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Concurseiro Social - Regime Jurídico do Servidores Públicos Civis da União Comentada - Lei nº 8112 de 1991

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da administração pública indireta, 
sujeitando-as apenas as regras do Código Civil. Apesar disso, o Decreto-Lei 2.299/86 e a Lei 7.596/87 
revogaram parcialmente o Decreto-Lei 900/69, reintegrando as fundações públicas de direito privado 
na administração pública indireta. Já a Carta de 1988 consagrou a figura da fundação de direito público 
e estabeleceu as mesmas restrições administrativas, orçamentárias e financeiras impostas às 
autarquias, contudo o texto do seu art. 37, inc. XIX foi alterado pela Emenda Constitucional nº 19/98, 
retirando a qualificação "pública" da redação original da Carta de 1988 e autorizou o Poder Executivo a 
instituir fundações públicas de direito privado. Dessa forma, possibilitou ao Estado criar e manter 
fundações públicas de direito público, com regime jurídico-administrativo, ou fundações públicas de 
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direito privado, com regime celetista. Mesmo assim, a EC 19/98 previu que lei complementar deverá 
definir a área de atuação dessas fundações, apesar de não ter sido editada. Enquanto isso, as 
fundações desempenham atividade estatal atípica, de cunho social, ao passo que as autarquias 
desempenham atividade típica de Estado de natureza administrativa. 
 
Art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura 
organizacional que devem ser cometidas a um servidor. 
Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com 
denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou 
em comissão. 
Comentários: 
Cargo público é uma célula, um lugar pertencente à estrutura organizacional da Administração 
Direta e de suas autarquias e fundações públicas que, ocupado por servidor público, tem um conjunto 
de atribuições específicas e remuneração fixadas em lei ou a ela equivalente. A nosso ver, percebe-se 
a inadequação conceitual do art. 39 da Lei 8.112/90, tendo em vista que cargo público não é um 
conjunto de atribuições, aliado ao fato de que as atribuições são cometidas ao ocupante do cargo, que 
é o seu titular. 
Em relação ao assunto, torna-se conveniente fazer menção a alguns aspectos: 
a) a existência de lei é pressuposto para a criação de cargos públicos, nos termos do art. 48, inc. X, da 
CF/88. A Emenda Constitucional 32/2001 modificou esse artigo, ao admitir a extinção por decreto no 
caso de vacância, ainda que a lei tenha criado o cargo; 
b) como regra geral, é garantido a todos os brasileiros, natos e naturalizados, o acesso aos cargos 
públicos, desde que atendidos os requisitos legais. A exceção está preconizada no art. 12, § 3º, da 
CF/88, que elencou determinados cargos privativos de brasileiros natos. Quanto ao ingresso de 
estrangeiro no serviço público, observa-se a sua possibilidade a partir da Lei 8.745/93, que trazia em 
seu texto a contratação temporária de professor e pesquisador visitante estrangeiro como sendo de 
excepcional interesse público, o que foi confirmado pela Emenda Constitucional 11/96, especialmente o 
seu § 1º inserido no art. 207, da CF/88. Posteriormente, a Emenda Constitucional 19/98 voltou a 
discutir a questão, uma vez que foi alterado o art. 37, inc. I (É facultado às universidades admitir profes-
sores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei). Em sequência, tem-se a edição da Lei 
9.515/97, que se adequou à EC 11/96 ao estabelecer que as universidades e instituições de pesquisa 
científica e tecnológica federais pudessem prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas 
estrangeiros; 
c) a denominação e as atribuições próprias do titular do cargo revelam a necessidade de sua criação 
por lei, em número certo e com a exata descrição dos deveres, das responsabilidades, na forma que 
dispuser o respectivo plano de carreira; 
d) os recursos necessários ao pagamento do vencimento pago pelos cofres públicos serão alocados no 
orçamento do órgão ou entidade em que o servidor estiver em efetivo exercício. A criação de cargos 
públicos depende de inclusão de sua previsão na Lei de Diretrizes Orçamentárias, de que trata o art. 
165, § 2º, da CF/88. Naturalmente, além do vencimento, outras vantagens pecuniárias poderão ser 
deferidas ao ocupante do cargo e, nesse caso, os recursos deverão ser alocados nos respectivos 
elementos de despesa, como, por exemplo: diárias - pessoal civil e outras despesas variáveis - pessoal 
civil; 
e) o provimento em caráter efetivo ocorre quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou 
de carreira, mediante aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, enquanto o 
provimento em comissão, inclusive na condição de interino, para os cargos de confiança vagos. A 
principal característica do cargo público em comissão, cujo ocupante não seja, simultaneamente, 
ocupante de cargo ou emprego efetivo na Administração Direta, autárquica ou fundacional, é a de não 
ter direito aos benefícios do Plano de Seguridade Social do Servidor, excetuada a assistência à saúde, 
conforme estabelecido no art. 183, § 1º. 
 
Art. 4o É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei. 
Comentários: 
A percepção de vencimentos pelo exercício do cargo é a regra da Administração Brasileira, que 
desconhece cargo sem retribuição pecuniária. Pode haver função gratuita, como são as honoríficas e 
as de suplência, mas cargo gratuito é inadmissível na nossa organização administrativa. Diante deste 
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princípio, resulta que todo aquele que for investido num cargo e o exercer como titular ou substituto tem 
direito ao vencimento respectivo, salvo, obviamente, quando a função do cargo for a de substituição. 
O objetivo é evitar o locupletamento ilícito, também denominado enriquecimento sem causa ou 
enriquecimento ilícito. 
 
Título II 
Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição 
Capítulo I 
Do Provimento 
Comentários: 
É o ato praticado pela autoridade competente de cada Poder com vistas a promover o 
ingresso, dar posse e exercício, e a movimentação do servidor público ocupante do cargo público. 
Para Hely Lopes Meirelles, o provimento é o ato pelo qual se efetua o preenchimento do 
cargo público, com a designação de seu titular. 
 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 5o São requisitos básicos para investidura em cargo público: 
I - a nacionalidade brasileira; 
II - o gozo dos direitos políticos; 
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; 
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; 
V - a idade mínima de dezoito anos; 
VI - aptidão física e mental. 
§ 1o As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecidos em lei. 
§ 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público 
para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são 
portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no 
concurso. 
§ 3o As universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica federais poderão prover seus 
cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os 
procedimentos desta Lei. 
Comentários: 
Como a lei não pode estabelecer distinção entre os brasileiros natos e naturalizados, resta 
evidente que o requisito de nacionalidade brasileira assim deve ser compreendido, na forma do art. 12 
da CF/88. Não obstante, a Constituição Federal estabeleceu que determinados cargos (Presidente e 
Vice-Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado Federal, 
Ministro do Supremo Tribunal Federal, de carreira diplomática, de oficial das Forças Armadas e de 
Ministro de Estado da Defesa) serão ocupados apenas por brasileiros natos, nos moldes do art. 12, § 
3º.