típico”, e já 
podem servir de alerta a familiares e profissionais da saúde 
A determinação exata da prevalência de TEA apresenta grandes desafios
devido à heterogeneidade na apresentação dos sintomas, ausência de
marcadores biológicos e a própria evolução dos sintomas ao longo do tempo.
Os sinais e sintomas geralmente são aparentes no período inicial de
padrões
comportamentais podem não ser reconhecidos como sintomas de TEA até
que a criança seja incapaz de atender às demandas sociais, educacionais ou
ocupacionais. As características do TEA podem se sobrepor ou ser difíceis de
distinguir de outros transtornos psiquiátricos, como descrito extensivamente
no DSM-5. 
desenvolvimento, no entanto, os déficits sociais e os 
No Brasil, um dos poucos estudos de prevalência aponta uma taxade 
27,2 a cada 10.000 crianças. 
Em 2014, a prevalência global de TEA segundo o CDC (Center for 
Diseases Control and Prevention) entre as 11 comunidades dos Estados 
Unidos estudadas foi de 16,8 por 1.000 (uma em 59) crianças com 8 anos 
de idade. As estimativas gerais de prevalência de TEA variaram entre os 
locais, de 13,1 a 29,3 por 1.000 crianças com 8 anos de idade. As taxas de 
prevalência de autismo também variaram por sexo e raça. Os meninos foram 
quatro vezes mais propensos do que as meninas a serem diagnosticados 
com TEA. 
Fato bastante relevante é o aumento dos casos de TEA, evidenciado 
nos estudos populacionais feitos de forma sistematizada e contínua. A 
prevalência de TEA entre crianças de 8 anos em várias comunidades dos 
EUA aumentou de aproximadamente um caso em 150 crianças nos anos 
2000-2002 para um para 68 na década seguinte (2010– 2012), mais que 
duplicando a frequência. O aumento observado na prevalência de TEA 
ressalta a necessidade de vigilância contínua usando métodos consistentes 
para monitorar este fenômeno para o qual ainda não temos uma explicação 
definitiva. 
O grande número de indivíduos diagnosticados com TEA remete-nos 
a um problema de saúde pública, para o qual é necessária a implementação 
de estratégias para o diagnóstico precoce, determinação de possíveis 
fatores de risco e atendimento efetivo às crescentes necessidades
comportamentais, educacionais e ocupacionais dessa população. 
Etiologia, Causas e Tratamento do TEA 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se a uma série de condições
caracterizadas por desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos,
fala e comunicação não-verbal, bem como por forças e diferenças únicas. 
Os sinais mais óbvios do Transtorno do Espectro Autista tendem a
aparecer entre 2 e 3 anos de idade. Em alguns casos, ele pode ser diagnosticado
por volta dos 18 meses. 
Sabemos agora que não há um autismo, mas muitos tipos, causados por 
diferentes combinações de influências genéticas e ambientais. O termo 
“espectro” reflete a ampla variação nos desafios e pontos fortes possuídos por 
cada pessoa com autismo. 
Alguns atrasos no desenvolvimento associados ao autismo podem ser 
identificados e abordados bem cedo. Recomenda-se que os pais com 
preocupações busquem uma avaliação sem demora, uma vez que a intervenção 
precoce pode melhorar os resultados. 
A etiologia do autismo é desconhecida, embora a taxa de 
concordância estimada entre 60% e 92% em gêmeos monozigóticos, 
comparada à taxa de 0% a 10% em gêmeos dizigóticos, evidencie a 
importância de fatores genéticos. A concordância incompleta em gêmeos 
monozigóticos sugere a interferência de fatores ambientais. 
Acredita-se que o autismo esteja associado a uma herança poligênica 
e potencialmente epistática, e que fatores ambientais possam atuar em 
sinergia com os determinantes genéticos, aumentando a possibilidade de 
doença manifesta. Este processo de mudança estável da cromatina que 
altera a expressão de alguns genes por fatores ambientais, podendo ser 
transmitida para outra geração, é chamado de epigenética. O autismo é, 
portanto, um distúrbio multifatorial envolvendo fatores genéticos e fatores
ambientais. 
O progresso da genética molecular e clínica, com o desenvolvimento 
de novas técnicas, melhorou o conhecimento sobre síndromes genéticas 
associadas ao transtorno do espectro autista. As alterações genéticas 
identificadas no TEA podem ser classificadas como anormalidades 
cromossômicas citogeneticamente visíveis, representadas por variações no 
número de cópias de um segmento de DNA, incluindo deleções, duplicações 
e distúrbios de gene único). 
Os fatores de risco ambientais do autismo 
Pesquisas também apontam que certas influências ambientais podem
aumentar ainda mais – ou reduzir – o risco de autismo em pessoas que são
geneticamente predispostas ao transtorno. É importante notar que o 
Principais exemplos de sinais que podem ser rastreados precocemente, 
e servir de alerta: 
• Dificuldade em sustentar contato visual enquanto é alimentado; 
• Ausência de resposta clara ao ser chamado pelo nome (importante 
descartar hipótese de perda auditiva); 
• Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal (não 
apontar, não responder a sorrisos, demorar para balbuciar e falar, ou 
regressão de linguagem); 
• Desconforto com afagos e ao ser pego no colo; 
• Aversão ou fixação a algumas texturas, incômodos com determinados 
sons e barulhos, comportamentos repetitivos e estereotipados 
(enfileirar brinquedos, rodopiar em torno de si mesmo, balançar o 
corpo). 
• Quanto mais cedo a família e a escola forem orientadas sobre o
quadro da criança, melhor será sua inserção social e aquisição de
autonomia. A intervenção precoce (que pode ocorrer mesmo antes do
diagnóstico conclusivo) visa estimular as potencialidades e auxiliar no
desenvolvimento de formas adaptativas de comunicação e interação. 
Risco diminuído:
Vitaminas pré-natais contendo ácido 
concepção e durante a gravidez. 
aumento ou diminuição do risco parece ser pequeno para qualquer um
desses fatores de risco: 
fólico, antes e durante a 
Risco aumentado: 
• 
•
Idade avançada dos pais (qualquer dos pais) 
Gravidez e complicações no parto (por exemplo, 
prematuridade extrema [antes de 26 semanas], 
• Baixo peso ao nascerem, gestações múltiplas [dupla, tripleto, 
etc.] 
• Gravidez com espaçamento inferior a um ano 
Sinais do transtorno do espectro autista 
O tempo e a gravidade dos primeiros sintomas do Transtorno do Espectro
Autista podem variar amplamente. Algumas crianças com autismo mostram
sugestões de problemas futuros dentro dos primeiros meses de vida. Em
outros, os sintomas podem não se tornar óbvio até 24 meses ou mais
tarde. Algumas crianças com autismo parecem desenvolver normalmente
até cerca de 18 a 24 meses de idade e, em seguida, parar de ganhar
novas habilidades e / ou começam a perder habilidades. 
Nenhum efeito sobre o risco: 
Vacinas. Cada família tem uma experiência única com um diagnóstico de
autismo, e para alguns, corresponde ao momento da vacinação do seu filho.
Ao mesmo tempo, os cientistas têm realizado extensas pesquisas ao longo
das últimas duas décadas para determinar se existe alguma ligação entre a
vacinação infantil e o autismo. Os resultados desta pesquisa são claros: As
vacinas não causam autismo. 
•. Com 12 meses, nenhum balbucio; 
•. Por volta dos 16 meses, sem palavras; 
Possíveis sinais de autismo em qualquer idade
• Evita contato visual e prefere ficar sozinho; 
•Até 6 meses, contato visual limitado ou inexistente; 
• Luta com a compreensão dos sentimentos de outras pessoas; 
•. Qualquer perda de qualquer discurso adquirido anteriormente, 
balbuciar ou habilidades sociais. 
•. Com 12 meses, nenhuma resposta ao nome quando chamado; 
•. Em 24 meses, não há expressões significativas de duas palavras; 
•. Por volta dos 12 meses, nenhum uso de gestos para se comunicar 
(por exemplo, apontar, alcançar, acenar etc.); 
Possíveis sinais de autismo em bebês e crianças
•. Por volta dos 6 meses de idade, nenhum sorriso social ou outras 
expressões quentes, alegres dirigidas às pessoas; 
•. Por volta dos 9 meses, nenhuma partilha de sons vocais, sorrisos 
ou outra comunicação não-verbal; 
As seguintes “bandeiras vermelhas” sugerem que uma criança está em risco
de sofrer de autismo. Algumas crianças sem autismo têm alguns desses
sintomas, e nem todas as crianças com autismo mostram todos eles. É por
isso que uma avaliação mais aprofundada é crucial. Se o seu filho apresentar
algum dos seguintes, por favor, veja o Passo 2: Faça a sua criança ser
examinada. 
•. Tem interesses muito restritos; 
•. Repete palavras e frases mais e mais (ecolalia); 
•. Realiza comportamentos repetitivos como bater, balançar ou girar; 
•. Tem reações incomuns e muitas vezes intensas a sons, odores, 
sabores, texturas, luzes e / ou cores. 
•.Obtém perturbado por pequenas alterações na rotina ou arredores; 
•. Permanece não verbal ou atrasou o desenvolvimento da linguagem; 
A inclusão de crianças autistas nas escolas é fundamental e garantida 
por lei. 
Inclusão social 
Com o diagnóstico conclusivo é possível exigir o cumprimento de direitos
como a inclusão nas escolas. Por lei, a criança com Transtorno do Espectro
Autista tem direito a um professor-acompanhante em sala de aula, por
exemplo. 
É importante frisar que ainda temos muito a avançar na prática da inclusão
e no acesso a tratamentos especializados. Na rede pública, tenho
experiência com o PSF (Programa da Saúde da Família). Atuante na
maioria das unidades básicas de saúde de Grande São Paulo. 
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) na qual trabalho, geralmente são
Nestes casos, o
e
levantadas suspeitas em consultas de puericultura. 
profissional encaminha a criança para avaliação psicológica 
fonoaudiológica na própria UBS. Caso seja confirmada a hipótese de TEA,
o caso é discutido com o CAPS Infantil (serviço mais especializado). O CAPS
nos auxilia na conclusão do diagnóstico e absorve os casos mais
comprometidos. Há muitas ONGs ou Associações de Pais que também
oferecem suporte às crianças e famílias. 
E 
Diagnóstico
Os critérios diagnósticos, do DSM – V são os mais usados. (Figura 1: 
Quadro 1) 
DSM-V: Critérios diagnósticos dos Transtornos do Espectro Autista
299,00 (F84.0) 
Deficiências persistentes na comunicação e interação social: 
Limitação na reciprocidade social e emocional; 
Limitação nos comportamentos de comunicação não verbal utilizados 
para interação social; 
Limitação em iniciar, manter e entender relacionamentos, variando de 
dificuldades com adaptação de comportamento para se ajustar às 
diversas situações sociais. 
Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou 
atividades, manifestadas pelo menos por dois dos seguintes aspectos 
observados ou pela história clínica: 
Movimentos repetitivos e estereotipados no uso de objetos ou fala; 
Insistência nas mesmas coisas, aderência inflexível às rotinas ou 
padrões ritualísticos de comportamentos verbais e não verbais; 
Interesses restritos que são anormais na intensidade e foco; 
Hiper ou hiporreativo a estímulos sensoriais do ambiente. 
Os sintomas devem estar presentes nas primeiras etapas do 
desenvolvimento. Eles podem não estar totalmente manifestos até que a
demanda social exceda suas capacidades ou podem ficar 
mascarados por algumas estratégias de aprendizado ao longo da vida. 
Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo nas áreas 
social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento atual 
do paciente. 
Esses distúrbios não são melhor explicados por deficiência cognitiva ou 
atraso global do desenvolvimento. 
A 
B 
C 
D 
 Fonte: Autor 
Figura 1: Quadro 1. Critérios DSM - V 
Este modelo difere do anterior por abandonar a tríade clássica que abarcava
o atraso da linguagem e incluir os sintomas em dois domínios, sendo o
primeiro relativo ao déficit de comunicação social e o segundo a
comportamentos e interesses restritos e repetitivos. 
O diagnóstico do autismo é clínico, feito por meio de observação direta 
do comportamento e de entrevista com os pais e cuidadores. Os sintomas 
dos itens A e B, listados no Quadro 1, deverão estar presentes nos primeiros 
anos de idade, sendo possível, com experiência e avaliação multidisciplinar, 
fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade. À medida que o tempo 
passa, os itens C e D manifestam-se. 
A avaliação clínica deve incluir a história desde o pré-natal até a idade 
atual do paciente. 
Do período pré-natal, deve-se investigar movimentação fetal, 
resultados de exames ultrassonográficos, tratamentos, em particular a 
exposição a algumas drogas, tais como a talidomida e o valproato, 
ocorrência de diabetes gestacional ou hemorragias. 
Do período perinatal, têm interesse: o posicionamento no útero, o tipo 
de parto, a nota de Apgar, os dados de nascimento como peso, comprimento 
corporal e perímetro cefálico. A idade gestacional tem grande importância, 
pois o risco de autismo é inversamente proporcional ao grau da 
prematuridade. Condições relacionadas à hipóxia no nascimento, tais como 
aspiração de mecônio, anemia neonatal, incompatibilidade ABO ou Rh, 
hiperbilirrubinemia, lesão ou trauma ao nascimento, também devem ser 
investigadas. Observar, ainda, o padrão alimentar e suas dificuldades e 
pverirnifcicipaar lmerensteu ltados dos testes de rastreamento, 
hipotireoidismo e fenilcetonúria. No exame físico, deve ser observada 
presença de dismorfismos aparentes, de malformações e de hipotonia 
neonatal. 
Do período pós-natal, observar desenvolvimento neuropsicomotor, 
padrão de alimentação e alterações gastrointestinais, padrão de sono, 
sinais 
comportamentais precoces do autismo, tais como dificuldade de iniciar o 
convulsões, disfunção sensorial, atraso de linguagem, 
sono, irritabilidade, contato pobre por meio do olhar, choro excessivo e
paradoxal, preferindo ficar quieto no leito do que ser carregado no colo,
movimentação repetitiva e outros comportamentos atípicos. 
Investigar alterações no desenvolvimento e aprendizagem, toda 
suspeita de regressão motora ou perda de habilidades já adquiridas deve 
orientar o clínico para a busca de doenças metabólicas. 
A variabilidade de apresentação e grau de prejuízo é muito grande e 
depende diretamente do ambiente, nível de linguagem da criança e 
coeficiente de inteligência. Em torno de 60% a 70% têm algum grau de 
deficiência intelectual. 
O DSM-V também permite o diagnóstico concomitante de Transtorno 
do déficit de Atenção (TDA) com o TEA. 
Nos casos suspeitos, o exame neuropediátrico deve ser realizado 
sistematicamente em busca de sinais e sintomas neurológicos associados 
ao TEA, tais como hipotonia, ataxia, movimentos anormais ou convulsões, 
que podem estar presentes em torno de 20% dos pacientes. Em caso de 
crises convulsivas ou suspeita, o eletroencefalograma (EEG) pode ser um 
exame útil na detecção de atividade cerebral epiléptica. É muito importante 
descartar a possibilidade de déficit sensorial, auditivo ou visual. A realização 
de exame oftalmológico e audiometria é sempre recomendada. 
Algoritmo de conduta diagnóstica 
Fonte: Autor 
AUTISMO NÃO SINDRÔMICO 
 Figura 2: Fenótipo do Comportamento Autista
FENÓTIPO DO COMPORTAMENTO AUTISTA 
CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE AUTISMO 
AUTISMO SINDRÔMICO 
AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DO AUTISMO NA GRAVIDADE E 
NA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 
(A utismo isolado, mas com possibilidade de
epilepsia ou deficiência intelectual leve ou 
moderada) 
- História familiar positiva: pedir cg- h array. 
-C onsanguineidade ou intolerância alimentar
específica: testes metabólicos específicos. 
-N a presença de retardo mental: c-g h array e 
pesquisa de -x frágil. 
- Sexo masculino sem retardo mental: 
pesquisar -x frágil. 
- Semdiagnóstico: repetir exame genético
clínico (possibilidade de aparecimento de 
dismorfismos tardiamente). 
(Avaliação Neuropsiquiátrica e Psicológica)
(Baseado em diferentes fontes oservacionais)
+ 
 (Quando possível)
Fazer avaliação neuropediátrica e de genética clínica 
(A chados dismórficos, malformações, epilepsia ou retardo 
mental severo) 
- Supeita de alteração cromossômica ou mutação pontual 
específica: cg-h array ou sequenciação de gene específico. 
- Suspeita de distúrbio metabólico: testes metabólicos 
específicos. 
- Suspeita de doença mitocondrial: realizar exames 
específicos. 
- Sem diagnóstico: 
1. Realizar pe- squisa cgh array x f-r ágil 
2. Caso ainda sem diagnóstico: sequenciação genômica de 
última geração ou sequenciação completa do exoma, se 
disponível. 
Característica e Classificação 
Figura 3: Níveis de Gravidade do Autismo 
Nível de gravidade Comunicação social 
Fonte: (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA), Adaptado pelo Autor 
Comportamentosrepetitivos
e restritos 
Inflexibilidade de comportamento,
extrema dificuldade em lidar com
a mudança ou outros
comportamentos restrito-
repetitivos interferem
acentuadamente no
funcionamento em todas as
esferas. Grande
sofrimento/dificuldade para mudar
o foco ou as ações.
Inflexibilidade do comportamento,
dificuldade de lidar coma
mudança ou outros
comportamentos restrito-
repetitivos aparecem com
frequência suficiente para serem
óbvios ao observador casual e
interferem no funcionamento em
uma variedade de contextos.
Sofrimento/dificuldade para
mudar o foco ou as ações.
Inflexibilidade de comportamento
causa interferência significativa
no funcionamento em um ou mais
contextos. Dificuldade em trocar
de atividade. Problemas para
organização e planejamento são
obstáculos à independência. 
Nível 1 “Exigindo
apoio” 
Nível 3
“exigindo apoio muito
substancial” 
Nível 2 “exigindo apoio
substancial” 
Déficits graves nas habilidades de
comunicação social verbal e não
verbal prejuízo social aparente
mesmo na presença de apoio,
limitação em dar início a interações
sociais e resposta reduzida ou
anormal a aberturas sociais que
partem dos outros. 
Na ausência de apoio, déficits na
comunicação social causam
prejuízos notáveis. Dificuldade para
iniciar interações sociais e
exemplos claros de respostas
atípicas ou sem sucesso a
aberturas sociais dos outros. Pode
aparentar pouco interesse por
interações sociais. 
Déficits graves nas habilidades de
comunicação social verbal e não
verbal causam prejuízos graves de
funcionamento, limitação em iniciar
interações sociais e resposta
mínima a aberturas sociais que
partem de outros. 
Orientações terapêuticas 
 
Muitas intervenções psicossociais diferentes foram desenvolvidas no intuito
de minimizar tanto os sintomas centrais quanto os sintomas associados do
TEA. 
O método ABA (Applied Behavior Analysis) é um tratamento baseado 
em teorias de aprendizagem e condicionamento funcional no qual são 
incluídos alvos de intervenção específicos associados a técnicas de reforço 
positivo. Existem vários métodos para abordagem e intervenções, todos eles 
com suas vantagens e desvantagens, o mais importante é a experiência do 
profissional para adequar às necessidades individuais de cada criança, de 
acordo com a idade, coeficiente de inteligência, linguagem e presença de 
comportamentos comórbidos. 
O uso de medicamentos visa principalmente ao tratamento dos 
sintomas associados ao transtorno do espectro do autismo, uma vez que a 
eficácia para o tratamento dos sintomas básicos do autismo não foi 
estabelecida. 
As alterações comportamentais associadas ao TEA são:
• 
• 
Irritabilidade, 
Agressividade, 
• Muitas vezes com autoagressão, 
• 
• 
Ansiedade, 
Hiperatividade, 
• Impulsividade, 
• Desatenção e insônia. 
Os antipsicóticos atípicos risperidona e aripiprazol são os únicos 
aprovados pelo órgão regulador americano FDA (Food and Drug 
Administration) para o tratamento da irritabilidade associada ao diagnóstico 
do autismo. 
 A risperidona é aprovada em crianças a partir dos cinco anos de 
idade, e o aripiprazol a partir dos seis anos de idade. 
Outras classes de medicamentos, como os antipsicóticos típicos, 
serotonina, 
alfa-2 
antidepressivos 
estabilizadores 
inibidores seletivos da recaptação de 
do humor, psicoestimulantes e agonistas 
adrenérgicos, também têm sido usadas com eficácia bastante variada, 
necessitando de maior número de estudos controlados. 
Os problemas relacionados ao sono são frequentes no TEA, a insônia 
pode estar presente em 50% a 80% dos pacientes e níveis diminuídos de 
melatonina, hormônio relacionado à regulação do sono, foram relatados em 
muitos estudos de TEA, que apontam benefícios terapêuticos do uso da 
melatonina. 
Tratamentos alternativos são amplamente relatados em todo o 
mundo, mas a grande maioria ainda carece de comprovação científica, 
apesar de alguns relatos pontuais de melhora em alguns sintomas do TEA. 
Dentre os mais comentados, podemos citar: 
• Complementação com ômega 3, com relatos de melhora do sintoma 
de hiperatividade, 
• Suplementação de vitamina B12, algumas dietas com restrições 
alimentares e uso de enzimas digestivas. 
Devemos analisar todos esses tratamentos alternativos com muito 
critério e com a visão da medicina baseada em evidências científicas, para 
não expormos nossos pacientes a tratamentos pouco efetivos, onerosos e 
de difícil execução prática. As famílias quase sempre se frustram com a 
grande expectativa criada em torno desses tratamentos. 
A informação e consequente criação de um ambiente agradável e 
produtivo, além de intervenções seguras e criteriosas, são de fundamental 
importância para os pacientes e para as pessoas que convivem com eles. 
Somente dessa forma produziremos uma inclusão verdadeira. 
A IMPORTÂNCIA DA ESTIMULAÇÃO PRECOCE 
Considera-se que o melhor tratamento para o TEA é uma intervenção precoce,
iniciada assim que exista a suspeita ou a confirmação do diagnóstico. A terapia
inclui uma série de propostas terapêuticas com o intuito de elevar o
desenvolvimento social e a comunicação, protegendo a função intelectual
atingida, melhorando a qualidade de vida e tornando-a autônoma. As crianças
afetadas mostram necessidades variadas, conforme sua funcionalidade,
organização familiar e recursos disponíveis, ou seja, toda terapia parte de uma
avaliação individualizada que gera um planejamento individual intervencionista
(GOMES; PUJALS, 2015). 
Conforme a SBP (2019), dentre as possibilidades terapêuticas, 
encontram-se: Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças Autistas: 
inclui o estímulo intensivo e diário fundamentado na Análise do Comportamento 
Aplicada (ABA), com vistas a melhorar a interação social positiva e motivar a 
criança quanto às capacidades sociais, aprendizado, comunicação e cognição; 
Estimulação Cognitivo Comportamental baseada em ABA: intenta criar 
habilidades de socialização e comunicação, junto da diminuição dos 
comportamentos não adaptativos, via reforço; Coaching Parental: considera a 
orientação e o treinamento familiar com o intuito de controlar a rotina e a co-
responsabilização estimulatória; Comunicação suplementar e alternativa: usa 
sinais, gestos, alegorias e formas para tratar autistas não-verbais; Método 
Tratamento e Educação para Crianças Autistas e com outros prejuízos na 
comunicação (TEACCH): mais usado na área educacional, visa a reestruturação 
do espaço pedagógico, estabelecendo rotinas e o planejamento das atividades; 
Terapia de integração sensorial: usada em crianças com mudanças no 
processamento sensorial. 
Além das possibilidades terapêuticas citadas, existem diversas outras 
estratégias com acompanhantes terapêuticos e dispositivos tecnológicos, como 
jogos e aplicativos que auxiliam a comunicação (ALMEIDA et al., 2016). É fato 
que a equipe de tratamento deve ser multidisciplinar, com psicólogo, 
social, 
fisioterapeuta, educador físico, entre outros. Os pais ainda devem ser 
fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo, assistente 
aconselhados pelos especialistas a trabalharem com a criança em casa,
podendo alcançar melhores resultados (JOHNSON et al., 2019). 
A brincadeira como intervenção terapêutica via Projeto Terapêutico 
Singular (PTS) (BRASIL, 2015), é importante no neurodesenvolvimento, 
recebendo destaque como ação interventiva, o lúdico permite o vínculo entre a 
equipe terapêutica e o paciente, bem como com os familiares. Desde a formação 
do Sistema Nervoso Central até a neuroplasticidade, a brincadeira pode ser um 
fator contribuidor, haja vista ser entendido como a interposição entre a criança e 
o ambiente. Linguagem, raciocínio e socialização podem ser melhorados via 
brincadeira, demandando variados processos neurológicos. O lúdico permite às 
crianças com TEA um atendimento mais humanizado, sem maior sofrimento, 
respeitando os desejosda criança, permitindo a formação de vínculos, 
comunicação e expressão de emoções, melhorando sua qualidade de vida 
(CIPRIANO; ALMEIDA, 2016). 
Diversos trabalhos salientaram intervenções precoces como favoráveis ao 
desenvolvimento de habilidades em crianças com TEA (KITZEROW et al., 2019) 
especialmente a partir do início dos sinais (KITZEROW et al., 2019). A orientação 
dos pais e cuidadores também é uma forma de reduzir o estresse e melhorar as 
intervenções (SALAS et al., 2017). Entre as intervenções precoces merece 
destaque as comportamentais e naturalistas, com foco na magnitude e 
antecipação. Intervenções precoces parecem ser eficientes na socialização e na 
comunicação do paciente, reduzindo os comportamentos estereotipados 
(KITZEROW et al., 2019). Em certos casos, podem ser adotadas as intervenções 
ecléticas com variadas metodologias incluindo psicologia, fonoaudiologia e TO. 
Uma intervenção precoce por TEACCH em espaços escolares ou familiares, 
proporcionam habilidades variadas às crianças. 
Basicamente, a precocidade objetiva melhorar o desenvolvimento de 
capacidades neuropsicomotoras, de forma que a criança possa ser integrada na 
sociedade (KITZEROW et al., 2019). Nessa abordagem, verificam-se melhora 
na aprendizagem e cognição, comunicação, diminuição do quadro clínico e 
melhor socialização (MOTTRON, 2017). Os efeitos benéficos também podem 
ser estendidos aos pais e cuidadores, reduzindo o estresse, desenvolvendo 
táticas para enfrentar a condição e maior adaptação às crianças com TEA
(WHITEHOUSE et al., 2017). 
Em função da idade das crianças quando chegam à Educação Infantil, os 
educadores devem ser capazes de atender e acompanhar as crianças com 
deficiências. A Legislação Brasileira determina, no Decreto nº 8.368 (BRASIL, 
2014) e na Lei nº 12.764 (BRASIL, 2012), que institui a Política Nacional de 
Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, 
assegurando o direito da pessoa com TEA ser atendida pelo sistema 
educacional, sendo assegurada a transversalidade do ensino especial da 
educação infantil até a superior. Ainda determina, caso necessário, a presença 
de um acompanhante treinado. Com efeito, a qualificação profissional não se 
resume ao docente da Sala de Recursos ou Atendimento Educacional 
Especializado (AEE), e sim a todos os colaboradores, ampliando a rede de 
atenção. Assim, a aprendizagem de crianças com TEA na Educação Infantil é 
essencial, de forma que a rede de apoio inclua a própria família, permitindo maior 
acessibilidade, contribuindo para o desenvolvimento completo do portador de 
deficiência, usando materiais e metodologias alternativas capazes de despertar 
o interesse, permitindo melhor autonomia, dentro de suas possibilidades 
(BITENCOURTE; RODRIGUEZ, 2018). É fato que quando a criança é 
estimulada precocemente poderá ter mais condições de acompanhar seus pares 
nas aulas do sistema de ensino, Dawson e Osterling (1997) observaram diversos 
programas de intervenção precoce até os quatro anos de idade e concluíram que 
foram eficazes em permitir 50% dos pacientes a ingressarem no ensino regular. 
Todos os programas convergiam quanto à atenção aos elementos ambientais, a 
imitação, o entendimento e uso da linguagem, brinquedos e estimulação de 
interações sociais; tais programas delineados, rotinas e abordagens funcionais 
perante condutas problemáticas e uma passagem assistida à pré-escola podem 
ser deveras eficazes. 
Uma intervenção precoce exerce uma função primordial na redução de 
resultados deletérios e na otimização de oportunidades de crescimento, para 
tanto o diagnóstico diferencial é fundamental. Tal diagnóstico pode ser realizado 
por equipe multidisciplinar, embora ambientes estranhos possam gerar 
resultados dúbios (KLIEGMAN et al., 2017). 
Rocha et al. (2020) analisou o perfil de crianças atendidas em um programa de
Estimulação Precoce (EP), incluindo Paralisia Cerebral (PC), Síndrome de
Down (SD) e TEA. Foi observada uma distribuição homogênea entre os
diagnósticos estudados, sendo a avaliação inicial efetivada em média aos
22±16,7 meses, pelo pediatra (46%), fonoaudiólogo (95%), fisioterapeuta (83%)
e pedagogo (77%). A EP iniciou em média aos 28±19,6 meses, por um período
de 3,5±2,0 anos, incluindo atendimento fonoaudiológico, pedagógico e
fisioterápico. Pode-se concluir que as crianças manifestaram ingresso tardio na
EP e que tais equipes multidisciplinares devem adaptar suas habilidades de
comunicação de forma a poderem acolher as demandas familiares, fortificando
as intervenções. 
O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES 
Nos planos de saúde ou tratamentos particulares é importante seguir as
recomendações dadas pelo profissional que forneceu o diagnóstico. E então
buscar terapias nas áreas indicadas a contribuir com o caso. 
P• sicoterapia, 
F• onoaudiologia, 
P• sicopedagogia, 
T• erapia ocupacional, 
A• tividade física, 
• Musicoterapia, etc. 
A família precisa de muito apoio e orientação em todo o processo, 
pois não é fácil a busca por tratamentos e aceitação do diagnóstico. Há uma 
série de mudanças na dinâmica familiar, a fim de se re-organizar para 
comparecer às terapias propostas, além do cuidado da criança em casa, que 
pode ser bem desgastante (especialmente em situações de agitação e 
crises). 
Se necessário, a família deve ser encaminhada para orientação e 
acompanhamento psicológico. O psicólogo atuará no fortalecimento e apoio 
emocional durante as várias adaptações que o tratamento exige dos 
familiares. Quanto mais orientada a família, maiores as chances de 
compreensão em relação ao quadro. Também é maior a probabilidade de 
estímulo às potencialidades do indivíduo, evitando proteção excessiva e 
isolamento. 
Procure orientação profissional. Encontre um psicólogo especializado 
em transtornos de desenvolvimento e agende uma consulta. 
Plataformas podem facilitar a busca por um psicólogo que atenda a 
de requisitos específicos para atender a todos que precisem 
acompanhamento. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DO TEA DE ACORDO COM O DSM-V 
• Critérios Diagnósticos: Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders, fifth edition (DSM-V) 
• Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em
múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue,
atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas
ilustrativos, e não exaustivos): 
• Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de 
abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma 
conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, 
emoções ou afeto, e dificuldade para iniciar ou responder a interações 
sociais. 
• Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para 
interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não 
verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem 
corporal, ou déficits na compreensão e uso gestos a ausência total de 
expressões faciais e comunicação não verbal. 
• Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, 
variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento 
para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em 
compartilhar brincadeiras imaginativas, ou em fazer amigos a 
ausência de interesse por pares. 
• Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou 
atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, 
atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas 
ilustrativos, e não exaustivos):
• Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou
repetitivos (por exemplo, estereotipias motoras simples, alinhar
brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas). 
• Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões
ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (como sofrimento
extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições,padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de
fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente). 
• Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em
intensidade ou foco (por exemplo, forte apego a ou preocupação com
objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou
perseverativos). 
• Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse 
incomum por aspectos sensoriais do ambiente (como indiferença 
aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas 
específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação 
visual por luzes ou movimento). 
Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do 
desenvolvimento, mas podem não se tornar plenamente manifestos até que 
as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser 
mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida. Esses sinais 
causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, 
profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no 
presente, e não são melhor explicados por prejuízos da inteligência ou por 
atraso global do desenvolvimento. 
Nível de gravidade do autismo
Interação/comunicação social: 
Nível 1 (necessita suporte): Prejuízo notado sem suporte; dificuldade
em iniciar interações sociais, respostas atípicas ou não sucedidas para
abertura social; interesse diminuído nas interações sociais; falência na
conversação; tentativas de fazer amigos de forma estranha e mal-sucedida. 
Nível 2 (necessita de suporte substancial): Déficits marcados na 
conversação; prejuízos aparentes mesmo com suporte; iniciação limitadas 
nas interações sociais; resposta anormal/reduzida a aberturas sociais. 
Nível 3 (necessita de suporte muito substancial): Prejuízos graves no
funcionamento; iniciação de interações sociais muito limitadas; resposta
mínima a aberturas sociais. 
Comportamento restritivo / repetitivo: 
interferNe ívesilg nifi1c ante(mneecnetess itcao m sau pofurtneç):ã o; Cdoifmicpuoldratadme en
atividades; independência limitada por problemas com organização e
planejamento. 
Nível 2 (necessita de suporte substancial): Comportamentos 
suficientemente frequentes, sendo óbvios para observadores casuais; 
comportamento interfere com função numa grande variedade de ambientes; 
aflição e/ou dificuldade para mudar o foco ou ação. 
Nível 3 (necessita de suporte muito substancial): Comportamento 
interfere marcadamente com função em todas as esferas; dificuldade 
extrema de lidar com mudanças; grande aflição/dificuldade de mudar o foco 
ou ação. 
Outros especificadores 
P• rejuízo intelectual;
• Prejuízo de linguagem;
• Condição médica ou genética conhecida; 
• Outras desordens do neurodesenvolvimento, mental ou 
comportamental; 
Catatonia. • 
no O TEA ou autismo é um conjunto de alterações 
neurodesenvolvimento heterogêneas, caracterizadas por defasagens iniciais 
na comunicação social e por comportamentos e interesses repetitivos e 
restritos. A prevalência da população mundial tem aumentado ao longo dos 
anos e deve ser considerado como problema de saúde. O autismo afeta mais 
indivíduos do sexo masculino e a presença de comorbidades é muito 
comum. 
Indivíduos com autismo têm perfis comportamentais atípicos, como cognição
social prejudicada e percepção social, disfunção executiva e processamento
atípico de estímulos sensoriais e de informação. Esses perfis são
sustentados pelo desenvolvimento de sistemas neurais atípicos. 
A genética e fatores ambientais têm fundamental importância na 
etiologia do TEA. 
O diagnóstico precoce e consequente intervenção multidisciplinar, 
abrangente e sistematizada, é de fundamental importância para melhorar a 
comunicação, integração social e funcionalidade dessas crianças. 
O uso de medicamentos é útil na redução de alguns comportamentos 
hiperatividade, comórbidos, tais como ansiedade, irritabilidade, 
agressividade e alterações do sono. Tratamentos empíricos sem 
comprovação científica devem ser evitados, pois são onerosos, além de 
atrasarem a abordagem específica e o prognóstico. 
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