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Auto Anônimo - Curso de Direito Administrativo

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Em sede constitucional encontramos ainda outras disposições que 
militam no sentido da publicidade. Nestes termos, como direito fundamental, 
encontramos as disposições do artigo 5º, incisos XIV e XXXIII. 
 
Art.5º, XIV – “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o 
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;” 
 
Art5º, XXXIII – “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações 
de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral, que serão 
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas 
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;” 
 
 Inflamado pelo princípio da eficiência, o reformador da Emenda 
Constitucional 19/98 determinou nova redação a diversos artigos que tratam da 
Administração Pública na Constituição, tendo como pano de fundo o princípio 
da publicidade, cabe destacar: 
 
Art. 37, §3º, II – “o acesso dos usuários a registros administrativos e a 
informações sobre atos de governo, observado o disposto no artigo 5º incisos 
X e XXXIII;” 
 
 Art.39, §6º - “Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão 
anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos 
públicos.” 
 
 Outro dispositivo constitucional claramente associado ao princípio da 
publicidade é o parágrafo 1º do artigo 37, onde se lê: “a publicidade dos atos, 
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter 
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo 
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de 
autoridades ou servidores públicos.” 
 
Da obediência ao princípio da publicidade deriva a noção de 
oficialidade da divulgação. Assim, somente por intermédio de meios oficiais se 
opera a adequada observância ao princípio. 
A publicidade, como princípio, não deve ser confundida com a 
publicação. A publicação representa a atividade concreta de publicar, de dar 
notoriedade, de divulgar a ocorrência de determinado ato (normativo ou não), 
fato ou contrato administrativo, tendo em vista o interesse da coletividade. 
Associados à publicação estão os conceitos de vigência e eficácia dos 
atos da Administração. Por isso, os meios não-oficiais (rádio, televisão, 
2.Princípios Jurídicos Administrativos. 
 
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internet, jornais de notícias, etc) não estão autorizados a demarcar prazos e 
impelir obrigatoriedade jurídica frente à coisa divulgada. 
As leis, atos e contratos administrativos, que produzem conseqüências 
jurídicas fora dos órgãos que os emitem, exigem publicação oficial para 
adquirirem validade universal, isto é, somente operam efeitos perante terceiros 
na medida em que se dêem meios para ciência universal. 
No campo da publicação cabe salientar outro aspecto interessante. A 
publicidade exige adequação do meio ao fim, ou seja, deve haver uma 
correspondência entre o instrumento que veicula publicação oficial e o 
conteúdo/relevância da coisa anunciada. 
Adequado à eficácia espacial do ato, na medida em que pode ser um 
ato de efeito externo ou interno, o meio de divulgação segue o seu alcance. Eis 
que, considerando o conteúdo e a relevância do tema divulgado, a publicidade 
se vê respeitada pela publicação que ora se opera por meio de diário oficial ora 
por boletins internos. 
Ensina o eminente Prof. Hely Lopes Meirelles: “Em princípio, todo ato 
administrativo deve ser publicado, porque pública é a Administração que o 
realiza, só se admitindo sigilo nos casos de segurança nacional, investigações 
policiais ou interesse superior da Administração a ser preservado em processo 
previamente declarado sigiloso.” 
 
HELY LOPES MEIRELLES 
"Publicidade é a divulgação oficial do ato para conhecimento do público 
e início de seus efeitos externos. A publicidade não é um elemento formativo 
do ato; é requisito de eficácia e moralidade. Por isso mesmo os atos irregulares 
não se convalidam com a publicação, nem os regulares a dispensam para sua 
exeqüibilidade, quando a lei ou o regulamento a exige. 
O princípio da publicidade dos atos e contratos administrativos, além de 
assegurar seus efeitos externos, visa propiciar o seu conhecimento e controle 
pelos interessados direto e pelo povo em geral, através dos meios 
constitucionais - mandado de segurança, direito de petição, ação popular, 
habeas data (art.5º,LXIX; XXXIV, alínea a, LXXIII; LXXII) e suspensão dos 
direitos políticos por improbidade administrativa (art.37, §4º) - e para tanto a 
mesma Constituição impõe o fornecimento de certidões de atos da 
Administração, requeridos por qualquer pessoa, para defesa de direitos ou 
esclarecimento de situações (art.5º,XXXIV,b)..." 
 
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO 
“...exige a ampla divulgação dos atos praticados pela Administração 
Pública, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas em lei. Existem na própria 
Constituição (art.5º) outros preceitos que ou confirmam ou restringem o 
princípio da publicidade, tais como os incisos LX, XIV, XXXI, LXXII, XXXIV, 
alíneas 'a' e 'b'. " 
2.Princípios Jurídicos Administrativos. 
 
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DIÓGENES GASPARINI 
"A publicação para surtir os efeitos desejados é a do órgão oficial. De 
sorte que não se considera como tendo atendido o princípio da publicidade a 
mera notícia, veiculada pela imprensa falada, escrita ou televisada, do ato 
praticado pela Administração Pública, mesmo que a divulgação ocorra em 
programas dedicados a noticiar assuntos relativos ao seu dia a dia, como é o 
caso da Voz do Brasil, conforme já decidiu o STF ao julgar o RE 71.652 (RDA, 
1 11:145). " 
 
CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO 
“Consagra-se nisto o dever administrativo de manter plena transparência 
em seus comportamentos. Não pode haver em um Estado Democrático de 
Direito, no qual o poder reside no povo, ocultamento dos assuntos que a todos 
interessam e muito menos em relação aos sujeitos individualmente afetados 
por alguma medida. Na esfera administrativa o sigilo só se admite, a teor do 
art. 5o, XXXIII, quando ‘imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.” 
 
JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO. 
“Indica que os atos da Administração devem merecer a mais ampla 
divulgação possível entre os administrados, e isso porque constitui fundamento 
do princípio propiciar-lhes a possibilidade de controlar a legitimidade da 
conduta dos agentes administrativos. Só com a transparência dessa conduta é 
que poderão os indivíduos aquilatar a legalidade ou não dos atos e o grau de 
eficiência de que se revestem.” 
 
 
 
1.5.Eficiência. 
 
 Princípio incorporado pelo reformador constituinte em 1998, por 
intermédio da Emenda de número 19, ao texto da Constituição da República. 
A explicitação do princípio por meio da Emenda nº 19/98, porém, não 
nos autoriza a tratá-lo como princípio novo. Na verdade, trata-se de princípio já 
consagrado no Direito Administrativo brasileiro, doutrinária e 
jurisprudencialmente. Podemos, inclusive, sustentar que a própria Constituição 
já acusava, implicitamente, a sua presença. Veja-se, por exemplo, o disposto 
pelo inciso IX (contratação por tempo determinado para atender a necessidade 
de excepcional interesse público), XVI (vedação de acumulação), XVIII 
(precedência da administração fazendária) e XXI (licitação),