A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

Pré-visualização | Página 29 de 50

pelas duas Casas do Congresso 
Nacional usarão da palavra para saudar o ilustre visitante. A autori­
dade estrangeira poderá usar da palavra, se assim o desejar, após os
pronunciamentos dos senadores e deputados. Uma vez encerrados 
os pronunciamentos, o chefe dc Estado será conduzido ate o Salão 
de Honra, encerrando-se a sessão (arts. 69, 70 e 71, RCCN).
4.3 Sessões preparatórias
As sessões preparatórias (art. 57, § 4°, CF) são realizadas nos ór­
gãos legislativos antes da inauguração de uma nova legislatura. Na 
Câmara dos Deputados, estas são realizadas na primeira c na ter­
ceira sessão legislativa de cada legislatura.
Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a sessão prepa­
ratória ocorre no dia 1 ° dc fevereiro do primeiro ano da legislatura, 
antecedendo à posse e à eleição da Mesa, que ocorre no dia 2 de 
fevereiro.
No terceiro ano da legislatura, na Câmara dos Deputados, tam­
bém a sessão preparatória será no dia 1 ° de fevereiro, antecedendo 
também a eleição da Mesa, que deverá ocorrer no dia seguinte.
Já no Senado Federal, no dia Io de fevereiro da 3a sessão legisla­
tiva, será eleito o presidente do Senado e, no dia 2, serão eleitos os 
demais membros da Mesa. Essas sessões preparatórias no Senado 
são denominadas de /* e u n i õ e s p r e p a r a t ór i as .
Constata Mazart Foschete (2007, p. 28) que as sessões prepara­
tórias ou reuniões preparatórias, a rigor, não pertencem ou não fa­
zem parte da sessão legislativa ordinária, pois ocorrem antes desta 
ser iniciada, mas fazem parle da legislatura.
Antes da sessão preparatória, no entanto, o candidato a depu­
tado federal eleito deverá apresentar pessoalmente ou por meio de 
seu partido, até o dia 31 de janeiro do ano de instalação de cada 
legislatura, o diploma expedido pela Justiça Eleitoral e o seu nome 
parlamentar, bem como o partido e a unidade federativa que repre­
senta. 0 nome parlamentar deverá ter no máximo dois elementos:
prenome e nome, dois nomes ou dois prenomes. Esse procedimento 
é para evitar equívocos (art. 3o, RICD).
Na sessão preparatória do primeiro ano da legislatura, a sessão 
será presidida pelo presidente da Câmara dos Deputados, se este 
foi reeleito, ou, então, pelo parlamentar mais idoso entre os que 
possuem maior número de legislaturas (mandatos).
Para essa sessão serão convidados quatro deputados, preferen­
cialmente dc partidos diferentes, c será lida uma relação com o 
nome de todos os deputados eleitos, seguindo uma ordem geográ­
fica das capitais, de Norte a Sul, em cada unidade federativa, na 
sucessão alfabética dos nomes parlamentares, com as respectivas 
legendas partidárias.
Após a leitura da relação dos novos deputados, decididas even­
tuais reclamações cm relação à nominata dos deputados, será to­
mado o compromisso (juramento) dos deputados.
Assembleias legislativas e câmaras municipais também preveem, em 
seus regimentos internos, as realizações dc sessões ou reuniões prepa­
ratórias com o objetivo de dar posse aos deputados estaduais e verea­
dores e tomar-lhes o compromisso de bem cumprir com os seus manda­
tos, respeitando a Constituição e as leis e objetivando o bem comum.
4.4 Sessões públicas e secretas
As sessões podem ser públicas ou secretas. As sessões públicas 
podem ser assistidas por qualquer pessoa, desde que este cumpra 
os requisitos do regimento interno e que haja vaga nas galerias. Em 
muitas Casas Legislativas, essas sessões são, inclusive, transmiti­
das via televisão, rádio e internet.
As sessões secretas normalmente não podem ser assistidas por 
ninguém. Em alguns casos, nem mesmo os funcionários do órgão 
legislativo podem permanecer em plenário.
Os regimentos internos preveem as situações em que uma sessão 
pública é transformada em secreta. Nesses casos, as galerias são 
esvaziadas e os funcionários se retiram do plenário, permanecendo 
apenas os parlamentares. Há órgãos que permitem que alguns fun­
cionários essenciais ao funcionamento do plenário permaneçam 1 1 0 
recinto onde se realiza a sessão.
No Senado Federal, a sessão é secreta quando esta obrigatoriamen­
te deve sc manifestar sobre a declaração dc guerra, dc acordo c de 
paz, sobre a perda de mandato ou suspensão de imunidade de senador 
durante o estado de sítio, a respeito da escolha de chefe de missão 
diplomática dc caráter permanente, por deliberação do plenário e re­
querimento da presidência da Casa ou de senador (art. 197, Risf).
Em algumas situações, a sessão secreta está prevista na Consti­
tuição Federal, como 1 1a arguição para a escolha dc representante 
de chefe de missão diplomática (embaixador) em caráter perma­
nente (art. 52, IV, CF). Em outras, está previsto na Constituição 
apenas o voto secreto, como c o caso, na deliberação sobre a perda 
de mandato de deputado federal ou senador (art. 55, § 2o, CF).
Na Câmara dos Deputados, além daquelas deliberações de ple­
nário, são obrigatoriamente secretas as sessões que devem decidir 
sobre: a) projeto de fixação ou modificação dos efetivos das forças 
armadas; b) declaração de guerra ou acordo sobre a paz; e c) pas­
sagem de forças estrangeiras pelo território nacional ou sua perma­
nência nele.
No Congresso Nacional, a regra é que as sessões sejam públicas, 
podendo, 1 1 0 entanto, ser transformadas cm secretas, por delibera­
ção do plenário. O requerimento poderá ser feito pela presidência 
do Congresso Nacional ou por líder de partido, bloco partidário, do 
governo, fixando-se a data e a finalidade da sessão secreta, que, 
contudo, não será divulgada. E, quando de sua deliberação, esta 
também será secreta (art. 28, RCCN).
As sessões, de acordo com os órgãos legislativos, normalmente se 
dividem cm partes: parte inicial (pequeno expediente, expediente, 
grande expediente), parte deliberativa (ordem do dia) e parte final 
(explicações).
A tempo dc cada sessão pode ser dc duas horas, cm câmaras muni­
cipais de pequenos municípios, a quatro horas ou mais, no Congresso 
Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras de municípios 
maiores. Normalmente, os regimentos internos preveem que e possí­
vel prorrogar o tempo da sessão, por deliberação plenária.
4.5 O expediente e as explicações
No processo legislativo, o expediente é a fase da sessão destinada 
à leitura da ata, a comunicações, a projetos, a documentos encami­
nhados à Mesa, podendo também parte desse período ser destinado 
a pronunciamentos e comunicações dos parlamentes e de líderes de 
partidos ou blocos partidários.
Em qualquer Casa Legislativa, em nível federal (Congresso 
Nacional, Senado Federal e Câmara dos Deputados) ou em nível 
estadual (assembleias legislativas) e nos municípios (câmaras mu­
nicipais), sempre haverá um momento, no início da sessão, normal­
mente, destinado ao expediente.
Lembra Farhat (1996, p. 416) que, no Senado Federal, “o ex­
pediente tem período único enquanto que na Câmara divide-se 
em duas fases distintas: o pequeno e o grande expediente”. No 
Congresso Nacional, a primeira meia hora da sessão é destinada 
ao expediente, e, além da leitura pelo secretário dos documentos 
encaminhados à Mesa, congressistas poderão usar da palavra por 
cinco minutos para fazer seus discursos.
A Câmara dos Deputados, muitas assembleias legislativas e câ­
maras municipais dividem o expediente cm duas partes: a primeira,
chamada de pequeno e x p e d i e n t e , é destinada à leitura 
da ata e dc documentos encaminhados à Mesa, podendo, se ainda 
houver tempo, ser a mesma aberta a oradores. A segunda parte do 
expediente é chamada de g ra nde exped ie n t e , que é desti­
nada a pronunciamentos dc parlamentares previamente inscritos c 
também às manifestações dos líderes