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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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administrativa e poder hierárquico. 
 
A hierarquia administrativa constitui princípio orgânico de Direito 
Administrativo cujo conteúdo ressalta a verticalização da estrutura da 
Administração Pública, corroborada pela consagração de valores jurídicos 
primaciais, tais como, supremacia e autoridade da Administração Pública 
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segundo o interesse geral de seus administrados, usuários e clientes do 
serviço público. 
É da noção de hierarquia administrativa que dimanam os fundamentos 
jurídicos do poder hierárquico, que não só buscam orientar a repartição 
escalonada das competências e serviços, mas também preservar a autoridade 
estatal em todos os seus estamentos. 
 
5.1.Função Ordenadora do Direito Administrativo em Face da 
Pirâmide da Hierarquia Administrativa. 
 
A hierarquia administrativa é princípio ordenador que orienta o 
escalonamento interno da Administração tendo em vista as diversas 
relações de autoridade e subordinação. 
As entidades públicas, com seus órgãos e agentes, são escalonadas 
segundo um juízo de proporcionalidade em face da competência 
funcional de cada componente da máquina administrativa. 
Considerando a área de atuação, a posição estatal, a atividade fim de 
cada “peça” funcional, entre outros fatores, opera-se o processo de 
distribuição de competências na medida de suas atividades funcionais 
sistemicamente consideradas. 
Quão mais elevada a posição estatal da atividade administrativa, maior o 
volume de poder administrativo a ser exercido pelo órgão e pelo agente a ele 
vinculado. Por outro lado, quantitativamente falando, no vértice da pirâmide 
hierárquica encontramos um menor número de operadores (agentes e órgãos) 
administrativos. 
Se nos projetarmos para a base da pirâmide, vamos verificar que aumenta 
a quantidade de agentes e órgãos encarregados da execução das tarefas 
determinadas pelas autoridades e órgãos superiores. A quantidade de agentes 
e órgãos nos níveis subalternos vai aumentando na proporção em que vão se 
tornando necessárias a racionalização e divisão do trabalho visando a uma 
especialização dos serviços e maior eficiência dos resultados obtidos. 
 
 
5.2.A Hierarquia Administrativa e seu Regramento: Discrici-
onariedade e Vinculação. 
 
 
No vértice da pirâmide hierárquica encontramos as autoridades públicas 
no exercício de largo poder discricionário. 
Aos órgãos e agentes da esfera superior de administração pública cabe a 
competência para deliberar acerca da conveniência, oportunidade, 
adequação, utilidade, necessidade e eficiência de determinadas medidas e 
providências de gestão nos negócios de interesse público. 
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Eis o porquê no topo da pirâmide hierárquica termos uma pequena 
quantidade de agentes e órgãos encarregados da gerência, da direção, do 
planejamento e da deliberação dos interesses gerais da nação. O volume de 
poder discricionário exercido pelos órgãos de cúpula justifica que sejam 
poucas as corporações legitimadas para o exercício daquele poder. 
Na base da pirâmide temos uma expressiva quantidade de agentes e 
órgãos tendo em vista a variada gama de especialidades e serviços 
reclamados pela demanda pública. 
A especialização de serviços faz com que os agentes titulares dessas 
atribuições subalternas estejam vinculados ao tipo de função específica 
correspondente ao seu trabalho, ofício ou profissão. 
O poder público exercido pelos agentes administrativos subalternos 
encontra-se vinculado às disposições legais e regulamentares que o 
ordenamento jurídico estabelece. 
O fato de o ordenamento estabelecer um regramento mais determinado e 
preciso em relação às atividades subalternas, vinculando suas atribuições ao 
disposto nas leis e regulamentos, não significa conferir liberdade sem limites 
para o exercício do poder discricionário. Tanto o poder discricionário 
quanto o vinculado são regrados pelo ordenamento. Todavia, àqueles que 
exercem poder discricionário confere-se maior liberdade de atuação funcional, 
sendo típico dos escalões superiores de administração, enquanto o poder 
administrativo exercido pelos órgão e agentes de nível subalterno, 
encontrando-se os mesmos vinculados ao disposto pelo ordenamento jurídico. 
Assim, as leis e regulamentos administrativos, em obediência ao princípio 
da hierarquia administrativa, estabelecem as atribuições e competências 
funcionais dos agentes superiores e subalternos de administração, deferindo 
aos mesmos poderes administrativos segundo uma percepção de hierarquia 
administrativa, consideradas a natureza da atividade funcional de cada 
agente de administração pública. 
 
 
5.3.Hierarquia Administrativa e o Dever de Obediência. 
 
Da noção de hierarquia nasce o dever de obediência, cabendo aos 
operadores subalternos da máquina administrativa observar os comandos 
provenientes dos superiores hierárquicos. 
O dever de obediência, todavia, não chega a justificar o cego acatamento 
das ordens superiores. Quando a ordem determinada por autoridade superior 
for manifestamente ilegal caberá ao agente usar do bom senso, opondo-se à 
consecução ao comando emitido, sob pena de responder conjunta e 
solidariamente pelos danos resultantes da obediência desmedida. 
Por outro lado, é dever funcional estabelecido em lei e consignado nos 
diversos estatutos jurídicos de servidores e agentes públicos a obrigação de 
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representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder, ainda que 
contra superior hierárquico. 
 
5.4.A Hierarquia Administrativa e a Responsabilidade 
Funcional. 
 
A responsabilidade funcional dos agentes públicos é proporcional ao nível 
hierárquico de sua atuação funcional. 
Nos níveis superiores de administração a responsabilidade é de natureza 
política, sendo impingido aos agentes que ocupam os mais altos cargos na 
Administração Púb lica as penalidades de impeachmant, cassação de 
mandato, perda da vitaliciedade, entre outras. 
Nos níveis subalternos de administração a responsabilidade é de natureza 
profissional e executiva, sendo cabíveis penalidades do tipo advertência, 
repreensão, suspensão, demissão, cassação de aposentadoria, cassação de 
disponibilidade, destituição de cargo em comissão ou de função de confiança. 
 
 
5.5.Hierarquia Administrativa e Investidura Funcional. 
 
Com fundamento na noção de hierarquia são atribuídas competências 
funcionais, conferindo maior ou menor volume de poderes administrativos 
segundo grau hierárquico e esfera de atuação dos agentes e órgãos que 
compõem a engrenagem da máquina estatal. 
Para o regular desempenho de suas atribuições, e segundo o grau 
hierárquico de sua atuação funcional nasce o conceito de jurídico 
administrativo da investidura. 
A investidura é um conceito jurídico intimamente afeto ao conceito de 
hierarquia administrativa, pois que é da investidura que surge a legitimidade 
jurídica para o exercício da autoridade pública, vale dizer, da autoridade 
estatal. 
Portanto, somente o agente legalmente investido em cargo ou função 
pública pode exercer poderes de administração pública, observada a 
natureza de sua atribuição e sua posição hierárquica na estrutura da 
Administração Estatal. 
 
 
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5.6.A Hierarquia Administrativa e o Poder Disciplinar. 
 
Um outro aspecto atrelado à questão da hierarquia administrativa diz 
respeito ao poder disciplinar,. 
Como forma de preservação da hierarquia administrativa o Direito 
Administrativo prevê regras jurídicas cujo propósito é prevenir e reprimir a 
prática de infração no âmbito interno da Administração. 
Para tal efeito, constitui infração disciplinar toda ação ou omissão 
capaz de comprometer