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Adm Pública - A Corrupcao no Brasil

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outro lado, aplicar penas severas, inclusive instituir pena de morte para os crimes hediondos, o que
seria menos oneroso e mais eficaz, bem como criar penas alternativas de efeito moral, chibatear em
público, por exemplo, sem causar seqüela física, pois por pior que seja um homem, ele não suportaria a
humilhação de ser surrado em público; provavelmente iria preferir a morte. Tais penas seriam objeto de
sentença condenatória transitada em julgado, com direito à ampla defesa.
 
 A perversidade, a maldade, a inveja, a avareza e a violência, andam sempre juntas: ora
esbarramos numa; ora esbarramos noutra; porquanto, a rigor, compõem o pacote da corrupção e de seus
efeitos.
 
 O lado perverso ou natureza da maldade, objeto deste capítulo, diz respeito à pessoas normais ou
consideradas normais, excluindo psicopatas , drogados, etc.,que podem ter o lado perverso ou maldoso
exacerbado, por outras razões.
 
 Por isso, em qualquer espécie de relacionamento: amoroso, religioso, comercial, político,
esportivo, etc., devemos procurar conhecer o lado perverso de nosso interlocutor, em geral, escondido a
sete chaves, observando os detalhes do seu comportamento: humor ferino, irônico, rancoroso, invejoso,
desamor pela fauna, pela botânica, ímpeto de violência contra animais domésticos, gestos corporais
agitados ou inquietos, tudo isso de modo disfarçado, partindo do princípio de que as pessoas, via de
regra, procuram mostrar o que é bom e esconder o que é ruim.
 
CORRUPÇÃO NO BRASIL
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 Quanto ao lado bom do ser humano, é imensurável, tal é a grandeza dos benefícios de sua obra,
sobejamente divulgada e homenageada, tanto na vida, quanto na História, partindo do princípio de que,
em geral, humanistas e estadistas saem da vida para entrar na História! daí a necessidade de mostrar o
lado oposto do ser humano: ruim ou perverso, para fins culturais e, conseqüentemente, perscrutarmos
sobre o verdadeiro sentido da vida e o porque das coisas e de seus efeitos, numa análise globalizada em
prol do saber.
 
 
 
 
CORRUPÇÃO EM OUTROS PAÍSES
 
 
 
“As multinacionais subornam
 e são subornadas.”
 
 Theodore C. Sorensen
 
 
“É impossível enfrentar a corrupção no mundo, sem reconhecer que existe uma conspiração entre
políticos e companhias transnacionais.”
 
 Frank Vogl
 
 
 
 I –– Uma empresa de grande porte, situada na América Latina precisou, para se expandir, da
aprovação urgente de um importante projeto para montagem de uma indústria, acompanhado de algumas
plantas para construções, loteamentos etc., que ia empreender em determinado país. Assim que as
primeiras providências foram tomadas junto aos órgãos competentes, começaram a surgir dificuldades
CORRUPÇÃO NO BRASIL
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burocráticas apresentadas por funcionários que desejavam vender facilidades, visando obter vantagens.
Diante dos empecilhos, tendo em vista o montante das obras que iriam ser construídas e as implicações
sócio-econômicas, aquela organização não teve outra alternativa senão gratificar com polpudas
importâncias os funcionários que tinham a seu cargo o exame e a aprovação de projetos e plantas daquela
natureza. Com isso, a pretensão em apreço passou a ter caráter prioritário.
 
 
 Tudo foi resolvido satisfatoriamente. O emprego de muitas famílias estava garantido. Dentro de
pouco tempo, a empresa duplicou sua produção. Pedidos que estavam em carteira foram atendidos. Em
suma, o prazo de 12 meses que a empresa teria de esperar para o assunto ser resolvido foi reduzido para
duas semanas, conseguindo com isto elevar o seu ativo e desencadear uma série de atividades
progressistas. Por outro lado, se não se submetesse a essa extorsão, correria o risco de não realizar aquele
grande empreendimento e, em conseqüência, aquele país teria sido privado de tão importante
investimento.
 
OBS: Eis um absurdo que gerou outros absurdos, porém, com efeitos progressistas.
 
 II –– Outra empresa transnacional adquiriu, num país em desenvolvimento, uma área situada em
região de densa população, onde instalou amplas indústrias, que além de atenderem à demanda do
mercado e empregarem milhares de pessoas, alimentam uma cadeia de atividades paralelas. No entanto,
quando do início de suas múltiplas obras, sob alegação de que uma de suas fábricas iria lançar para o ar
substâncias poluentes, teve problemas com o ministro do Meio Ambiente. Aquela autoridade fora
devidamente informada de que tal mal não ocorreria, uma vez que a fábrica em questão seria
tecnicamente equipada para evitar a poluição do ar e das águas circunvizinhas. Mesmo depois de uma
visita prolongada in loco, embora convencido dessa assertiva, ele embargou as obras, propondo, por
intermédio de um receptador de subornos, que as mesmas fossem reiniciadas mediante uma elevada
contribuição política, em dinheiro, a ser dividida entre os principais membros do governo daquele país.
Consumada a extorsão, tudo se normalizou, ou seja, as obras prosseguiram em ritmo acelerado.
 
 A maior parte desse dinheiro foi aplicada nos negócios particulares dos contemplados, que se
multiplicaram por muitas vezes. O saldo restante eles depositaram em bancos estrangeiros, no exterior.
 
 Essa enorme soma, diante dos lucros auferidos por essa multinacional, tornou-se insignificante.
 
 A importância objeto dessa extorsão-suborno foi contabilizada sob a rubrica “Contribuições
Políticas.”
 
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 III –– Agenciadores de negócios que operam em áreas oficiais conseguem acumular fortunas, a
título de empréstimos em órgãos governamentais, transações de compra e venda, ou interferindo em
processos de concorrência pública. Aplicadas depois na montagem de indústrias e nos mais variados
setores da economia, desencadeiam uma série de atividades sociais, contribuindo, portanto, para o
progresso nacional. Seria outro fator de progresso acionado em razão de práticas corruptas? Até certo
ponto, sim, já que todo mal traz consigo algum bem.
 
 
IV –– Um falsário europeu montou um banco onde emprestava dinheiro que fora emitido
fraudulentamente, com numeração repetida, sob a alegação de que o país desejava evitar o impacto
psicológico de novas emissões. Com isto, provocou acentuados efeitos desenvolvimentistas. Quando o
governo descobriu essa trampolinagem, que àquela altura já estava operando inclusive em outros países, 
muitos empreendimentos sócio-econômicos deslanchavam a todo vapor.
 
 
 V — Um estudo elaborado pela Associação de Hospitais Norte-Americanos –– examinado por
uma subcomissão parlamentar –– concluiu que, em 1974, nos EUA, foram realizadas dois milhões,
trezentas e oitenta mil cirurgias desnecessárias, provocando 11.900 mortes e elevados gastos (também
desnecessários). Ainda que os lucros oriundos desses lamentáveis excessos tenham sido aplicados em
aperfeiçoamentos do regime médico-hospitalar, com reflexos positivos, justificariam a morte de onze mil
e novecentos pessoas? Jamais!
 
 
VI –– O New York Times apontou Sidney R. Korshak, advogado trabalhista e proprietário do controle
acionário da Associated Booking Corporation, como um dos mais influentes exploradores do tráfico de
influência, de operações ilícitas, etc. Em resumo, mostrou-o envolvido em várias tramas, cujo sucesso
teria começado quando defendia figuras da gangue de Al Capone. Só nos primeiros anos da década de
40, seu nome surgiu em pelo menos 20 inquéritos sobre o crime organizado. Ainda assim, ele era
chamado às salas de direção das maiores empresas norte-americanas, entre as quais, o texto supracitado
relaciona as seguintes: Gulf and Western, National General, Max Factor, Rapid American, Diners Club,
as indústrias Schenley, as cadeias de hotéis Hilton e Hyatt,