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Adm Pública - A Corrupcao no Brasil

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31) Gana
32) Japão
33) França
34) Estados Unidos
35) China Comunista
36) Espanha
 
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 
 OS MENOS CORRUPTOS
 1) Dinamarca
 2) Finlândia
 3) Suécia
 4) Nova Zelândia
 5) Canadá
 6) Holanda
 7) Noruega
 8) Cingapura
 9) Luxemburgo
10) Suíça
11) Lapônia
12) Irlanda
13) Austrália
14) Alemanha
15) Áustria
16) Cuba
17) Grã-Bretanha
18) Chile
 
 
 
 
 
SOBRE A MOBILIZAÇÃO INTERNACIONAL
CONTRA A CORRUPÇÃO, A REVISTA TIME
PUBLICOU A SEGUINTE MATÉRIA:
 
 
 
 
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 “A crise no Extremo Oriente fez o sonho de muita gente virar fumaça. A deposição de
Suharto na Indonésia , que trouxe à tona a enorme fortuna acumulada pelo governante, é apenas uma
parte da história. Bilhões de dólares em ajuda financeira ou investimentos na região foram sugados pelo
buraco negro do sistema de administração pública, em que uma mão sempre lava a outra. Enquanto a
economia asiática ia de vento em polpa, quase ninguém prestou atenção no rombo causado pela
corrupção. O colapso dos tigres asiáticos, no entanto, levantou a sujeira escondida embaixo do tapete.
 
 Propina, suborno, mamatas ou negociatas. Não importa o nome. A corrupção se alastra e seus
beneficiários se alimentam dela como se fosse um maná vindo dos céus. Como demonstrou a crise
asiática, essas práticas escandalosas podem propagar a instabilidade em todo o continente. Juntos, o
Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) querem apontar os culpados e fazer rolar
algumas cabeças. Antes tarde do que nunca.
 
 O combate à corrupção é a palavra de ordem dos líderes mundiais. Na reunião da Cúpula das
Américas, realizada em abril de 1998, no Chile, o presidente norte-americano, Bill Clinton, e os demais
chefes de governo reafirmaram o compromisso de varrer a corrupção do continente. Sob os auspícios da
Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os 29 países mais ricos do mundo
–– além de outras cinco nações –– estão no momento tentando aprovar leis de repressão ao suborno de
funcionários estrangeiros, seguindo os termos de uma convenção assinada em dezembro passado. O
acordo é fruto de uma intensa pressão exercido pelos Estados Unidos e se tornará lei quando for
ratificado por cinco dos dez maiores exportadores do mundo. A data limite é 31 de dezembro. Caso não
seja ratificado, o acordo será adotado como tratado internacional pelos países signatários. Mas esse tipo
de endosso seria, no mínimo, fraco e decepcionante.
 
 Os países signatários prometem agir como os Estados Unidos têm feito desde 1977. É crime
subornar funcionários públicos no exterior. Além disso, não se pode mais deduzir do imposto de renda as
despesas com propinas, um hábito tolerado em países europeus como a França e a Alemanha. Essa
prática foi denunciada como incentivo explícito à mamata, sem falar na vantagem desproporcional sobre
competidores menos abonados.
 
 O freio proporcionado pela lei norte-americana está longe de ser ideal, e o tratado em si apresenta
várias brechas. Aceitam-se ainda os tais “presentinhos” dados a partidos políticos, parte do caixa dois de
campanhas eleitorais. Na República Tcheca, por exemplo, o primeiro-ministro Vaclav Klaus renunciou
no final do ano de 1997 devido a irregularidades na arrecadação de fundos do seu partido. Não se espera
que a lei seja perfeita, mas a corrupção, nas palavras de Wolfensohn, deve ser extirpada.
 
 A maré de escândalos nos últimos anos tem abalado sistemas políticos que conseguiram
sobreviver aos anos da guerra fria. Coréia do Sul, Japão, Rússia, Itália, Espanha, Argentina, Brasil, Índia
e Paquistão –– além de outros países, da Albânia ao Zaire –– assistiram a escândalos causados por
CORRUPÇÃO NO BRASIL
acertos sigilosos e ganhos escusos.
 
 Os escândalos astronômicos estampados nos jornais são apenas a ponta do iceberg, mas, de
qualquer forma, as manchetes deixam muita coisa à vista. No momento, a Justiça russa tenta conseguir
das autoridades gregas a extradição do empresário Andrei Koslenok, principal acusado do
desaparecimento de mais de US$ 180 milhões da Comissão Estatal de Metais Preciosos. Na Espanha,
Luis Roldán Ibanez, ex-chefe da Guarda Civil, foi condenado a 28 anos de prisão por desfalque, fraude e
evasão fiscal. Roldán depositou pelo menos US$ 10 milhões em um banco de Cingapura e outros US$
11,2 milhões em sua conta na Suíça, pertencente a ele e a alguns amigos. Na Nigéria, o ministro das
Finanças Anthony Ani alertou: “Gastamos mais de US$ 4,5 bilhões no projeto de construção da
siderúrgica de Ajaokuta. Não tenho dúvidas de que tal quantia seria suficiente para construir três usinas
na Alemanha ou na Rússia”.
 
 É possível medir o volume da pilhagem, mas o Banco Mundial arrisca um palpite: se os ganhos
ilícitos corresponderem a 5% do valor dos investimentos estrangeiros e das importações em países
minados pela corrupção, a lambança anual chegaria perto de US$ 80 bilhões. O cálculo inclui apenas a
bolada surrupiada nas transações internacionais. Não se considera a depenagem de patrimônios estatais
ou a espoliação dos cidadãos. Tudo o que os tratados internacionais podem fazer é ampliar a rede de
ação, na tentativa de reduzir o prejuízo global. Com exceção dos Estados Unidos, que há 20 anos
sancionaram uma lei de práticas de corrupção estrangeira –– resultado dos escândalos de Watergate e da
empresa de aviação Lockheed, no Japão –– nenhum outro país se mobilizou para seguir esse caminho até
o momento.
 
 Até recentemente, muitos governos europeus achavam que a iniciativa da OCDE era uma piada.
“Ninguém esperava chegar a tal ponto. Mas no final, demonstrou-se disposição para cooperar e aprender
com os demais”, reconheceu um observador francês nas negociações. A cruzada, iniciada pelo FMI e
pelo Banco Mundial, serviu de alavanca para outras instituições multilaterais, que também aderiram à
causa. Foi o caso da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Conselho Europeu, com seu
“programa de ação”, e da Assembléia Geral da ONU, que aprovou uma resolução há 17 meses (janeiro
de 1997).
 
 Os escândalos domésticos na Europa ajudaram a abrir terreno. Na Itália, a Operação Mãos
Limpas vem processando empresários e políticos de alto escalão. Como uma novela que se arrasta desde
fevereiro de 1992, a operação acabou subvertendo a ordem vigente nas instituições do pós-guerra. Mais
de 4.000 pessoas já foram investigadas, cerca de 900 foram processadas e 286 terminaram sendo
condenadas, incluindo Bettino Craxi, duas vezes primeiro-ministro da Itália, e Gianni De Michelis,
ex-ministro das Relações Exteriores. Os alemães, por sua vez, também se chocaram com a enxurrada de
escândalos envolvendo praticamente todas as empreiteiras do país, além de diversas autoridades locais.
Com a revelação de que a gatunagem corre solta também dentro de casa, deduzir do imposto de renda
propinas pagas no exterior já não parece um grande negócio.
CORRUPÇÃO NO BRASIL
 
 Cursos de ética são a última sensação na maioria das escolas de administração ocidentais.
Empresas abaladas por casos de corrupção reconhecem o enorme desgaste sofrido. Um funcionário de
Cingapura foi acusado de receber suborno de milhões de dólares da Siemens –– o gigante alemão da
eletrônica –– e de outras quatro empresas. Depois disso, o setor de telecomunicações da empresa foi
proibido de operar naquele país.
 
 Companhias como a Royal Dutch, do Grupo Shell, perceberam que lavar a roupa suja em casa
pode ser um bom negócio. Em seu primeiro relatório interno sobre o padrão ético de seus empregados e
associados, divulgado em abril, a Shell revelou ter demitido 23 funcionários envolvidos em suborno,
além de cancelar contratos com 95 empresas por motivos éticos. “Não