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Antonio Lopes Neto - Direito Administrativo

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norma constitucional, atende-as plenamente,
fazendo firme a soberania e satisfazendo o sistema de
freios e contrapesos acolhido na Carta da República em
vigor.
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Nessa ordem de idéias, é ínsito ao poder de jïscalização
dessas comissões o direito de requerer a exibição de todos
os documentos necessários ao desempenho de seus miste-
res, sendo o ato que obsta essa faculdade inegavelmente
abusivo e ilegal, autorizando o exercício válido e regular
do mandado de segurança, como ocorreu na hipótese de
que cuidam este autos.
Em face do exposto, no reexame necessário, confirmo a r.
sentença.
Custas pelo impetrado.
É o meu voto" (Ap. Cív. n. 21.082I3 - Comarca de
Lajinha - Apelante: Juiz de Direito da Comarca de
Lajinha - MG, pelo Prefeito Municipal de São José do
Mantimento - Apelado: H.M.G. - Relator: Des. Bady
Curi).
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ANTONIO LOPES NETO
Procurador de Justiça aposentado e Advogado
COMENTÁRIOS SOBRE DIREITO ADMINISTRATIVO
MANDAMENTOS - LIVRARIA & EDITORA
Belo Horizonte - 1999
Catalogação na Fonte da Biblioteca da Faculdade de Direito da
UFMG e ISBN Departamento Nacional do Livro
Lopes Neto, Antônio
L864c Comentários sobre direito administrativo / Antônio
Lopes Neto. - Belo Horizonte: Mandamentos, 1999.
Inclui bibliografia
1. Direito administrativo 2. Atos administrativos 3.
Contrato público 4. Licitação pública 5. Direito
Administrativo - jurisprudência - Brasil
CDU: 35
35(81)
ISBN 85-87054-14-7
Editor Arnaldo Oliveira Júnior
Copyright (c) 1999 by
MANDAMENTOS LIVRARIA E EDITORA
Rua Goitacases, 82 - Centro - CEP 301 90-O50 - Belo Horizonte - MG
Tel.: (031 ) 21 3-2777 - Fax: (031 ) 213-4349
Home page: www.mandamentos.com.br
Nenhuma parte desta edição pode ser reproduzida, sejam quais forem os meios
ou formas, sem a expressa autorização da Editora.
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
A vigorosa força que brota do sertão,
a silenciosa e profunda reflexão
que desperta e encanta,
as indecifráveis montanhas das Gerais
conduziram-me a:
Fátima, companheira, esposa dedicada;
Henrique, Virgínia e Marina, filhos amados.
A vocês, motivação maior do existir, meu agradecimento.
Antônio Lopes Neto.
Apresentação
Há bem pouco tempo atrás, as administrações municipais, agindo de modo não muito 
recomendável, procediam, com habitualidade, aos registros das despesas realiza-
das após a sua efetivação, com atraso, mediante o uso de uma "montagem", de 
molde a possibilitar a aprovação de suas contas. Essa prática viciosa, 
obviamente, abriu uma brecha para que um sem-número de pessoas de caráter
duvidoso, quase sempre empresários inescrupulosos, de forma organizada, 
passassem a assediar lideranças municipais desprovidas de qualquer formação 
moral.
Seus objetivos eram por demais claros, vale dizer, conquistavam os expoentes 
líderes políticos locais através da sedutora proposta de realizar um grande 
plano de enriquecimento fácil, em detrimento do patrimônio público, não se 
medindo esforços para a entabulação de grandes negociatas de contratação de bens 
e serviços, com valores superfaturados. Essa fusão de empresários com políticos
desonestos, em franca evolução outrora, encontrou êxito pleno, sem quaisquer 
obstáculos, deixando perplexos os poucos interessados na moralização da vida 
pública.
Todavia, havia uma consciência cívica que, embora adormecida, aflorou com grande 
força para restaurar a dignidade no exercício da função pública.
Com efeito, vindo à tona o desperdício dos recursos públicos, simultaneamente à 
crise econômica que assolava o País, o interesse no combate ao déficit público 
se tornou comum, para não dizer imperativo. Todos os olhos se voltaram 
instantaneamente para as três esferas da administração, na busca contínua de se 
coibir gastos excessivos, inúteis e/ou ilegais.
A partir de então constatou-se que as mazelas federais do governo paralelo das 
empreiteiras, das operações com empresas fantasmas, também foram transplantadas 
para as áreas estaduais e municipais. Assim, embora sem a mesma intensidade, "a 
consciência cívica" estava de uma vez por todas formada, através do exercício 
pleno da cidadania, da participação intensa do povo nos debates sobre os 
problemas que afligem a comunidade, da vigilância da imprensa em relação ao 
desempenho dos ocupantes nos respectivos cargos públicos, da procura da 
superação das dificuldades para a fiscalização eficiente da administração 
pública, a fim de evitar os constantes desvios de recursos públicos para os
bolsos de desonestos gestores e, por conseqüência, da valorização do Tribunal de 
Contas e do Ministério Público, um no apoio ao controle externo, modernizando e 
aprimorando os métodos de trabalho, e o outro na linha de frente para a exigir o 
ressarcimento dos prejuízos e a punição dos malversadores.
Não é sem propósito, pois, que se constata, com justificado júbilo, a chegada de 
um trabalho jurídico dos mais importantes para o aprimoramento da administração 
pública Comentários sobre Direito Administrativo de autor culto e estudioso que, 
certamente, vai ser de muita utilidade para os administradores bem-intencionados 
e honestos, que tenham entre suas principais metas de administração, o 
ajustamento da máquina administrativa aos padrões de austeridade que os novos 
tempos exigem, e para os operadores de direito, advogados, promotores e juízes, 
que terão à mão os elementos para o exercício de seu mister.
Conheci o autor, Dr. Antônio Lopes Neto, como Promotor de Justiça em 
sua primeira Comarca, Poço Fundo, substituindo o eficiente e ilustrado Dr. José 
Resende Lara, adoentado à época, na acolhedora Comarca de Machado, Comarca para 
a qual eu havia sido promovido como Juiz de Direito, no início dos anos 80. Ao 
primeiro contato, pude perceber que se tratava de profissional íntegro, 
inteligente, competente, estudioso e dedicado e que não encontraria dificuldades 
para atingir, rapidamente e com brilho, as culminâncias da carreira. Não errei 
no vaticínio, pois logo em seguida fora promovido para Campanha, desistindo, 
entretanto, em favor de outro colega, para lograr seu objetivo na vaga então 
surgida em Almenara, onde permaneceu por pouco tempo, devido à remoção para 
Andrelândia, para alcançar, pouco tempo depois, promoção para Uberaba, daí para 
Belo Horizonte e, finalmente, para o elevado cargo de Procurador de Justiça. 
Chefiou o Gabinete do Procurador-Geral de Justiça e foi o mentor e primeiro 
Diretor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do Ministério Público e 
da Escola Superior do Ministério Público, função na qual permaneceu até a sua 
precoce e recente aposentadoria. Homem vinculado a Pouso Alegre, dedicava-se às 
letras, paralelamente a seu trabalho no Ministério Público, elaborando trabalhos 
jornalísticos e literários, que lhe propiciaram o ingresso na Academia de 
Letras, sediada naquela culta comuna. Aposentando-se, instalou-se como advogado, 
conquistando merecido prestígio em todo o sul de Minas.
Assim, o autor está mais que credenciado para fazer os seus 
Comentários sobre Direito Administrativo. Traz experiência de homem do interior, 
conhecedor dos métodos de trabalho das prefeituras municipais, de cultor das 
letras, de administrador, de Membro do Ministério Público e de advogado.
Os assuntos tratados na obra estão bem distribuídos, contendo uma exposição 
inicial e a parte prática, desenvolvida com a apresentação de pareceres e 
jurisprudência pertinentes.
Inicia a obra pelo conceito do Ato Administrativo, da possibilidade de sua 
revogação, analisando o atributo da discricionariedade, para trazer à baila 
assunto de relevância, que se refere à vantagem pecuniária concedida aos 
servidores públicos, quando se tem provimento positivo em ação de mandado de 
segurança impetrado pelo próprio servidor em face de ato ilegal e abusivo, que 
teria contrariado direito líquido e certo ao ressarcimento de férias normais não 
gozadas em tempo,