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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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como deve ocorrer a apresenta­
ção de emendas nas comissões ou em plenário dessas Casas 
Legislativas (arts. 119 c 120, RICD e arts. 122, 232 e 235, Risf).
O RCCN estabelece regras para apresentação de emendas na 
Comissão Mista Permanente (art. 166, § Io, CF), denominada de 
C o m i s são M is t a d e P l a n os , Orça m ent os P úb l i - 
c os e F i s c a l i z a ç ã o (CMO). As regras sobre a apresentação 
dessas emendas aos projetos de leis orçamentárias estão previstas 
no regimento interno dessa comissão, nos arts. 43 a 50, propostos 
pela Resolução n° 1, de 16 de janeiro de 2006, constante no RCCN.
Os regimentos internos das assembleias legislativas dos esta­
dos e da Câmara Legislativa do Distrito Federal, bem como das
câmaras de vereadores, nos municípios, admitem e estabelecem, 
com algumas variações, as mesmas espécies de emendas previstas 
nos regimentos dos órgãos legislativos federais.
Emendas não admitidas
Em algumas situações previstas regimentalmente, as emendas apre­
sentadas pelos membros dos órgãos parlamentares não são admiti­
das. Normalmente são emendas a projetos cuja iniciativa é exclusi­
va a determinado órgão.
No Senado Federal, não são aceitas emendas que não sejam co­
nexas à matéria que se pretende emendar, ou cujo sentido seja con­
traditório à proposição de emenda à Constituição, projeto de lei ou 
resolução; ou, ainda, que se refira a mais de um dispositivo, exce­
tuando-se o caso em que sejam colocadas em pauta modificações 
correlatas, dc tal forma que a aprovação concernente a um dos dispo­
sitivos demande a modificação de outros (art. 230 ,1, II e III, Risf).
Para ser aceita no Senado, a emenda deverá ser justificada, por es­
crito ou na forma oral, pelo seu autor. A justificativa oral dc emenda
1 1 0 plenário deve ocorrer 1 10 prazo que o seu autor tem para falar no 
período de expediente da sessão (art. 223, parágrafo único, Risf).
Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, não são aceitas 
emendas que impliquem o aumento de despesas que estejam previs­
tas nos projetos de iniciativa exclusiva do presidente da República, 
com exceção daquelas em projetos dc leis orçamentárias (Plano 
Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei do Orçamento 
Anual - art. 166, §§ 3o e 4o, CF).
Também não devem scr admitidas emendas que aumentem des­
pesas em projetos sobre a organização dos serviços administrativos 
da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos tribunais fede­
rais e do Ministério Público (art. 124,1 c II, R1CD e art. 230, IV, 
a e b, Risf).
A emenda que tenha sido aceita no Senado e que, no entanto, 
tenha sido declarada inconstitucional ou antijurídica durante o seu 
processo de análise pela CCJ, não será colocada em votação. A 
exceção é se o parecer que a declarou inconstitucional e antijurí­
dica não tenha sido unânime c sc houver requerimento dos líderes 
partidários que representem, no mínimo, a maioria dos membros 
do Senado (art. 300, XV III, Risf).
Os regimentos internos das assembleias legislativas, da Câmara 
Distrital e das câmaras municipais estabelecem os casos em que as 
emendas não podem ser aceitas. Normalmente, esses órgãos legis­
lativos adotam cm seus regimentos normas muito semelhantes às 
que constam nos regimentos do Congresso Nacional.
Pelo princípio da simetria constitucional do processo legislativo 
nos estados, Distrito Federal c municípios, emendas que aumentem 
despesas previstas em projetos de iniciativa exclusiva do chefe do 
Poder Executivo (governador ou prefeito) e das Mesas dos respec­
tivos órgãos (assembléia legislativa, câmara legislativa c câmaras 
municipais) ou pelos tribunais de justiça, pelo Tribunal de Contas, 
pelo Ministério Público (estados e Distrito Federal), ou Tribunal 
de Contas municipal (nos municípios que os possuem), não devem 
ser aceitas pela Mesa ou por comissões, por serem flagrantemente 
inconstitucionais.
A norma jurídica é, portanto, o objeto principal do Processo 
Legislativo. Conforme o seu tipo, ela recebe do legislador um 
nome: l e i , que pode ser designada d c i e i or d i n á r i a , c o m - 
p iem e n t a r ou dele g a d a ; m e d i d a pr o v i s ó r i a ; 
decreto l e g i s l a t i v o ; reso l ução ; emenda à C o n s t i - 
t u iç ão e e m e n da à le i o r gâ n i ca .
Também em relação ao processo dc elaboração da norma ju­
rídica, alguns procedimentos são estabelecidos de acordo com a 
Constituição e com o regimento interno da respectiva Casa Legis­
lativa. Nos projetos de lei ordinária dc iniciativa dos parlamentares,
lia uma delegação i n t e r n a c o rp o r i s às comissões internas 
das Casas do Congresso Nacional que podem apreciá-los cm cará­
ter terminativo, sem que o plenário seja ouvido.
A delegação do órgão legislativo pode ser outorgada para o Poder 
Executivo elaborar a lei. Tem-se, nesse caso, as leis delegadas. Ou 
então, o Poder Executivo emite uma medida provisória com 
de lei que, para continuar produzindo efeitos no mundo jurídico 
depois dc certo período, deve ser transformada em lei pelo Poder 
Legislativo.
m
Na elaboração de uma norma jurídica devem ser observados de­
terminados procedimentos, que são denominados de t é c n i c a 
l e g i s l a t i v a . O projeto dc norma jurídica deve obedecer certos 
parâmetros consagrados pela tradição e pelos costumes que remon­
tam às primeiras normas escritas, que objetivam facilitar o entendi­
mento e a aplicação da lei.
Como ensina Kildare Gonçalves Carvalho (2007, p. 79-80), “a 
técnica legislativa consiste no modo correto de elaborar as leis, de 
forma a torná-las exeqüíveis c eficazes”. O autor lembra ainda a ori­
gem da palavra técnica, do grego t e k h n é , que “é a arte de aplica 
os meios idôneos para obter um resultado pretendido”.
O parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal estabe­
lece que: "lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, 
alteração e consolidação das leis”. 0 referido artigo trata da Lei 
Complementar n° 95, dc 26 dc fevereiro de 1998 - LC n° 95/1998 
(alterada pela Lei Complementar n° 107, de 26 de abril de 2001) 
que dispõe os parâmetros da elaboração, da redação, da alteração 
e da consolidação das leis c ainda fixa normas para a consolidação 
dos atos normativos.
Um detalhe muito importante a ser destacado é o fato de que 
a norma jurídica que não seguir os padrões estabelecidos pela A 
téc
nic
a 
leg
isla
tiv
a
LC n° 95/1998 não perderá sua validade por isso. Aliás, um dos 
últimos artigos dessa lei, o art. 18, determina que: “Eventual ine­
xatidão formal de norma elaborada mediante processo legislativo 
regular não constitui escusa válida para o seu descumprimento.” 
Embora todos os órgãos legislativos, cm todos os seus respectivos 
níveis, devam obedecer às regras estabelecidas nessa lei que deriva 
diretamente da Constituição, a sua não observância na elaboração 
legislativa, desde que o processo legislativo tenha sido válido, não 
se constitui em justificativa para o seu não cumprimento.
Não trata essa lei complementar, segundo Hilda de Souza (1988, 
p. 53), de processo legislativo propriamente dito, “mas dc forma­
lidades relativas à técnica legislativa”. A autora acrescenta que o 
objetivo é obter precisão e clareza na redação e, por isso, “toda a 
lei é formada cm conformidade com uma técnica que corresponde a 
aspectos tais como a linguagem jurídica, a distribuição da matéria 
tratada, a forma de dispor o texto da lei e etc.'’.
A norma legislativa deve refletir dc maneira perfeita a ideia que 
se almeja traduzir. A palavra a ser usada na norma tem de ser 
aquela que mais se aproxima do conceito abstrato que se pretende 
expressar. Por isso,