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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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s l a - 
/ i v o I) ra s i l e i r o , temos a certeza de que estamos diante de 
uma exposição na qual, além do profundo conhecimento teórico, 
podemos compartilhar do resultado de uma vida dedicada ao "di­
reito legislativo”, ao direito de exercermos como cidadãos as prerro­
gativas que as leis nos dão para construirmos uma sociedade como 
idealizamos. Diria a obrigação dc assim procedermos. E para isso 
o conhecimento é substancial.
Portanto, está de parabéns Jorge Bernardi (professor do Grupo 
Uninter) pela publicação desse compêndio onde podemos nos fartar 
com a ampla explanação sobre como ocorre o Processo Legislativo 
e a abrangência do Poder Legislativo nas três esferas constitutivas pr
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da organização a que chamamos n a ção - Brasil! Isto é, a União, 
os estados e Distrito Federal, bem como os municípios.
Nesse sentido, nos causaram especial interesse neste livro, além 
da contextualização histórica, as interligações feitas entre o que 
está descrito nos textos dc lei e a sua aplicação no que concerne 
às técnicas, à prática, aos elementos e às tramitações próprias do 
Pi ocesso Legislativo, bem como às diversas áreas de competência 
do Poder Legislativo, ou seja, as “duas faces da mesma moeda”, as 
quais nesta obra ficaram delineadas nas suas especificidades sem 
perder as conexões próprias de sua condição de siinultaneidade ou 
inseparabilidade.
Mais uma vez, parabéns, professor Bernardi! Parabéns ao Grupo 
Uninter, que conta com sua colaboração. Parabéns, principalmente, 
aos interessados nos assuntos do âmbito legislativo que agora usu­
fruem da leitura desta obra.
Wilson Picler 
Deputado Federal
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do processo legislativo
Esta obra, O p ro c es so l eg i s 1 a t i v o b r a s i l e i r o 9 está 
dividida em duas partes; no entanto, ambas as partes são comple- 
mentares entre si. Esta parte, dividida cm oito capítulos, estuda 
os elementos constitutivos do Processo Legislativo e a segunda, di­
vidida em cinco capítulos, dedica-se ao Poder Legislativo e seu 
funcionamento.
0 primeiro capítulo busca a origem dos legislativos e o nasci­
mento da lei, desde sua origem mais arcaica no Conselho dos 
Anciãos, passando pelo Senado Romano, pelo Parlamento Inglês, 
que gerou os regimes democráticos modernos, até a origem do le­
gislativo brasileiro nas câmaras municipais, passando pelo período 
do Império e chegando à República. Este capítulo também analisa 
a origem e a prática do Processo Legislativo e é concluído com uma 
reflexão sobre a lei no futuro.
A lei é o objeto de estudo do capítulo segundo. Nesse aspecto, 
busca-se um conceito da norma jurídica e estuda-se a visão filo­
sófica da lei natural e da legitimidade e validade da lei segundo 
Habermas. Este capítulo também analisa a tipologia das normas - 
leis complementares, ordinárias, delegadas, medidas provisórias, 
decretos, resoluções e emendas à Constituição Federal, às consti­
tuições estaduais c às leis orgânicas municipais.
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A técnica legislativa é pauta do terceiro capítulo. A importância 
c o alcance da técnica na estruturação das leis, a forma dc articu­
lação e redação legislativa, as regras para alteração e consolidação 
de leis e atos normativos e sua conseqüente redação no âmbito do 
Executivo federal são contemplados com especial atenção.
Estudam-se os elementos do processo deliberativo no capítulo 
quarto da primeira parte da obra. Procura-se identificar e definir o 
papel do plenário, bem como definir as atribuições das sessões plená­
rias e suas características: ordinárias, extraordinárias, solenes e pre­
paratórias. A forma como ocorrem as sessões solenes no Congresso 
Nacional, especialmente as referentes à posse do Presidente e Vice- 
Presidente da República, bem como a recepção de Chefe de Estado 
estrangeiro, são assuntos abordados neste capítulo. A ordem do dia, 
o expediente c as explicações, debates, q u o r u rn c modalidades 
de votação também são objeto de análise neste item.
No capítulo quinto, são demonstradas as formas como ocorrem as 
sessões plenárias nos diversos órgãos legislativos brasileiros: Câmara 
dos Deputados, Senado Federal, Congresso Nacional, assembleias 
legislativas e câmaras municipais. Analisa-se também como se pro­
cessa as deliberações dentro das referidas Casas Legislativas.
O capítulo seguinte possui como objeto de estudo a tramitação 
dos projetos nas Casas Legislativas, analisando-se o regime ordiná­
rio, o regime de urgência 1 1a Câmara dos Deputados, 1 1 0 Senado, 
nas assembleias legislativas e câmaras municipais. Já 0 capítulo 
sétimo analisa a fase conclusiva do Processo Legislativo: sanção, 
veto, promulgação, publicação, revogação da lei, atas e anais.
O oitavo e último capítulo desta primeira parle trata do controle 
da constitucionalidade das leis. A ação direta de inconstitucionali- 
dade, a ação declaratória dc constitucionalidade e a inconstitucio- 
nalidade por omissão são analisadas. Também são contemplados o 
controle da constitucionalidade das leis estaduais, distritais e mu­
nicipais, bem como os efeitos da declaração de inconstitucionalida- 
de e a suspensão por parte do Legislativo da lei inconstitucional.
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A origem mais remota do Poder Legislativo encontra-se nos Conse­
lhos de Anciãos que vários povos antigos conheceram. Cerca de 
quatro mil anos antes de Cristo, as tribos começaram a estabelecer 
os seus conselhos que tinham como finalidade disciplinar a vida 
comunitária e aconselhar e orientar os chefes que, com o tempo, 
passaram a ser denominados de r e i s , à medida que esses povos 
iam aumentando em número e subdividindo-se em várias tribos.
Os egípcios, os sumérios, os babilônicos, os hebreus, os romanos 
e também os gregos (atenienses, espartanos e alguns outros povos 
da Grécia) conheceram tal instituição. A organização política ar­
caica era inicialmente constituída pelos anciãos da cidade, baseada 
na tradição c nos costumes, transmitida oralmente c impregnada 
de conceitos e princípios eclesiásticos e religiosos.
Na Grécia antiga, por exemplo, a democracia era direta; as pes­
soas se reuniam nas assembléias c ali deliberavam sobre situações 
específicas.
Explica Nelson Saldanha (1985, p. 37) que a
assembleia deliberava, porém, sob certas normas: era pre­
ciso que os problemas lhe fossem levados pelo Conselho.
Além disso, a assembleia não emitia leis propriamente: 
estas existiam como um quadro de regras estáveis. Ela 0 
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julgava casos e formulava decretos e julgamentos sobre 
quest ões particulares.
Era o Conselho dos Anciãos, reunido em assembleia, que pro­
punha as leis. As propostas dessas leis eram levadas para consulta 
ao povo que, reunido cm Ágora*, aprovava-as ou não. Assim era o 
sistema de governo dessa civilização - não havia órgãos legislativos 
tais como os conhecemos hoje, constituídos por representantes do 
povo; a democracia era exercida de forma direta, ou seja, pelas 
próprias palavras dos cidadãos.
li As civilizações arcaicas
As civilizações arcaicas tiveram seus reis legisladores, que procu­
raram unificar as normas de convívio social que, ao longo dos sécu­
los, eram sistematizadas e aplicadas por intermédio dos conselhos 
de anciãos, através de uma espécie de códigos. A primeira dessas 
legislações de que se tem notícia foi implantada pelo rei Surnério Ur- 
Nammu, da dinastia de Ur, por volta de 2.050 a 2.032 a.C., e ficou 
conhecido por C ód ig o d e Ur- N a rn u (Pinto, 2007, p. 27).
Dois outros códigos também tiveram sua significância na histó­
ria da legislação: o Código de Esnunna, cidade da Acádia (1930