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Gabriel Dezen Junior - 4500 Questões Comentadas de Direito Constitucional - 14º Edição - Ano 2010

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exemplos?
1. Diz a Constituição Federal que “a promoção de juizes far-se-á por antiguidade e
merecimento, alternadamente”. Entendeu? Então tente responder às questões a seguir.
a) Quem promove o Juiz?
b) A alternância de critérios (antiguidade e merecimento) refere-se à pessoa do juiz 
ou à vaga a ser preenchida?
c) “Antiguidade”, paia fins de promoção, é tempo de entrância, tempo de magistratura 
ou idade?
d) O que é “merecimento” para fins de promoção?
Quantas questões você conseguiu responder? Pois é...
Outro exemplo:
2. O arL 84, VI, diz que o Presidente da República pode extmguir cargos públicos por
decreto, use vagos”. Pergunta-se;
a) e se o cargo estiver provido?
b) um cargõ no Senado ou em um Tribunal, se vago, pode ser extinto por decreto do 
Presidente da República?
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4500 QUESTÕES COMENTAOAS OE DtRQTG CONSTITUCIONAL
Por aí já se pode ver a enonne dificuldade que encontra para enfrentai uma questão 
de prova o aluno que foi instruído a memorizar. NUNCA faça isso! Entenda o que está 
lendo, raciocine, faça quadros comparativos .entre figuras semelhantes (por exemplo, 
entre o veto legislativo do art 49, V, e o veto executivo do art. 66, § 1°) e procureis 
diferenças e semelhanças entre eles.
O próprio trabalho de montagem de esquemas e resumos é uma forma extrema­
mente produtiva de estudar, pois vai induzir o candidato a buscar respostas, a perceber 
as lacunas do raciocínio, a identificar as “pontas soltas” do tema que está lendo. Se 
você não tiver elementos para fechar seus quadros e resumos naquele momento, não se 
incomode: a evolução dos seus estudos irá apresentando as respostas e fornecendo os 
elementos necessários à finalização.
Há um exemplo que gosto de citar em aula: quando os Estados Unidos estavam 
selecionando os tcês astronautas que iriam tripular a Apoio 11, a primeira nave a ater­
rissar na lua, o número de voluntários à missão, todos pilotos de elite da Força Aérea 
Americana (Usaf), chegava às centenas. Quando os três (Michael Collins, Edwin Al- 
drin eNeij Armstrong) foram selecionados, perguntaram a Aldrin o que ele tinha feito 
para conseguir a vaga. Ele respondeu que, durante os exaustivos cursos preparatórios e 
, eliminatórios realizados pela Nas a, ia anotando todas as suas dúvidas em um pequeno 
caderno. Conforme os cursos evoluíam, as respostas que ia obtendo iam sendo lançadas 
no cademmho. As que não eram prestadas pelos instrutores viravam perguntas. Ao final, 
todas as dúvidas haviam sido solucionadas...
Da mesma forma, estude PENSANDO no que está lendo.
Se, por exemplo, você ieu que o Presidente da .República tem 15 dias úteis para 
sancionar ou vetar projeto de lei, pergunte-se imediatamente: e se o prazo acabar e ele não 
houver nem sancionado, nem vetado? Apartir de que momento começa correr esse prazo?
Tente aplicar essa técnica dos quadros, gráficos e fiuxogramas no estudo dos de­
mais ramos do Direito. Faça, por exemplo, um esquema comparando os diversos üpos 
de licitação contidos na Lei n6 8.666, estabelecendo suas diferenças. No Direito Penal, 
esquematize os diversos tipos de homicídios e, em um quadro, identifique sempre o mo­
mento consumativo do crime (no caso de corrupção passiva, por exemplo, há situação 
interessante). No Direito Piocessual Penal, se você ier que o Ministério Público, quando 
recebe os autos de um inquérito policial, terá prazo para agir, pergunte-se: quais são as 
possibilidades de ação para o promotor? Qual é o prazo que ele tem para agir? O que 
acontece se ele não fizer nada?
Essas são minhas sugestões iniciais.
Vamos passar agora a um pequeno grupo de sugestões de procedimentos e rotinas 
que tenho por muito importantes para se preparar para concurso público.
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Coocwso Píiilico; tomo sc preparar, como estudar, coma fazer a prova
I ~ PREUM3NAJRMENTE
- Convivo com candidatos a concursos públicos há muitos anos, ao longo dos quais 
alguns milhares de alunos assistiram às minhas aulas* Alunos dos mais diversos níveis de 
formação, de interesse e de competência. Inúmeras vezes, a rigidez, o'nível das minhas 
atilas e as exigências que imponho ao aluno foram questionados, a partir da sensação de 
que eu estaria “exigindo demais”...
Lamentavelmente, parece que há, em muitos, um pacto com a “lei do menor esfor­
ço” ou seja, querem passar em concursos para cargos de primeira linha, com excelente 
remuneração, mas não querem abrir mão de nada. Vão às salas de aula, ouvem os pro­
fessores, mas não se desligam dos telefones celulares, dos “últimos babados” e, muitas 
vezes, um colega de sala mais bonitinho atrai muito mais a atenção que um esquema de 
quadro, indispensável para o entendimento da matéria.
Quando me deparo com uma situação como essa, costumo fazer uma pergunta 
à turma: vocês, pelo que pagaram paia estar aqui e tendo em conta os seus objetivos, 
preferem uma aula dada no nível médio da turma ou no nível da prova? Os alunos de­
terminados invariavelmente respondem com a escolha da segunda resposta. É a estes, 
os alunos sérios e determinados, que dirijo estes comentários. Àquele aluno que está 
estudando para concurso por conta da pressão do namorado(a) ou noivo(a), ou para 
escapar da “pegaçao de pé” do pai ou da mãe, ou para se livrar de um chefe chato ou de 
um emprego que odeia, ou que se inscreveu no concurso por impulso, pensando na grana 
. para comprar isso ou aquilo, um conselho: antes de começar, limpe a mente. É mais ou 
menos como limpar um porão, o sótão ou um quarto abandonado na casa. Você não pode 
querer começar polindo os metais. Primeiro, vai ter que se livrar do iixo!
Saiba que não há atalho para ser aprovado em concurso público. O único caminho 
é um trabalho sério, organizado, bem orientado, que vai exigir esforço e disciplina física 
e mental. A recompensa final vale a pena, mas haverá um caminho a percorrer.
Importante frisar: interessa pouco o quanto o candidato sabe sobre as matérias 
que serão pedidas no concurso. O elemento central, o que não pode faltar, o componente 
imprescindível para a aprovação é a DECISÃO de vencer, a VONTADE, a DISCIPLINAI
Os anos ao longo dos quais venho preparando alunos para concurso público 
proporcionaram-me momentos inesquecíveis. Às histórias vencedoras que já ouvi de 
alunos meus, cujo esforço testemunhei, são emocionantes. São pessoas que abriram 
mão de muita coisa pelo ideal de um cargo público, que sacrificaram parentes, filhos, 
cônjuges, família, para triunfar em um ambiente altamente competitivo, e que, ao final, 
com os olhos molhados, procuraxam-me para agradecer pelo que foi feito. Costumo dizer 
que o mérito não é meu, mas todo deles, pois foi a vontade de cada um que os levou a 
atravessar noites, feriados e finais de semana debruçados sobre jivros, sem ver as horas 
passando, na expectativa de alterar o curso de suas vidas. .
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4S00 QUE3TÔES COMENTADAS DE DIREITO COfiSTfTUClOiíAi.
De qualquer forma, poucas coisas são mais sublimes a quem se dedica a ensinar 
do que ouvir de um aluno que ele triunfou a partir do que aprendeu com o professor, não 
só na matéria, mas na conduta, ita metodologia, na concepção de vida. O empenho de 
meus alunos, a determinação que vejo nas expressões de cada um quando começa um 
curso, as expressões cansadas ao final das aulas e as constantes indagações sobre como 
estudar minha matéria - que é pedida em todo e qualquer concurso, às vezes tão inaces­
sível ao arquiteto, ao matemático, ao engenheiro, ao pedagogo, ao aluno secundarista —, 
levaram-me a colocar no papel alguma coisa sobre programação de estudo, como forma 
de responder a isso e, principalmente, de tentar mostrar a cada um que o segredo de 
uma boa preparação para concurso é mais ou menos o que está na obra clássica de Sun 
Tzu (A Arte da Guerra), em que o grande general chinês ensina como preparar, iniciar, 
conduzir e vencer uma batalha.
Às lições táticas de Sun