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Adm Pública - A Corrupcao no Brasil

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infiéis ou céticos. Tais guerras já mataram mais que as bombas atômicas lançadas
sobre Hiroshima e Nagasaki. É espantoso que se destrua tanto, invocando Deus; nem o ecumenismo ou
atividades ecumênicas conseguem conciliá-las.
 
 Estão em crise, abaladas pelo surgimento de novas concepções no mundo do pensamento, da
técnica e da cosmologia. Elas têm como matéria-prima o mito de Deus e o seu contrário, o Demônio, em
alguns países, com roupagens distintas. Mas, em virtude do desgaste sofrido, em todos os planos, pelos
deuses e satãs, as religiões estão buscando novos rumos para manter os seus vastos domínios, inclusive
socioculturais e econômicos.
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 Muitos séculos já se foram, ao longo dos quais estão elencados os conflitos sangrentos
originados por motivos religiosos. O pior é que, neste instante em que estamos escrevendo estas
considerações, no Golfo Pérsico e em outras partes do mundo, conflitos brutais e sangrentos estão se
travando por questões religiosas, racistas, ódio e dinheiro.
 
 Daí se vê não podermos desprezar essas facetas das religiões, rotulando-as de destrutivas,
violentas e danosas, em todos níveis socioculturais, sem perdermos de vista tudo o que elas têm feito de
melhor em prol da humanidade.
 
 Esses paradoxos e brutais matanças de seres humanos inocentes por questões religiosas ou
fanatismo saltam aos olhos e podem engendrar a sociedade dessacralizada ou ateísta, sem igrejas, sem
mesquitas, sem sinagogas, sem templos, sem deuses, sem demônios, sem terreiros, sem centros espíritas,
sem infernos, sem paraísos, etc..
 
Seria a sociedade do salve-se quem puder? Sim, partindo do princípio de que o temor de Deus limita o
comportamento do homem, no que ele tem de pior. Deus é o símbolo do bem. Portanto, é um brutal
absurdo praticar genocídio em seu nome.
 
Todavia, o medo do desconhecido, que alimenta as religiões, ao longo de milênios,
continua alimentando as bases das mesmas, entre as quais relacionamos as seguintes:
 
— Cristianismo;
— Bramanismo ou Hinduísmo;
— Taoísmo;
–– Confucionismo;
–– Judaísmo;
–– Islamismo;
–– Astecas;
–– Budismo;
–– Xintoísmo;
–– Fetichismo ou feiticismo;
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–– Atenismo;
–– Espiritismo;
–– Candomblé.
 
 
Ler, mais adiante: Corrupção à Luz do Mito de Deus.
 
 
Ódio
 
 
 É um dos componentes de nossa natureza, que não deve ser confundido com a coragem. E, a
exemplo do amor, é ilimitado. Daí, ser o mais violento e irracional destruidor. Mas, como o seu agente,
via de regra, é levado por forte emoção, muitos de seus tiros saem pela culatra, vitimando o próprio ódio.
Para aferirmos o potencial destruidor do ódio, precisamos decompô-lo, estudando suas peculiaridades,
impulsos destrutivos e semelhança ou identidade entre o que odeia e o odiado, intimamente vinculados
por processos inversos. É bom ressaltarmos, desde logo, quão inferior o ódio é. Eis o porquê de estar
sempre ausente nos grandes feitos humanos, em todos os meios socioculturais. À medida que ele se
afasta ou morre, o bem se sobrepõe ao mal, emergindo o que há de melhor da natureza humana.
 
 Realmente, “o ódio não constrói”. Daí a dificuldade em identificar efeitos progressistas ou
benéficos, resultantes do ódio ou vingança. Sua dialética pretende instaurar “justiça”, fomentando a
aversão de raças, de classes contra classes, de categorias sociais contra categorias sociais, de famílias
contra famílias, de religião contra religião.
 
 Mais não precisa ser dito para justificar nossa oposição ao rancor, sob todas as formas pelas quais
ele se apresenta.
 
 
Racismo
 
 
CORRUPÇÃO NO BRASIL
“A coexistência entre as diversas
 populações do mundo é um dos “A mestiçagem é o
 principais fundamentos para a futuro do mundo.”
 paz entre os homens.”
 
Charles De Gaulle
 
 
 
“Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados
pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter”.
 
 Martin Luther King
 
 
 O racismo é uma das piores formas de corrupção e beligerância; por conseguinte, de destruição. É
ilógico e brutal, responsável por uma série de tragédias humanas. É uma loucura dos sistemas dialéticos
que pretendem instaurar o Estado fomentando o racismo, num catastrófico entrechoque de raças, com a
exclusão daqueles que são chamados impropriamente de inferiores, pertencentes a outras camadas
socioeconomicoculturais ou de epiderme de outra cor: branca, negra, amarela, etc.
 
 É profundamente injusto e angustiante o problema inter e intra-racial. Povos civilizados, ainda
não conseguiram se libertar de seus sentimentos racistas e escravocratas. As profundas feridas da guerra
de Secessão, entre confederados e federados, não obstante decorrido mais de um século, ainda não se
cicatrizaram. O mesmo se pode dizer de outras guerras e de outras matanças por motivos racistas e
religiosos.
 
 Tais discriminações são estúpidas, pois, não se fundamentam em nenhum processo inteligente de
seleção: têm como base a mesma matéria-prima, a espécie humana. O aperfeiçoamento genético é válido
para todas as raças humanas e poderá ser enriquecido pelo condicionamento sóciocultural, alimentação,
higiene, clima, etc.
 
 A teoria de superioridade racial, nascida de fonte discutível, está sendo reavaliada e contestada,
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num todo de globalidade.
 
 Como entender que as raças diferentes na cor e em níveis culturais se guerreiem tanto entre si, se
na Terra há espaço para todos? Como entender a condenação à morte por apedrejamento do empresário
alemão Helmut Hofer, em Teerã, por ter feito sexo com uma iraniana? É que as leis do país proíbem
relações sexuais de muçulmanos com não-muçulmanos, o que é um absurdo.
 
 A miscigenação, de há muito em marcha no mundo, proliferando em todos os povos, tribos e
etnias, é a terrível inimiga do racismo, por vir se infiltrando em todas as raças, inclusive nas raças
segregacionistas. Daí, ao longo dos séculos, virem esses povos se mestiçando. Agora mais, sob o efeito
da globalização.
 
 A futurologia ou prospectiva, coadjuvada pelo efeito da globalização, vem fazendo projeções
lógicas, até mesmo matemáticas, que prevêem, ao longo de alguns milênios, ou menos, o
desaparecimento da raça branca pura, bem como das demais raças, ou seja: miscigenação entre todas as
raças, na seguinte ordem: raça branca pura; raça negra pura; raça amarela, esta, provavelmente resistirá
mais para se mestiçar por inteiro; negróide; negrito; etc.
 
 Seja como for, resistindo mais ou menos, todas as raças serão encurraladas pela miscigenação,
porque o crescimento e pressão da mestiçagem são superiores ao da natalidade das raças
segregacionistas. A começar pelos EUA, onde a miscigenação é bastante dinâmica, por ser o país que
mais acolhe correntes imigratórias de raças diferentes, numa inclusão social dignificante. Aliás,
Monteiro Lobato, em seu livro O Presidente Negro ou O Choque das Raças, editado em 1945, previu a
eleição de um presidente negro nos EUA, o que quase aconteceu com a anunciada candidatura do
general Colin Powell, pelo Partido Democrata, no ano de l995. E, ainda, numa contribuição histórica à
miscigenação, Thomas Jefferson teria tido filhos com a escrava Sally Hemings.
 
 A humanidade, decorridos alguns milênios, ou menos, será uma imensa mestiçagem, quando a
paz perpétua, sonhada por Immanuel Kant, objeto de seu livro