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Atividade A1 - Nota final - 10,0 
 Para os pesquisadores, os povos tradicionais possuem um vasto conhecimento 
 sobre a natureza e a rica cultura adquiridos ao longo de várias gerações. No 
 entanto, notaram que havia pouco conhecimento sintetizado a respeito das práticas 
 alimentares das comunidades indígenas e quilombolas, então, resolveram fazer 
 uma pesquisa na comunidade indígena da aldeia Kanindé de Aratuba e no quilombo 
 da Serra do Evaristo em Baturité: ambos localizados no Ceará. A questão que 
 norteou a pesquisa foi: “o que se mantém de alimentos tradicionais nessas duas 
 comunidades, uma vez que alimentação tem se modificado não apenas nas 
 cidades, mas também no campo?” Buscou-se levantar e analisar as práticas 
 alimentares utilizadas, de modo a resgatar o fazer de comidas típicas. 
 A pesquisa foi embasada teoricamente em autores que discutem os saberes das 
 comunidades tradicionais e questões relativas à segurança alimentar dessas 
 comunidades. Pautou-se no método etnográfico com abordagem qualitativa, tendo 
 sido realizadas observações in loco, coleta de depoimentos dos moradores e 
 levantamento de informações em materiais bibliográficos. 
 Como resultado foram apresentadas descrições de ambas as comunidades: sua 
 localização, origem histórica, moradores, tradições, cultura etc. Nos depoimentos 
 dos moradores foram revelados diversos saberes, por exemplo, “descobriu-se que 
 alguns homens que trabalhavam na agricultura há décadas, tinham métodos 
 designados como experiências de prever se o inverno seria bom para o plantio” (p. 
 67). Identificou-se como pratos típicos na aldeia o mungunzá salgado e o pirão de 
 fava e no quilombo o mungunzá salgado, doce de mamão e a cocada. Foi 
 acompanhado e registrado o modo de fazer de cada prato. 
 Fonte: MACIEL, T., SOUSA, M., LIMA, A. E. Comunidades tradicionais: saberes e 
 sabores dos indígenas de Aratuba aos quilombos de Baturité-CE. Conex. Ci. e 
 Tecnol., v. 10, n. 3, p. 63-70, nov. 2016. 
 Pondere a respeito do porquê de os saberes indígenas e quilombolas sobre 
 agricultura e práticas alimentares não serem considerados conhecimento 
 científico, enquanto o conhecimento produzido pelos pesquisadores a 
 respeito desses saberes é considerado científico. Apresente, em seus 
 argumentos, as características dos métodos científicos, usando exemplos 
 extraídos do próprio texto. 
 A distinção entre os saberes indígenas e quilombolas e o conhecimento científico 
 tradicionalmente reconhecido pelas instituições acadêmicas decorre, principalmente, 
 da forma como cada tipo de saber é construído, transmitido e validado socialmente. 
 Os saberes tradicionais, embora profundamente embasados na observação da 
 natureza, na experimentação prática e na transmissão ao longo de gerações, muitas 
 vezes não são reconhecidos como científicos porque não seguem os critérios 
 formais e institucionalizados do método científico moderno. 
 No texto apresentado, os pesquisadores utilizaram método etnográfico com 
 abordagem qualitativa, realizaram observações in loco, coleta de depoimentos e 
 levantamento bibliográfico. Com isso, sistematizaram e descreveram os saberes e 
 práticas alimentares das comunidades, tornando-os acessíveis sob a ótica 
 acadêmica e, portanto, reconhecíveis como “científicos”. 
 Por outro lado, os saberes indígenas e quilombolas são tradicionalmente orais, 
 contextuais e holísticos, muitas vezes não sistematizados segundo os moldes 
 acadêmicos, mas são construídos com base em uma longa experiência empírica e 
 numa relação íntima com o meio ambiente. Por exemplo, o conhecimento de 
 agricultores sobre a previsão de um bom inverno para o plantio revela um saber 
 prático sofisticado, construído pela observação e interação com os ciclos naturais ao 
 longo de décadas, mas que, por não estar registrado e testado segundo os 
 parâmetros científicos modernos, tende a ser desvalorizado no âmbito acadêmico. 
 Os saberes indígenas e quilombolas sobre agricultura e alimentação não são 
 tradicionalmente reconhecidos como científicos devido aos critérios formais da 
 ciência ocidental, que privilegiam métodos sistemáticos e validação institucional. No 
 entanto, como demonstra o estudo de Maciel, Sousa e Lima (2016), esses 
 conhecimentos são ricos, práticos e eficazes, sendo fundamentais para a segurança 
 alimentar e a preservação cultural. Reconhecer a validade desses saberes exige 
 uma ampliação do conceito de ciência, incorporando teorias do conhecimento 
 diversas que valorizem a pluralidade de formas de conhecer o mundo.

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