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Gabriel Dezen Junior - 4500 Questões Comentadas de Direito Constitucional - 14º Edição - Ano 2010

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Tzu aliei outros ensinamentos, colhidos principalmente 
da leitura do Bushido (o código de conduta dos samurais), do Hagakure (um dos mais 
importantes livros sobre a concepção de vida dos samurais) e alguma coisa do Livro dos 
Sete Circubs (de Myãmoto Musashi, acerca de técnicas de enfrentamento em duelos). 
Nessas obras da literatura japonesa, uma constante: a disciplina do corpo e da mente, a 
determinação, a decisão de não lutar por lutar, mas para vencet
Vale di2er que esta orientação não contém nenhuma grande revelação ou grande 
segredo, como também não estarão aqui fórmulas mágicas para se obter a aprovação. 
0 ponto de partida é, e sempre será, como sempre foi, um só: empenho, dedicação 
obsessiva, método, força e determinação.
Essa é a sua parte. À minha, que vou tentar passar a você, é o método de trabalho 
e a organização.
U -D O INÍCIO DO TRABALHO: CONSCIÊNCIA £ DETERMINAÇÃO
Geralmente,.o candidato escolhe seu concurso pela remuneração do cargo, o que, se 
é natural; também é superficial. Leia, sim, a remuneração oferecida, mas dedique atenção 
a outro ponto do edital, a parte do conteüdo programático e das funções do cargo. Mas 
são decida-nada até esSe momento í
Dificilmente você terá uma formação básica que cubra todo o programa do editai, 
especialmente para concursos mais complexos. A finalidade da análise das matérias que 
você terá pela frente é apenas a de ajudá-lo a mensurar o nível de dificuldade, para 
você, daquelas provas. Assim, uma pessoa com formação de ensino médio que pretenda 
um concurso em que se exijam Direito Constitucional, Direito Administrativo e outras 
matérias jurídicas terá pela frente dificuldades maiores que um bacharel em Direito, 
mesmo'que recém-formado, já que este está habituado à linguagem jurídica e ao racio­
cínio exigido. Em contrapartida, esse bacharel em Direito vai sofrer se a prova exigir
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Csocurso Público; como se preparar, como estudar, como fezrr a prova
matemática, cálculo, raciocínio lógico-maiemático, contabilidade pública, análise de 
balanço, o que favoreceria a pessoa com formação em exatas.
Veja, então, que, a rigor, ninguém está sumariamente fora do páreo, como ninguém 
pode julgar-se aprovado.
Qual é a finalidade, então, dessa leitura do conteúdo prograroático do edital e das 
funções do cargo? Simples: ela vai dimensionar a você o tamanho do problema que 
vem pela frente, o quanto a preparação vai exigir de seu tempo, de seu empenho, de sua 
paciência e de sua dedicação.
Essa fase preliminar vai levá-lo a uma segunda, que lhe é derivada. Será a hora 
de pensar, e pensar seriamente, sobre as coisas das quais você pretende abrir mão para 
conquistar o cargo que pretende e a posição profissional, financeira e social que pensa 
merecer.
O brasileiro, especialmente o brasileiro desses tempos, está envolvido por uma 
atmosfera muito sedutora, em que a decisão de estudar a sério para concursos púbHcos 
vai colidir- e às vezes ser düuída-com opções por bares, festas, futebol, amigos, filmes 
e coisas do tipo. Abrir mão de uma parte disso e, em certos casos, de uma grande parte 
disso, é decisão dificiL Pense: você tem pela frente três meses até a prova, é sexta-feira, 
noite, e há um convite instigante martelando a sua cabeça. Qual é a sua decisão? Enfiar a 
cara nos livros com convicção ou justificar-se de que ‘‘há tempo” e ir para a balada? Ou 
você é do tipo que acaba ficando em casa para não sentir o peso da consciência, mas abre 
o livro e não tira da cabeça o que poderia estar “rolando” se estivesse em outro lugar?
Então, saiba: lido o edital, tomada a decisão, prepare-se para entrar de cabeça na sua 
preparação. Nossa formação ocidental, e latina, infelizmente, nos privou dos benefícios 
do planejamento de médio e longo prazo, típicos do oriental. Gostamos de pensar no 
resultado imediato. Assim, muitos candidatos fazem dez, quinze concursos ao longo de 
dois anos, sem se preparar adequadamente para nenhum deles e, obviamente, não obtêm 
êxito em nenhum. Não é preciso ser um gênio para perceber que uma preparação séria, 
durante um prazo médio, de seis a dez meses, dá a você qualquer cargo que queira. 
Então, o.que é melhor, mais inteligente: dedicar parte do seu tempo à preparação para 
concurso, e outra, a maior, para viver intensamente cada dia como se fosse o último, ou 
sacrificar um ano de sua vida e chegar a um cargo que vai mudá-la para sempre? Gastar 
dinheiro duas a três vezes por ano em cursinhos eterna carteira mais alguma coisa para 
uma cerveja, ou não gastar nada com cerveja, mas gastar o dinheiro no curso e todo o 
seu tempo disponível para nunca mais pagar cursinho algum e ter condições financeiras 
de fazer planos?
Decida: o que quer, o quanto quer isso e o que « tá disposto a fazer para obter. 
Inspire-se em exemplos de sucesso e pegue pesado no trabalho. Ollie-se de frente e veja 
se está diante de um vencedor ou de um perdedor, se você vai ser concorrente ou é me­
ramente candidato inscrito.
4SC0 QUESTCSS COMENTADAS DE DIREITO CONSTmiCiON/U.
Não despreze, nunca, a força da determinação. Ela será o seu combustível
Um comentarista da Segunda Guerra Mundial escreveu, certa vez, acerca da guerra 
do Pacífico que estava para começar, que os generais envolvidos nas manobras prepa­
ratórias e nas táticas que antecediam as furiosas batalhas que começariam em lugares 
como Okinawa e Iwojima estavam, com as suas decisões, arriscando seus lugares na 
História. Você, quando se inscreve em um concurso público, também está. A sua vitória 
no concurso vai fazer diferença na sua vida, senão você não estaria entrando nessa briga.
m - DA ORGANIZAÇÃO
1. Prazo: se a prova tiver data marcada, trabalhe com o prazo fixado, menos dez 
dias. Estes últimos dez dias serão usados para revisão de cada uma das matérias do con­
curso, por meio dos resumos dos quais falarei adiante.
Se a prova ainda não estiver marcada, estabeleça um prazo inicial de 50 dias para ver 
todo o conteúdo. Esse prazo será prorrogado em blocos de 20 dias, até que seja marcada 
a data da prova, durante os quais você vai refazer resumos, ampliá-los, aprofundá4os.
Marcada a data, avalie o tempo que falta e divida-o de forma a possibilitar, pelo 
menos, uma revisão de cada uma das matérias, a partir dos seus melhores resumos. 
Use, inclusive, a véspera da prova. Não concordo com a teoria de que é recomendável 
um’'descansa de vinte e quatro horas. Descanso desconcerto, afrouxa a determinação, 
relaxa demais.
2. Matérias: você vai abordar todas as matérias. Não cometa o eno de pensar 
que é bom demais nessa ou naquela matéria e que, por isso, não vai precisar estudá-la. 
Isso é um ótimo argumento para impressionar alguém com quem se fale, mas nunca para 
um trabalho sério de preparação. Humildade conta pontos.
Além disso, com a elevação geral das notas de corte, você não poderá se dar ao luxo 
de fazer excelentes provas em duas matérias e naufragar estrondosamente nas demais. 
Será necessária uma pontuação média em todas as matérias.
3. Cronograma: com auxílio de um calendário, identifique todos os dias que o 
separam da prova (finais de semana, feriados, dias úteis e festas). Desconte os dez dias 
de que se falou no ponto 1. Nos demais, distribua toda a matéria, de acordo eom a ordem 
de prioridade do ponto 4, a seguir. Nessa primeira distribuição, o objeto é a matéria (por 
exemplo: Direito Constitucional, de 6 a 25 de março; Direito Administrativo, de 26 de 
março a 15 de abril). Depois, dentro dessa rotina, distribua os pontos do edital em cada 
matéria (exemplo: de 6 a 9 de março, teoria da Constituição; de 10 a 16, controle de 
constitucionalidade). Use, para ter uma. noção do tempo em cada tópico, apostilas, livros 
e a ajnda dos professores. A cada 20 ou 30 dias deixe um ou dois dias como margem 
de erro, caso alguns tópicos exijam mais que o inicialmente previsto. Todos os tópicos 
devem entrar