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Roberto Pimentel - Curso de Direito Constitucional Vol. III

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CF) independentemente de sua natureza temporária. Assim, caso o Congresso Nacional 
a rejeite, não a convertendo em lei, expressa ou tacitamente (decurso de prazo), tal se 
constitui em controle repressivo. O STF admite serem as medidas provisórias objeto de 
ação direta de inconstitucionalidade, pela via direta, enquanto ato normativo com força de 
lei, como uma segunda forma de controle repressivo.
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8. CONTROLE REPRESSIVO PELO PODER JUDICIÁRIO
No Brasil, o controle de constitucionalidade repressivo judiciário é misto, ou 
seja, é exercido tanto de forma concentrada, quanto de forma difusa. 
8.1 Controle difuso ou aberto
Também conhecido como controle por via de exceção ou defesa, 
caracteriza-se pela permissão a todo e qualquer juiz ou tribunal realizar no caso concreto 
a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. 
Na via de exceção, a pronúncia do Judiciário, sobre a inconstitucionalidade, não é feita 
enquanto manifestação sobre o objeto principal da lide, mas sim sobre questão prévia, 
indispensável ao julgamento do mérito. Nesta via, o que é outorgado ao interessado é 
obter a declaração de inconstitucionalidade somente para o efeito de isenta-lo, no caso 
concreto, do cumprimento da lei ou ato, produzidos em desacordo com a Lei maior. 
Entretanto, este ato ou lei permanece válido no que se refere à sua força obrigatória com 
relação a terceiros.
Assim, o controle difuso caracteriza-se, principalmente, pelo fato de ser 
exercitável somente perante um caso concreto a ser decidido pelo Poder Judiciário. A 
declaração de inconstitucionalidade, nesse caso, é necessária para o deslinde do caso 
concreto, não sendo pois objeto principal da ação.
8.1.1 Cláusula de reserva de plenário – art. 97 da Constituição
A inconstitucionalidade de qualquer ato normativo estatal só pode ser 
declarada pelo voto da maioria absoluta da totalidade dos membros do tribunal, ou, onde 
houver, dos integrantes do respectivo órgão especial, sob pena de nulidade absoluta da 
decisão emanada do órgão fracionário (turma, câmara ou seção), em respeito à previsão 
do art. 97 da Constituição. É a chamada cláusula de reserva de plenário, que atua como 
verdadeira condição de eficácia jurídica da própria declaração jurisdicional de 
inconstitucionalidade dos atos do Poder Público, aplicando-se para todos os Tribunais, via 
difusa, e para o STF, também no controle concentrado. A exceção a esta regra se dá no 
caso de atos normativos já declarados inconstitucionais pelo Supremo, não se alçando, 
ainda, aos juízos monocráticos.
8.1.2 Controle difuso e Senado Federal (art. 52, X, CF)
O STF, decidindo caso concreto (controle difuso) poderá, incidentalmente, 
declarar, por maioria absoluta de seus membros, a inconstitucionalidade de uma lei ou ato 
normativo do Poder Público (CF, art. 97), a partir disso, poderá o Presidente do Supremo 
oficiar o Senado Federal, para que este, nos termos do art. 52, X, da Constituição, através 
de resolução (espécie normativa) suspenda a execução, no todo ou em parte, da lei 
declarada inconstitucional por decisão definitivo da STF. (tb. podem suscitar a suspensão 
ao Senado: representação do Procurador-Geral da República ou projeto de resolução de 
iniciativa da comissão de constituição, justiça e cidadania – cf. Regimento Interno do 
Senado Federal, art. 386)
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Segundo entendimento do STF e do próprio Senado Federal, este último não 
está obrigado à edição da resolução suspensiva, tratando-se, pois, de ato discricionário 
(político). Tal competência do Senado Federal aplica-se à suspensão no todo ou em 
parte, tanto de lei federal, quanto de leis estaduais, distritais ou municipais, declaradas, 
incidentalmente, inconstitucionais pelo STF.
8.1.3 Efeitos da declaração de inconstitucionalidade – controle difuso
A. Entre as partes do processo (ex tunc)
Declarada incidenter tantum (incidentalmente) a inconstitucionalidade de lei 
ou ato normativo pelo STF, desfaz-se, desde sua origem, o ato declarado inconstitucional 
(e todas as conseqüências dele derivadas). Isto porque o ato inconstitucional é nulo, não 
pode produzir efeitos, sendo fulminado desde sua origem pela declaração de 
inconstitucionalidade, inclusive com efeitos retroativos (ex tunc). O efeito ex tunc, contudo, 
só tem aplicação para as partes e no processo em que houve a declaração de 
inconstitucionalidade.
B. Para os demais (ex nunc) 
Como já visto, a CF/88 previu um mecanismo de ampliação dos efeitos da 
declaração incidental de inconstitucionalidade pelo STF (CF, art. 52, X), no caso de 
edição de resolução pelo Senado Federal, suspendendo, no todo ou em parte, a 
execução de lei ou de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do 
STF, que, nesse caso, terá efeitos erga omnes, porém ex nunc (só produzindo efeitos a 
partir da publicação da referida resolução, sem retroagir).
8.1.4 Controle Difuso de Constitucionalidade em sede de Ação Civil Pública
O STF não admite a declaração de inconstitucionalidade em sede de Ação 
Civil Pública que vise proteger direitos coletivos ou difusos, que teria necessariamente 
efeitos erga omnes, o que implicaria em usurpação de competência do STF (efeitos 
idênticos ao da declaração concentrada de constitucionalidade). Assim, só admissível a 
declaração de inconstitucionalide de lei ou ato normativo, pela via difusa e em sede de 
ACP, se os direitos protegidos forem do tipo individuais homogêneos, pois nesse caso a 
decisão só alcançará um grupo de pessoas determinado (efeito inter partes).
O que se pretende vedar é a utilização da ACP como sucedâneo da ação 
direta de inconstitucionalidade, de forma a retirar do Supremo Tribunal Federal o controle 
concentrado da constitucionalidade das leis e atos normativos federais e estaduais em 
face da Constituição Federal. Essa vedação aplica-se quando os efeitos da decisão da 
ACP forem erga omnes.
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8.1.5 Controle difuso de constitucionalidade durante o processo legislativo
O STF admite a possibilidade de controle de constitucionalidade (pela via 
difusa) durante o processo de feitura das espécies normativas, especialmente em relação 
à fiel observância das normas constitucionais do devido processo legislativo (CF, arts. 59 
a 69). Segundo entendimento do STF, compete ao Poder Judiciário analisar, em sede de 
mandado de segurança ajuizado por parlamentar, a regularidade na observância por parte 
do Congresso Nacional de normas constitucionais referentes ao processo legislativo, uma 
vez que os congressistas têm direito líquido e certo a não participarem de processo 
legislativo contrário à CF. Quanto à possibilidade de o Poder Judiciário interpretar o 
significado de resoluções legislativas, o STF se divide, sendo posição majoritária a de que 
não cabe ao Poder Judiciário interpretar normas regimentais, por tratarem de assunto 
interna corporis.
8.2 Controle concentrado ou via de ação direta
Por meio do controle concentrado (abstrato) de constitucionalidade, procura-
se obter a declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo em tese, 
independentemente da existência de um caso concreto, visando-se à obtenção da 
invalidação da lei, a fim de garantir-se a segurança das relações jurídicas, que não podem 
ser baseadas em normas inconstitucionais. A declaração de inconstitucionalidade é, pois, 
o objeto