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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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ral e a promulgação será pelo presidente do Congresso; se for da 
Câmara dos Deputados, a promulgação será feita pelo presidente da 
Câmara; da mesma maneira que o presidente do Senado promul­
gará as resoluções destinadas a regulamentar a matéria da sua res­
pectiva Casa Legislativa.
Embora as resoluções sc caracterizem pelos efeitos i n ter n a 
cor por is do órgão legislativo de onde emanaram, há situações 
raras em que elas produzem efeitos externos. Alexandre de Moraes 
(2005, p. 620), citando Anna Cândida da Cunha Ferraz, que classi­
fica as resoluções em quatro espécies: a) atos políticos (resolução 
do Senado, que referenda nomeações); b) ato deliberativo (que fixa 
alíquota dc imposto); c) ato dc co-participação na função judiciá­
ria (quando o Senado suspende lei declarada inconstitucional pelo 
STF); d) ato-condição para a função legislativa (autorização do 
Congresso para o presidente para elaboração dc lei delegada).
Os regimentos internos das Casas legislativas federais, das 
assembleias legislativas estaduais e das câmaras municipais são 
sempre resoluções. Também no âmbito municipal as resoluções 
de plenário disciplinam os serviços e a organização da Mesa, bem 
como as licenças dos vereadores, a utilização do edifício-sede, bem 
como o controle dos servidores da câmara.
Emenda à Constituição
A emenda à CF é a capacidade de que dispõe o Congresso Nacional, 
como poder constituinte derivado, de alterar matérias da Carta 
Magna que não sejam causas pétreas, observado determinado 
rito processual. A capacidade de emendar ou reformar a Carta 
Constitucional é denominada, de acordo com Pontes de Miranda 
(1967, p. 130), de “poder revisional, ou reformador, ou cmcnda- 
dor”, que está limitado às normas jurídicas do objeto da alteração 
constitucional.
Já para Ribeiro Lopes (1993, p. 195), quando a CF trata do 
referido assunto, esta utiliza, de forma equivocada, termos como 
‘revisão, reforma e até mesmo modificações constitucionais”. O au­
tor acrescenta, concordando com a preferência doutrinária, que o 
termo correto é mesmo e m e n d a à Constituição.
A possibilidade de emenda está prevista no art. 60 da CF, que 
estabelece a competência dc iniciativa do projeto, o momento em 
que ela não poderá ser proposta, assim como a forma de votação, o 
q u o r u m de aprovação, a forma de promulgação, as matérias que 
são vedadas para deliberação, bem como o período de quarentena 
para aquelas que tenham sido rejeitadas.
Determina a CF que a iniciativa de projeto de emenda cabe, no 
mínimo, a 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Sena­
do Federal. O presidente da República também dispõe da chancela 
para apresentar a proposta, e ainda a metade mais uma das assem­
bleias legislativas dos estados, manifestando-se cada uma delas por 
meio do voto da maioria relativa (art. 6 0 ,1, II, III, CF).
Observe-se que a aprovação das assembleia legislativas, por 
maioria absoluta, da proposta de emenda à Carta Constitucional 
significa aprovação por maioria simples, ou seja, uma vez estan­
do presentes na sessão a maioria absoluta dos membros da Casa 
Legislativa (metade mais um), as deliberações são tomadas por
maioria de votos (a respeito do assunto quo r um p a r a vo- 
t a ç ã o , este será tratado dc forma mais aprofundada no capítulo 
4 desta obra).
A capacidade das assembleias legislativas de propor emendas à 
Constituição, lembra Walber dc Moura Agra (2006, p. 362), “re­
flete uma substância do federalismo, do p a c t u m f o eder i s , 
podendo os estados-membros, integrantes da federação, propor al­
terações na Constituição”. Essa possibilidade já estava prevista na 
primeira Constituição Republicana de 1891, porém não há menção 
alguma a respeito de emendas propostas pelas assembleias legisla­
tivas dos estados até os dias atuais.
A relação de quem possui capacidade de iniciar o processo de 
emenda à CF é taxativa, ou seja, é uma forma de relação que não 
admite nenhum outro integrante, com exceção dos seguintes ca­
sos: 1/3 dos deputados federais; 1/3 dos senadores; o presidente da 
República; e a maioria das assembleias legislativas.
Qualquer outra proposta de emenda constitucional que possua 
como autores outras instituições ou mesmo a população em inicia­
tiva popular não poderá prosperar por vício de iniciativa.
Impossibilidades de emenda à Constituição
A CF não poderá ser emendada em três situações: quando houver 
intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio (art. 60, § 
Io, CF). A intervenção federal só pode ocorrer em alguma unidade 
federada (estados ou Distrito Federal), nas situações enumeradas 
no art. 34 da Lei Maior. As situações de intervenção nos estados 
são as seguintes:
No momento em que algum estado ou o Distrito Federal estiver 
em fase dc se desvincular da União, a intervenção ocorrerá no 
intuito de manter a integridade nacional (art. 34.1, CF).
- Se houver uma invasão estrangeira em um determinado estado, 
ou 1 10 caso cm que um estado invadir outro (art. 34, II, CF). 
Possibilidade de intervenção federal para encerrar grave com­
prometimento da ordem pública. Nesse caso, a intervenção 
terá como objetivo acabar com a comoção social (art. 34, III, 
CF).
Outra possibilidade de intervenção federal se dá quando os po­
deres estaduais não estiverem sendo exercidos de forma livre e 
independente (art. 34, IV, CF), ou seja, no momento que um dos 
poderes impedir o funcionamento de outro (no caso, se o Executivo 
impedir o funcionamento do Judiciário, por exemplo).
Também a União poderá intervir nos Estados para organizar as 
suas finanças (art. 34, V, CF). São situações em que a situação 
financeira das unidades federadas estão desorganizadas: quando 
estas não pagarem suas respectivas dívidas fundadas* por mais dc 
dois anos consecutivos. A única ressalva, nesse caso, para que não 
haja a intervenção, é se houver um motivo de força maior que tenha 
atingido o estado. Entcnde-se por força maior um acontecimento 
relacionado a fatores externos, que independe da vontade humana 
e, por esse motivo, impedem que a obrigação seja cumprida. Entre 
os fatores externos, podemos citar ordem dc autoridade superior 
(fato do príncipe), os eventos naturais (seca prolongada, inundação, 
vulcão, terremotos etc.) e situações políticas graves, como revolu­
ções, guerras, comoções internas graves.
A União poderá intervir nos estados ainda por questão financeira, 
quando o estado não entregar aos municípios as receitas tributárias 
previstas na Constituição nos prazos fixados cm lei, por exemplo.
Dívida fundada on consolidada ê aquela oriunda do obrigações 
financeiras assumidas em conseqüência dc leis, contratos, con­
vênios, Iratados ou operações de crédito, para amortização 110 
prazo superior a 12 meses.
A intervenção poderá ainda ocorrer para a execução de lei federal 
que não esteja sendo cumprida na unidade federativa ou, então, 
ordem ou decisão judicial (art. 34, VI, CF).
Além disso, a intervenção poderá ocorrer para assegurar princí­
pios constitucionais, tais como os constantes nas alíneas do art. 34, 
inciso VII:
[...]
a) forma republicana, sistema representativo e regime 
democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta 
e indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante 
de impostos estaduais, compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção e desenvolvimento do 
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
Outra situação em que a Carta Magna não poderá ser emendada 
é quando estiver em vigor o estado de defesa - uma medida que 
objetiva preservar ou